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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um país pequeno e pobre

SOL:


O presidente da Câmara de Oeiras, arguido num processo em que é acusado de vários crimes (entre os quais corrupção) pediu interrompeu o procurador do MP e pediu autorização ao colectivo de juízes para deixar o local.
«Prefiro não ouvir o que estou ouvir. Fico nervoso. Caso contrário tenho dificuldade em me controlar. Se me autoriza eu ausento-me», declarou Isaltino Morais ao Tribunal.
«Para o senhor procurador, o julgamento não existiu. Naturalmente que não conseguia ouvir calado, porque se continuo a ouvir declarações do senhor procurador que são mentira, que não foram provadas ao longo do julgamento – que ao longo do julgamento provou-se que era mentira – era difícil estar a ouvir aquilo tudo sem intervir. Irei ouvir a transcrição e depois com calma reagirei», disse depois aos jornalistas.
Isaltino Morais disse ter tomado a decisão para não ouvir «afirmações não provadas» e, por isso, tomou um gesto de «respeito pelos tribunais».
O autarca tomou a decisão «para a dignidade do tribunal».
«É melhor eu sair, para não ser mal-educado. Não é possível ouvir o que estou a ouvir», concluiu, sem que o colectivo levantasse qualquer objecção.
Isaltino Morais foi magistrado do MP. Sabe perfeitamente que durante as alegações orais, o arguido, está calado e ouve. No fim, o tribunal dá-lhe sempre a palavra para dizer o que entender que não tenha dito antes.
Isaltino preferiu sair, dizendo aos media o que entendeu, sobre uma parte das alegações do MP.
Daqui a pouco, será a vez da defesa de Isaltino. O procurador do MP, pode pedir ao tribunal, para se ausentar, pelos mesmos motivos. E vira cá para fora desabafar sobre os "disparates " da defesa.
Isaltino parece ser assim: uma excepção à regra. Segundo disse durante o julgamento, fugas ao fisco, todos as cometem. O dinheiro da Suíça que era do sobrinho, poderá ser do resto das campanhas eleitorais. Corrupção ? Nem fumo, quanto mais fogo.

3 comentários:

JB disse...

Isaltino Morais foi magistrado do MP. - José

Não sabia. Uma pessoa fica preocupada quando ouve estas coisas. O descrédito da justiça também passa por aqui, sabendo-se que alguém que desempenhou funções no sistema tem depois um percurso deste tipo. E não é caso único, visto que alguns dos que saem e às vezes reentram no sistema também não a honram particularmente (vide, Lopes da Mota).

josé disse...

Foi magistrado do MP dos primeiros que passaram pelo CEJ, em 81-82, salvo o erro.

Hoje seria procurador da República, se tivesse continuado.

Porém, a política afastou-o dessas funções.

Na altura do julgamento apresentou-se ainda como magistrado do MP, em suspensão de funções ou coisa que o valha o que lhe valeu um esclarecimento do MP para lhe dizer que já não fazia parte do quadro de magistrados do MP, em qualquer uma das qualidades possíveis.

Portanto, Isaltino foi magistrado do MP durante uns meses. Provavelmente chegoua a exercer algures nos primeiros tempos. Deve ter estagiado com pessoas do tempo do Cluny e Maximiano.

Isaltino acha-se muito à vontade neste processo e acha que não cometeu crime algum, tal como Fátima Felgueiras.

É tudo invenções e cabalas.

Das divergências e convergências disse...

Sim, com o CPP que temos qualquer um se sente à vontade!