quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Humor nacionalizado


Saiu agora mesmo, um livro que recolhe alguns textos escritos e de antologia do Humor Português, de 1969 a 2009 e que merece toda a atenção e recomendação, pela qualidade.

Organizado por Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, a recolha parte de 1969, altura em que foi editada outra antologia, dedicada ao Humor português, da autoria de Fernando Ribeiro de Mello, da Afrodite e esgotado há muito.

Nuno Artur Silva, é um dos elementos mais representativos da chamada União Cooperativa Nacional. O pai das Produções Fictícias, mexe os cordelinhos de quem faz rir o público, em diversas plataformas, com destaque para a televisiva.
Para quem não saiba, a União Cooperativa Nacional é o sucedâneo moderno da União Nacional de antanho, mas no reverso.
Porém, retoma o mesmo pendor de agremiação de sensibilidades, neste caso encostadas à Esquerda genérica e predominante em Portugal, desde o 25 de Abril de 74; as mesmas parametrizações culturais e espirituais, embora de feição laica e progressista, ao lado do jacobinismo; as mesmas tendências para a exclusão do divergente, se for ameaça ao status quo; os mesmíssimos tiques de censura, ao olhar que fique do lado oposto ao politicamente correcto.

O livro antológico, tem um pequeno texto de Mário-Henrique Leiria, nos Contos do Gin-tonic, de 1973 e que merece referência, por algo que nem sei bem porquê:

"Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o.
Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua.
Voltou passados vinte e dois anos, com chófer fardado.
Era Director-Geral das Polícias. Seu pai teve o enfarte."


Há quem não precisasse de vinte anos, para chegar ainda mais longe...

5 comentários:

Ritinha disse...

Caro José,
Esqueceu-se de mencionar outro produto humorístico de Nuno Artur Silva: o Eixo do Mal, onde pontuam outros dois grandes humoristas da nossa praça: Clara Ferreira Alves e Daniel Oliveira.
Tem agora um outro elemento, cujo nome ainda desconheço, mas dizem-me que foi recomendado pela traquejada nestas lides Fernanda Câncio.
Há mais diversão para além do mundo vitalino...

josé disse...

Sei bem, porque costumava ver, quando tinha o Júdice.

Agora tem lá aquele espécimen de direita indefinida que no outro dia citou ume scrito de Paulo P. como uma referência televisiva de relevo.

É suficiente para ver de onde sopra o vento...e porque razão o Nuno Artur Silva escolhe estes cata-ventos.

União Cooperativa Nacional que assegura o emprego e a boa vidinha, a alguns.

Para mim, é tão evidente que até ofusca a realidade.

Anónimo disse...

O eixo empenou.

portolaw disse...

o júdice era o único que, embora irregular, me fazia ficar propositadamente acordado para ver o "eixo"; agora, se estou acordado e não me apetece ler um livro ou ver um filme, ainda espreito, mas o programa perdeu a sua capacidade de irisão, de agitação de consciências que o júdice, por vezes, sempre com finura e uma certa candura, me transmitia.

miguel disse...

"Há quem não precisasse de vinte anos, para chegar ainda mais longe..."

Mas que têm bons mestres,lá isso têm...

"Crise na fiscalização das contas partidárias

Em ruptura com o presidente do Tribunal Constitucional (TC), demitiu-se o presidente da Entidade das Contas e dos Financiamentos Políticos (ECFP)...
...O primeiro sinal de algo não ia bem surgiu quando os dois organismos tiveram entendimentos diferentes sobre as contas da candidatura presidencial de Mário Soares (2006). A Entidade das Contas considerou que deveriam ser considerados financiamentos da campanha, e contabilizados para efeito dos limites legais impostos, iniciativas oferecidas por terceiros à candidatura (por exemplo: almoços e jantares de campanha). Se essa doutrina tivesse vingado, a irregularidade da candidatura seria punível com pena de um a três anos de prisão."

DN (http://dn.sapo.pt/2008/11/19/nacional/crise_fiscalizacao_contas_partidaria.html)


Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.