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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2009

Sousa Tavares e a obstrução à justiça

Miguel Sousa Tavares, numa interessante entrevista à revista Ler, conta entre outras coisas como foi o seu dia 25 de Abril de 1974 e onde estava: no coração da acção, no Largo do Carmo, junto ao seu pai, Francisco Sousa Tavares que tinha sido o guia de Salgueiro Maia para o local, porque este nem sequer conheceria. O pai, como estivera durante a noite a jogar bridge, dera pelo movimento de chaimites de Salgueiro Maia, porque estivera a ouvir rádio...no carro. E fora o rádio quem o avisara àquela hora, do movimento militar em curso. Notável, o poder de informação do rádio nessa noite. E eu que pensava que tinha sido a 23ª hora e o programa Limite a dar a senha para o início da revolta militar, fico agora a saber que às tantas da matina já havia notícias sobre o movimento militar. É pena que o autor anónimo de Madrugada Desfeita não tenha sabido do episódio, porque sempre lhe permitiria apimentar mais um pouco, o episódio da morte de Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço, na sua ficção t…

O i faz 100 números

O jornal i faz hoje cem números e comemora a efeméride com uma entrevista ao seu director, realizada por Mário Crespo, jornalista que assentaria no i como uma luva de pelica. Um jornalismo com uma densidade específica e sem substracto profundo que surfa a realidade como quem escolhe fruta: pelo aspecto e sem saber o gosto.

Compro o jornal há cem números pelo que estou autorizado a emitir opinião, na qualidade de accionista principal do mais importante activo do i: aqueles que compram e lêem e ainda por cima não desgostam.

O i tornou-se o meu jornal de referência, porque o Público não presta. Perdeu interesse e um dia destes deixo de comprar. Esteve mesmo para ser hoje, mas vou adiando.

O i, segundo o seu director Martim Avillez, vende 9 700 exemplares em banca e deveria vender 12 mil. Venderam 10 900 no primeiro mês; 7200 no segundo, 7400 no terceiro e 9100, no último.
Em termos de circulação paga e que se cifra em 12 753 exemplares.

Isto é ordinário e mostra o país que somos. Com 10 milhõ…

A direita do poder económico do prof. Boaventura

O professor Boaventura, figura cuja imagem mistura um improvável proletário Lampedusa com um esclarecido Tournesol, escreveu um artigo na Visão desta semana em que fala da "Esquerda". O "gattopardo" da esquerda portuguesa, adepto fervoroso do BE, tem aí uma frase lapidar que merece comentário:

"Quando está no poder, a direita tem dois poderes: o poder político e o económico; quando está na oposição, a direita cede o poder político à esquerda mas continua a ter o poder económico".

Extraordinária visão deste tournesol que acha este PS de esquerda embora com "cedências à direita".

Então o poder económico está na direita, não é assim?

O que é o poder económico, afinal, em termos marxistas como o professor Boaventura tanto aprecia? O que detém o capital e os meios de produção, pois claro.
Em Portugal que sentido faz falar em "poder económico" pressupondo um sistema capitalista , sempre de direita, tão do desagrado do professor Boaventura, quan…

"A juventude " do PS

O PS precisava de alguém que representasse a "juventude" e escolheu uma tal Carolina Patrocínio cuja habilidade notória parece ser ( basta buscar no Google para perceber logo) a de apresentar bikinis em público.

A tv foi entrevistar a "nova mandatária da juventude PS" e a entrevista resultante é esta:



Depois de ouvir a "mandatária da juventude" dizer naturalmente que "odeia" caroços das cerejas e que só as come quando a "sua empregada" lhos tira e ainda por cima que "odeia", "detesta perder" e nesse caso até "prefere fazer batota", o Público de hoje, "sabe que a apresentadora foi aconselhada a não dar entrevistas"....apesar de a mesma confessar na entrevista que "gosto de ser notada", de "dar nas vistas"...
Adoraria ser "comunicadora" e quando o entrevistador lhe pergunta porquê, obtém uma resposta interessante: "porque..." e é tudo o que articula como expli…

Os bastardos de Tarentino

O oráculo de Penafiel

Cunha Rodrigues, o antigo PGR que suscita saudades ao pé do que vamos vendo e lendo, pronunciou-se sobre a "crise da Justiça".

De um modo habitual, florentino e de rodeios que precisam sempre de descodificação, disse isto que esta revista digital onde se espelha uma certa magistratura portuguesa, repõe:

Cunha Rodrigues, procurador-geral da República (PGR) durante 16 anos, considera que os cidadãos desconfiam da Justiça e que volume de litígios e a insuficiência de respostas fizeram dos tribunais «causa de ruído e de perplexidade». «O volume de litígios levou a que os tribunais (...) pela insuficiência de respostas, pela multiplicidade de actores e pelo antagonismo de papéis, se convertessem em causa de ruído e de perplexidade», escreve o ex-PGR, no livro «Recado a Penélope», hoje editado. Para o juiz conselheiro, «o cidadão começa a duvidar de que seja possível confiar numa Justiça que parece desfazer, de noite, o trabalho que produz de dia». «A complexidade social e o escru…

O PSD e os atrasos na Justiça

Segundo noticiam os jornais de hoje, o programa do PSD a divulgar também hoje, foca a Justiça como um dos problemas fundamentais a resolver na sociedade portuguesa. O Público e o i, indicam ainda que o PSD entende a morosidade da Justiça como sendo um problema cuja solução também pode passar pelo incentivo monetário a uma maior produtividade dos magistrados.Tal produtividade dependeria de outra medida a introduzir: a indicação de um prazo indicativo para conclusão dos processos e critérios da avaliação da produtividade, novos ou inovadores.
Quanto a esta medida nem será preciso dizer que já existem prazos indicativos para despacho nos processos, tanto na área penal como na cível. Se não são cumpridos-e não são,efectivamente-será preciso, antes do mais perceber porquê. Para tal até existe um Observatório da Justiça, sob a égide do Prof. Boaventura cuja produtividade também poderia ser analisada, de caminho...
Quanto às medidas de incentivo monetário e remuneratório à produtividade dos ma…

O embuste de Louçã

Francisco Louçã entrevistado por Nuno Rogeiro e revisitado pela Sábado de hoje, numa repescagem de entrevista de há mais de 4 anos ( 28.1.2005), conduzida nessa altura por Miguel Esteves Cardoso.
Que diz Louçã, hoje? Coisas extraordinárias. Sobre o que interessa e é apenas a identidade do Bloco de Esquerda, diz algo diverso do que dizia,, ainda há quatro anos atrás. Agora é mais suave, mais aggiornato aos tempos que correm de feição eleitoralmente propícia a apanhar incautos. Nuno Rogeiro cai no mesmo erro epistemológico que MEC, ao perguntar a Louçã pela "bases da identidade" do BE. A resposta é a politicamente correcta, porque induzida por uma pergunta incorrecta, mas substancialmente perversa até dizer não. Diz assim Louçâ, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":

"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma re…

Uma personagem shakespeareana

Clicar na imagem para ler o artigo de Philippe Raynaud que Mário S. deveria ter lido para ser mais comedido no que escreve e não andar sempre a reboque de lampejos de "esquerda" que lhe servem para se afirmar o que nunca foi...