domingo, 23 de agosto de 2009

República de néscios

Com que então “república de magistrados”, não é assim? Ou de juízes, quando calha, não é assim também?

Só por brincadeira alguém poderá avançar o conceito como algo mais que uma piada para distrair incautos e esconder o verdadeiro poder republicano.

Apesar disso, o argumento dos que brandem o espantalho do poder dos juízes e magistrados contra os poderes representativos, surgidos pela via eleitoral, fixam-se em poucas razões: neste momento, o Raposo do Expresso até as estendeu ao poder dos magistrados do MP ( que segundo o mesmo ninguém controla, o que denota bem o avançado grau cultural da criatura). A razão já foi exposta: como o MP controla os inquéritos deixa sair a conta-gotas a informação preciosa que determina o calendário e opções político partidárias. As investigações, as suspeitas, os arguidos, as acusações, são as canhoneiras dos brigues que navegam em águas turvas para atingir os almirantados do poder político que que navegam à vista.

Em primeiro lugar e para atalhar razões será preciso demonstrar que é do MP, da sua estrutura organizativa de sector, designadamente do DCIAP ou da PGR que saem as informações em segredo de justiça que chegam aos media. Não está demonstrado, o Raposo não sabe que é assim e atira a pedra da atiradeira para o alvo fácil: o MP. Não é o primeiro a fazê-lo de modo acintoso e determinado. Antes dele, inúmeros colunosos caluniaram de igual modo, impunemente. Freitas do Amaral fê-lo na tv, contra Cunha Rodrigues. Proença de Carvalho fê-lo nessa altura, também depois e continua a fazê-lo , sem que alguém lhe diga que uma vez por todas para se callar nessa toada de calúnias.

Quem sabe se a magistratura do MP viola o segredo de justiça dos processos que têm a seu cargo são os detentores da informação em primeira mão. Ou seja, os jornalistas. São eles quem conversa, quem pede, quem solicita, quem recebe, quem ouve e quem publica.

Haja o primeiro a dizer e escrever violando o segredo da fonte inquinada que recebeu de A ou B, do MP, a informação que publicou.

Como ninguém ainda se atreveu a tanto, o que o Raposo deve fazer é muito simples: ou prova o que diz ou não passa de um mero difamador de uma instituição. Com muita probabilidade de o ser, embora a presunção de inocência funcione aqui para o lado da dúvida.

Em segundo lugar, o poder do MP, em determinar a “atmosfera política. “ Quem determina essa atmosfera são os factos. Reais ou inventados pelos media.

Quem mata a “dignidade da democracia “ não são os “mísseis do mp”, como escreve Raposo. São apenas as personagens políticas que temos e o que vamos sabendo das mesmas.

Aliás, o que é isso de “dignidade da democracia” ? O silêncio sepulcral sobre suspeitas de malfeitorias dos políticos?
É esse o conceito de dignidade democrática? Esconder até ao máximo possível de uma eventual condenação transitada em julgado um qualquer facto que em qualquer democracia avançada do mundo ocidental, soa a campainha de alarme? O que se passou na Inglaterra com os desmandos dos parlamentares que gastavam dinheiro público em proveito privado, deveria ter sido abafado em nome da “dignidade democrática”?

Este Raposo, com estas ideias, confunde as pessoas, porque escreve uma ignomínia, elabora o raciocínio viciado e depois elenca os princípios grandiosos da democracia...arre!

Em terceiro lugar e para terminar , os escândalos judiciais não são geralmente inventados pelos magistrados ou pelas polícias. São-no pelos noticiários da manhã da TSF , da Antena Um, das notícias da tarde e noite da SIC ou da TVI, e das reportagens do Público ou do i.

Mais: se esses media estivessem devida e profissionalmente bem informados, teriam outros critérios de noticiar acontecimentos judiciários. Saberiam distinguir o trigo do joio e não aparariam qualquer sombra de escândalo que lhes permita subir um ponto em audiências.

Para acabar: só por manifesta má-fé se pode dizer e escrever, como faz Raposo que o MP fez “uma gestão escandalosa do caso Freeport. “

O MP é que fez essa gestão? O MP?

Este indivíduo quer-nos fazer passar por parvos. Só pode se isso.

3 comentários:

Mani Pulite disse...

Quem o Raposão pretende atacar são os magistrados honestos,isentos,que querem acabar com esta corrupção generalizada centrada no polvo socialista, que também controla magistrados corruptos os quais manipulam,abafam,pressionam e fazem contra-informação segundo as circunstâncias.O Espesso Maçónico onde escreve o Raposão deve estar particularmente preocupado com a possibilidade de o PS se afundar a 27.9 e da pressão popular começar a abrir espaço e portas por onde os magistrados honestos possam entrar.O Tio e a Tia do MP e respectivos Padrinhos também.A ver vamos.

JB disse...

A propósito da idiotice útil, não me sai da cabeça uma frase que li no Portugal dos Pequeninos:

"Por isso, a tarefa dos que não alinham com os consensualismos estéreis que se instalaram, com as cumplicidades cobardes que se criaram ou com os adeptos domésticos do "partido universal do único" é parecida com a da filosofia. Incomodar a estupidez. E ver quem sobra, para que lado da refrega se inclina e por onde se abriga."

Estes dias belicosos de Verão são especialmente úteis para este exercício que o João Gonçalves descreve. Aplicam-se que nem uma luva ao Raposo.

Karocha disse...

Se fosse só ele José, era fácil de por isto de pé.
Como diz nas suas crónicas de segunda -feira o jornalista António Ribeiro Ferreira, sobre "Este sitio manhoso e cada vez mais mal frequentado"

Não sei sinceramente aonde isto vai parar...