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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2009

Vital, de parabéns.

Vital Moreira é o cabeça de lista do PS às eleições europeias. Parabéns. O blogger da Causa Nossa, é um militante neo, do PS. Antes, até á queda do muro de Berlim, tinha sido um militante hard, do núcleo central do estalinismo comunista. É ainda um jacobino às direitas, herdeiro dilecto de Afonso Costa. Por vezes, poucas mas identificadas, perde a noção de respeito e produz aquelas faenas de má índole ( caso PauloP. e um ou outro mais, no blog).

Tudo isso é Vital Moreira. Mas é um pouco mais: considero-o uma pessoa com seriedade um pouco acima desta rasquice que é apanágio do PS de Sócrates. Embora o defenda de modo canino, por um puro reflexo de sobrevivência política na ribalta, tem o bestunto suficiente para divergir e a independência necessária para não embarcar em todas as aventuras. Nessas alturas periclitantes, cala-se. Sendo de outra laia, adere a essa laia de baixa extracção, o que o desmerece e autoriza que lhe malhem.

Vai para o Parlamento Europeu, onde poderá fazer uma f…

Laborinho Lúcio-comentários

A entrevista de Laborinho Lúcio, no Público de hoje, reflecte toda a idiossincrasia da personagem. Laborinho Lúcio é uma das figuras-chave do nosso sistema jurídico actual.
Foi responsável por uma escola de magistratura inspirada na francesa, mas a que ele mesmo, com a sua personalidade própria, soube dar identidade e relevo insofismável. Nos anos oitenta, quando tinha os seus quarentas e já uma larga experiência de magistrado ( como juiz e do MP), vindo do antigo Estatuto Judiciário e com um pé firme nas ideias iluministas do 25 de Abril, Laborinho colaborou na arquitectura do sistema.

Laborinho, nos anos oitenta, até chegar ao Governo de Cavaco, para ministro da Justiça, pela mão de Fernando Nogueira ( que o convidou na base da notoriedade do então director do CEJ), orientou o CEJ, onde formou centenas de magistrados e lhes imprimiu um ideário de tolerância e liberdade, associadas a uma experiência de dúvidas. Laborinho não é um duro da acção penal. Leu muito, reteve mais e transmite…

Laborinho Lúcio- entrevista ao Público

Fica aqui a entrevista de Laborinho Lúcio ao Público de hoje ( e à RR e RTP2). Para já fica o texto. Os comentários virão a seguir, porque a entrevista, extensa mas sobre poucos temas, merece alguns.


PÚBLICO/RR - Esta semana soubemos da sentença do processo Bragaparques em que há um réu acusado de tentativa de suborno de cerca de 200 mil euros e que foi condenado com uma multa de cinco mil euros. É mais um exemplo a juntar à ideia de que a justiça não funciona ou funciona mal...

Laborinho Lúcio - Antes de focar não necessariamente o processo Bragaparques, porque não posso falar especificamente do conteúdo dos processos, tenho todo o gosto em esclarecer o que pode estar por trás, do ponto de vista do enquadramento legal e teórico, que leva a uma decisão desta natureza e o modo como temos prevista no código penal, a criminalidade económica geral e, sobretudo, a corrupção.
Não posso dizer se a decisão foi correcta ou incorrecta do ponto de vista técnico. Tenho a percepção, por aquilo que c…

Isto vai mal...

Lisboa, 27 Fev (Lusa) - Três investigadores da Polícia Judiciária (PJ) que trabalham no "caso Freeport" garantem que o processo "não esteve parado durante três anos", realçando que foram feitas "inúmeras diligências de busca entre 2005 e 2008". Em comunicado hoje divulgado, o advogado António Pragal Colaço, mandatário de três dos investigadores criminais ligados à investigação do "caso Freeport", refere que, em Junho de 2008, o "processo tinha nove volumes e 230 apensos". "Não corresponde à verdade que o processo Freeport tenha estado parado durante três anos", assegura.Já por duas vezes, o PGR afirmou publicamente que o processe esteve "praticamente parado", desde 2005.
Disse-o em Janeiro deste ano e voltou a dizê-lo recentemente. Foi então desmentido e volta a sê-lo agora.Hoje mesmo, o Correio da Manhã ( pela tecla de Tânia Laranjo, o que suscita reservas), escreve que o PGR pretendia que o processo fosse tor…

A nova TVI24

Estreou o canal de notícias, o TVI24. Quanto às notícias, nada de especial, com Henrique Garcia. Lembra o antigo canal 2 da RTP.
Quanto ao programa das quintas-feiras, Roda Livre, uma agradável surpresa. Vital Moreira, Vasco Pulido Valente e Rui Ramos, debatem alguns temas. Vital Moreira menos agressivo que na escrita e mais discursivo. Pulido Valente em crónica verbalmente alargada e Rui Ramos mais discreto.
Para já, é um must.
Vital Moreira continua igual a si mesmo, embora um pouco mais suavizado. Falou duas ou três vezes na Igreja Católica. Uma delas para dizer que é uma das instituições do país.
Claro. É exactamente por isso que não perde ocasião de lhe "malhar", como grande jacobino que é.

Vasco Pulido Valente é um tipo de raciocínio rápido. Atrapalha-o um pouco a dicção, mas não lhe retira eficácia no discurso.
Rui Ramos é alguém que balança. Vamos ver para onde.

O recurso dos prazos

Lisboa, 26 Fev (Lusa) - O recurso do Ministério Público contra a decisão judicial de obrigar o Estado a indemnizar o ex-dirigente socialista Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia, já deu entrada no Tribunal da Relação de Lisboa, disse hoje fonte judicial. Uma fonte da Relação de Lisboa adiantou à agência Lusa que a apreciação deste recurso de natureza cível terá como relatora a desembargadora Manuela Gomes. A 02 de Setembro de 2008, Paulo Pedroso ganhou a acção que interpôs por prisão ilegal no âmbito do processo Casa Pia e o Estado foi condenado a pagar 100 mil euros.
Quase seis meses, para...chegar à Relação. Um simples recurso cível que não apresenta as dificuldades de um Inquérito criminal, cujo prazo de conclusão, é semelhante se houver arguidos presos.
Seis meses! E agora, virá o acórdão. Prazo? Não há. Virá um dia destes. Um dia é como quem diz um mês ou mesmo um ano. Destes.
Isto tem algum sentido? Tem: o de permitir que a dirigente do PSD possa dizer que a Justiça at…

O problema

clicar na imagem para ler.

Como se resolve este problema, retratado hoje no Correio da Manhã, mas extensível a outras escolas?
É um problema social, escolar e de segurança interna.
Quem diz social, diz ISCTE. Quem diz escolar, continua a soletrar ISCTE e quem diz segurança interna, diz governo PS, ministro Rui Pereira, reformas penais e laxismo social.

Está resolvido.

“O céu dos conceitos está cheio de violinos”.

[O Código de Processo Penal de 1987]Entre as suas inovações mais marcantes, erigiu as proibições de prova em figura geral e nuclear do novo ordenamento processual penal português”- Professor Costa Andrade, Sobre as proibições de produção de prova em processo penal, Coimbra Editora, 1992, no prefácio.

“ O professor Figueiredo Dias, fundador do que já pode considerar-se uma doutrina portuguesa das proibições de prova”- ibidem.

“Um caminho onde se têm manifestamente adiantado a doutrina e a jurisprudência germânicas.”- ibidem, pág. 14.

Nem sempre o interesse do esclarecimento do crime e da perseguição de um suspeito terá, só por si, a força bastante para derimir ( assim, no original) a ilicitude material indiciada pela tipicidade das pertinentes formas de produção ou valoração da prova.”

Nas fontes desta problemática, encontram-se os direitos protegidos criminalmente, de gravação e fotografias ilícitas, intromissão na vida privada, violação de segredo de correspondência e telecomunicaçõ…

Os académicos da injustiça

Lusa/ Sol:
O recurso da Bragaparques, baseia-se, entre outros, num parecer do penalista Costa Andrade para quem, «no direito positivo português vigente não é permitido o recurso a agente encoberto para investigar o crime de corrupção activa para acto lícito, dirigida a um titular de cargo político». Isto porque - sublinha - «a investigação deste crime não legitima as escutas telefónicas, medida menos invasiva e danosa que só é válida para crimes superiores a três anos». Observa que «entendimento diferente determinaria a inconstitucionalidade da norma, por violação do princípio da proporcionalidade». Para Costa Andrade «a ilegalidade da acção encoberta determina a ilegalidade e proibição de valoração das provas que ela tornou possíveis, nomeadamente o teor das gravações das conversas de 24 e 27 de Janeiro de 2006», que Ricardo Sá Fernandes manteve com Domingos Névoa. Afirma que foram feitas em violação frontal do Código Processo Penal e da Lei n.º 5/2002 e que sofrem, ainda,…

A medida da culpa

Diário Digital:

O administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, foi hoje condenado pelo Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, a 25 dias de multa a 200 euros cada, totalizando cinco mil euros, pelo crime de corrupção activa para prática de acto lícito. O crime de corrupção passiva para acto lícito, é punido no artº373º do Código Penal, em abstracto, com uma pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias. Tanto como um crime de condução sem carta. Ou com álcool a mais.
O crime de corrupção activa, relacionado com um acto lícito, previsto no artº 374º, esse ainda tem bónus acrescido: pena de prisão até seis meses ou pena de multa até 60 dias.

No caso concreto, a pena foi de multa. 5000 euros que vão fazer muita falta ao arguido. No artigo 40 do Código Penal, explica-se a finalidade das penas: protecção de bens jurídicos e reintegração do agente na sociedade. "Em caso algum a pena pode ultrapassar a medida da culpa". A medida da culpa deste arguido, é de 5000 euros.

Nota:…

Caçadas

Público online:

O ministro da Justiça espanhol, Mariano Fernández Bermejo, apresentou hoje a sua demissão face à onda de protestos gerada pela sua participação numa caçada com o juiz Baltasar Garzón, responsável pela instrução de um processo de corrupção que envolve dirigentes do Partido Popular, o maior partido da oposição. A edição online do diário “El Mundo” recorda que nos últimos dias os conservadores, mas também dirigentes socialistas, criticaram a caçada com o juiz da Audiência Nacional, considerando que a proximidade entre Bermejo e Garzón levanta suspeitas de interferência do poder político no processo judicial em curso. 20.02.2009 - 18h27 Agências
O juiz espanhol Baltasar Garzón foi hoje à tarde hospitalizado numa clínica de Madrid com uma crise de ansiedade, depois de se ter sentido indisposto, com uma forte dor no peito. Por cá, nem ansiedades nem demissões. As suspeitas de promiscuidade do poder político com a instância judicial, incluindo os investigadores de topo, designadam…

Tarde piaste

"Em relação à Justiça há um ponto que define o que sinto sobre a matéria. Isto não pode continuar. Aquilo que se tem passado nos últimos tempos significa descer todos os dias mais um degrau da credibilidade do sistema de Justiça. Eu acho que já não conseguimos descer mais degraus." -Manuela Ferreira Leite ao Correio da Manhã de hoje.

Acha mesmo, Manuela Ferreira Leite? Quem aprovou o Pacto de Justiça, "nestes últimos tempos"?
Quem tem contemporizado com reformas penais, trágicas para essa credibilidade?

Por último: vai descer mais e mais. E vamos ver isso no caso BPN. E Manuela Ferreira Leite, sobre isso, nem um pio vai dar. Porque não pode abrir o bico, salvo seja.

Veremos.

As últimas do Freeport

Do Expresso, sobre o caso Freeport:

"Ao fim de um dia aparentemente perfeito, Napoleão, o dogue francês da família voltou a casa ( estava desaparecido)e mereceu um comunicado de advogados".

Entre todas as notícias, incluindo a indicação concreta das perguntas feitas na inquirição em que estiveram presentes quatro inspectores da PJ e dois procuradores do DCIAP, aquela é a mais relevante, para o assunto.

Andam a gozar connosco.

Segredos de polichinelo

O Expresso publica o teor da inquirição que o MP fez a Júlio Monteiro, tio do PM, no caso Freeport, nesta semana que passou.

Violação mais flagrante de segredo de justiça, não pode haver. Interesse especial nesse segredo, agora, também não é assim tão grande.

Sobra a questão: quem violou o segredo de justiça? Foi o MP?

Por mim, os suspeitos até se deixaram fotografar. Na primeira página.

O estado da Educação

Este "ofício" , picado daqui, foi remetido à presidente do conselho executivo da AE Território educativo de Coura, assinado em forma digital, pela directora da DREN, Margarida Moreira.

Talvez a velocidade de expedição tivesse trocado as voltas às palavras e virasse do avesso a sintaxe exigível num "ofício".
Seja como for, o "ofício" já é tema de chacota nos blogs. Merecida, aliás.
A directora da DREN, além do mais, já exerceu funções no ensino superior de...Educação e nos antigos magistérios primários. Em suma, ensinou professsores.
É licenciada em...Ciências da Educação. A sua nota curricular pode ser lida aqui.

E escreve como se pode ler, clicando na imagem.

Coisas e loisas

Saldanha Sanches, agora mesmo na Sic-Notícias, acaba de dizer uma coisa importante:

Quando num país, uma figura máxima do Estado ( PM ou PR) é o alvo de investigações judiciais e policiais, necessariamente algo vai muito mal. Por um motivo que parece óbvio e explicou:

É o Estado que se confronta consigo mesmo, nessa investigação. E uma dessas partes vai ter de ceder.
Em Portugal, neste caso em que o Primeiro-Ministro aparece como alvo de suspeitas ao nível que já aparece, então já se sabe quem vai ceder. O MP não está preparado para esta gravidade. O que se nota demais, porque é nestes casos em que isso é mais aparente.

Nos EUA, diz Saldanha Sanches, é o Senado que investiga este tipo de coisas., por causa dessa dificuldade originária. Noutros lados, será diferente.
( E não, não são calúnias ou difamações. São mesmo factos concretos que não se explicam facilmente e as explicações não aparecem).

Está de caras.

PS. No diálogo que se gerou entre Saldanha Sanches e Teresa Caeiro, aquele re…

Faxes negros

O noticiário da TVI começou. E já há notícias:

"É só para saberes o que está em jogo"- fax de 1996 , atribuido a Manuel Pedro, da Smith & Pedro e dirigido a quem é quem.

"Não conheço Manuel Pedro. Se passar por ele na rua, não o conheço"- José Sócrates, 2009.

"Só conheci António Morais, na Universidade"- José Sócrates, 2007.

Pois sim.

PS. No noticiário, num pequeno apontamento de reportagem, arrepiante e sinal de toda uma imagem degradada deste governo e personagem:

O PM a dirigir-se para um automóvel oficial, de comitiva, com assessores e acompanhantes e o repórter à ilharga, a perguntar-lhe de chofre: "e sobre a casa, hoje não vai falar?"


Pior a emenda que o soneto

Alguém se lembra desta?

«Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao Bloco de Esquerda».


Então, agora, leia-se esta:

«Com toda a franqueza, acho excessivo a forma como a RTP fez a promoção desta entrevista fazendo uma coisa que é inaceitável: pôr o som de uma intervenção minha numa reunião partidária e a imagem de eu a falar no Parlamento».

A autoria das duas frases, pertence ao mesmo pigmeu. Dose dupla, portanto, de ridículo.

Mas nem assim vai ao sítio.

Aditamento em 22.2.2009, às 21h:

A RTP, atenta e com a veneração do costume, em profunda atenção devida ao pigmeu da propaganda política, faz mea culpa, derreia-se na desculpa e consegue ultrapassar o ridículo:

José Alberto de Carvalho, director de Informação da RTP, reforçou o…

As contas de Sócrates

O jornal Público de hoje retoma o tema das "casas de Sócrates".

O tema já foi glosado pelo Correio da Manhã, no mesmo tom: saber como foi possível a Sócrates, em 1996, adquirir um apartamento no centro de Lisboa, por 235 mil euros, pagos na altura (?) e escriturados dois anos depois, quando na mesma época, apartamentos idênticos no mesmo prédio, custavam mais 20% sobre esse valor, no mínimo.

O que o Público relata são factos. Factos relacionados com um indivíduo que é primeiro-ministro e na época já era governante ( secretário de Estado e depois ministro-adjunto do PM).
Logo, factos com relevância pública e que nada autorize que esse mesmo indivíduo declare que " qualquer insinuação no sentido do incumprimento das minhas obrigações fiscais só pode ser considerada como caluniosa e difamatória", tal como escreveu ao jornal. Mas está enganado, o PM. Aquilo que está em causa não são as tais "obrigações fiscais", em princípio.
É outra coisa que toda a gente tem…

Refundadores?

Alexandre Soares dos Santos, um comerciante português, herdeiro e líder do grupo Jerónimo Martins, criou uma fundação. Daquelas a sério e não daqueloutras que vivem do erário público ( como a de Mário Soares).
A novel fundação vai ter um património de vários milhões de euros anuais e aparenta um substrato de boa cepa. Os curadores são quase os do costume, de uma área consensual: o médico Lobo Antunes ; o político Valente de Oliveira ; o jurista António Araújo; um empresário, Carlos Moreira da Silva; uma activista, Isabel Jonet; um professor, Rosado Fernandes e um bispo, Manuel Clemente. À frente de todos, António Barreto. Um cronista formado em sociologia.

Alexandre Soares dos Santos, em entrevista ao Público, além de outras coisas, diz isto:

"É preciso dizer basta quando temos um país a atravessar uma grave crise, quando temos o desemprego que temos e vão à televisão uns senhores com responsabilidades falar contra o grande capital como se não fosse necessária a união de todos. Es…

A normalidade ilga

D. José Saraiva Martins, citado pelo Público:

"A homossexualidade não é normal, temos que dizê-lo (...) Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja".

Ontem de manhã, os noticiários de rádio ( Antena 1 e TSF, dirigidas pelo politicamente correcto soprado pela esquerda), não acharam normal que o cardeal entendesse a homosexualidade como não normal. As notícias traziam comentário depreciativo dependurado. Todas a toda a hora. Quase imperceptível, mas revelador das tendências noticiarísticas da terra.

A associação de homossexuais e lésbicas, com o acrónimo ILGA, revirou-se do avesso e vituperou a anormalidade do comentário.

Estamos num domínio semiótico em que o uso do adjectivo não corresponde aos sujeitos mas às práticas.
Em suma, a homosexualidade, conforme refere o cardeal, não é a forma normal para a procriação.
O que é evidente, …

É Carnaval...ninguém leva a mal.

Uma notícia surreal no Diário Digital:

O Ministério Público (MP) enviou um fax à Câmara Municpal de Torres Vedras proibindo a inclusão de uma sátira ao computador portátil «Magalhães», disse o presidente da autarquia, Carlos Miguel, em declarações à Antena 1. «Fomos surpreendidos agora cerca da uma hora com um fax do Ministério Público assinado pela senhora delegada do 1º juízo, a qual nos dá um prazo até às 15h30 para retirar o conteúdo do computador Magalhães», referiu o autarca. «Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres», acrescentou. Segundo Carlos Miguel, «o que existe é uma sátira ao computador Magalhães com um autocolante que se pressupõe que seja o ecrã». Adenda, às 21h e 20m:
No noticiário da SIC-Notícias, Mário Crespo glosa o assunto, com a presença do responsável pelo Carnaval de Torres Vedras, (advogado) e muito cuidadoso e diplomata. Pronuncia o nome da responsável pelo MP local, várias vezes ( Cristin…

O desembargador Rangel

No Correio da Manhã de hoje, pode ler-se mais uma arenga idiossincrática do cronista Rui Rangel que se assina como "Juiz desembargador". Escreve sobre o tratamento dos media no caso Freeport. Como se pode ler, está tudo bem, não houve violações de segredo de justiça, a coisa tem sido mais ou menos controlada, a comunicação social vive tempos difíceis, enfim, coisa e tal. Mas não é a culpada da coisa do Freepor, não, nem pensar nisso. Portanto, tudo como dantes, excepto...excepto isto: Nunca alinhando nas teses da cabala e das campanhas negras, pode dizer-se, de um modo geral, que a Comunicação Social andou bem e que até fez algum trabalho de investigação. O mesmo não aconteceu com o jornal ‘Público’, com as velhas guerras contra Sócrates, que mancham a sua isenção e credibilidade e com a TVI do casal Moniz. O que a TVI e Manuela Moura Guedes têm feito, no jornal das sextas-feiras, é perseguição pura e dura a Sócrates, não é jornalismo. O casal Moniz serve-se deste órgão de Co…

Privilégios dos ricos

Do Expresso on-line:

Foi anunciado ontem que o empresário Manuel Fino entregou 10% do capital da Cimpor (metade da participação por si detida) para amortizar uma parte de empréstimos contraídos junto da Caixa Geral de Depósitos. As condições desse acordo com o banco público, assumindo que os detalhes referidos nos media são correctos, é que para esse efeito a participação será avaliada acima do actual valor de mercado (não se sabe muito bem em quanto mais) e que o empresário terá a possibilidade, a qualquer momento e durante três anos, de poder recomprar a referida participação ou transferir esse direito para terceiro (não é claro em que condições) sendo que a CGD não poderá alienar a participação antes do fim desse período. Há até quem diga que é bom negócio...para o PS. Mas isso, deve ser a má-língua, habitual. Aliás, não é a primeira vez que a CGD dá crédito amplo ao tal Manuel Fino. Aquando da turbulência no BCP, já Manuel Fino e outros, como o comendador da Bacalhôa, tiveram acesso…

Constâncio já ameaça?

O deputado Nuno Melo, na Comissão parlamentar que investiga os contornos políticos do caso BPN, acaba de dizer na televisão ( SIC-Notícias) que há pessoas ligadas ao universo bancário que têm medo de depor na Comissão, por causa de ameaças da entidade reguladora, o Banco de Portugal, leia-se Vítor Constâncio.

Se isto for verdade, é mais grave que a ausência de regulação adequada que tem vindo a ser denunciada publicamente.
Esperemos pelo que se segue e se Vítor Constâncio é efectivamente corrido do lugar, se esta denúncia for realmente a expressão da verdade.
Corrido e processado, entenda-se. Se for verdade, entenda-se também. Mas a denúncia partiu de um deputado da Comissão.

1 800 milhões de euros a voar e o banco de Portugal a assobiar, é demasiado grave para ficar sem consequências. Ainda mais se tivermos em conta que a justificação, após a audição parlamentar, foi a vituperação de ignorância para aqueles que não percebem o que é a regulação.
De facto, apetece citar Brecht: " como …

A quarta figura do Estado

O presidente do STJ e do CSM por inerência, Noronha do Nascimento, dá uma extensa entrevista hoje, ao DN/TSF.
A entidade singular máxima, do poder judicial enquanto instituição do Estado, diz assim em certo ponto, sobre o seu problema de sempre, o da investigação criminal ficar a cargo dos juízes:

DN/TSF- Há sempre um juiz, mesmo no processo de investigação.
NN-"Como eu lhe disse há bocado, quando se fala em justiça, há muitos sectores: há a polícia, há o Ministério Público...Ando a defender há muito tempo que a investigação devia ser feita por um juiz de instrução criminal, ando a defender esse modelo espanhol e francês há muito tempo! Que de início também era um modelo distorcido, porque os juízes estavam dependentes do procurador, o que também não pode ser. Imaginemos que o caso Freeport, que chega a tribunal, se chegar a tribunal, só a partir daí funcionam os juízes. Antes disso, está a montante dos tribunais. O Ministério Público faz a investigação, o juiz intervém quando? Só s…

A aldeia da roupa branca

O Público de hoje, dá conta de que no processo Freeport se cruzam os nomes de investigadores e investigados.

Sobre Cândida de Almeida, coordenadora do DCIAP, aponta o facto de ter pertencido à comissão de honra de candidatura de Mário Soares à presidência da República, em 2006. Este facto, pouco deveria relevar para o efeito de estabelecimento de ligações perigosas. António Cluny também pertenceu.
Mas sendo um facto, releva um parecer que denota um ser: Cândida de Almeida já se declarou de esquerda, abertamente. Como se isso fosse um ponto de honra e a favor. Imagine-se que se declarava de...direita; e pondere-se por uns segundos o que isso lhe traria de dissabores públicos. Ser de esquerda, em Portugal e declará-lo abertamente em certas circunstâncias é garantia de qualquer coisa que não se percebe muito bem. Mas acontece frequentemente, porque o PREC ainda vive na memória de muitos, principalmente dos que mandam e estavam do lado errado, nessa altura.
Cândida de Almeida já declarou p…