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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O polícia que não o soube ser

SIC:

"Gonçalo Amaral está proibido pelo tribunal de falar sobre o Caso Maddie, mas aceitou o convite de uma fundação para explicar, em Inglaterra, a teoria de que Madeleine Mccann está morta. Isto apesar da decisão do tribunal que o proíbe de comentar o caso em qualquer parte do mundo. "
Este indivíduo foi polícia de investigação da PJ. Já foi condenado por actos menos dignos no decurso de uma outra investigação. Tentou ser candidato partidário, em eleições. Não respeita decisões judiciais. Afirma coisas e conclusões sobre putativos crimes de outrém que outros têm pejo em admitir, por prudência e cuidado em não difamar.
Publicou um livro sobre uma investigação em que participou como polícia, assumindo um estatuto que nunca teve. O livro expõe uma tese que é um relato do autor, enquanto investigador, baseada em suposições, factos, opiniões e no fundo, a mera convicção do mesmo sobre o caso Maddie: a menina morreu em circunstâncias não apuradas mas que o mesmo dá de barato, depois de apresentar os factos à sua maneira que foram de negligência dos pais e que estes ocultaram o cadáver.
Os factos apurados no Inquérito, com depoimentos, provas, elementos periciais etc. etc. não foram suficientes nem para averiguar a causa do desaparecimento e muito menos a morte putativa da pequena. O Inquérito foi arquivado como muitos o são, por carência de provas suficientes.
O autor, por motivos que se ignoram na sua integralidade, resolveu dar a sua versão da história, apontando os pais como culpados, mesmo a título negligente e substituiu-se às instâncias judiciais onde o princípio da presunção de inocência é válido.
Para o autor, é precisamente o contrário: o princípio é o da presunção de culpabilidade, com base em elementos que notoriamente não são suficientes para tal.
Noutros países do mundo ocidental, estes casos e a sua abordagem mediática, passam necessariamente pela exploração comercial da curiosidade mórbida que atrai muitos compradores de livros que pouco valem literária ou documentalmente.
O caso deste autor, antigo polícia que aparentemente não honra essa profissão, é mais complicado porque insiste em propalar uma tese que sendo plausível no seu entendimento, deveria ser reservada a uma espera por indícios mais seguros de prova, mesmo extra-judicial.
Portanto, uma pergunta certa se impõe, entre várias que se podem colocar : o que faz correr Gonçalo Amaral? A fama? O proveito? A notoriedade? A verdade? A vontade de saber como foi e whodunnit?
Nenhuma destas perguntas permite uma resposta satisfatória e isenta de reparos ao autor do livro.
Então...por que no te callas, Gonçalo Amaral?

92 comentários:

U.M.Ferreira disse...

Desculpe que lhe diga, mas acho este post tão mau que nem me parece saído do seu bestunto.
O verdadeiro autor parece antes ser a avis rara Marcelo Rebelo de Sousa, tão elogiado ali atrás, ou, pela semelhança de estilos, o plumitivo Miguel Sousa Tavares.
E estou a ser bondoso.

josé disse...

Consegue justificar com argumentos, mesmo desqulificativos, porque é "tão mau" assim?

Talvez haja por aí um equívoco, e gostava de saber onde porque o assunto me parece sério.

ze disse...

“tão mau” é por certo uma criatura que por despeito ou qualquer outro vil sentimento se arroga a substituir a justiça. Os pais mataram a criança? Foi raptada? Dificilmente o saberemos e em boa parte “graças” ao Senhor Amaral.

Karocha disse...

Podemos achar e, eu acho aquele casal sinistro e a história muito mal contada, para mim pelo menos!
Mas a investigação foi uma vergonha...

Ruvasa disse...

Talvez que o mais avisado seja não torcer por um lado nem pelo outro. À cautela.

De uma coisa, no entanto, parece não restar a mínima dúvida: a de que houve manifesta negligência dos pais de Maddie e tivesse o caso acontecido em Inglaterra e não neste país de brandos e relaxados costumes e talvez eles estivessem já condenados por tal relaxamento.

É que, como todos sabemos, há factos que estão indesmentidos - e parece que são indesmentíveis - acerca de tal negligência, que nada têm que ver com a postura de Gonçalo Amaral e para a existência dos quais Gonçalo Amaral em nada contribuíu, como é óbvio, pelo que parece excessivo relevar a postura do ex-polícia e silenciar a dos negligentes, como se o crime principal seja da autoria do polícia.

Sou seu leitor habitual, José, e aprecio as suas posições - até pelo que revela dos meandros da justiça, principalmente do MºPº, o que me leva a crer que se trata de alguém que é ou já foi do "métier" - mas tenho que admitir que este post me supreendeu bastante e não pelas melhores razões.

Eu posso não gostar - por motivos profissionais ou outros - de Gonçalo Amaral e até posso ter muitas razões de queixa do homem ou de outros polícias como ele - mas tal circunstância, ainda que se verifique, não me autoriza a "transformá-lo" - sequer tentar! - no arguido principal do caso.

De outra mão, teria sido bom que alguém tivesse vindo explicar os motivos por que, de um momento para o outro e na fase mais melidfrosa da investigação, Gonçalo Amaral tivesse sido arredado do processo. É que poderia ter havido razões justas; porém, ninguém se deu ao trabalho de as explicitar, como tinha a obrigação de ter feito.

Estou certo de que o José, no caso de ter em mãos determinado processo e a certa altura alguém, sem justificaçlão, lho retirar - a si, como magistrado, certamente que isso não seria feito da forma que foi a GA... - teria dado "à casca" (desculpe o plebeísmo) talvez de forma ainda mais violenta.

Finalmente e pelo que fica dito, tendo sido feito a GA o que foi feito, tendo-o abusivamente erigido em mau da fita e não lhe tendo sido dada a possibilidade de oficialmente se justificar, só lhe resta o sacrossanto direito de se justificar ele próprio, defendendo-se como tem o dever de fazer, pelos meios que pode.

Também não me parece adequado trazer para este caso factos relativos a outros que nada têm que ver com ele. GA pode até ter sido um temível torcionário. Para o julgar está a Justiça. Mas não relativamente a este caso.

Por tudo isto, termino como comecei:

Talvez que o mais avisado seja não torcer por um lado nem pelo outro. À cautela.

NB.- Nunca vi pessoalmente Gonçalo Anara, que não conheço.

Cumprimentos

Ruben Valle Santos

ze disse...

Aqui ninguém fez do Senhor Amaral arguido. O Senhor Amaral é que vestiu as vestes de Juiz o que é totalmente inaceitável.

zazie disse...

Algum de v.s espreitou o livro e o que ele diz?

Qual é a matéria de facto que ele apresenta como apurada?

A única coisa que eu li foi uma fantasia inventada por ele e uma série de desculpas para ter ido atrás dos media.

Investigação- zero. E nada do que afirma se baseia em factos.

zazie disse...

Quanto à dita negligência, pelo que li,por cá nem existe de forma a ser penalizada.

Se fosse em Inglaterra parece que sim. Por cá ninguém se lembrou disso. Nem a polícia, nem o MP.

Portanto, se não se lembraram e destruíram eles próprios as provas que podiam existir, o mais que tinham a fazer era estarem calados.

Só uns idiotas se lembravam de selar o apartamento mais de meio ano depois e tendo sido alugado a outras pessoas.

zazie disse...

E ele inventou toda a história depois de ter feito esta brilhante investigação.

E com a prontidão que se conhece.

zazie disse...

Ele foi arredado do processo porque, depois da polícia inglesa ter vindo recolher as provas possíveis, com tudo remexido e apartamento alugado, se lembrou de insultar os tipos, com o atraso das análises.

Mas, sem isso, sem o que a polícia inglesa ainda detectou e que não chegava para incriminar, ele nem o livro escrevia.

zazie disse...

E ele não tinha de investigar "negligência".

Essa até um leigo na matéria é capaz de apontar.

Ele tinha de investigar o que se passou e quem poderia estar ligado ao desaparecimento da criança.

Ora isto só se decidiu a fazer no fim. Até lá andou a apanhar bonés.

E isto é grave porque é com esta negligência policial que qualquer pessoa pode apanhar por cá.

Com a dos pais podemos nós bem.

zazie disse...

Sempre que me lembro do relato até fico parva.

A GNR vai lá, pisa tudo, mexe em tudo, estraga todos os possíveis vestígios e vem-se embora porque não sabiam falar inglês.

Depois vem a polícia torna a pisar tudo e só decidem dar o alerta para se procurar a criança, perto de 12 horas depois.

Quem primeiro fez as buscas até foram populares.

A partir daqui já não há nada a dizer, porque depois ainda foi mais caricato. Deixaram o apartamento na boa, a ser alugada para mais veraneantes.

josé disse...

Ok. Então vou dizer resumidamente por que razão não posso aceitar que Gonçalo Amaral tenha feito o que fez e que tem várias razões.

Primeira de todas:

O que autoriza um polícia investigador da PJ ( seja o indivíduo inspector coordenador, seja licenciado, seja especialista, seja o que for, é sempre um polícia investigador) a escrever sobre um caso cuja investigação esteve a cargo de uma equipa diriga pelo MP? O que justifica em particular um livro, declarações, conferências, sessões de esclarecimento, entrevistas variadas, etc etc?
Nem sequer coloco o problema de se dilucidar a verdade do caso. Apenas pergunto o que permite que um polícia faça isto?

Vamos lá a ver: e se no caso Casa Pia o Dias André e a Rosa Mota, dois polícias que foram vilipendiados até ao mais elevado grau pelos entalados e apaniguados do PS e arredores, decidissem fazer a mesma coisa? Quem é que admitiria isso como aceitável?

Em segundo lugar, vamos ao caso em si mesmo: a investigação da PJ não é apenas o Gonçalo Amaral. É uma equipa que procura saber o que se passou e como escrevi num postal abaixo, tem condições de saber a verdade que muitas vezes não pode sequer ser demonstrada juridicamente. Só que neste caso, o que se sabe é exactamente o que se pode saber juridicamente. Não há depoimentos que sejam reveladores ou factos que não tenham sido aproveitados. A verdade de GOnçalo Amaral não é diversa da verdade que qualque um que leia o processo atinge. O que lá foi recolhido é suficiente para tal e no entanto, falta o essencial: a ligação indesmentível, necessária e suficiente para estabelecer o nexo causal entre o desaparecimento da menor e a responsabilidade dos pais.
E é nesse nexo que Amaral se introduz para dar a sua versão que é feita de convicção, apenas sustentada pelos factos que o indivíduo interpreta de acordo com o seu espírito de policia e detective.

Mas é precisamente aqui que as coisas se transtornam: um polícia tem um trabalho e é descobrir, neste caso, se houve um crime e quem foi o seu autor.
Amaral não descobriu. Enquanto coordenador da equipa da PJ logo no início, não conseguiu e quanto a mim, cometeu erros graves que enunciarei se mos pedirem.

josé disse...

Enquanto polícia falhou profissionalmente e não deveria passar a publicitar a sua opinião sobre o facto que investigou mal. Tal parece quase uma defesa da incompetência.

Em terceiro lugar, o que pode autorizar que se escreva um livro com uma tese baseada numa suposição que nem sequer é suficiente para fazer acreditar mesmo que queira verdadeiramente acreditar, sem medo de errar judiciariamente?

O lucro da venda do livro? Não é aceitável. A descoberta da verdade? Muito menos porque a verdade processual, neste caso, coincide com a verdade conhecida e inbsuficiente para se formar uma opinião segura sobre o facto.
Será a procura de uma defesa por ter sido atacado durante a investigação e afastado da mesma? AInda pior se for assim, porque é o despeito que o move e a intranquilidade dessa posição é sempre má conselheira.

Então o que poderá defender a posição de Gonçalo Amaral? Nada, a meu ver. Nada de nada.

Por outro lado, julgar os pais da menor com base nos factos conhecidos e dizer que foram negligentes, é fácil. Demasiado fácil, mas é preciso atender aos costumes, hábitos e à posição do pai de família normal numa situação daquelas. E se ainda assim for fácil o julgamento ( que não é, quanto a mim), teremos que julgar se isso foi determinante para um eventual rapto.
E se afinal se descobrir que não foi rapto mas sim outra coisa ( a menina ter morrido) como é que se vai explicar a responsabilidade dos pais, sem conhecer minimamente os factos?
Haverá sequer homicidio por negligência? Duvido muito e é esta a única hipótese que o próprio Amaral coloca. Nunca sugere que foram os próprios pais os autores directos do facto.
Portanto, o caso reduzir-se-ia a uma ocultação de um cadáver, por motivos desconhecidos. Tem alguma lógica isto?
Para mim, não.

Para o Amaral e para quem não pensa duas vezes, o caso transforma os pais em ogres...
Serão?
E terá o Amaral o direito de os apodar desse modo, com a sua actuação?

Repito: com que direito?
O de dar a saber a sua verdade que nem sequer é consensual?

Porquê?

Amaral é julgador? É deus? É alguém que possa ter o direito de fazer o que faz?

Em nome de quê e de quem?

josé disse...

Eu já investiguei coisas que sei que aconteceram, como aconteceram e quem são os responsáveis directos e beneficiários. E ainda assim, os mesmos não foram condenados, por diversas circunstâncias.

Teria eu o direito de escrever a minha opinião, baseada no que soube durante a investigação e do que soube dos factos que todos podem saber pela leitura e observação dos documentos existentes?

Terei esse direito?

Acho que não. Pelo menos de tentar suprir o que não foi possível fazer pelas vias processuais e que são as determinantes para uma condenação.

Mesmo que eu saiba que a verdade não é a que resulta do julgamento ( e isso acontece agora muitas vezes por causa dos problemas da lei processual) não tenho o direito de proclamar a minha verdade alternativa e que sei ( e os arguidos também) que é a correcta.

É assim que penso e aplico este raciocínio para dizer que o Amaral não conseguiu ser um polícia como deve ser. Pena.

josé disse...

Muito diferente seria se o Amaral fosse um jornalista ou escritor que averiguasse por si ( até falando com o Amaral investigador e outros) e concluindo por si o que poderia concluir.

Essa atitude seria diferente e daria o recuo e perspectiva correcta a quem lesse e que ficaria sempre com os factos apresentados e não apenas com a convicção de quem os escreve.

zazie disse...

Muito bem explicado, José.

«Só que neste caso, o que se sabe é exactamente o que se pode saber juridicamente »

É isto. E com isto fazem-se novelas de conversa de talho.

zazie disse...

A questão do chavão da negligência- num perigo de rapto é um chavão sem ponta por onde se pegue.

Se assim fosse, passavam a vida a acusar pais e familiares que perdem as crianças na praia.

Aí sim- qualquer falta de vigilância pode dar ocasião a morte por afogamento e até a rapto bem fácil.

Agora haver hipótese plausível de rapto naquelas condições é coisa que não tinha sentido passar pela cabeça de ninguém.

zazie disse...

Quanto à tese do homicídio por negligência também me pareceu invenção dele e até a invenção com menos lógica.

Apenas para não dizer que era homicídio deliberado.

Com os dados que agarrou- e que não eram nada, escolher pelo primeiro ainda tem menos lógica que escolher pela ficção do segundo.

zazie disse...

Mas fica aqui a pergunta:

Sem se saber o que aconteceu a uma criança, alguém pode ser condenado por negligência, apenas por antes do acontecimento que se desconhece, a deixou a dormir a curta distância onde se estava?

Ou seja- é-se negligente e penalizado sem ser preciso conhecer as consequências dessa dita negligência?

zazie disse...

Dou um exemplo: uma criança faz um determinado percurso sozinha e nada lhe acontece.

Os pais podem ser punidos por negligência ao terem-na deixado correr riscos vários, mas que não aconteceram?

josé disse...

A resposta simples é: não.

Mas a resposta complexa precisa de mais espaço de explicação e contende com a teoria geral da culpa no direito penal.

Seria preciso entrar na explicação do que é um crime de perigo ( abstracto e concreto) como por exemplo a condução automóvel nas estradas e as proibições inerentes por causa do perigo abstracto.

E esta matéria é complexa até porque entrecruza outro problema como o crime de corrupção e o ligado ao enriquecimento ilegítimo através de acto lícito...

Karocha disse...

zazie
uma coisa é certa, os pais ligaram para a Sky em primeiro lugar.
Eu tive um problema com o meu filho mais novo, andava na primária ao pé de casa, nunca mais chegava e a aflição foi tanta que liguei polícia, hospitais nem me passou pela cabeça ligar para a RTP, neste caso a meu ver é tudo muito estranho de ambas as partes.
Faço a pergunta, que tenho feito sempre, pode ser que neste blog me saibam responder.
Alguém se lembra do que se passou em Portugal ou na Europa, do ponto de vista politico?

zazie disse...

Ok. Obrigada.

Imagino que possa ser o caso de não se colocar cinto de segurança ou cadeirinha no local indicado, por serem descuidos cujas consequências já são do âmbito comum.

Por isso mesmo é que basta uma brigada de trânsito para se ser punido, sem necessitar de consequências.

Mas neste caso não encontro sequer lógica.

josé disse...

Não sei se ligaram em primeiro para a Sky, mas se o fizeram e não houve rapto seria a maior estupidez que fizeram.

Também não sou adepto de teorias de conspiração com os ingleses como se estes fossem algo de inominável em casos semelhantes.

Vejamos: mesmo na pior hipótese que caso é este?

Homicídio voluntário? Ninguém se atrveu a dizer tal coisa.

E então?

zazie disse...

Karocha,

Eu sei isso tudo mas não é disso que se fala.

Nestas coisas apenas me interessa a investigação e como foi feita.

Não faz o meu género atirar palpites sobre casos mediáticos com pendor de tragédia e mistério.

zazie disse...

A estupidez seria tão grande, quanto decidirem eles chamar a polícia com os tais cães especiais.

Se havia culpa, estariam a trabalhar para serem apanhados.

Karocha disse...

zazie

Foi mal feita.
Tal como a minha, por isso falo.
Quanto aos palpites não chamo assim,chamo singularidades.
É tudo muito estranho...
Até ao Vaticano foram, nunca se viu uma coisa assim!
Quantas crianças desaparecem em toda a Europa e nem se fala?

Karocha disse...

Não são estúpidos zazie, tem poder.
É só ver que o Embaixador à altura foi para o olho da rua e o Gerry tem poder para por o Brown na rua.
Desculpem zazie e José, mas aqui existe algo que não bate certo.

Karocha disse...

Não estou a defender o Amaral, que fique claro!

zazie disse...

Para isso, que nada tem a ver com investigação, então acho mais piada às histórias que o Arrebenta arranjou

ehehhehe

Era cada uma mais louca.

zazie disse...

O efeito é mesmo a necessidade que toda a gente tem de encontrar uma explicação e um fim para uma história.

E a ficção existe para preencher essa necessidade.

Mas a realidade deixa muitas sem fecho e sem se saber mais nada.

Wegie disse...

Gostaria de ver aqui alguma comparação de casos internacionais similares: Por exemplo o caso JonBenet Ramsey que foi tambem comprometido por investigação deficiente. No entanto os investigadores publicaram livros com as suas conclusões.
A minha questão é: Apesar de para mim GA ser notóriamente um bronco porque não há-de poder expor a sua versão?

Karocha disse...

Pois é querida zazie o Arrebenta lá saberá...
É por isso mesmo que eu estou a escrever o meu livro no meu blog, a história da minha vida,não dos outros!

zazie disse...

Então eu fazia outra pergunta:

E os juízes e investigadores do Caso Casa Pia?

Esses não podiam escrever acerca de factos apurados que não fizeram parte dos julgamentos ou da forma como outros nem precisaram de julgamento?

O que é que se diria se isto acontecesse?

Por menos já ia havendo linchamento na praça. E ninguém se atreveu sequer a fazer o que fez este polícia- lançar a opinião que houve culpa.

zazie disse...

Eu percebo a lógica da justiça- há responsáveis e o Amaral não era o chefe de todos eles e muito menos foi juiz de alguma coisa.

Wegie disse...

Eu também não vejo porque os investigadores do caso Casa Pia não poderão publicar as suas opiniões após o final do processo. Citei o caso Ramsey por ser muito semelhante nalguns aspectos incluindo a suspeita que recaiu sobre os pais.

josé disse...

O que me aborrece no caso do Amaral não é que tenha escrito o livro.

É o modo, o tempo em que o fez. E a motivação,também posso especular sobre isso e a hipótese que coloco não me agrada nada.

Se o Amaral quisesse mesmo expor uma verdade em que acredita sem margem para dúvidas ( no que não acredito de todo porque o acho exactamente bronco), faria de outro modo, mais discreto e eficaz.

Assim, não.

zazie disse...

Há questões que eticamente nunca podem ser ultrapassadas.

A principal é a das vítimas de algum caso.

Acontece que no Caso Casa Pia houve vítimas- ninguém negou que que foram violentadas e elas mesmo apresentaram nomes e culpados.

A partir daqui, a matéria de facto passou a ser outra coisa que não invalida esta situação- não se provou que as vítimas o não fossem, ou que mentissem nas acusações que fizeram.

Neste caso a principal vítima nem foi encontrada.

Pelo que, qualquer acusação não pode ser leviana. E muito menos feita por quem participou na investigação e que não apresentou um único dado que não fosse conhecido e não tivesse feito parte do processo.

zazie disse...

De qualquer forma, pelas passagens que li e resumos feitos por terceiros, o que ele escreveu apenas o deixa mal como polícia.

Porque aquilo não tem ponta por onde se pegue.

JB disse...

Concordo com o José.

A minha opinião é que o homem percebeu o dinheiro que podia fazer com a acusação em livro dos pais da criança. Por isso, qualifico-o como um oportunista, que nunca devia ter sido polícia, na medida em que evidentemente não respeita os princípios básicos a que devia obediência enquanto profissional.

Quanto ao caso Maddie, a minha curiosidade é grande pelo facto de passar férias há cerca de 28 anos na Praia da Luz. Não faço ideia do que terá acontecido. Mas sei que os pais se portaram muito mal com as pessoas do local que tanto os ajudaram.

São responsáveis pela destruição dezenas de empregos com a má publicidade que deram ao caso e à vila e muito compreensivelmente são detestados por quem lá vive e trabalha.

Ruvasa disse...

Viva, José!

Confesso que me surpreende tanto militantismo! Daqui - de si - não o esperava. De todo.

A ideia que fica, que ressuma das suas frases - desculpe que lho diga, mas tem que ser, mesmo porque, como lhe disse antes, muito aprecio os conteúdos da sua escrita - é que tal supreendente proselitismo não é bom conselheiro. De todo. Menos ainda se, como julgo e afirmei antes, o José é ou foi magistrado do MºPº.

Estou a desconhecê-lo, José, já que costuma ser mais equidistante, mais analítico, menos enfronhado, mais à luz da razão e menos da emoção. Em causa alheia, portanto. E aqui, parece tudo menos isso.

Gonçalo Amaral não deve julgar? Pois não! Mas compreende-se mais o abusivo julgamento de G.Amaral - que está em causa, que alguém lhe transformou em própria - do que o julgamento, também com laivos de exagero, de alguém que não esteve metido no caso, pelo que terá informação insuficiente sobre o assunto (portanto menos do que terá o ex-polícia)e, não obstante, não se coíbe de também julgar, mesmo não tenho a desculpa de estar a defender-se como pode, já que terá sido impedido de acabar a tarefa de que fora incumbido.

Terá, portanto, menos ibformação. A menos que eu esteja equivocado e o José tenha estado metido no processo. No que não acredito.

Insisto em terminar, como comecei e terminei o primeiro comentário:

Talvez que o mais avisado seja não torcer por um lado nem pelo outro. À cautela.

Cumprimentos

Ruben Valle Santos

NB.- Respondo-lhe a si e a mais ninguém pela simples razão de que acerca de si tenho algumas informações, ainda que muito bastas.

Dos restantes intervenientes não conheço seja quem for nem sei a quem me dirijo, pelo que o não faço. Estar a escrever para completos desconhecidos é coisa que não casa bem comigo que ajo sempre de cara destapada, até porque tenho o hábito de, na Blogosfera e fora dela, nada escrever que não me atreva a dizer frente a frente com o meu interlocutor. O que considero um são princípio de vida em sociedade.

Por outro lado, outros há também a quem não respondo, porque, afinal, a despeito de muitas palavras e frases alinharem, nada de concreto dizem. Ora, a nada responde-se o quê?!

Encerro aqui a minha intervenção quanto a este tema. Não fiquei convencido com as explicações que o José desta vez - entendo eu, claro! - não conseguiu apresentar, pelo que mantenho a minha discordância. Estou seguro, porém, de que vai ser passageiro, pois que a partir do próximo tema, regressarei à sintonia que tem sido regra.

Novos cumprimentos

josé disse...

Ruben:

Não é preciso estar de acordo com tudo. E sobre este assunto é possível que haja pontos de discordância que não têm a ver com o essencial. Um deles, é que não penso assim por qualquer corporativismo ou posição contra a polícia ou coisa assim.

Penso por motivos que tentei explicar e que me parecem relevantes.

Um investigador não deve intervir desse modo, como Gonçalo Amaral o fez.

Se ficou ofendido com algumas coisas, deve seguir outras vias.

E quanto ao seu procedimento como polícia ( por isso escrevi que o não soube ser) é público e notório e resulta de um julgamento que já decorreu.
E sobre isso, ainda mais grave é e não me pronunciei. Mas poderia fazê-lo, porque tenho ideias assentes sobre o assunto: um polícia ou seja quem for que investigue, não tem qualquer direito,mínimo que seja, de tentar fazer justiça pelas próprias mãos em casos alheios. Em causa própria até poderei compreender que não justificar. Agora, como profissional, definitivamente não.

E foi isso que se passou, no caso dele.

Neste assunto, pelo mesmo motivo, devia ter sido mais reservado.

Karocha disse...

Caro ruben
Eu não sou anónima, e estou de cara descoberta tanto na blogosfera como fora dela.
Cumprimentos
Manuela Diaz-Bérrio

zazie disse...

Eu também não sou anónima- sou a zazie no metro. Mas não quero saber quem o Ruvasa porque não ando por aqui para coscuvilhar a vida alheia.

Aqui formulam-se ideias, ou trocam-se opiniões ou brincadeiras.

tudo isso é independente da vida de quem escreve.

O que aqui fiz foram perguntas, partindo de pressupostos que o José confirmou- a impossibilidade de haver culpa de negligência sem se saber em que consistiram as consequências.

zazie disse...

E era bom que essa pancada do anonimato ficasse arrumada de uma vez por todas.

Quem não aceita que cada um faça como entender e use o nome ou nick que bem lhe apetecer era melhor ficar-se por debates com os amigos no café da esquina.

zazie disse...

Quanto à cara a descoberto, também não me daria muito jeito blogar de burka.

Mas, ainda assim- há por aí muita gente conhecida da blogo que já se prestou a figuras de tal modo sabujas ao vivo, que mais valia blogarem com uma saca de batatas enfiada na cabeça.

(Estou a pensar nos fretes de beija-cu político).

zazie disse...

Olhe, e fique lá com a minha opinião, já que teve a delicadeza de caracterizar o que outros escreveram sem sequer indicar quem foi.

Eu também penso que o Ruvasa «a despeito de muitas palavras e frases alinharem, nada de concreto disse »

Com a diferença que sou capaz de explicar o motivo deste julgamento.

Usou muitas palavras e não disse nada porque se referiu a um livro que dá ideia que nem leu e apenas insinuou que o conteúdo deve ser válido em virtude do autor ter sido afastado da investigação.

E isto não é nada. É fazer valer a credibilidade do escrito pelo ressentimento de quem escreveu.

Ruvasa disse...

Cara Karocha!

Claro que o meu reparo não lhe era dirigido.

É evidente que a carapuça só serve a quem... serve. E é igualmente evidente que a si não serve. De todo. A Karocha nem tem o hábito de afogar as pessoas com léguas de frases feitas e, como todas as frases feitas, sem sentido algum, veja lá!...

Quer aceitar os meus cumprimentos?

Ruben Valle Santos

zazie disse...

ehehe

Este sujeito é palerma. Acha-se muito educado por mandar indirectas e nem ser capaz de ter uma conversa decente.

":O)))))

Alguém foi indelicado consigo?

Eu não fui. Mas, se insistir muito, posso fazer-lhe esse favor.

zazie disse...

V. apenas fez o que faz uma dona-de-casa- uns desabafos e uns julgamentos acerca das pessoas sem apresentar uma única ideia que contrariasse os argumentos expostos.

Mas isso nem era comigo e nem toquei no assunto.

Apenas aproveitei o chavão que v. debitou- igual ao que muita outra gente também papageou- o do crime de negligência e procurei saber se ele se podia aplicar com desconhecimento do que sucedeu.

Pelos vistos, não.

O meu interesse nestas coisas é aproveitar os excelentes conhecimentos do José para tirar dúvidas.

Se fosse para desabafos e tomar partido ia para um blogue de trica laric a.

zazie disse...

Além do mais nem costumo dizer que discordo de uma pessoa. Posso é estar em desacordo com o que uma pessoa diz.

E, para isso, usam-se argumentos. Não se fazem julgamentos acerca da pessoa.

zazie disse...

Esqueci-me de despedir com mais uma frase feita:

Cumprimentos,

Zazie no metro- linha verde Baixa-Chiado- não confundir com a a de Odivelas que é bastarda.

Ruvasa disse...

Viva, José!

"Um deles, é que não penso assim por qualquer corporativismo ou posição contra a polícia ou coisa assim."

Por me ter parecido aqui bater o ponto é que referi o assunto. Todos quantos alguma vez tenham estado perto da questão sabem da profunda "amizade" que enternece MºPºs e PJs, não é assim? Profunda "amizade" sempre vinda em primeira mão do lado do "manos pedros". Tudo por questão de galões e competências e bem assim do receio de invasão de cout..., perdão territórios. A saga é antiga e com inúmeros episódios de alguma comicidade.

O José, porém, fez já a sua profissão de fé na ausência de qualquer parti pris "... contra a polícia ou coisa assim" (curiosíssima frase...), pelo que a mim, que ajo de boa fé, não mais é lícito questionar tal hipótese.

Mas que há fortes possibilidades de que quem saiba ler e leia sem estar prevenido com essa ausência de parti pris fique suspeitoso que baste, lá isso...

Insisto: não conheço Gonçalo Amaral, não fui não sou nem serei "mano pedro", não fui, não sou nem serei "judite", não estou (já de há muito) em contacto muito estreito com o assunto, mas conheço bem os dédalos do labirinto "MºPº vs PJ" ou vice-versa, pelo que não falo por falar.

Cumprimentos e vamos a outro tema mais fecundo, ok?

zazie disse...

Ora bem.

Assim fica mais claro.

O Ruvasa não precisa de factos nem de argumentos porque lhe bastam julgamentos de intenção.

zazie disse...

correcção: lhe basta.

josé disse...

Ruben:

Posso defender-me desse processo intencional ( porque o é) com o seguinte argumento:

Já defendi aqui alguns polícias que o sabem ser. Quer os nomes?

Teófilo Santiago e Massano de Carvalho. Que eram da directoria do Porto e investigaram os negócios da familila Loureiro.

Esses dois sabem tudo do assunto, pode crer. Sabem muito mais do que publicamente se sabe porque investigaram e ouviram as escutas telefónicas e sabem coisas que não podem dizer publicamente porque era um terramoto político para todos, mas mesmo todos os políticos de bloco central.

Eles sabem, pode crer. Tal como o magistrado Teixeira, que esteve em Gondomar também sabe porque dirigiu efectivamente o inquérito.

E os casos não se resumem ao que deu no Apito Dourado. Têm muitas outras coisas.

Se esses dois inspectores escrevessem um livro sobre o que apuraram e o que sabem, seria bonito. Mas não acho que o devam fazer e repare que o assunto diz respeito a todos nós. Nem sequer é um caso de desaparecimento de uma menor que envolve essencialmente os pais.
É um caso com muita complexidade e que poderia ajudar a resolver o problema endémico de corrupção que temos.

Deveriam esses investigadores publicar livros, falar em conferências e assistir a colóquios para debater os assuntos, alguns dos quais nem sequer estão em julgamento e dizem respeito a casos concretos de corrupção que averiguaram mas não conseguiram provar?

Claro que não. E porquê? Porque o sistema que temos não suporta isso mesmo. Não suporta invesrigações paralelas dos investigadores oficiais e não suporta a discussão pública de casos para os quais há um sistema penal instituído.

Isso seria o regresso à justiça privada e um arremedo de seriedade porque as garantias e direitos das pessoas poderiam ficar seriamente comprometidos.

E porquê? Precisamente por causa de pessoas que posssam pensar como V. neste caso parece pensar: com dados incompletos, por palpite e emotivamente e com pouca adesão a factos sólidos.

Ou seja, por causa da falta de qualquer garantia de imparcialidade e isenção.

É por isso que continuo a achar que Gonçalo Amaral não soube ser polícia e continua a envergonhar a classe a que pertenceu.

Teófilo Santiago ( fez Direito em Coimbra, no meu tempo e tem a minha idade) é um polícia que admiro e conheço-o pessoalmente.

E por isso não pode dizer que o meu escrito é enviezado por causa do corporativismo.

É mais uma conclusão sua que parte de premissas erradas, a meu ver.

E por isso o julgamento não é correcto.

E só falo no Teófilo Santiago porque é conhecido. Há muitos outros que conheço e cujo trabalho admiro e aprecio.

Mas não desculpo aqueles que não sabem fazer sem justificações admissíveis.

E o trabalho que Amaral fez, nesses dois casos, não foi bom e comprometeu a imagem de profissionalismo e competência da instituição- que é de todos nós...

josé disse...

Quando refiro todos os políticos do bloc central quero rectificar: não são todos. Serão apenas os envolvidos...

Filho disse...

"Se esses dois inspectores escrevessem um livro sobre o que apuraram e o que sabem, seria bonito. Mas não acho que o devam fazer e repare que o assunto diz respeito a todos nós. Nem sequer é um caso de desaparecimento de uma menor que envolve essencialmente os pais.
É um caso com muita complexidade e que poderia ajudar a resolver o problema endémico de corrupção que temos.
Esses dois sabem tudo do assunto, pode crer. Sabem muito mais do que publicamente se sabe porque investigaram e ouviram as escutas telefónicas e sabem coisas que não podem dizer publicamente porque era um terramoto político para todos, mas mesmo todos os políticos de bloco central."

Pois é José...

Como já foi dito em vários blogs a corrupção não vai parar enquanto esse "segredo" não fôr desvendado, pois enquanto uns desviam dinheiro que vem da Casa Real Britânica, outros que sabem do assunto "orientam-se" com a desculpa de que enquanto os "uns" não são presos os "outros" ficarão impunes.
Parafraseando o que alguém já escreveu "tu que sabes e eu que sei, cala-te tu que eu me calarei!"

E é por isso que os famigerados personagens que se sentem "entalados" vão a Londres fazer um "seguro de vida"!!

A verdade é que se está a falar da vida de uma mulher - Manuela Diaz-Bérrio ou Karocha - a quem tudo tem sido negado.

É tempo de aparecer quem tenha coluna vertebral e não queira ver o seu País arrastado na lama.

Este assunto deve, tem que ser resolvido. Portugal ficaria bem melhor com a Karocha do seu lado!

Aqui fica feito o convite a quem não pretende pertencer ao bando de ladrões e oportunistas.

josé disse...

Filho:

O que penso disso é simples: quem tem a certeza de uma coisa, deve lutar por ela.

Quem tem a certeza, escrevi...mas houve há séculos um Outro que disse que eram felizes os que acreditam mesmo sem ver. Referia-se ao Reino dos Céus.

Karocha disse...

José
É o que estou a fazer no meu blog.

Filho
você é novo aqui!?

lusitânea disse...

Neste caso Madie o Amaral foi o mexilhão.
E depois tudo lhe caiu em cima.
Dinheiro abundante e influência política e pelos vistos até judicial deixam de facto o Amaral com as calças na mão.Só que os beirões são tesos.Partem mas não vergam...
O processo em si foi uma vergomha sim.Mas não foi culpa do Amaral.Uma pedrinha na hieraraquia amorfa que foi colocada em causa

touaki disse...

Alguém me "expilica" direitinho por que é que a mãe de Joana foi condenada sem nunca o corpo da dita ter aparecido?

Investigador criminal disse...

José,
mais uma vez tem razão, em tudo o que diz (inferlizmente ainda não tive tempo de comentar os seus brilhantes post sobre investigação criminal).
Como diria o DN da PJ a Policia Judiciária não é uma policia secreta, mas discreta.

Ruvasa disse...

Viva, José!

Como passou mais um dia e talvez aqui não volte ninguém, principalmente quem para aqui vem apenas fazer ruído, só para nós, portanto, que certamente não somos ignorantes nem tão pouco tentamos fazer passar por parvo o nosso interlocutor, deixe que lhe observe apenas duas coisas, contidas na transcrição das suas palavras, que a seguir faço:

"""

Claro que não. E porquê? Porque o sistema que temos não suporta isso mesmo. Não suporta invesrigações paralelas dos investigadores oficiais e não suporta a discussão pública de casos para os quais há um sistema penal instituído.

Isso seria o regresso à justiça privada e um arremedo de seriedade porque as garantias e direitos das pessoas poderiam ficar seriamente comprometidos.

E porquê? Precisamente por causa de pessoas que posssam pensar como V. neste caso parece pensar: com dados incompletos, por palpite e emotivamente e com pouca adesão a factos sólidos.

Ou seja, por causa da falta de qualquer garantia de imparcialidade e isenção.

"""

Relativamente aos seus dois primeiros parágrafos, apenas digo isto:

E a continuar como estamos, jamais conseguiremos ter sistema diverso desta nojeira em que vivemos... A culpa é nossa, apenas nossa... Emquanto não o percebermos, não iremos longe. I made myself clear enough, I presume.

Quanto aos dois últmos parágrafos:

Peço-lhe que releia tudo quanto o José escreveu no post e nos comentários até agora e bem assim o que eu próprio escrevi. E em que termos.

Está seguro de que, fazendo-o in a cool way e "desprendimento", manterá a afirmação de que sou eu que actuo com dados incompletos, por palpite e emotivamente e com pouca adesão a factos sólidos, o que é causa de falta de qualquer garantia de imparcialidade e isenção?

Ora, honestamente, diga-me cá: É isso mesmo que pensa, ainda que tendo lido com mais cuidado tudo o que ambos escrevemos?

Claro que vou continuar a lê-lo. Mas vai depender de si que continue a encarar o que o José escreve da forma que sempre fiz, ou seja, com respeito e excelente consideração pessoal, ainda que o não conheça.

E se o José é efectivamente quem penso que é, não lhe será indiferente que o leia de uma forma ou de outra.

Mudando de tema, aquilo que considera ter sido processo intencional meu em relação a si não o é, efectivamente.

Primeiro, porque jamais fiz qualquer afirmação peremptória (nem nunca a tal me atrevo, se não estou seguro do que digo), tendo-me limitado a questionar, esperando esclarecimento;
depois, porque feita a sua profissão de fé, pelo que a mim, que ajo de boa fé, expressamente considerei não me ser lícito "questionar tal hipótese".

Habituado à linguagem jurídica, que, como sabe, tem que ser adequada e precisa, o José não pode alegar dificuldade de entendimento de interpretação. Também eu não posso alegar dificuldade em exprimir-se com semelhante precisão. Logo...

Finalmente, acha assim tão necessário defender-se quando não está a ser atacado?

Se reler, José, se reler, verá que...

Cumprimentos

Ruben

Ruvasa disse...

Pelo que reparo no comentário do Investigador Criminal, que antecedeu o meu, parece ter havido mais quem se "baralhou" com o seu post e o interpretou mal.

josé disse...

Ruben:

Os dados que conhecemos estão incompletos. Ainda hoje, o semanário Privado escrevia na primeira página que o peluche da pequena fora lavado a seguir e que essa atitude levanta suspeitas.

Sabemos que esse peluche foi conservado pela mãe, em público e como símbolo de uma ausência.

Sabemos ainda que o Gonçalo Amaral interpreta os dados científicos da perícia ao ADN de um modo peculiar e que juridicamente não é válido: os dados não são suficientes para dar o salto lógico que o mesmo pretende dar. E isso quanto a mim é um facto.

Sabemos ainda outra coisa que é grave quanto a mim: por confissão do próprio Amaral, só dias ou semanas depois da ocorrência colocou a hipótese que agora defende:um homicídio negligente imputado aos pais.
E por mim, pergunto: e um polícia deve fazer uma coisa destas, embarcar assim na onda da carneirada geral que aponta o dedo ao que lhe parece?

Um polícia não tem a obrigação, ainda mais num caso destes, de colocar todas, mas mesmo todas, incluindo a de homicídio voluntário e explorar as pistas?

Tem. Claro que tem,mas o Amaral não o fez.

Depois disso, há o factor intuição e ainda i factor abdução. As hipóteses plausíveis devem ser todas colocadas e devem ainda adivinhar-se outras que o não são mas podem passar a ser.

Eu sinceramente e em modo "cool", digo que não sei o que se terá passado nem consigo dizer que me parece mais isto do que aquilo, pela simples razão de que para uma ou outra hipótese, há sempre um óbice que me parece intransponível e ilógico.

É por isso que julgo que o Amaral não deveria escrever o livro no tom e na altura que escreveu.

Ele não sabe o que se passou. Não sabe mas quer convercer-se a ele próprio que sabe.

E isso é fatal para um polícia. Aliás, já tinha simplificado tudo da mesma maneira, no caso Joana.

Ruvasa disse...

"Os dados que conhecemos estão incompletos".

O peluche foi lavado...

Precisamente por estarem-no e nem sequer sabermos o que os investigadores efectivamente sabem e não dizem - por motivos que igualmente não sabemos - é que eu o interpelei.

O José não nega certamente que a política se meteu de permeio e tudo atropelou uma vez mais. Logo aí deveríamos todos ficar de sobreaviso ou, como mais popularmente se diz, com o "espírito santo" atrás da orelha.

Pois não é verdade que nem as magistraturas estão a salvo de pressões e ameaças? Então como é o poderão não o estar funcionários públicos, como são os polícias, por muito inspectores que sejam, principalmente se liderados por quem à altura dos factos os "liderava", que só dizia baboseiras e parecia apenas sintonizado com o Poder circunstancialmente instalado?

Gonçalo Amaral - mas nºao s´+o ele, porque outros elçementos da insvestigação, pare ter sifrido press~ºoes muito fortes, as quais culminaram com o seu "despedinento" sumário, precisamente no momento erm qwue as coisas aqueciam. É legítimo obliterar mais esta circunstância na apreciação do caso?

Será que a Gonçalo Amaral não está neste caso atribuído o papel de Lopes da Mota no Freeport, ou seja, o de conveniente nevoeiro?

The main case é o desaparecimento da menina, é bom que não seja esquecido.

Por todas estas razões, que entendo muito ponderosas, uma vez mais insisto na sugestão com que iniciei o primeiro comentário que fiz:

Talvez que o mais avisado seja não torcer por um lado nem por outro. À cautela.

Cumprimentos

Ruben

josé disse...

Ruben:


Ora aqui entramos num campo que me parece o que precisa de ser melhor esclarecido e julgo que a maior parte dos equívocos, parte daí.

Explico:

O Inspector Amaral fazia parte de uma equipa que não estava isolada na investigação e que incluía os magistrados que dirigiam efectivamente o inquérito. A PJ neste caso, ao contrário de outros, não estava em roda livre relativamente ao MP.

E isso é importante que se saiba porque é realmente um factor de compreensão do que se passou.
Não obstante, a lógica da investigação criminal neste caso, implica o respeito por determinadas regras que devemos presumir foram cumpridas até porque não foram colocadas em causa por nínguém, incluindo G.Amaral.

Portanto, não aceito que diga que o ALípio Ribeiro, director da PJ na altura, foi um totó. Não foi por várias razões que enuncio:

Conheço relativamente o referido magistrado por quem tenho consideração até pessoal e julgo-o um indivíduo inteligente ( até chegou a ter um blog, há uns anos, antes disso tudo) e preparado tecnica, profissional e deontologicamente para lidar com um assunto destes do modo profissional e jurídico que se impunha.
Portanto, presumo que Alípio Ribeiro, como é seu timbre, cumpriu etica e deontologicamente todos os deveres inerentes ao cargo e não estabeleço motivos para desconfiar da investigação por causa disso.

Além disso, o que posso dizer das suas prestações públicas, em entrevistas, também não o desmerecem muito se souberem ler o que ele disse. Na altura cheguei a comentar duas ou três, ainda no GLQL. E achei bem o que ele então disse.
No entanto, foi quase tudo distorcido pelos jornais o que resulta depois no que se pode ver e ler, mesmo no seu comentário: uma imagem negativa de um indivíduo que a não merece de todo.


Quanto ao assunto principal da interferência política. Vou ser resumido: não acredito um segundo sequer que tenha existido.

Ponto. Para acreditar nisso, teria que rever todo o meu conceito sobre as insituições do Estado e não estou inclinado a isso porque não tenho suficientes indícios disso mesmo.

NO entanto, percebo que se escrevam e digam essas coisas. No outro dia, a propósito da reunião do "bando dos quatro", alguns jornais escreveram com seriedade que o assunto poderia ser o Freeport.

Quanto chegamos a isto e se escrevem estas coisas, com seriedade e julgando que tem pés e cabeça, está tudo dito e desisto da discussão, porque acabamos a falar um diálogo de surdos, em que o desentendimento nem por gestos se consegue evitar.

zazie disse...

«Vou ser resumido: não acredito um segundo sequer que tenha existido. »

ehehe

Nem eu.

Mas as pessoas gostam de teorias da conspiração. E, por isso é que digo que quem devia ter vendido um livro era o Arrebenta.

É que esse pegou em todas as ficções largadas e tornou a coisa louca de redundante.

Mas, o que tem piada é que a redundância dele servia perfeitamente o público que também não vai pela racionalidade.

E tinha muito mais piada- aqueles posts dele são puro humor negro do humor que os media iam transmitindo como factos.

zazie disse...

Ah, e não havia nenhuma diferença se, em vez de assinado como Arrebenta, viesse como inspector da polícia, afastado do caso.

Porque a história que se quer comprar é essa e a credibilidade da loucura passa a credibilidade de investigação se lhe mudarem o nome.

Karocha disse...

zazie

Adoro o Arrebenta ;-)

José

Será que não houve mesmo pressão politica?
É que o Embaixador do Reino-Unido,que estava acreditado em Portugal, foi corrido!

josé disse...

Karocha:

Como é que V. entende a pressão política num caso criminal que é dirigido pelo MP que não tem nem pode ter ligações políticas, mesmo que alguns possam pensar que têm e que nós é que não sabemos os trantantes que andam por ali e assim e assado?

No caso da PJ ainda pode haver uma qualquer influência, através de conversas com o ministro, se bem que neste caso seriam espúrias e inadmissíveis, porque quem dirige o inquérito não é a PJ e por isso está logo arreadada hipótese de terem o poder de influenciar decisivamente.

Por outro lado, o então director ALípio RIbeiro, mesmo sendo amiu«go do Alberto Costa como é ( era) não é pessoa para andar a fazer fretes desse género por outra razão: não poderia influenciar o magistrado do MP encarregado do processo e nem sequer os inspectores da PJ o poderia fazer porque cada um tem o seu dever e trabalha conforme esse princípio.

Não estou a ver de modo algum o director Alípio Ribeiro a dizer à equipa da PJ para fazerem isto ou aquilo e não descobrirem isto ou aquilo por causa da diplomacia.

Diplomacia? Por amor de Deus!

V. acredita que isto funciona assim?

Pois eu não tenho dúvidas que não funciona.

josé disse...

A história de o Embaixador ser ou não corrido pode ter a ver com outra coisa, mas serão sempre especulações.

Por exemplo, é sabido que foi publicitada na Inglaterra uma reunião informal do inspector Amaral num restaurante, com a equipa e isso foi noticiado com fotos porque havia garrafas de vinho na mesa.

Isso que é uma simples anedota transformou-se em facto político porque houve aproveitamento desse tipo pela imprensa inglesa que é ávidas desses tidbits.

A asneira foi de quem? Do Amaral ou de quem se prestou ao ridículo.

E o facto que depois surgiu já pode ter envolvimentos diplomáticos porque coloca em causa a imagem da polícia portuguesa. Mas daí a ter influência decisiva na investigação, vai o passo de um gigante dos livros infantis.

Karocha disse...

Pois José!

Karocha disse...

José
A Felícia Cabrita que é danada para descobrir coisas, conseguiu a factura do vinho e whisky do grupo, na noite em que a criança desapareceu!
Ao pé do que eles beberam o GA é abstémio.
O José que guarda os jornais todos de certeza que tem o jornal com a factura detalhada!

josé disse...

Se há caso em que poderia haver pressões políticas dos ingleses relativamente a outro país, foi o do acidente da princesa Diana.

Como sabe, Dodi Al Fayed tentou provar à custa de investigação particular, relativamente a factos que foram aventados na ocasião ( fotógrafos causadores do acidente e alguém.mormente os serviços secretos ingleses, de propósito, sabotarem o carro ou colocarem um obstáculo naquele local àquela hora etc etc) que o acidente não foi acidente e tinha um motivo para tal: a má-vontade da família real inglesa em relação à princesa e a hipótese de estar grávida o que não era verdade, sequer.

Ainda assim o número de pessoas que acredita em conspiração nesse caso, não leva em conta um facto simples: o motorista do Mercdes estava bêbado e embateu no pilar do túnel porque não controlouo carro.

Se os passageiros tivessem o cinto de segurança não teriam morrido, porque o da frente não morreu...

Enfim, isto é mesmo assim: as pessoas por vezes não se contentam com explicações plausíveis e procuram as hipóteses que alimentam a imaginação.

josé disse...

E que é que esse vinho ou álcool do Amaral ou de alguém do grupo, tem importância para o caso?

Se bebesse em caso teria?

Em que é que isso é relevante para o assunto em causa?

O bando dos quatro, menos um ( o presidente do STJ) no outro dia, depois do encontro foram almoçar ao Gambrinus, pago pelo Bastonário da Ordem. Parece que beberam um Evel que custou uns euros.

E daí?

Pode dizer-me qual a importância de a equipa da PJ passar duas horas a almoçar e terem bebido a mais?

Que é que isso importa?

Karocha disse...

José
Por favor...
Com tudo o que foi escrito que o homem tinha bebido e tomado, nem da mesa se conseguia levantar, quanto mais guiar um carro!

josé disse...

Acha? Viu os videos? E se assim é, como dizer que houve conspiração?

Ou teriam sido os ingleses que lhe puseram pó no vinho, sabendo que iria conduzir naquele estado e teria logo o acidente porque aceleraria o carro por causa da perseguição dos fotógrafos? E iria embater no pilar e os passageiros não levavam cinto e isso seria fatal num Mercedes série S?

É assim que pensa?

josé disse...

O Dodi pensa.

Karocha disse...

Um Mercedes Blindado???
José, tudo aquilo cheira mal, mas a verdade é que a Srª se meteu com o Lobby das armas!!!

josé disse...

Karocha:

Como dizia o Perry Mason, personagem de ficção: i rest my case. Pouso a mala.

Só acrescento que há muitas pessoas que acreditam piamente que as torres gémeas foram dinamitadas pelo Bush e que o Homem nunca foi à Lua.

E que Sá Carneiro foi assassinado, já agora.

Karocha disse...

José
Como sabe trabalhei em publicidade e cinema.
Veja os filmes, que grandes máquinas , com tudo focado e nos ângulo certo e outras coisas que um profissional sabe.
Os filmes sérios foram os das pessoas, todos mal enquadrados etc!
Não acredita que existam conspirações, ainda bem para si José!
Eu sou mais Holmes "A singularidade é quase inevitavelmente uma pista"

josé disse...

O Holmes era exactamente o oposto das teorias de conspiração. Descobria tudo, adivinhando pela lógica dedutiva, indutiva e abductiva, o que acontecera e que se afigurava prosaico logo que se sabia.

Só que Holmes é uma personagem de ficção e a realidade, como todos sabemos é mais rica que isso.

Portanto, para descobrir a realidade é preciso viver no mundo real e entender os fenómenos de acordo com as causas e efeitos normais e correntes.

A fantasia é sempre uma abdução do real e se por vezes se verifica essa hipótese lógica, é preciso comprová-la. É isso que Sherlock Holmes faz nas suas histórias, tal como COlumbo fazia ou uma boa parte dos detectives da literatura.

Mas na ficção isso é facilitado pela imaginação e criação literária.
Na realidade não é possível suplantar factos com realidades que podem ser apenas alternativas.

É sempre necessária a demonstração prática da verdade.

Karocha disse...

Eu vivo na realidade José, com os pés no chão e a cabecinha a funcionar, por isso fiz um blog.
Se quiser lá dar um pulinho é bem vindo.

josé disse...

Mas acredito que existem complots, maquinações para lograr e atingir determinados efeitos.

Mas não muito complexos e com ramificações improváveis.

Não há suficientes histórias que o comprovem.

Normalmente essas maquinações obedecem a objectivos imediatos, prosaicos e facilmente demonstráveis logo que se entenda a chave.

Tudo o que envolva demasiadas pessoas, com as suas idiossincrasias, num propósito conspirativo que passe para além de uma acção concreta começo a desconfiar da sua validade.

Porque tal não respeita a lógica das coisas que diz que não é possível manter durante muito tempo a coerência de uma falsidade factualmente objectiva.

josé disse...

Karocha: não estou a falar da sua realidade que não conheço inteiramente.

Já disse que se acredita na sua verdade deve levá-la ao fim do mundo.

Nestes casos, estou a falar na dificuldade em explicar conspirações que podem muito bem não o serem. E por outra razão prática: não se deve procurar explicações complexas para coisas que são simples.

zazie disse...

É engraçado precisamente por isso.

A boa ficção policial é lógica, nada tem a ver com teorias da conspiração onde vale tudo.

Mas tenho ideia que a culpa também é dos media.

Foram dando notícias de tal modo estapafúrdias que as pessoas já estão por tudo.

Nem distinguem o que é um facto apurado de uma notícia deturpada.

O caso da recepção no Vaticano, por exemplo. Fizeram uma historieta inverosímil, com o Papa a falar em privado com o casal, quando o que aconteceu é banal- todas as semanas há reuniões ao ar livre do Papa com gente. Bastava estarem mais perto. Não nenhuma reunião privada.

O resto é idêntico, ou pior, porque dá para tudo, mas o aspecto mais estranho é que as pessoas já são capazes de acreditar que os países nem têm regras, os governos podem andar a tratar de pequenos nadas caseiros mandando na justiça ou na polícia de cada um e acham isto tão plausível como se vivessem na selva africana.

Parte vem do eterno gosto pelas teorias da conspiração. Outra não sei.

Dá-me ideia que se confunde a corrupção política com o extremo- a fantasia total pior que ficheiros secretos.

zazie disse...

Mas ainda agora apenas por causa do Freeport também já se inventava tudo.

Da cabala inglesa para impor a libra desvalorizada, à cabala espanhola para deitar abaixo um governo.

zazie disse...

Quanto ao que aconteceu, sempre estive como o José.

Sem palpites para uma hipótese ou para outra.

Agora a forma como se coloca o peso das hipóteses é que pode ser lógica ou apenas por inclinação do que parece suspeito.

E isso de suspeito há muita coisa. Desde que vi aquele "médico" espanhol "perito em fisionomias" que acho que as malqueiras do Arrebenta também podiam ter tido direito de antena.

Ruvasa disse...

"... o respeito por determinadas regras que devemos presumir foram cumpridas...".

"Portanto, presumo que Alípio Ribeiro, como é seu timbre, cumpriu etica e deontologicamente todos os deveres inerentes ao cargo".

"Quanto ao assunto principal da interferência política. Vou ser resumido: não acredito um segundo sequer que tenha existido".

Viva, José!

Vou terminar de vez estes meus comentários, mas não posso fazê-lo sem o alertar para as suas presunções. E, note!, nada mais do que presunções...

1. A presunção de que foram cumpridas determinadas regras...

2. A presunção de que Alípio Ribeiro cumpriu etica e deontologicamente todos os deveres inerentes ao cargo...

3. Não acreditar ter havido interferência política é, de novo, uma presunção e nada mais do que isso...

a) Foram cumpridas as regras, mas em nada resultou esse "cumprimento"...

b) A.Ribeiro terá cumprido ética e deontologicamente, ok, mas olhe que não foi isso que ele fez transparecer nas sucessivas e cada vez mais "esquisitas" declarações públicas que fez, autênticos descalabros sob todos os pontos de vista...

c) A presunção de não ter havido interferência política parece-me muitíssimo crédula.
Um (nem sei se "o") assessor de Gordon Brown aparece por aí a meter foice na seara, pondo e dispondo, dois meros cidadãos conseguem, em dias, obter uma audiência com o Papa e tantas outras bizarrias fazem presumir que não houve interferência política?!?!

(Um pequeno parêntises, para referir a história daquele tipo a quem alguém um dia veio dizer que a mulher estava em casa a traí-lo com outro. O tipo vai até casa, pé ante pé e, chegado ao quarto, resolve espreitar pela fechadura, mas o casal, na altura do bem-bom apaga a luz, o que faz com que o espreitador regresse ao café muito desanimado, por não poder provar a traição, já que, de concreto nada tinha visto...)

Regressando à realidade...

Afinal, José, todo o edifício do seu post e do que se lhe seguiu é presuntivo!

Se Gonçaçalo Amaral estava, como diz, enquadrado pelo MºPº (que o orientava), então, caro José, mais ajuda a tese contrária à sua (que nem é a minha). A responsabilidade última do que ele fez ou deixou de fazer é mesmo do MºPº, que dirigia a investigação. Não sou eu quem o afirma. Jamais o afirmei. Deus me livre! Estou, agora e apenas, a tirar conclusões do que o José afirma.

A seguir a sua linha de raciocínio - que nem é a minha... - isso soît-à-dire:

A) o MºPº dirigia a má investigação e nada fez por melhorá-la;

B) o chefe do MºPº proferiu uma série de declarações públicas tremendamente infelizes e "desmobilizadoras" e afastou o inspector da Judiciária que coordenava o caso, mas não o fez em relação a quem no MºPº dirigia o processo.

E não há guerra de Arlequim e Manjerona MºPº/PJ?

E por aqui me fico desta vez, que a minha intenção inicial não foi criar controvérsia, mas para ela fui encaminhado.

Cumprimentos, José. Nem sempre somos felizes.

Ruben