segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Happening do PCP


Decorre neste momento a cerimónia de encerramento do XVIII Congresso do Partido Comunista Português.

Em 34 anos de democracia, não me lembro de o PCP ter sido tão explícito, claro, preciso e incondicional, nas suas directivas essenciais, para a sociedade portuguesa: ditadura, totalitarismo de partido único e comité central coeso e firme na luta de classes, pelo derrube da burguesia e do "grande capital". Em suma, o regresso dos sovietes e do regime totalitário que o Leste experimentou durante dezenas de anos. Jerónimo de Sousa, reafirma agora mesmo, a sua fé inabalável, adoptada pelo PCP, neste Congresso, no marxismo-leninismo que nasce da vida e nela se desenvolve. Uma Democracia popular, sem o nome que a delimita...

Nunca o PCP tinha ido tão longe, publicamente, na proclamação grandiosa e grandiloquente, de princípios que sempre foram os seus e que contendem, com a democracia de tipo ocidental, em que vive a totalidade dos povos europeus.

O PCP, na Polónia ou na Hungria, estaria no museu, das raridades sociológicas do séc XX. Não teria um décimo da atenção que por cá, os media subservientes ou complacentes, com uma ideologia caduca, nefasta e totalitária, ainda conseguem transmitir á população em geral, de modo totalmente acrítico e noticiosamente favorável. Este epifenómeno, dentro daqueloutro, só encontra a explicação no facto de a maioria dos jornalistas, terem sido absolutamente complacentes com essa ideia de Esquerda difusa, de defesa inabalável "dos trabalhadores", que o PCP sempre transmitiu e de algum modo assegura, através das suas estruturas sindicais. A Esquerda no jornalismo português, tem sido a regra ideológica, de há mais de trinta anos para cá. Quase sem excepção e é essa a única explicação para esta aberrante ausência de espírito crítico, perante a ameaça explícita de uma ditadura popular.

Fosse um qualquer partido de um suposta extrema direita, como o PNR ou outro, a propor a ditadura explícita de partido único, com as ideias filosóficas totalitárias, e teríamos todos os media, sem excepção, a exigir a dissolução desse partido e a prisão imediata dos seus membros, por ofensa à Constituição e à própria lei penal geral.

Assim, não. O que se pode ler, ver e ouvir, é este absurdo ubuesco de pendor alienatório ( termo marxizante) que separa a realidade política da vivência comum, em democracia ocidental, em favor de um ersatz fatal para a liberdade de expressão, reunião, associação e organização económica. A apologia implícita de uma desgraça incomensurável para o povo português, erigida em modo de salvação ideológica e prática desse mesmo povo. Fantástico!

Um absurdo de tal ordem, proposto com tamanha seriedade, só pode ter origem numa loucura colectiva, provocada por uma qualquer droga alucinogénea. Neste caso, a droga é conhecida: sectarismo mental elevado à potência máxima da doutrinação fundamentalista.

Segundo se pode ler neste blog ( de onde se retirou a imagem abaixo), o jornal do PCP, o Avante, logo em Março, avisara para a ofensiva "anti-comunista visando o Partido como ele é e tentanto transformá-lo naquilo que todos os seus inimigos querem que ele seja."

O PCP de hoje e que sai deste Congresso, assume esta imagem simbólica, perante a sociedade em que se insere:



3 comentários:

lusitânea disse...

PNR e não PRN

Portugal será estudado como um caso de suicidio colectivo.
Repare-se na quantidade de jornalistas de esquerda que têm os jornais ditos de direita...
Todo o ensino a fazer o trabalho de propaganda do PCP, os mais bem pagos lugares do país a cuidar de nos afundar...

Colmeal disse...

Há algo aqui que não me soa bem...
PCP ... Campo Pequeno...

Ainda era muito jovem mas esta associação relembra-me algo desagradável ....

josé disse...

PNR, pois. Obrigado, já mudei.