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quarta-feira, 29 de julho de 2009

O partido Comunista Português faz algum sentido político?

Álvaro Cunhal, em Abril de 1981 ainda vivia no universo da revolução permanente, em passo lento, operada a partir de 11 de Março de 1975 e da conquista dos postos chave do poder político de influência, em Portugal.

Em 1976, o PCP e as forças de Esquerda, com o apoio expresso do PS que apesar de praticar uma social democracia envergonhada, tentava mostrar sempre a sua matriz de esquerda socializante e colectivizante, conseguiram um feito: uma Constituição cujo primeiro artigo garantia acima de todas as leis que Portugal estava em vias de caminhar para uma sociedade sem classes. Uma constituição maarxista, ajudada a redigir pelo então comunista Vital Moreira e demais intelectuais do partido e arredores da ideologia de Leste.

Em 17 de Abril de 1981, Álvaro Cunhal concedeu a extrema graça de uma entrevista ao Expresso de Pinto Balsemão, conduzida pela especialista de tais encargos, Maria João Avillez. Diga-se que nessa altura, apanhar num jornal uma entrevista desse teor, alargado a temas de interesse pessoal que não estritamente político, era tarefa inglória. Cunhal não se expunha pessoalmente e ninguém de fora das paredes de vidro do partido entendia que tipo de vida levava, que gostos particulares cultivava e que assuntos afeiçoava para além da política.

A entrevista que segue é um bom exemplo do discurso de Álvaro Cunhal e do PCP que se manteve até aos dias de hoje, absolutamente inalterável nas suas linhas fundamentais.

O discurso do PCP e dos seus dirigentes actuais, não mudou uma vírgula; não alterou um parágrafo e não reconstruiu um único conceito que fosse que já não fosse perfeitamente visível no discurso de Álvaro Cunhal nos anos setenta, depois da Revolução do 25 de Abril.

A ideia actual, algo peregrina mas consistente na lógica das democracias ocidentais, de denunciar o carácter ditatorial do comunismo e do seu pendor para-fascista, para utilizar a sua própria linguagem, tem assento claro nestas ideias que transparecem desta entrevista e que permanecem actualíssimas no PCP que temos.

Àlvaro Cunhal, em dado ponto da entrevista, refere-se ao governo da AD, ( saído das eleições de Outubro de 1980), como um governo que planeava a “ destruição do regime democrático”, através da “ofensiva contra a Reforma Agrária, nas revisão das limitações do sector público e privado, “na política externa de subserviência ao regime imperialista americano” e na ofensiva contra “ a comunicação social”.

A que se agarravam os comunistas de 1981? À Constituição de 1976 e aos seus limites materiais de revisão, ou seja, às matérias em relação às quais se consagrava uma imutabilidade absoluta ( a reserva absoluta que Vital e apaniguados introduziram para assegurar a irreversibilidade das nacionalizações por exemplo) que nem a Constituição de 1933 consagrava.

Agarrava-se ainda com unhas e dentes ( em 1974, Cunhal queria partir os dentes "à reacção"...) a algumas ideias- chave que aliás nunca abandonou. Vejam-se por exemplo, estas duas passagens. A primeira sobre o capitalismo português e sorria-se com o que entretanto sucedeu...

"Porque se não fossem os comunistas e os trabalhadores, a vida não tinha sido transformada. Ainda hoje cá tínhamos os Champallimaud e os Melo, os Espírito Santo, eles ainda hoje seriam os donos de Portugal." Cunhal assegura na última parte desta entrevista aqui publicada que em Portugal, a Revolução criou outra realidade: a" destruição do capital monopolista. os grandes grupos monopolistas, o império do capital financeiro, esse desapareceu."

Qual é o discurso actual do PCP ( e do BE também)? Retomar novamente essas conquistas da Revolução. Sem dúvida alguma que é esse o desiderato desses partidos que o afirmam mas de modo edulcorado e para refazer à la longue.

E mais esta, sobre o então "mercado comum":

"Quando se fala na integração no Mercado Comum, uma das exigências que se põem é que as estruturas socioeconómicas de Portugal sejam conformes com as do Mercado Comum. O que é que isso significa? Restauração do capital monopolista que vigora nesses países", dizia Cunhal.

O que dizem Jerónimo de Sousa e também Louçã, hoje em dia? Exactamente o mesmo, embora no caso de Louçã, por outras palavras e com outros aggiornamentos para enganar papalvos.

O discurso do PCP actual nem uma única vírgula mudou nestes propósito. Nem sequer a palavra “imperialismo”...

Em relação à pergunta colocada pelo Expresso sobre a inexistência de alianças do PS com o PCP, mesmo desde 1974, Cunhal respondia desta forma saborosa:

“Bem, desde 1974 está a exagerar porque as alianças podem traduzir-se de muitas formas. Há alianças...”

Pois há e tem havido. São essas alianças tácitas que têm mantido o PCP à tona de um regime que já o deveria ter dispensado como força política há muito tempo. Isso teria obrigado o PCP a desaparecer enquanto partido marxista-leninista- estalinista e a transformar-se naquilo que outros, noutros países se transformaram: em partidos como os outros e não apenas em mitos e lendas.

Aqui fica a entrevista ao Expresso de 17.4.1981. Basta clicar nas imagens para ler. A parte mais interessante vem nas últimas páginas...em que Freitas do Amaral ainda aparece como um perigoso direitista contra-revolucionário. Certamente para prender no regime que Cunhal gostaria de ver em vigor.












































3 comentários:

lusitânea disse...

Promoveram a descolonização a soldo de Moscovo e agora colonizam-nos... tendo todo o antigo povo Portugu~es perdido em todos os campos.

hajapachorra disse...

Uma coisa que sobretudo hoje espanta é aquela de os comunas ainda se rirem de serem acusados de comerem criancinhas ao pequeno almoço e de darem injecções atrás da orelha aos velhotes. De facto não era, nem é, mentira nenhuma. A 'moral' marxista-liberal, cara e coroa da mesma merda materialista, comeu e come criancinhas nos hospitais e centros de 'saúde' da Urss, da China e da Roménia, nas clínicas dos arcos de Badajoz, de oiã e do príncipe real, a moral marxista-leninista-liberal, a mesma trampa inchada de insolência (hybris se quisesse fazer de pacheco), dá injecções atrás da orelha aos velhotes na Holanda, na China, na Suíça e em breve num clínica perto de si. Para isso trabalham Louçã, Jerónimo, os pacóvios do Psd, o Zé Pureza, os homenzinhos do avental e 80% dos jornalistas (99% no Público). Há que ganhar votos, há que aumentar os negócios, há que lutar pelas audiências. E nisto não se distingue a esquerda da direita (safa-se o cds ás vezes, por conveniência urgente de serviço). Foi essa a vitória de Pirro dos mestres da suspeita: a javardice amoral dos moralistas de algibeira, a miséria intelectual do pesporrente paganismo obscurantista, a morte da razão.

zazie disse...

Plenamente de acordo com o Hajapachorra. Eles podem disfarçar muito com essas larachas mas a falta de moral é a mesma.