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Mensagens

A mostrar mensagens de 2005

Compagnons de route

“Era um punhado de jornalistas, unidos pelo ideal comum da dignificação profissional, que, enfim, a queda do fascismo e a abolição da censura estatal iriam tornar possível. Mas no início de 1975. esse grupo de profissionais experimentava uma sensação de desencanto em face dos caminhos então trilhados pela Imprensa portuguesa, abalada pelo tumultuar de paixões que, após décadas de silêncio e de sujeição, fervilhavam no seio da sociedade portuguesa , reflectindo-se, naturalmente, no ambiente dos jornais.”

Foi assim que em 12 de Maio de 1978 a redacção de O Jornal, celebrou editorialmente os três anos de aniversário, mostrando numa fotografia colectiva todos os que faziam o “esforço colectivo” de todas as semanas, a cada sexta-feira, porem nas ruas e quiosques o jornal que no primeiro número de 2.5.1975, se afirmava como “um semanário de jornalistas que para tal se constituíram em sociedade, decididos a trabalhar por uma informação objectiva e esclarecedora, desligada das pressões de sect…

Atrás dos tempos...

O diário 24 horas de 17.3.2005 -da Global Notícias, Publicações SA, da Lusomundo Media,- tem 48 páginas, na sua maioria a cores e na primeira página traz uma notícia de importância eventualmente transcendente para os seus garantidos 80 mil leitores, mais os milhares virtuais que passam no escaparate e espreitam:
“ Joana Lemos pirou-se para o Brasil”. E esclarece em letras miudas que “pegou nas crianças e no marido e fugiu dos escândalos”! E para mostrar que a notícia não é a brincar, brinda o leitor e o passante com foto de corpo inteiro da “piloto”!

No miolo do jornal, as notícias são coloridas com as fotos de Gisele Bundchen e pergunta-se na segunda página , a propósito de Kirsten Dunsten, “muito lá de casa” e epigrafada a “coisas de vedeta”, “Quem dá tampa a quem?”.
O pobre do Rui Rio na página seguinte tem também o seu direito a foto com a mulher em escusada pose de circunstância e que acompanha outras fotos de notáveis da nossa praça dos prémios Marketing 2004, com a notícia importa…

Memórias de músicas

Águas de Março- Tom Jobim, 1972


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é…