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domingo, 6 de setembro de 2009

Atentados ao jornalismo


O jornal 24 Horas de hoje continua a dar destaque ao assunto TVI-MMG. Ontem, dedicava várias páginas ao tema de meio-fundo, ou seja, o dos factos que rodearam a suspensão do noticiário e as opiniões de jornalistas e não só, sobre o assunto. Sobre o tema de fundo, qual seja o de saber se a informação do Jornal nacional de Sexta da TVI era digna do jornalismo sério ou não, não houve pronúncia fundamentada.
Hoje, o tema já é outro: o da intriga de bastidores do próprio programa e dos seus jornalistas. Um director adjunto do jornal ( Pedro Tadeu desapareceu da ficha técnica-que lhe terá sucedido?), de nome Ricardo Martins Pereira acompanhado por uma Vanessa que não aparece na ficha técnica, acharam por bem mostrar o ambiente de "guerra" que existe no seio da equipa, por causa do carácter da Manuela, a "generala" que é "autoritária", impositiva e mal educada.

As fontes do 24 Horas são putativos ex-colaboradores da equipa ( a informação, dado o carácter da intriga, merece a credibilidade próxima do zero) que numa atitude de grande coragem, depois do terror que experimentaram, desatam agora a dizer o mal que pensam daquela que foi sua chefe de equipa e que afinal os terá tratado abaixo de cão e cadela respectivamente. Provavelmente, estes jornalistas de coragem rara, num futuro próximo e se lhes derem oportunidade, farão a mesma coisa aos actuais patrões...

Tirando esse exemplo de jornalismo à la 24 Horas ( não poderei dizer de Pedro Tadeu mas este já nos dera exemplos semelhantes em coisas bem piores no tempo do Casa Pia em fase de Inquérito), há uma questão de fundo nesta intriga de jornalistas eticamente representados pelo director-adjunto do jornal, este inenarrável Ricardo Martins Pereira.

As acusações de fundo dirigidas por esse jornalista à jornalista MMG, são estas:

O jornal nacional de Sexta da TVI era dirigido ad hominem, por causa de uma "picardia" entre o primeiro-ministro e a responsável pelo tempo noticioso; por causa de MMG ter esse objectivo nem sequer escondido e até declarado. Finalmente e cereja no topo deste bolo: por causa de interferências dessa responsável pela edição do jornal que se traduziram em omissão de notícias e escolha de outras, com destaque particular para as do tempo do caso Casa Pia que terão sido manipuladas por interferência directa de um político, a saber, Paulo Portas.

Esta acusação é grave e remonta a um passado recente sempre presente e incómodo. Significa que o caso da Casa Pia foi na verdade um acontecimento inventado, manipulado e de cabala contra um partido, com a participação directa de Paulo Portas e a conivência activa do jornalismo da TVI, com destaque para MMG.

Para este Pereira ( quem é este gajo e de onde vem?), citando um testemunho de uma jornalista que "não dá a cara", a cobertura noticiosa que a TVI fez ao caso Casa Pia foi "uma vergonha".

De quem é este discurso? De um certo PS, ligado a uma certa Ana Gomes e redondezas. Um PS para quem o caso Casa Pia foi um terramoto amortecido por colchões de ar político emprestado por vários interessados. Um PS que está no poder neste momento, sendo esse poder alargado a várias instituições.
O 24 Horas, desde sempre, no caso Casa Pia, defendeu os arguidos e suspeitos. Desde sempre e de um modo suspeito, porque um jornalismo de tal ordem levanta maiores suspeitas que um jornalismo de exposição, mesmo sujeita a erros factuais.

Segundo a tese de "urdidura" levantada várias vezes por Ana Gomes, o caso resultou de uma interferência de Paulo Portas na justiça, através de manipulação de testemunhos e denúncias oportunas.
É assim tal e qual e todos os pormenores ligados à investigação judiciária, com dezenas de inspectores, magistrados e juizes, testemunhos das próprias vítimas, o depoimento preciso e concreto de um dos arguidos que tudo confessou e assumiu e de provas indiciárias irrefutáveis para o senso comum, tudo isso, vale nada perante essa tese mirabolante e esotericamente cabalística de um super-Portas vingador de putativas ofensas vindas não se sabe bem de onde nem porquê.
Não há explicação coerente para a urdidura, a não ser uma obscura ligação que os telefonemas escutados entre o mesmo Portas e um certo Abel Pinheiro desmentem categoricamente, mas não eliminam a obsessão da cabala que faz muito jeito. " Não deixe que a verdade estrague uma boa história" é o motto de Ana Gomes e quem se lhe associa, com destaque agora para este parvenu ao 24 Horas.

O caso do 24 Horas é mais estranho, porque não releva imediatamente do motivo porque o jornalismo sobre esse assunto foi e continua a ser tão enviesado. Que motivos podem existir para que mais um palerma se dê ao cuidado de replicar uma teoria tão engendrosamente elaborada sobre um nada factual, um nadir nebuloso de suspeitas que dão imenso jeito perpetuar?

Confesso que não sei adivinhar com facilidade. Dantes, para se tentar saber a motivação das pessoas, costumava-se dizer: "cherchez la femme"... mas agora os tempos e costumes mudaram.
Cherchez qui, afinal, neste estranho caso do 24 Horas sobre a Casa Pia? Será um segredo de polichinelo, entre jornalistas que naturalmente não podem falar abertamente sobre isso?

Mas então, porquê esta intriga incrível deste Pereira, sobre o pessoal do jornal de Sexta da TVI, numa demonstração de um jornalismo que não tem paralelo em jornal algum nacional, nem mesmo no Jornal de Sexta da TVI?

Quem é mais este fervoroso adepto da cabala que escreve assinando uma sentença de proibição de jornalismo para a equipa da TVI por causa destas imputações que o mesmo quer ver investigadas porque serão "atentados ao jornalismo"?

Atentados ao jornalismo? Note-se bem e de onde vêm!

PS: Afinal o indivíduo até tem um blog, onde exprime dúvidas que pelos vistos no jorna,lnão tem. Aliás, foi no blog que fiquei agora a saber da saída do intrépido Pedro Tadeu, no obituário jornalístico tecido pelo tal Pereira, cujo perfil completo no blog nada diz. Ma a verdade é que não tenho o direito de pedir perfil se nem o meu apresento.
Mas aos poucos lá chegaremos. Já escreveu quem aprecia no jornalismo português. Pelos nomes elencados, tirando dois ou três, estou convencido que teríamos melhor jornalismo com outros...

Atente-se ainda nestas frases tiradas do blog das dúvidas do tal Pereira:

"Sempre tive um pavor por notícias falsas. E ao mesmo tempo um fascínio, uma curiosidade em saber o que leva os jornalistas a inventarem histórias. Por outro lado também acho um exercício interessante perceber em que momento da construção da notícia o repórter é enganado ou sai do trilho da verdade, sem se aperceber disso.
Hoje há muitos jornalistas que inventam. A possibilidade de não citarem fontes ("falei com um gajo da PJ, que me contou isto, e isto, e isto, mas claro que não o posso citar" - onde é que já ouvimos isto?) levou a que muitos jornalistas partissem para notícias escrevendo apenas convicções pessoais, sustentadas em fontes falsas."

Agora, comparem-se estes dizeres com o jornalismo do 24 Horas, particularmente o de hoje...e temos um perfil mais preciso.

Este 24 Horas é um jornal-mistério para mim. Controlado pela Controlinveste, gostaria de saber o resultado das vendas e evolução financeira. Mas não sei.

Por isso continuo intrigado: Casa Pia, TVI, editoriais, envelope nove, etc etc. Cheira-me a esturro.

41 comentários:

zazie disse...

José,

«É assim tal e qual e todos os pormenores ligados à investigação judiciária, com dezenas de inspectores, magistrados e juizes, testemunhos das próprias vítimas, o depoimento preciso e concreto de um dos arguidos que tudo confessou e assumiu e de provas indiciárias irrefutáveis para o senso comum, tudo isso, vale nada perante essa tese mirabolante e esotericamente cabalística de um super-Portas vingador de putativas ofensas vindas não se sabe bem de onde nem porquê.»

e não valeu nada no resultado da justiça?

É que isto acaba por ser chover no molhado.

Que serve perguntar-se o que é jornalismo sério, se sério não é o que fazem os únicos que deviam justiçar?

E não é um facto que tudo pode ser arquivado legalmente?

Então, a partir desta evidência maior, tudo o resto acaba por se reduzir a barulho, indignação e luta política.

Já que a cidadania não tem procuração.

josé disse...

A Justiça tem regras diferentes das jornalísticas. A Justiça por causa desse processo acabou por ter regras ainda mais divergentes do sentido comum das coisas e das realidades, por um motivo: quem manda e legisla, pretendeu efectivamente e para mim, sem qualquer sombra de dúvida, dificultar a procura e demonstração judicial da verdade material, colocando entraves sérios nos métodos formais de obtenção dessa verdade.

Assim, se dantes já era difícil conseguir comprovar validamente, de modo judicial, um determinado facto conhecido, agora ainda é mais difícil.

Portanto, para o jornalismo essa barreira não existe a não ser por reflexo: o de através da presunção de inocência formal e judicial, impedir-se que se possa noticiar a verdade conhecida e material.

No entanto, para os jornalistas que a conhecem através do saber comum e lógico, com o conhecimento das provas que não foi possível produzir validamente por causa das tais barreiras, não é admissível que continuem a fazer-se de anjolas e a serem ainda mais papistas que o papa legislador que pretendeu isso mesmo: impedir que se conheça a verdade.

Um jornalista que embarque nisto é um vendido. Seja a quem for, mesmo à sua própria idiotice.

zazie disse...

Mas falemos claro:

O Processo Casa Pia não teve o desfecho que teve porasim funcionar a ligação entre política e justiça e a lei permitir que tudo aconteça dentro da legalidade?

E este caso Freeport- foi ou não foi protelado na dita "investigação" e o resultado não seria sempre a arquivar o que é para arquivar, independentemente do que os jornais possam dizer ou não dizer?

É que se chega a um beco onde me parece que se troca o peso das coisas.

Será que podíamos confiar que um jornalismo excelente acabasse por obrigar a lei a ser reescrita e tudo passar a funcionar de modo diferente?

Quem é que substitui os que não são substituíveis e como a Cândida ou tudo o resto em torno do processo Casa Pia.

Eu sinto é que acabamos na indignação própria das ditaduras. Porque o que é que o alterne muda em relação à lei?

zazie disse...

Por outras palavras- o que é que cidadãos bem informados- no caso do jornalismo ser bom e plural, podiam fazer que nem os que estão dentro de um sistema autónomo conseguem fazer?

Haveria algum escândalo de indignação pública capaz de obrigar a não se fazer legalmente o que se faz para se evitarem consequências a escândalos de poderosos?

Dos que até mandam e deturpam o sistema legal, o que estão lá dentro para o mesmo.

zazie disse...

"ou que".

Eu vejo é jogos de espelho em tudo.

josé disse...

O jornalismo pode fazer muito mais e melhor que o sistema judicial em certos casos. Tomemos o exemplo de Watergate. Nunca o sistema judicial conseguiria o resultado que aqueles dois jornalistas conseguiram, mas a verdade é que só o conseguiram porque o sistema judicial ajudou, com uma simples coisa que por cá não existe e impede em muito o funcionamento da justiça. Diria até que é das coisas mais importantes:

Lá, os depoimentos recolhidos pelas autoridades valem como prova depois de os visados serem advertidos e principalmente quando prestam depoimento subpoena, ou seja, depois de ajuramentados e temendo que qualquer deslize os leve á cadeia, porque nesse caso leva mesmo. Basta ver o exemplo recente do Scooter Lewis que apanhou 35 anos por mentir.

Por cá, isso não existe e por isso, a recolha de provas fica dependente da sorte ou perspicácia dos investigadores ou até do modo como se desenrola o processo.

O jornalismo caseiro em vez de saber isto, parte do pressuposto que os tribunais e as polícias e o MP têm melhores meios de descobrir a verdade do que realmente têm e por outro lado, não sabem como é que a polícia investiga, como recolhe informação e de que modo a trata.

O jornalismo caseiro anda atrás da polícia e deveria andar à frente...


Quanto aos casos em investigação para além da dificuldade legal em investigar, ainda se dá o caso de as entidades não fazerem um grande esforço quando está em causa determinado tipo de gente. E é isto que é triste constatar.

Mas ainda assim, o jornalismo deveria ser melhor do que é. Mesmo o do Jornal de Sexta.

O que é que impede um jornalista de procurar saber extra-processo, o que se passou no caso Casa Pia?

Tem tantas fontes por onde indagar para saber a verdade real nua e crua. Então porque não o fazem?

Porque não podem, não sabem ou não querem?

Os jornalistas que resppondam.

zazie disse...

Mas a questão não é essa e aí estou plenamente de acordo com o José.

É outra- eu não tenho a noção certa da impunidade do nosso sistema judicial e ao que ele chegou com estes pactos de interesses.

E, não tendo- e vendo que internamente nem vontade existe para se fazer o que precisava de vontade e coragem- e com as características específicas que não mudam por escândalo social, o que pergunto é o inverso.

Que aconteceria se fosse desencadeado um caso Watergate num país onde até um caso Watergate era mais um pequeno empecilho que se arquivava facilmente?

E mais- dentro da legalidade.

Por outras palavras- como é que se pode acordar a população para o paradoxo dos "trâmites" servirem para tudo e o seu contrário e nem ser preciso cometerem-se ilegalidades para se obter o mesmo resultado?.

zazie disse...

É que noutros locais as coisas andam perto mas ainda existem consequências- e afastam-se as pessoas, outras demitem-se, as polícias vão funcionando e um escândalo quando salta para os jornais não é apenas mais uma novela a desgastar.

zazie disse...

O José já deu a resposta-

«Nunca o sistema judicial conseguiria o resultado que aqueles dois jornalistas conseguiram, mas a verdade é que só o conseguiram porque o sistema judicial ajudou»

E depois explicou os detalhes que nenhum jornalismo nem nenhum cidadão pode alterar.

Eu vejo isto de uma forma muito mais dramática-

Eu até começo é a ver que o sistema errado só tem a ganhar vir cá para fora a informação.

Porque, quem não está por dentro, nem vai acreditar que é a própria justiça que impede que haja justiça.

(quem diz justiça, obviamente não está a referir o juiz A ou B ou o políca A ou B, mas o sistema que a política concebeu para a Justiça.

E no qual não se toca.

Nem vi que saísse molestado com arquivamentos habituais.

zazie disse...

Eu digo-lhe o problema que vejo num sistema judicial que chega a esta anomia sem problemas-

Tudo o que lhe toque acaba por descambar nas guerrinhas da partidarite.

E corre-se o risco de até os cidadãos que não fazem parte delas, saírem ludibriados, achando que nem havia grande problema.

Na volta acaba sempre tudo em guerras de interesses de uns e de outros.

Apenas pelo facto da impunidade ser possível. E não o ser assim noutros países.

josé disse...

Quer ver uma coisa curiosa?

O arguido do caso Freeport Carlos Guerra que é irmão de dois procuradores do MP (um deles o João Guerra do Casa Pia e outro o que está no Eurojust), entendeu por bem arguir a suspeição sobre os magistrados que estão a dirigir o processo. Só o pedido de suspensão, com os fundamentos que a procurador Cândida de Almeida vai analisar, suspende logo a intervenção desses dois magistrados no processo.

Não é caso único. Geralmente, processos que metam magistrados ou indivíduos a eles ligados fazem semore isso: pedir a declaração de suspeição sobre os magistrados. O próprio Lopes da Mota o fez em relação ao inspector que lhe propôs uma medida disciplinar...

Portanto, para se discutir estas coisas, é preciso lidar com muitos instrumentos legais e vários modos de proceder. Os jornalistas normalmente não conhecem isto e no caso do Carlos Guerra deram a notícias mas não explicaram o que sucedeu e porquê.

zazie disse...

Mas eu sempre estive de acordo com o José e a si lhe devo ter entendido um pouco como estas coisas funcionam.

Se houvesse jornalismo assim, como o José por aqui faz, nem era precisa uma MMG

":O)))

A sério. Mas o que eu não entendo é até que ponto pode ir a impunidade.

O Caso Casa Pia foi muitíssimo mais grave que tudo isto.

E, neste caso, imaginando até que o Sócrates pudesse estar implicado em qualquer coisa, nem que fosse tráfico de influências, será que ele tinha motivos para se preocupar com o que a justiça lhe pudesse fazer?

Pelo que vou vendo, não. E mesmo os restantes nem sei.

Daí que estes tretas de jornaleiros tenham sempre as costas quentes.

No fim podem sempre ostentar que os tribunais até corroboraram o que já tinham dito- que não havia nada.

E, sempre que não há nada sobra a cabala.

zazie disse...

Mas, este último vídeo do "gordo" aos abraços e as perguntas se era mesmo primo e até que ponto primo ou por onde andava, a ser a única coisa anunciada, foi mesmo teasing de novela.

josé disse...

A única forma de conseguir entalar um político, seja o José S. seja outro, nos casos de corrupção, é demonstrar documentalmente e sem qualquer dúvida que recebeu dinheiro.

Nada mais adianta. Veja-se o caso Isaltino, condenado e julgado e comprovado documentalmente a circulação de dinheiro entre contas bancárias.

Mesmo assim, note-se bem, o tipo não tem pejo em declarar-se inocente. E com algum fundamento porque a corrupção só existe se existiu uma contrapartida...e para provar isso seria preciso mais factos.

Ora, no caso do Freeport, a meu ver, será virualmente impossível demonstrar que houve dinheiro que foi parar à conta de José S.

Se tal aconteceu e eu não digo que aconteceu, note-se bem que é para não me encalacrarem e porque não sei, se tal sucedeu, repito, seria preciso ligar as duas coisas.
Ligar o eventual recebimento a um acto de governo e decisão.

E isso, a meu ver, é virtualmente impossível.

Assim, o que deveria ser a investigação do Freeport? Outra coisa, a meu ver e que me parece que está a ser ponderado, mas não sei.

Repare que o director da PJ veio dizer que a carta anónima não terá fundamento. Isto é uma vergonha que um director de polícia possa dizer uma coisa destas nesta altura. Um escândalo que ninguém fala.

Então não foi noticiado pela TVI que houve dois, repito, dois arguidos que confirmaram a informação da carta anónima?

Está a ver como são estas coisas?

josé disse...

Um polícia tem de perceber estas coisas e investigar indícios e o que lhe parece, o que lhe cheira, segundo as regras da experiência e da profissão.

Digo-lhe, sem grandes problemas: não me importava de investigar o caso, se pudesse. E tenho a certeza que não faria a figura de algumas figurinhas.

Mas...presunção e água benta, cada um...

Por isso, fico por aqui, não sem antes lhe dizer que ando a ponderar há dias um texto sobre a investigação criminal em Portugal e o conhecimento da verdade.

Nunca vi nada escrito sobre isso e acho que tenho uma visão particular do assunto que um dia destes vou expor.

Lá está: mais presunção...

zazie disse...

Era uma excelente ideia, José.

Aqui pelo menos aprende-se.

joserui disse...

Depois de um bom post, uma boa sucessão de comentários é o que faz um blogue ideal. Este andou por lá agora. Muito bom. -- JRF

joserui disse...

Dito isto, José pergunte-me quantas vezes comprei o 24h durante a minha vida (ou a vida do pasquim, é igual). Gabo-lhe a paciência. A sério que gabo.
Neste caso não subscrevo a sua tese. Não estou a ver que seja dos pasquins que o jornalismo ao mais fino estilo Watergate dê à costa. O grave é que não se vê nada nos ditos jornais de referência. E a MMG tinha um espaço de prime time muito raro. -- JRF

Leonor disse...

Investigação criminal e conhecimento da verdade? Não será antes conhecimento da prescrição do inquérito?

Basta olhar, sobretudo, para os inquéritos que são encerrados no final de cada mês para se subentender o que procura a investigação!

zazie disse...

"conhecimento da prescrição do inquérito"

ehehheheheh

Dava um workshop muito engraçado no CEJ

josé disse...

No CEJ?

No CEJ discute-se o sexo dos anjos das leis. E as mulheres, como é natural, são as que estão melhor preparadas para tal...ahahah!

É raro, muito raro, encontrar uma jurista magistrada que questione o sistema com saber e experiência.

zazie disse...

ahahahahahaha

zazie disse...

Mas em relação ao 24 Horas cheira-lhe a frete demasiado para pagar a despesa?

josé disse...

Para mim, este Pereira é mais uma aberração jornalística dos tempos que correm. Leia o blog do tipo e percebe num instante. Por exemplo, a entrada em que fala do seu antigo director, Pedro Tadeu, o sacrificado, primeira vítima do seu mau jornalismo.
O 24 Horas vende quase nada e dá prejuízo pela certa.

Veremos quanto tempo aguenta.

zazie disse...

Ah, mas nem estava a falar desse.

Li umas tretas e deu para ver que é um "praxado".

Anda a mostrar que já sabe o que é jornalismo depois de ter feito o curso.

zazie disse...

Ele até precisou de destacar no perfil "Eu", por cima da fotografia.

Podia dar-se o caso de parecer apenas um avatar.

eheh

josé disse...

Este jornalismo é de aviário. E um dos professores das avis rarae, parece que é a Judite de Sousa.

Deve pensar que é uma espécie de delegação da escola de Columbia.

A pobreza do jornalismo que temos vem daí, desses cursos de formação rápida tipo profissional em que se ensina a fazer leads e pouco mais.

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonor disse...

«É raro, muito raro, encontrar uma jurista magistrada que questione o sistema com saber e experiência.»

Shiii!!! Que comentário machista, José. Desta, surpreendeu-me pela negativa.

Quando se trata de estatísticas na movimentação processual (e era disso que eu falava), não se nota qualquer diferença nos géneros!!

josé disse...

Não é machista. É apenas realista. TOmara que não fosse assim.

As mulheres na magistratura não pensam no global. Pensam local...


Sem ofensa, claro.

Reparou na reportagem de tomada de posse das recentes juizas? Digo juízas porque mais de 70% eram mulheres.

Este fenómeno tem explicação, obviamente e é esta:

A selecção de magistrados hoje em dia, como aliás desde sempre, é feita por testes escritos sobre matérias jurídicas essencialmente.

Sabedoria de empinanço e memorização fornecem neste momento o substracto para a magistratura.

Daqui a uns anos vai ser um descalabro, porque o desequilíbrio é muito grande.

A magistatura já se assemelha à educação do básico...

Karocha disse...

José faça esse post!
Gostava muito de saber a sua opinião!
E Eu que o diga,que até tive que fazer um blog.

MARIA disse...

"É raro, muito raro, encontrar uma jurista magistrada que questione o sistema com saber e experiência."
CARÍSSIMO JOSÉ,
Já agora pode indicar um jurista magistrado homem que o faça, dentro do sistema ?
Gostaria muito ...
Não serão os magistrados "preparados/formatados" intelectualmente para executar as leis sem questioná-las ? Para obedecer...
Questionar perante quem ?
E com que consequências ?

zazie disse...

Pelo que percebi o José caracterizou um tipo de ensino onde o que conta são mais as minhoquices e particularidades da lei.

E, sendo certo que as raparigas tendem a ser mais bem-comportadas, estando em maioria na formação para juízes, não será por aí que aparece gente crítica do próprio sistema.

Claro que v.s as duas são um bom exemplo do inverso, mas também não parecem caloiras.

zazie disse...

Não faço a menor ideia como aquilo é mas já dei com muitas no eléctrico, a compararem apontamentos e questões que me pareceram isso mesmo- sexo dos anjos.
........

Mas não digo nada. Já me basta ter de ensinar a advogada a fazer percentagens, pois ela nem numa calculadora online sabe mexer.

E não é garotinha.

zazie disse...

Saber pensar um sistema não é coisa simples. E concordo que pouca gente o sabe, seja ele qual for.

Mas penso ser tarefa imprescindível.

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
josé disse...

Mas nem se trata de pensar um sistema em termos inovadores. Apenas de diagnosticar os caminhos, rotinas, ligações e penduricalhos. Isto para entrar em linguagem informática traduzida em português, coisa que os técnicos não fazem.

Quanto às juristas/magistradas é como é. E as raras, raríssimas excepções, confirmam a regra.
A Morgado não conta, porque se detém nos rendilhados. A Cândida não conta de todo em todo. Nem nos rendilhados se detém, mas apenas na condição de açafata.

Quanto a magistrados que questionam o sistema, há vários.

Mani Pulite disse...

1-O partido português hegemónico é uma confederação de associações de malfeitores controladas por Padrinhos mafiosos que comandam cada uma das Famiglias.2-Essas Famiglas infiltraram e comandam o Estado,instituições e empresas, desviando e pilhando recursos e perseguindo quem quer que não obedeça aos seus ditames.3-O instrumento privilegiado dessa infiltração mafiosa,sobretudo no Estado, é uma associação secreta que todos sabemos qual é.4-Os Padrinhos das Famiglias estão hoje profundamente ligados a organizações do grande crime internacional,nomeadamente chinesas e italianas.5-Portugal é uma retaguarda muito útil para o grande crime internacional,para todo o tipo de tráficos,lavagens e acções de infiltração e de informação,nomeadamente no interior da União Europeia.6-Tal é possível porque a Justiça e a polícia em Portugal estão totalmente infiltrados e manietados sendo por consequência de uma impotência total.7-A generalidade dos magistrados e polícias são pequenos funcionários que gerem uma carreira,oscilando entre o colaboracionismo servil e a resignação.8-Os poucos que resistem levam e terão no futuro de ter a coragem de porem em risco as carreiras,serem assassinados na rua,viverem debaixo de protecção permanente e terem as famílias ameaçadas como sucede com os seus congéneres de outros países que combatem de facto a grande criminalidade.E, claro, esses poucos terão de fazer também a "limpeza" interna dos seus "colegas" mafiosos,que levantarão contra eles inúmeros incidentes de suspeição.

Leonor disse...

Enfim, de volta ao vosso convívio.

Não sei quem são as magistradas que tem em mente quando se pronuncia daquele modo, mas que há boas magistradas a fazerem bons inquéritos, no sentido de diagnosticar caminhos, encontrar respostas e soluções, não tenha dúvidas. Muitas chegam onde eles não chegam. Sem ofensa, claro.

O que acontece é que o CEJ precisava de remodelação na forma de ensino e, sobretudo, em quem ensina. Ensinar doutrina e jurisprudência é coisa do passado. Hoje, à distância de um clique.

Deviam usar as comissões de serviço para recrutar os bons procuradores que existem por esses tribunais fora, cheios de saber e experiência acumulada. Tinham muito mais a ganhar na formação.

A dra Morgado e a dra Cândida?
às tantas, fazem o que um burocrata faz, tipo director de qualquer coisa, como conceder férias, justificar faltas, etc.

joserui disse...

avis rarae? Ahah. Tenho de tomar nota desta. -- JRF

joserui disse...

pois ela nem numa calculadora online sabe mexer.
É de letras, não tem que saber essas coisas. Hehe. -- JRF