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segunda-feira, 29 de junho de 2009

O clube dos poetas vivos


























Estas duas imagens são da revista Inovação & Ensino Superior, distribuída gratuitamente com o Público de hoje.

As duas páginas que copio ( e que se lêem clicando na imagem), mostram o que pensam sobre o ensino superior e politécnico dois indivíduos que conheço e pessoalmente prezo e considero.

Um, António Feijó, director da FLUL, entende o ensino superior nessa universidade como uma forma de alcançar uma licenciatura como uma graduação multidisciplinar que nasce da livre circulação dos alunos entre as várias fauldades da Universidade de Lisboa. " A um tronco comum de disciplinas essenciais nas Ciências e Humanidades onde o aluno pode acrescentar saberes diversos e divergentes. "O que queremos com esta lienciatura é que os alunos, ao contrário do que tem vindo a ser a tradição em Portugal, entrem na Universidade e frequentem cadeiras de Ciências, Belas Artes, Letras, Psicologia, etc. assegurando à partida um tronco disciplinar comum", diz António Feijó.

O problema, quanto a mim, reside nesta utopia que pretende transformar o tempo de estudo e reflexão de um dado curso de Humanidades ou Ciências, num continuum em que um acervo monumental de saberes se vai trasmudando para outros saberes que se vão acrescentando aos primeiros.
A única reserva que coloco a este entendimento humanístico da cultura e ciência, de âmbito renascentista, é simples de expor: há tempo, em 2 ou 3 anos escolares, para um aluno médio fazer isto tudo com um grau de sucesso medianamente exigível?

O segundo caso, de Rui Teixeira, do Politécnico, é mais abrangente ainda:

"A escola, agora, mais do que um sítio onde se aprende é uma atitude de busca e procura. O professor que persista em ensinar esbarrará na sua ineficácia", diz Rui Teixeira, inspirado certamente noutros mestres que frequenta.

Meu caro Rui: essa utopia ainda me parece mais grave do que a anterior. A escola, então, não deve ser um lugar da aprendizagem, mas sim de busca e procura?

Desculpa, mas não entendo este novo conceito de ensino, ou melhor dizendo, de aprendizagem, digo, de busca e procura de conhecimento, sem mestre.
Por uma razão: há disciplinas científicas e até de humanidades cujo estudo e saber, não prescindem de mestre. E um mestre, desde sempre, dos séculos dos séculos e do porvir, é um mestre. Não é apenas um aluno entre os demais.
Mudara o paradigma para uma escola de inclusão de saberes dispersos e sem mestre, faz-me lembrar aqueles cursos rápidos de línguas que dantes se vendiam para quem tinha pressa em aprender as noções básicas. O Alemão sem mestre, por exemplo, ainda deve estar por aí, perdido num canto qualquer, à espera que alguém lhe pegue e aprenda o que é básico na língua de Goethe.
Se tivesse um mestre, nunca teria precisado de um livro que prescinde dele...

Entradas de leão

Sol ( e Público de hoje):

"O Instituto da Construção e Imobiliário (InCI), organismo público que ficou elaborou o Código dos Contratos Públicos em nome da transparência e do rigor no uso dos dinheiros públicos, entregou o desenvolvimento de um portal à Microsoft, num contrato sem concurso público e onde já há derrapagens, avança o Público."

"Em nome da transparência e do rigor" é uma muleta politico-conceptual que serve para isto que se vê: ajudar a ultrapassar as dificuldades decorrentes da burocracia, como esta que se pode ler também na notícia:


A Microsoft era consultora do Ministério das Obras Públicas e colaborou com a secretaria de Estado na preparação das portarias que vieram regulamentar o Código - e acabou por ver ser-lhe adjudicada a elaboração de um serviço para o qual foi consultora, ao arrepio das recomendações legais.

A "derrapagem", não é nada de especial: apenas o dobro do valor do contrato de prestação de serviços inicial. Pouca coisa.
O responsável institucional, com tutela governamental, por este fenómeno, segundo o Público, será Hipólito Ponce de Leão.

Já foi substuido no InCI, há cerca de um mês, mas foi ele o artífice do novo Código que procura contornar a burocracia das obras públicas e contratos de adjudicação directa.

Quem é Hipólito Ponce de Leão?

Em 2005 estava no IMOPPI, como presidente deste instituto regulador das obras públicas e privadas. Alguma das suas ideias podem ser lidas por aqui.

No site do InCI pode ler-se:

Ponce de Leão era presidente do InCI (antigo IMOPPI) há vários anos, tendo sido nomeado pelo secretário de Estado Jorge Costa, ainda no Governo de Durão Barroso. O seu mandato é marcado pela elaboração e entrada em funcionamento do Código dos Contratos Públicos (CCP), mas fica por fazer muita coisa. Entre a legislação que está mais ou menos elaborada mas nunca foi colocada em prática estão diplomas como o da gestão de condomínios, da defesa do consumidor do imobiliário e a lei dos alvarás. A nova liderança diz que "o trabalho da anterior direcção será integralmente aproveitado" mas afirma que é muito cedo para saber se vai haver alterações ao que estava previsto para o futuro.


Um indivíduo insuspeito de facciosismos, chamou-lhe em 2007, ( altura em que o IMOPPI passou a designar-se como InCI) um nome escusado: emplastro Leão. E conta que foi nomeado para o cargo, porque "foi levado para Lisboa pelo então vice-presidente do Boavista Jorge Costa, que Valentim Loureiro havia vendido a Durão Barroso para o cargo de secretário de Estado das Obras Públicas". Descodificando: não era um boy da cor da moda.
Entretanto, recentemente, o InCI mudou de direcção...para onde, já agora?
E Ponce de Leão para onde foi, já agora também? É que Ponces de Leão, em cargos de administração em empresas do Estado ou institutos aparentados, não faltam por aí, como o Google generosamente nos diz.
Parece até fantástico e digno de artigo de Jornal: a contribuição dos Ponces de Leão no Portugal democrático e de regime laico e de bloco central.
Por outro lado, não deixa de ter alguma piada que estas coisas (uma derrapagem de pouco mais de 260 mil euros) se saibam publicamente, apenas uns dias depois da saída do seu responsável máximo...

domingo, 28 de junho de 2009

Filarmónica Fraude em concerto


Fotos copiadas do blog do ié-ié.

Sobre o grupo de música popular portuguesa Filarmónica Fraude já está quase tudo dito, por aqui e ali.

Na passada Sexta-Feira, 26 de Junho, a banda de Tomar e arredores comemorou os seus 40 anos de canções de música popular, com um concerto no Cine-Teatro Paraíso, no centro de Tomar, com vista para o castelo e convento dos Templários, onde se pode admirar a célebre janela manuelina e uma charola de espanto na capela que foi da Ordem e que pretende imitar a do templo de Jerusalém. Mesmo em obras, merece a visita.

O concerto de Tomar, da Filarmónica, não foi uma fraude, passados 40 anos sobre os seus êxitos originais que lhes garantiram nessa época, encómios e lugares cimeiros na crítica musical de cá e além-mar ( por exemplo, na Onda Pop, uma publicação de Moçambique que o seu autor mostrou e entregou no final do concerto aos elementos da banda).

A música da Filarmónica, tal como depois aconteceu com a Banda do Casaco que aliás tem de comum com aquela, o facto de ter o mesmo letrista e compositor de versos das canções que se contam entre as melhores da nossa música popular: António Avelar Pinho é o nome que comunga do génio da composição versejadora de tradição portuguesa e que coloca em palavras simples, em alusões semióticas de grande gabarito e também no uso de palavras raras da língua portuguesa, alguns problemas atávicos deste nosso país que perduram há décadas e que já eram modernos há 40 anos atrás.
As letras de António Pinho para a Filarmónica Fraude, em temas como Animais de Estimação que a banda tocou quase no início, congregam os males sociológicos deste Portugal, país falhado e de futuro hipotecado a um presente sem ambição ou previsão de mudança. Uma das novas canções da banda, tocada no final do concerto, com letra de António Pinho ( Tó Pinho para os elementos do grupo), intitula-se "País aprendiz". Que pouco ou nada aprende...

O concerto, com os elementos originais da banda, permitiu ouvir o compositor musical da mesma, nas teclas do Petrof e dos restantes instrumentos de sintetização sonora. António Luís Linhares, músico acabado e de feição erudita, teve na banda o seu campo de eleição para a cançoneta de qualidade assegurada em vários êxitos: O Milhões, Flor de Laranjeira, Orícia, etc.
Em 1969, a música da Filarmónica Fraude era uma lufada de ar fresco, no tipo de canção que então passava nos rádios da época, com os expoentes máximos na ligeireza de um certo fado e cançonetismo de festival radiofónico.

A habilidade musical e bom gosto de composição da Filarmónica Fraude, destoavam no meio ambiente de cançonetistas, tal como destoavam outros como José ALmada ( com o primeiro disco em 1970) e Quarteto 1111, e poucos mais.

Em 2009, permanece o tom mordaz das letras e a musicalidade de raiz popular, folclórica por vezes, dos temas antigos e ainda os novos.

A Filarmónica, em Tomar, na passada Sexta-feira, reinventou-se para novos voos na música popular portuguesa.

Apesar disto que ficou escrito, não vi em nenhum jornal de referência, para não falar em rádios ou mesmo tv´s, qualquer referência ao concerto, à banda em si, à efeméride e à importãncia ddo grupo na música popular portuguesa.

A Filarmónica Fraude não faz parte dos grupos conhecidos dos media portugueses. Os animadores culturais também não topam o grupo. Nada lhes diz.

Portugal, um "país de aprendizes"? Pior que isso. Bem pior.

sábado, 27 de junho de 2009

O pai da mentira

José S. , em nome do Governo, sobre o frustrado negócio TVI-PT, disse isto na quarta-feira, no Parlamento e no final do debate parlamentar:

"O Governo nada sabe, nem deu nenhuma orientação, nem lhe foi perguntado nada".

Passados uns dias, nenhum jornalista, comentador ou observador atento, acredita naquelas palavras do primeiro-ministro de Portugal, do governo ainda em funções e que nos envergonha diariamente.

O jornal Expresso de hoje, mostra isto que permite perguntar quem mente mais, neste negócio. A resposta vem logo na primeira página.




quarta-feira, 24 de junho de 2009

O DCIAP já abriu Inquérito por isto?

DN online:

O líder parlamentar do PSD afirmou hoje que "tudo indicia" que a Fundação para as Comunicações Móveis "funciona como um verdadeiro saco azul", alertando que estão em causa milhões de euros que são atribuídos "sem controlo".

O presidente da bancada do PSD, Paulo Rangel, exigiu hoje, durante o debate quinzenal no Parlamento, explicações do primeiro-ministro sobre o dinheiro público transferido para a fundação, alegando que é uma "fundação fantasma".

No final do debate quinzenal, o líder do grupo parlamentar social-democrata reiterou aos jornalistas que "tudo indicia, enquanto o governo não der mais esclarecimentos, que [a fundação] funciona como um verdadeiro saco azul, porque permite o pagamento de quaisquer campanhas, de subsídios e financiamentos a pessoas singulares e pessoas colectivas".

"Eu pergunto como é que o dinheiro público é posto numa fundação privada, que depois pode fazer o que quiser com o dinheiro, sem qualquer controlo", afirmou, lembrando que "estão em causa dezenas e centenas de milhões de euros que são atribuídos sem controlo".

Paulo Rangel apontou algumas questões que suscitam estranheza, nomeadamente o facto de a sede da instituição ser na "Avenida defensores de chaves, número 41, 4º direito".

"Nesta morada, funciona a auditoria jurídica do ministério das Obras Públicas. Se falar para lá, ninguém sabe de uma fundação", disse. Outro dado "extremamente estranho" é o facto de a fundação, que "é da Sonaecom, Vodafone e TMN" ser gerida "por uma assessora do senhor ministro e que é nomeada por ele".

"É de uma promiscuidade e de uma falta de transparência total", disse.

"Não é normal haver uma fundação privada sediada no ministério. Não é normal que os fundos da ANACOM sejam todos postos nesta fundação, que é puramente privada", acrescentou.

Para Paulo Rangel, o debate quinzenal de hoje, o último desta legislatura, foi "uma caixinha de surpresas".

Por um lado, o primeiro-ministro "não sabe ou que pelo menos aparenta não saber que tem uma fundação saco azul no governo e para a qual não tem nenhuma explicação, e depois diz que foi aceite a demissão de uma pessoa quando o ministro da Agricultura tinha acabado de dizer que não", disse Paulo Rangel, referindo-se a Carlos Guerra, gestor do PRODER, constituído arguido no caso Freeport.

No debate, o primeiro-ministro, José Sócrates, disse a Rangel que a fundação foi "criada entre os operadores e o Governo com o objectivo de gerir os projectos para melhorar a sociedade de informação" e alegou que "é gerida com todas as regras de transparência".


O Ministério Público tem de investigar isto e depressa. Estas coisas têm limites.

A claridade ofuscante do BE


Lisboa, 24 Jun (Lusa) -- O Bloco de Esquerda (BE) sugeriu hoje a data de 27 de Setembro para as legislativas, considerando que a simultaneidade entre as eleições para o Parlamento e para as autarquias tem sempre "um efeito de diminuição da clareza democrática".
"O efeito de contaminação, da sobreposição de eleições que ocorreu raramente em Portugal e não é a regra, é a excepção, é sempre um efeito de diminuição da clareza democrática e até de partidarização do efeito de contaminação", defendeu o líder do BE, Francisco Louçã.
Em termos de "clareza democrática", o BE pede meças como movimento que sendo uma espécie de partido não tem líder claro e não o assume como tal.
Em clareza de princípios programáticos também é límpido como água de pano encharcado em teorias marxistas, usado para limpar partidos com paredes de vidro.
Em suma, o BE é o mais perfeito exemplo de claridade democrática que temos em Portugal. Por isso é que conseguiu juntar uma percentagem de votos arrancados ao partido das paredes de vidro, outro solene exemplo da "clareza democrática" e ainda ao partido que se define de esquerda praticando políticas de direita com a maior das clarezas: a governar.

Não há crime, disse o MP

TSF:

O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, contra João Miguel Tavares, por considerar que o jornalista não ultrapassou os limites na crítica que fez a Sócrates, enquanto figura pública.
O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro ministro contra o jornalista João Miguel Tavares que num texto publicado no Diário de Notícias comparou o apelo à moral na política feito por José Sócrates à «defesa da monogamia por parte de Cicciolina».
«As expressões utilizadas pelo arguido João Miguel Tavares dirigidas ao primeiro-ministro, figura pública, ainda que acintosas e indelicadas, devem ser apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas, e inserem-se no direito à critica, insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante», afirmou o Ministério Público.
Desta forma, o Ministério Público considerou que o jornalista do Diário de Notícias no seu artigo «José Sócrates, o Cristo da Política Portuguesa» não ultrapassou os limites na crítica que fez ao chefe do Governo e líder do PS, enquanto figura pública.
Recorde-se que José S. tinha feito queixa contra o cronista por este ter escrito em papel de jornal, coisas que aquele considerou ofensivas da honra e que outros, aliás, já tinham escrito e publicado. Não foi a comparação à actriz italiana de pornografia que incomodou José S., como este então esclareceu. Foram outras coisas, nomeadamente sobre a casa a bom preço.
A TVI, segundo julgo, com todas as notícias sobre Freeports e quejandos assuntos da Cova da Beira, nunca ultrapassou sequer, o limiar factual e até opinativo que aquele jornalista do DN entendeu verter nas páginas do jornal.
Logo...veremos se José S. se fica pelo entendimento do MP ou vai agir como assistente, segundo os direitos que lhe assistem, recuando na humildade postiça.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Contas feitas

O exame final do ensino básico, no 9º ano, em Matemática, foi fácil, mesmo elementar, como defende a Sociedade Portuguesa de Matemática, no Público de hoje? Ou foi adequado e de acordo com as orientações curriculares, como sustenta a Associação de Professores de Matemátrica?
Uma coisa é certa e nesse ponto convergem as duas entidades: o exame não foi difícil. E portanto, a apreciação sobre a facilidade está mais próxima da verdade que o seu contrário subjectivo.
Nuno Crato, presidente da APM, defende no i que "Como em todas as áreas do conhecimento, não bastam à matemática conhecimentos superficiais e elementares. É necessária uma exigência e destreza de cálculo, é necessário o domínio de conceitos complexos, é imprescindível uma disciplina de trabalho continuado, pautada por metas exigentes. Enganamo-nos se pensamos que os estudantes progridem verdadeiramente se não defrontarem conceitos difíceis e cálculos trabalhosos."
Este governo e o ministério da Educação em particular, não tem em devida conta esta noção. Tem apenas em conta as estatísticas favoráveis para apresentar nos fora internacionais e propagandear sucessos ilusórios.
É essa a única razão do facilitismo no ensino e é por isso que pagaremos caro, no futuro, como andamos a pagar há décadas.
O poder não quer fazer contas que não sejam de cabeça e intuitivas para a sua manutenção no poleiro.
Aqui, no átomo e meio, as contas são outras.

Filarmónica Fraude- 40 anos depois



Há quarenta anos, a música popular que se ouvia no rádio e no disco single de 45 rotações por minuto nos gira-discos de qualidade mono, era para assim dizer, um pouco diferente da que hoje se escuta por aí.

Um grupo em particular, jovens ainda na adolescência dos 17 aos 20, revelou-se uma descoberta de vulto e que marcou esse ano e os vindouros: Filarmónica Fraude cuja história detalhada se conta por aqui.

No próximo dia 26, Sexta-Feira, estarão em Tomar, no Cine-Teatro Paraíso, pelas 21h e 30m. para comemorar os 40 anos do lançamento do seu primeiro disco.

Na época, a revista Cine-Disco, publicava uma reportagem, assim:

A revista Mundo da Canção que se publicava no Porto e era o máximo da imprensa musival da época, publicou na sua edição de Fevereiro de 1970, uma entrevista conduzida por Maria Teresa Horta com dois dos mentores da banda ( ainda sem casaco): António Luís Linhares e António Pinho cujo teor vale a pena ler, para se ver em que nível de literacia se colocavam os jovens adolescentes de então, comparando com o que se pode ver hoje em dia.

António Pinho é um dos meus heróis da música portuguesa e as suas bandas ( esta e principalmente a Banda do Casaco que se lhe seguiu), são alguns dos expoentes máximos da mpp, ainda hoje. Ao pé de outro que se chama José Almada e que ninguém parece querer conhecer melhor. Não sabem o que perdem.



Clicar nas imagens, para ler.

Fui à beira do mar

Na semana passada, o Público juntou a uma das edições, um disco de João Afonso e João Lucas, - Um redondo vocábulo- com interpretações de temas musicais do tio daquele, José Afonso.
Desde então, não me sai do ouvido esta música de uma simplicidade fabulosa, aqui na versão original, mas cuja interpretação de João Afonso, naquele disco, em nada desmerece a original:


cortesia de www.letras.com.br

segunda-feira, 22 de junho de 2009

España nos mata

JN de hoje:

"Portugal reduziu em 47 % o número de mortes na estrada entre 2001 e 2008, colocando-se a três pontos percentuais do "objectivo ambicioso" da União Europeia de diminuir esses valores para metade até 2010.
A observação consta do 3º. relatório PIN (Performance Índex) de segurança rodoviária, a divulgar segunda-feira, em Bruxelas."
No mesmo JN noticia-se ainda que, hoje mesmo, de madrugada, "dois portugueses morreram e quatro outros ficaram feridos quando a carrinha em que circulavam se despistou, ao início da manhã, na zona de Pepino, Toledo, Espanha."
Tendo em conta a quantidade de acidentes com vítimas mortais, portugueses, ocorrido em estradas espanholas, será caso para ponderar se de facto houve alteração estatística relevante na sinistralidade rodoviária, entre os portugueses.

A cidadania de juizes

Como é sabido, Rui Rangel, indivíduo conhecido publicamente por ser juiz, actualmente desembargador na Relação de Lisboa, apareceu em grande destaque, na semana passada e durante a apresentação da campanha "Benfica Vencer, Vencer", para eleições no...Benfica.
O jornal "i" de hoje, noticia que Eurico Reis, outro indivíduo conhecido publicamente por ser juiz, iguamente desembargador e neste caso colega daquele na fundação de um espécie de sindicato de juízes- Associação de Juízes pela Cidadania-"quer afastar Rui Rangel da presidência desta associação devido ao seu envolvimento na campanha "Benfica, vencer, vencer", devido ao "papel visível e preponderante na campanha" que Eurico Reis considera inaceitável "devido à conduta que um juiz deve ter".
Este tipo de análise subjectiva sobre condutas aceitáveis ou inaceitáveis de juízes em funções e que se apresentam nessa qualidade em qualquer sítio onde vão, suscita alguns comentários.
Rui Rangel e Eurico Reis, com semelhanças nesse aspecto, são dois indivíduos que aparecem frequentemente a falar em público nos media ( geralmente a TSF e a SIC), sobre assuntos judiciários. Rui Rangel escreve uma coluna no Correio da Manhã, onde comenta livremente diversos temas de actualidade, incluindo judiciários e até decisões de tribunais.
Eurico Reis nunca lhe ficou atrás. Em entrevistas avulsas na tv, tem comentado de modo algo idiossincrático certos casos mediáticos, não se coibindo de dar opinião sobre modelos de organização institucional e judiciária que considera mais adequados, tecendo críticas, por vezes sem fundamento, a certas instituições como o MP.
Algumas das intervenções públicas de Eurico Reis têm contribuido, a meu ver, para uma certa deslegitimação das instituições judiciárias, sem consequências de maior.
Agora, pretende ver o ser colega de sindicato ou associação, "corrido", por se empenhar demais na campanha eleitoral para a direcção do seu clube desportivo de afeição.
Um dos argumentos usados por Eurico Reis para vituperar a atitude do colega, é a circunstância de no futebol, "tanto dinheiro envolvido, é um estímulo a actividades ilícitas e alvo de reprovação social".
Esperemos pela reacção do visado...

Marinho e Pinto insiste

"Um antigo Bastonário, o Dr. José Miguel Júdice, por várias vezes afirmou que há advogados que são gangsters. Eu não vou tão longe na caracterização da situação, mas não posso deixar de manifestar as mesmas preocupações que o levaram a emitir esse juizo. E não se pode transigir da denúncia e no compabe a essas situações.
Há hoje indícios claros de que alguns advogados quase se especializaram na prática de certos tipos de delitos económicos e já só lhes falta mesmo publicitar essas práticas delituosas na Internet ou nos órgãos de comunicação social."

Marinho e Pinto, no editorial da revista da OA, de Maio de 2009, agora publicada.

domingo, 21 de junho de 2009

O manifesto que sabe a pouco


Ontem, o Público ( além de outros) publicava um manifesto subscrito por 28 personalidades da nossa inteligentsia na Economia, cuja essência é a de considerarem duvidoso que os grandes projectos anunciados de obras públicas sejam urgentes para o país. Por isso, sugerem um "grande debate" sobre o assunto.

Hoje, no mesmo Público, Vasco Pulido Valente entende que o apelo é um aviso que deve ser tomado em conta e a sério.
O BE pela voz de Louçã apontou o dedo às responsabilidades políticas de alguns dos subscritores, de bloco central, como autores directos de algumas medidas que nos conduziram aqui. E denuncia a ausência de críticas " à máfia financeira".

Que dizer destes economistas? Pouco.

Em primeiro lugar, tal como Louçã aponta, são eles a inteligentsia de bloco central, incluindo alguns iconoclastas conhecidos ( Medina Carreira e Henrique Neto) e onde se recrutam os ministros de finanças ou de economia. E de economia percebem eles, como poucos.
E que percebem, de fundamental e que ainda não tivessem oportunidade de aplicar o que supostamente sabem? Pouco.

Que vale este "aviso" ou sugestão?

O mesmo que tem valido a sua prática política e técnica ao longo dos anos. Pouco.

Porquê? Por uma razão simples que me parece evidente:

Os economistas desacreditaram-se completamente com a recente crise mundial., como gurus infalíveis das soluções milagrosas.
Mesmo Paul Krugman, o mais recente Nobel do sector, tem sido contraditório nas medidas que publicamente defende para remendar a economia. Ora usa a "língua de caines" para defender uma forte intervenção pública para reanimar a Economia; ora afasta tal linguarejar para realçar virtudes insuspeitas do liberalismo que nos conduziu a um beco do modelo de gestão por flexibilidade em todos os sectores, incluindo a regulação do sector financeiro.

Portanto, continuamos na mesma: que fazer? Devemos acreditar nestas luminárias ou seguir um módico de senso comum que nos ensina que não devemos gastar o que não temos nem vislumbramos ter?
Mais: que faria um destes economistas, acaso fosse nomeado novamente ministro das finanças como alguns já o foram? Saberia o que fazer, exactamente?
Não. Não saberia, porque a Economia, como se demonstrou amplamente, não é ciência exacta e depende de inúmeros factores que os mesmos, ou seja quem for, não dominam.
Os economistas a mandar, querem fazer-nos acreditar que sabem e dominam a situação ( raramente se enganam e nunca têm dúvidas, como é sabido). Mas não sabem e esse segredo escondem-no como quem esconde a insegurança adolescente.

Portanto, para seguir o senso comum, será preciso um economista que nos mostre os caminhos ou dê sugestões avalizadas?

Para quê, se os economistas perderam a credibilidade, perante os sucessivos falhanços em previsões anteriores?

Em artigos recentes nas revistas americanas de grande circulação ( Fortune e Business Week) a ideia que transmitem é mesmo essa, com um acrescento: mesmo assim, não podemos prescindir deles, dos economistas.
Pois então, se não podemos, coloquemo-los no lugar de onde nunca deveriam ter saído: das teorias e modelos de experimentação sem resultados certos. Da academia. E do sítio da tecnocracia.
E denunciemos a sua tendência para explicar o mundo que não compreendem. Como aliás, ninguém compreende plenamente.

sábado, 20 de junho de 2009

Os modelos de virtudes políticas

José Pacheco Pereira faz hoje no Público, em crónica de página, uma radiografia política de José S. com incursões pessoais na psicologia de retrato.

" Gente ambiciosa, muito ambiciosa, com pouca "virtude", com poucas leituras e muita televisão e computador, deslumbrada pelos gadjets, movendo-se com à-vontade entre jornalistas e empresários, sem "vida" nem biografia e pensando a política como pouco mais do que uma forma elaborada de marketing."

É assim que JPP vê a geração S. Pressupondo, naturalmente, uma espécie de antítese que se corporiza politicamente em gente de ambição controlada, com muita "virtude", seja lá isso o que for, com muitas leituras e pouca televisão ou computador, sem apego a artefactos e com alguma dificuldade em comunicar nos media, mas com grandes vidas ( e grandes obras, como no título antigo de um livro das Selecções do Reader´s Digest?) e uma noção da política integrada em visões de conjunto aritmético eleitoral.

Que modelos de políticos podemos integrar neste conceito, já de si idiossincrático?

Estou mesmo a ver o modelo: Mário S. o político dos políticos, o decano dos videiros de partido, com biografia e obra de oposição a regime opressivo. Tudo lhe cola, menos a dificuldade em comunicar nos media.
Depois, outro modelo se perfila: o de Sá-Carneiro, o político instruído na actividade de ala liberal, com ideias definidas sobre o Estado e a sociedade organizada num certo modo capitalista e a noção precisa dos papéis institucionais modelados no antigamente. Tudo lhe assenta, mesmo a dificuldade em ligar aos media.

Tem sentido esta modelação de papel de político actual e moderno?

Não tem muito sentido, embora prefira esse modelo de virtudes à dos modelos sem virtudes especiais e por isso esvaziados de conteúdos subtis.

Tomemos como exemplo, os políticos que nos têm calhado em rifa eleitoral:

Onde se enquadra um indivíduo como Adelino Palma Carlos, primeiro ministro depois de 25 de Abril? No segundo modelo, sem dúvida, com o acrescento nada despiciendo de ter uma vida de oposição ao regime anterior, no interior de uma faculdade e em grupos secretos.
A seguir, tivemos casos particulares como o de Vasco Gonçalves, uma figura colectiva que por isso mesmo, passo. Mas não passo sem dizer que não se enquadrava num modelo nem noutro.

Depois da convulsão revolucionária, tivemos a liderança de Mário S. durante vários anos. Até aos oitenta, de facto e com ideias que se podem acantonar a uma esquerda ainda hoje reivindicada no mainstream democrático.
Mário S. é um indivíduo lido ( principalmente no Nouvel Observateur) e cultivado artisticamente ( na galeria de um Mário Brito por exemplo), experimentado na luta política ( com princípios aprendidos no antigamente em sedes de conspiração maçónica). O que adiantou ter um indivíduo dessa estirpe "nobre" na política?

Uma série de equívocos, com destaque para a reticência em modernizar a economia nacional e cuja obstinação política nos garantiu largos anos de dependências atávicas ao FMI.

Depois de Mário S., veio Sá Carneiro que estabeleceu o modelo dos políticos a devir, para certa intelectualidade lusa.
O que trouxe Sá-Carneiro de essencial ao modelo? A sua cultura? Não me interessa, a não ser saber que existia uma certa cultura liberal e oposta à do antecessor. A sua experiência vivida na Assembleia Nacional? Aí, interessa, porque foi uma experiência que concedeu estatuto de vivência política activa e com ligação ao que era antigo mas duradouro em certos valores.
Mas, na prática, o que trouxe ao país um político modelo como Sá Carneiro? Obstinação em governar centralizadamente; ideias fixas sobre opções políticas que se revelaram erradas ( a escolha do candidato presidencial foi o seu fim, literalmente) e incertezas sobre a mudança de mentalidade política reinante e de esquerda.
Seria necessária uma figura como Sá Carneiro, hoje em dia? Duvido, a não ser na firmeza dos valores e no estilo da sua afirmação.
Em seguida a Sá Carneiro, o que tivemos de modelar na política?

Cavaco Silva, voilà! E era aqui que queira chegar.

Cavaco Silva foi o herdeiro putativo das ideias de Sá Carneiro ( embora este não o distinguisse por aí além, eventualmente por ter percebido a sua diferença para nenhures) e conseguiu alcançar a liderança de um partido e de um governo como nunca se viu em Portugal: uma maioria absoluta com objectivos ambiciosos e meios prometidos como os fundos da CEE, aos milhões.

Que fez este modelo político desse acervo hereditário e dos seus frutos? Transformou porventura o país numa modernidade que outros não pudessem de igual modo fazer, nomeadamente o outro modelo, Mário S.?
Não me parece nada.

Por outro lado e mais importante ainda: onde encaixa Cavaco Silva no modelo proposto em negativo por JPP?
Fatalmente, no primeiro que critica e no aspecto que me parece essencial e diferenciador.
Cavaco Silva não era ( e continua a não ser) um indivíduo culto como JPP entende que deve ser um indivíduo lido. Não tinha cultura ( e continua a não ter) que o distinga no gotha da inteligentsia; sendo verdadeiro que não integra os outros itens, também é verdade que Cavaco Silva ascendeu na política segundo as regras partidárias: um grupo de apoio importante, um programa de ideias gerais e nomes de governo. E esse foi o erro fatal na escolha desse modelo. Os colaboradores fizeram toda a diferença, para pior, tal como se revelou posteriormente.
O cavaquismo é a pior experiência política portuguesa, incluindo a de Guterres, porque tinha os trunfos todos para mudar radicalmente o país e preferiu adiar essa mudança com as opções erradas. E José Pacheco Pereira esteve lá, no cerne desse poder que foi conferido ao PSD de então. Foi cúmplice desse falhanço e dessa frustração.
Que nomes e que apoios teve Cavaco Silva para ascender na política?
O primeiro de todos já está esquecido ( por boas razões? Ou por razões convenientes?): Eurico de Melo, de Braga ou Santo Tirso, empresário-político que não integra o modelo prè-definido de JPP, mas integra outro: o dos caciques partidarios locais do antigamente e que não é a mesma coisa que os "jotinhas" mas que os gerou, sem dúvida alguma.
Um dos rebentos mais notáveis, aliás, tornou-se uma das figuras-chave do cavaquismo: Marques Mendes. Vindo de Fafe, onde o pai era figura do partido, integrou-se com outras figuras gradas ( Ribeiro da Silva, em Braga) e ascendeu no firmamento dos governos de Cavaco Silva, para ministro indistinguível de outro qualquer de um governo, incluindo este de José S. O mesmo autoritarismo sem nexo; o mesmo abuso de carros e coisas do Estado; os mesmos tiques político-partidários de nomeações; as mesmas pechas de sempre da política portuguesa. Ao ponto de na altura de sair, Belmiro de Azevedo ( despeitado certamente, mas com pontaria) ter dito que nem o queria para porteiro das suas empresas.

JPP acha Marques Mendes um produto e modelo de quê e de quem? É indivíduo lido? Não parece nada, tal como não seria um Fernando Nogueira, outra figura grada do partido e com experiência de assistente de Direito de Família e Sucessões, na Universidade de Coimbra.
Portanto, Marques Mendes, no entender de JPP a que modelo pertence?
Ao de José S. sem margem para dúvida. O que o distingue deste, porém ,é coisa que JPP não aponta e que é mais importante: os valores. A única diferença pode estar aí, escondida.

Outra figura ligada ao líder, é, indubitavelmente, Dias Loureiro. Em que perfil o integra, JPP?
No dos cultos, evoluidos, com pedigree democraticamente solidificado? E como justifica a evolução política e pessoal desse político? Encontra paralelo no outro modelo, no devorismo e ambição de ascensão?

Logo a seguir a Cavaco Silva temos Guterres.
Guterres é um tipo culto, evoluído? Parece que sim. Engenheiro de pofissão que nunca terá exercido, escolheu a política ainda com bigode e só o cortou quanto estava perto do poder.
Que distinguiu Guterres dos restantes, em relação ao modelo de virtudes?
Segundo o próprio JPP, terá sido um dos piores primeiros-ministros que Portugal teve...o que aliás nem é original porque foi o próprio António Sousa Franco, pouco antes de morrer quem o disse, alto e bom som num restaurante: "o "António " era uma excelente pessoa mas o seu governo era o pior desde o tempo de D. Maria!" E Sousa Franco, encarnava, a meu ver, de modo completo, esse modelo de virtudes políticas: era realmente culto; instruído, inteligente, com valores realmente importantes, experiente na política porque vindo das primeiras experiências partidárias ( do PSD e da dissidência) e com currículo. Sousa Franco tinha tudo o que um político-modelo, para JPP, deve ter. E portanto, foi o seu contributo para a política económica de Guterres, com gastos à tripa-forra que terá deitado tudo a perder no controlo do défice das contas públicas...


Portanto, tínhamos o melhor dos dois mundos políticos, com Guterres: um indivíduo lido, comunicador, simpático e afável, sem problemas de autoritarismo, bom escolhedor de ministros para pastas importantes e daqueles com currículo que seleccionou entre "cem nomes para o PS" e competente para o exercício do cargo.

O que resultou deste modelo de virtudes?

O pior governo que Portugal jamais teve!

Portanto e em conclusão de fim de semana:

Os modelos de virtudes pré-definidas podem ser equívocos. O que parece, pode acabar por não ser e o modelo perfeito de político está por inventar.

E não é certamente o modelo JPP que vale a pena seguir cegamente, embora o diagnóstico deste primeiro-ministro seja certeiro e adequado. José S. é uma nódoa como governante, mas pode muito bem não ser por falta dessas vitudes.

Quanto a mim, modesto comentador de blog, há um fio condutor nessas virtudes essenciais e que acabei por citar duas ou três vezes, neste texto: valores. Digam-me em que valores acreditam e direi se aceito o modelo.
Este, o de José S., parece-me abaixo de cão. Ou de Vital Moreira, se se preferir um modelo execrável de político moderno.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Oportunidades novas

Diário Económico:

Luís Campos e Cunha (na foto), Augusto Mateus e Silva Lopes, que foram membros do Fórum Novas Fronteiras de Sócrates, estão entre um grupo de 30 economistas que assinaram um manifesto contra as grandes obras públicas.

O manifesto "não é contra as grandes obras públicas" mas "a favor dos grandes investimentos", explicou Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças de Sócrates, à Lusa.

(...) O manifesto será divulgado amanhã e reúne a assinatura de cerca de 30 economistas. António Carrapatoso, presidente da Vodafone, Medina Carreira e António Nogueira Leite também aderiram, tal como Augusto Mateus, que foi ministro da Economia de Guterres."

Um dia destes, Mário Lino adere também.

De fora e a remar contra a maré, ficarão então os "inginheiros" independentes que agora andam com a língua de caines aprendida em artigos de jornal e provavelmente ministros das Finanças que querem ser governadores do Banco de Portugal e não podem contrariar os chefes.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

José Calvário



Morreu José Calvário, um dos maestros da nossa música ligeira dos últimos 40 anos, quase.

José Calvário orquestrou algumas das composições ligeiras que antes de 25 de Abril de 1974 fizeram o que nunca mais se fez do mesmo modo: uma música popular com ligações intelectuais e até políticas.

Hoje, durante a manhã, a Antena Um, o rádio que gosto de ouvir, ( mesmo aturando a inaudita informação da senhora Maio), passou hora a hora algumas músicas orquestradas por José Calvário e que fazem parte de um disco esquecido da música popular portuguesa, aliás, dos melhores de sempre: Fala do Homem nascido, com músicas de José Niza e letras de poemas de António Gedeão.
Publicado em 1972 é um retrato musicado de um certo Portugal da oposição que tomou as rédeas do poder político a seguir ao 25 de Abril e nunca mais largou amarras a essa Esquerda que criava obras-primas e perdeu depois disso a inspiração.
A orquestração de José Calvário confere a esse disco a qualidade intrínseca do conjunto que tem, desde o começo.
Isso é claro quando se ouve por exemplo, a interpretação de uma boa voz da música popular portuguesa, Samuel, intérprete de algumas das canções desse disco, numa prestação a solo, aqui, da Fala do homem nascido.

O blog do Rato, já publicou em tempos o disco, ( esgotado) para ser ouvido por quem se interessar.
Aqui ficam os apontamentos de memória de um tempo que já é dos anos setenta, tirados do blog do Rato e que fixam a memória da época que deixa saudades pela qualidade intelectual que se emprestava mesmo à música popular.







Logro

"A ministra da Educação garantiu esta quinta-feira que os resultados das provas de aferição, dos 4º e 6º anos, foram globalmente positivos, tendo-se revelado “resultados de continuidade em relação aos dos anos anteriores”.
Maria de Lurdes Rodrigues participou, hoje de manhã, na sessão de abertura do Fórum de Lisboa sobre Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e Inovação na Educação, no Centro de Congressos de Lisboa. Sem mencionar médias ou dados concretos em relação a cada um dos anos, a ministra assegurou que se verificaram “melhorias ligeiras na Língua Portuguesa e na Matemática”.
Primeiro, baixam o grau de exigência no ensino; depois, elaboram provas de exame cada vez mais fáceis e a rondar limiares de imbecilidade relativa; em seguida, apresentam as melhorias fatais como grande sucessos da política educativa.
Poucos os desmentem e os que o fazem são acantonados como críticos maledicentes de de bota-abaixo.
É assim que esta gente tem governado durante quatro anos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Contentinho

"Estou muito satisfeito comigo próprio"- José S. agora mesmo, na Sic, pouco antes da entrevista que a estação de tv vai passar em directo.

E na entrevista inexpressiva conduzida por Ana Lourenço, José S. lá vai enumerando os seus múltiplos sucessos, nas suas preciosas reformas em todos os domínios e no controlo das contas públicas como nunca se viu.

E nunca governou contra classes profissionais, assegura. Nem contra juizes, nem contra professores. Nada disso. Foi sempre a favor do povo em geral.

As reformas, essas, são a última das maravilhas que qualquer governo ambicionaria. Alguns erros, é certo. Na Educação, um modelo de avaliação demasiado burocrático que alias, assegura, já foi corrigido.
De resto, tudo nos carris da vitória eleitoral que se aproxima.

Este PM é um espanto no uso do paleio de enrolar argumentos.

Felizmente, as pessoas começaram a ver a essência real desse discurso: um vazio de sentido e mentiras pegadas atrás de aldrabices completas.

A entrevistadora numa expressiva manifestação de subserviência, começou por agradecer a presença do PM, como se José S. lhe estivesse a fazer um favor particular, aparecendo na tv em hora de grande audiência, para vender a sua imagem renovada na mesma mixordice reformística.

Durante a entrevista, José S. usou um qualificativo que durante o dia e no debate parlamentar na AR por causa da moção de censura, repetiu: infantil, referindo-se a argumentos dos opositores.

Infantil...

Angola é nossa escapatória

"Mota-Engil alia-se à Sonangol para criar empresa em Angola"- Público de hoje.

E quem vai ser um dos managers da nova empresa no país do ouro negro?

António Morais, o professor das 4 cadeiras de José S?

Pode ser ( mas não é o Público que o diz).

Perspectiva político-partidária

"Em Portugal há três esquerdas, dois centros e nenhuma direita, porque sobre esta ainda pesa a sombra da correcção política anti-salazarista"- Jaime Nogueira Pinto, i, ontem.
Subscrevo. E acrescento: o equívoco maior na sociedade portuguesa advém de uma das esquerdas ( PS de Vital Moreira, por exemplo), considerar um dos centros ( o PSD de Cavaco Silva, por exemplo) como sendo a Direita.
Evidentemente, acantonam essa Direita fictícia, sempre que lhes interessa conquistar votos à outra esquerda segregada ( o PCP) e à que se esconde em falsa modernidade ( BE).
Aliás, Jaime Nogueira Pinto em que lado está? No Centro, rigorosamente.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Supervisor de bancos

Se o ex-procurador Souto Moura tivesse dado mais informações sobre o Banco Insular e o BPN, tudo "teria sido diferente", afirmou Constâncio, ontem na segunda audição na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do BPN- escreve o DN, acrescentando de modo afoito e sem rebuço, em título para chamar a atenção que "Souto Moura escondeu insular, diz Constâncio".

Constâncio disse mesmo isso? Não, não disse, mas o escriba do DN, Rudolfo Rebêlo, acha que sim e publica, na mais completa impunidade, como é costume.

O governador do Banco de Portugal, desabafou apenas que "teria sido diferente" se a Procuradoria--Geral da República, PGR, "nos tivessem informado mais sobre o que aparentemente sabiam" , sobre o Banco Insular e o BPN então presidido por Oliveira Costa.

Já só faltava mais esta. Vítor Constâncio, o supervisor da actividade bancária em Portugal, político socialista de longa data, ex-ministro, economista, ex-chefe de partido, deu assim um desabafou, ontem, na comissão parlamentar de Inquérito, esquivando-se ao reconhecimento da sua responsabilidade e incompetência, insistentemente apontada por alguns membros da comissão de inquérito parlamentar, indicando um nome: Souto Moura.

Vítor Constâncio não viu nada no caso BPN porque o antigo procurador não lhe abriu os olhos, coitado.
É preciso ter lata! O supervisor da actividade bancária portuguesa não conseguiu aperceber-se de nada de grave no caso BPN, mormente a existência de um banco oculto no universo do BPN, porque a PGR de Souto Moura...não o avisou.

E avisou de quê, já agora? Repare-se nesta pérola informativa:

"As cartas de 2004 e 2007 da PGR não mencionavam" relacionamentos entre o BPN e o Banco Insular, referiu em resposta a questões do bloquista João Semedo. Constâncio revelou que chegou a pedir a Souto Moura, anterior procurador-geral da República, uma reunião, devido "às notícias", sobre "contra-ordenações detectadas na operação furacão", o que "foi rejeitado" por Souto Moura."

Portanto, foi no âmbito da operação Furacão que envolveu vários bancos e onde se misturavam crimes e contra-ordenações que o segredo do Banco Insular se escondia. Vítor Constâncio de nada soube porque as reuniões com o antigo PGR não ocorreram de modo ao Governador pôr em alerta o bestunto de Governador do Banco de Portugal, coitado, para as realidades ocultas do BPN.
Patético? Pois sim, era ouvi-lo ontem na AR, todo encrespado contra os deputados que o entalaram, chegando às raias da insolência.

E afinal, foi isso: o Souto Moura não o avisou, coitado. Parece, aliás, que ninguém o avisou de nada.

Ninguém lhe lembrou, porém, ontem na AR, que a operação Furacão é um processo crime que corre termos no DCIAP que não é propriamente a PGR.
Além disso, o antigo PGR, Souto Moura, tinha por hábito cumprir o Estatuto no que se refere à autonomia interna dos magistrados do MP e por isso quem investigava os crimes do Furacão, com dezenas e dezenas de arguidos era o DCIAP, não era Souto Moura, mas os magistrados do DCIAP. Este PGR já se apercebeu disso também- e já o disse em público, em entrevistas recentes.

O Público de então, em Janeiro de 2007, altura das tais cartas, escrevia:

Cerca de uma centena de arguidos já foi constituída no âmbito do inquérito gerado pela Operação Furacão, pendente no Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP) e relativo a suspeita de fraude fiscal agravada, abuso de confiança qualificado e branqueamento de capitais. Numa avaliação provisória, fonte do DCIAP revelou, ontem, ao PÚBLICO que poderá ascender a "várias dezenas de milhões de euros" o valor dos impostos em falta, em sede de IRC e de IRS.

Pormenores como segredo de Justiça, diferenciação entre ilícitos administrativos e ilícitos criminais, arquivamentos de processos de natureza fiscal a troco da "reposição da verdade fiscal", troca de informações com intervenientes que não desempenharam qualquer função relevante na investigação, etc etc, nada disso esclarece ou incomoda o Governador do Banco de Portugal, cuja "cimeira" com o PGR, agora (des)valoriza como factor de encobrimento da sua própria incompetência.
Na AR, ontem, ninguém teve a coragem de lhe atirar à cara de ingénuo distraído, esta ignorância. Nem sequer Nuno Melo, que pelo mesmo foi apodado de ignorante, se dignou devolver-lhe o epíteto...

Triste figura, a deste Constâncio que pinta os factos como se fossem cabelo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Este já cansa

TSF:

José Sócrates admitiu, esta segunda-feira, que «existe um certo desgaste» do Governo, comprovado pelos resultados do PS nas eleições europeias, mas frisou que tem tempo para corrigir os erros até às legislativas.

O primeiro-ministro, que falava aos jornalistas à entrada da reunião da comissão política do PS, na sede nacional do partido em Lisboa, fez saber que está disposto a explicar melhor as medidas do Governo e a corrigir a comunicação com os portugueses.

Para mostrar que está disposto a outro rumo, de "diálogo", explicou logo a seguir:

«O que acho abusivo é as oposições transformarem aquilo que foram eleições europeias, em que se perguntou aos portugueses que deputados é que querem ter no Parlamento Europeu, em eleições legislativas», criticou."

Portanto, a mudança vai ser de paleio, ainda mais enrolado na aldrabice. Ministros, políticas, etc e tal, tudo como dantes.

Vai-te embora, pá! A malta está farta é das tuas figuras tristes e das políticas falhadas, sem saída e sem sucesso algum que se veja.

A falsificação real

Estas duas imagens de espectacularidade atroz, circulam na Internet e em mails "forward", com o seguinte texto:

Feel so sad for all the passengers including the extraordinary photographer, who kept his cool even in the last moments of his own life and took these photos.
The world saw the disappearance of an Air France aircraft during a trans Atlantic flight between Rio to Paris . The two photos attached were apparently taken by one of the passengers in the aircraft, just after the collision and before the aircraft crashed.
The photos were retrieved from the camera's memory stick. You will never get to see photos like this. In the first photo, there is a gaping hole in the fuselage through which you can see the tailplane and vertical fin of the aircraft. In the second photo, one of the passengers is being sucked out of the gaping hole.

These photos were found in a digital Casio Z750, amidst the remains in Serra do Cachimbo. Although the camera was destroyed, the Memory Stick was recovered. Investigating the serial number of the camera, the owner was identified as Paulo G. Muller, an actor of a theatre for children known in the outskirts of Porto Alegre .
It can be imagined that he was standing during the turbulence, he managed to take these photos, just seconds after the tail loss the aircraft plunged.
So the camera was found near the cockpit. The structural stress probably ripped the engines away, diminishing the falling speed, protecting the electronic equipment but not unfortunately the victims.
Paulo Muller leaves behind two daughters, Bruna and Beatriz.




As imagens são verdadeiras, dizem respeito a uma ocorrência fotografada, mas...em ambiente cinematográfico.
Foram retiradas de uma série para tv chamada Lost, sobre tragédias aéreas e não mostram qualquer acidente aéreo real. As pessoas da imagem são actores e o ambiente ficcionado.
Tal como no jornalismo tapa-furos, parecem reais, são reais até certo ponto, mas não dizem respeito à realidade. São virtualmente falsas e podemos saber tudo isso através da mesma internet que serve de meio para a sua difusão. Neste sítio específico.
E no entanto, enganam muita gente que as vê sem qualquer espírito crítico.
Pudera que tivéssemos também um sítio adequado, para denunciar as realidades virtualmente falsificadas por certos jornalistas de ocasião que roubam a verdade, impunemente.

domingo, 14 de junho de 2009

Jornalismo tapa-furos


"Foi um pedaço de vida que me tiraram e ninguém vai pagar por isso." A revolta está no olhar e a tristeza na voz de Emília Fernandes. Seis anos após a morte da pequena Mariana, devido a um adenovírus que contraiu no Hospital de Guimarães, esta mãe ficou a saber que o inquérito judicial foi arquivado, com a assinatura de Almeida Pereira, procurador alvo de processos disciplinares por atrasos."
Foi desta forma que o Correio da Manhã de Sexta-Feira passada começou a notícia-reportagem de primeira página sobre "Justiça tapa morte de 5 crianças"- "procurador arquiva processo".
Lendo a notícia na página 6, verifica-se que a mesma aparece assinada por Liliana Rodrigues/ Tânia Laranjo e sintetiza numa pequena coluna e meia de texto corrido a declarações de vítimas de um drama maior ( a morte de um filho é uma tragédia que serve sempre este tipo de jornalismo), com acrescentos em relação ao "procurador" que arquivou o processo e "tapou a morte".
O procurador, ao contrário de outros intervenientes, é nomeado: Almeida Pereira, "nomeado por Pinto Monteiro para chefiar a equipa especial de combate ao crime violento".
A notícia serve, aliás, para chamar a atenção para este "procurador", com um título de primeira página que mais não é do que mais um ataque despudorado à Justiça que afinal "tapa a morte de 4 crianças".
"Tapa"? Vamos já ver o que tapa e destapa.

Na página interior, a Justiça não só "tapa" como "ignora", mostrando em tons jornalisticamente compungidos a tragédia das famílias de 5 crianças, em casos abertamente classificados como de "negligência médica".
De que negligência médica se trata em concreto? Não se sabe bem, os factos relevantes da negligência estão completamente ausentes da mensagem e a notícia apenas aflora um ou outro pormenor factual, deixando ao exercício adivinhatório e de voluntarismo fácil, os restantes factos acessórios e também os principais. As pessoas envolvidas no caso, a quem se imputa a "negligência" não são ouvidas, para dizerem o que pensam de quem escreve por causa dos "tapa" mortos.

O que se fica a saber logo, sem margem para dúvidas é que a Justiça tapou e ignorou, pressupondo, obviamente, que este tipo de jornalismo destapa e informa com esclarecimento profissional.

Ora é nada disso. A notícia, para além do ataque despudorado e genericamente extensível a toda uma classe, com laivos de atenção particular ao procurador, pouco ou nada informa de concreto, o que é dizer tudo sobre esta espécie de jornalismo de chinela na mão e faca na liga dos últimos

Assim, de que médicos trata a "negligência" e que pessoas envolvem?

Médicos e pessoal do hospital de Guimarães que teriam contribuido para a morte de cinco crianças que lá entraram com "poucos dias de diferença e que contrairam um vírus que se revelou mortal", escreve o jornal. O vírus é um adenovirus. O que é um adenovirus? O jornal não explica ( o jornalismo de chinela no pé é assim mesmo), mas a Wiki, diz o que é preciso e uma das coisas refere-se à sua característica especial de não ser passível de tratamento médico específico, por ser...um virus.

Qual o problema com o procurador Pereira e a Justiça que tapa mortes e até as ignora?
O procurador Pereira arquivou os processos, por ter entendido que a "assistência médica foi correcta e adequada". E fê-lo, segundo escreve o jornal, porque a Inspecção Geral de Saúde escreveu no relatório sobre o caso que "não era obrigatório que os médicos pesquisassem a existência de adenovirus em casos de infecções respiratórias" e ainda que esse adenovirus possa ter sido trazido para o hospital pelo "progenitor de alguma das crianças infectadas".

Portanto, o problema, para este jornalismo, é a "culpa que morre solteira", porque a Justiça tapa estas mortes, ignorando-as. Por outro lado, estes pregos no caixão da "crise da Justiça" são sempre bem martelados para esconder a verdadeira crise que se alimenta da outra: a do Jornalismo.

É um jornalismo opinativo em que os factos são irrelevantes a não ser que sirvam para ajustar as mensagens. Neste caso, sobre a crise da Justiça...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Homem rico, homem pobre...

Público online:

O antigo Conselheiro de Estado, Dias Loureiro, não tem bens em seu nome que permitam um possível arresto dos mesmos no âmbito das investigações das autoridades ao caso Banco Português de Negócios (BPN).
A notícia é avançada na edição de hoje do Correio da Manhã com o diário a adiantar que sabe que o ex-administrador da SLN – e braço-direito de Oliveira e Costa no banco – escapou à penhora, depois de os investigadores terem analisado minuciosamente o seu património.
Segundo o jornal, os imóveis de Dias Loureiro estão registados em nome de familiares ou pertencem a sociedades sedeadas em paraísos fiscais.
As contas bancárias que tem em seu nome, por outro lado, possuem saldos médios que não ultrapassam os cinco mil euros.
Sempre suspeitei de Dias Loureiro como sendo personagem de ficção. A realidade, porém, é ainda mais estranha: afinal o poderoso, revela-se modesto; o ricalhaço é de facto um pobre; o espírito devorista, tantas vezes atribuido, traveste no fim de contas, um ente de generosidade insuspeita e desprendimento material assinalável.
Dias Loureiro é a prova acabada de que as aparências bem iludem. Na política, afinal, o que parece não é e a modéstia requintada assume foros inauditos.
Afinal, o rico nunca foi ele: sê-lo-ão os familiares e amigos, quando muito e mesmo assim, a carecer de ónus de prova que infirme as regras de Direito registral.
Dias Loureiro prova, afinal, um altruísmo de monge, na demonstração de que tudo o que teria, afinal, pertencer a outrém.
A contradição adensada no jornal , sobre "os imóveis de Dias Loureiro", afinal é um eufemismo do desprendimento franciscano. Serão de outrém, não se conhecendo de quem, na boa tradição de cristã de não alardear caridade.
Ainda que continuem a ser vistos da sua esfera de poder, estão-lhe desprendidos dos pertences, como as créditos pendentes das execuções vazias...
Os dinheiros e contas bancárias de Dias Loureiro, afinal, são outra miragem: não existem e as que existem são de pobretanas que nem dão para mandar cantar um cego de esquina.
Dias Loureiro, afinal, é mais pobre que um pobre francicano. O disfarce de rico, serve-lhe apenas para reforçar o valor da virtude, porque a sua mão esquerda nem imagina o que a direita faz, na melhor tradição cristã da pobreza, humildade e temperança.
Modéstia aparte, agora que se conhece o valor da virtude, deve reconhecer-se-lhe o valor de exemplo.
Dias Loureiro, afinal, é um modelo de cidadão português e a gente só agora o descobre, na sua verdadeira vertente...
ADITAMENTO, em 9.6.09:
Ora bolas! Dias Loureiro desmentiu a sua condição, ao saber da notícia ( originalmente do Correio da Manhã). Disse agora que esta "é a coisa mais grave que sobre ele disseram", desde que dura o processo BPN.
Portanto, Dias Loureiro será DL, o nome de uma empresa que é a detentora dos bens- imóveis, é bom que se diga, porque os móveis tipo contas em dinheiro, esses, continuam...cá dentro. "Não tenho nada fora", esclareceu DL. Ou seja, Dias Loureiro. E não terá, porque a palavra de Dias Loureiro vale a honra de quem a profere.
Mas ainda assim, continua a ser muito difícil de lhe desfazer a aura de virtude. A empresa DL não se confunde com o nome Dias Loureiro e como é uma empresa por quotas, da qual este detém menos de metade, a verdade é apenas que Dias Loureiro é proprietário de uma quota na DL. Os bens, esses, são mesmo da DL...
Portanto, Dias Loureiro tem a condição de sócio de DL. Minoritário. Sem poder. Sem bens. Pobre, portanto.
Não se entende muito bem, por isso, o desmentido.

A roubalheira afectiva

A pesada derrota de Vital Moreira nestas eleições, alvitra-lhe um obituário político, por motivos óbvios: nenhum comentador, incluindo os mais facciosos, lhe atribuiu mérito político de relevo positivo, nesta disputa eleitoral.
O jornal i, de hoje, retrata-o assim: " O antigo comunista revelou-se um mau orador e um péssimo candidato. Começou a pedir que se elevasse o debate e acabou a falar na "roubalheira" no BPN. Foi punido pelo eleitorado".
Rui Moreira escreve a sua crónica no Público de hoje, referindo-se à campanha eleitoral de Vital, designadamente o assunto da "roubalheira" , para dizer que este poderia ter aproveitado o assunto para questionar o "porquê" e o "como" do enriquecimento de tantos políticos e governantes que não tinham fortuna quando chegaram à política, que foram sempre mal pagos enquanto faziam o sacrifício de se dedicarem à causa pública, e que depois se tornam inexplicavelmente muito ricos."
"Só que isso", acrescenta Rui Moreira, "é um milagre das rosas que também abençoa muitos dos seus correligionários".
Pois...e Vital sabe bem como são estas coisas que aliás deveria esclarecer. Já como candidato a deputado ao PE, disse que ia perder dinheiro ao ir para fora.
Perder dinheiro, quando se sabe que um deputado pode ganhar com facilidade mais de 7 mil euros mensais, a duplicar e com acrescentos vários.
As incompatibilidades, por seu turno, só o atingem de raspão, em cargos supostamente de confiança para-política, como sejam as pertenças a alguns Conselhos Consultivos ou de Supervisão, das grandes empresas públicas ou em que o Estado tem parte determinante.
Portanto, o caso de Vital, seria precisamente um daqueles que melhor exemplificariam a ascensão social pela política em paralelo e através de partidos afectivos.
A nomeação de Vital Moreira para os diversos cargos politicamente afectivos, só ocorre em função da actividade política de influência, seja na escrita, no apoio expresso a medidas governamentais avulsas; seja na participação em fora e realizações de carácter para-político, seja em participações em organizações de âmbito governamental ou de empresa sujeita ao capital público de relevo.
A categoria intelectual é manifestamente insuficiente para tais escolhas ( Canotilho é o exemplo) , assim como o prestígio académico conta quase nada ( há vários mestres ignorados da política e outros que não o sendo, aparentam o que não são). Os exemplos são inúmeros e explicam o mecanismo da ascensão política de topo, dos vários apaniguados da oportunidade.
O que conta, acima de tudo e de todos, é a pertença e participação afectiva nas realizações, novas oportunidades e apoios a lideranças em ascenção ou por visibilidade política.
Tudo isso se contabiliza em fretes práticos e indentificáveis, em manifestações de apoio pontual e oportuno, em solidariedades fraternas e em cumplicidades seguras.
O poder custa isso. E Vital Moreira paga, há muito tempo, esse tributo obrigatório para chegar à mesa do Orçamento de Estado, onde se distribuem vitualhas aos convidados da política.
Com o resultado das eleições de ontem, há uma conclusão óbvia: o eleitorado roubou-lhe a legitimidade para tal, mesmo que o tenha eleito para um lugar no PE que lhe vai impedir de ganhar o que ganha, do modo que ganha.

domingo, 7 de junho de 2009

Sondagens em crise

PS: de vitória em vitória até...à derrota final.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O caçador de prémios


O jornal 24 Horas do inimitável Pedro Tadeu, apóstolo da "verdade, verdade, verdade", afirma hoje em primeira página que Manuela Moura Guedes, a apresentadora do Jornal Nacional da TVI, às sextas ( hoje, portanto), "foi caçada".


O caçador, subentende-se, é o próprio Tadeu, porque descobriu que a MMG, que admira muito e a quem chama ao mesmo tempo, de "Inquisidora-Mor do Reino", afinal cometeu o mesmo pecado que José S . o qual em 2001 e 2002 não entregou a declarações de rendimentos ao TC. MMG, segundo o caçador, não entregou ao tribunal Constitucional, a sua declaração de rendimentos...depois de ter renunciado ao cargo de deputada, em 1996!
Um prémio para o Tadeu!


Não há dúvida que as semelhanças são flagrantes e a Inquisidora-Mor do Reino, afinal, está devidamente vigiada por um caçador de prémios que detesta inquisidores.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A popularidade de Vital entre os seus

SOL:

Segundo a acta da Comissão Eleitoral para as Eleições do Conselho Científico da FDUC, Vital Martins Moreira não colheu qualquer voto e ficou em último lugar nas preferências dos docentes da faculdade.

A votação realizou-se terça-feira, 2 de Junho. Entre os candidatos contavam-se todos os docentes doutorados que não tivessem declarado indisponibilidade para concorrer a um lugar no conselho científico.

Vital Moreira não manifestou indisponibilidade para continuar naquele órgão para o qual foi eleito em 2006, apesar não ter comparecido a qualquer reunião do conselho durante dois anos.

Nesse período, o constitucionalista também acumulou faltas injustificadas às aulas e não apresentou sumários da lições, como a lei exige. No entanto, Vital não foi alvo de qualquer processo disciplinar.

O jornal O Diabo já tinha, há duas semanas, abordado o assunto das faltas do professor Vital, aos seus deveres docentes. Foi alvo de um comentário ácido do mesmo, a desmentir sem esclarecer, como é costume. Agora, é o Sol.

Vital irá ter de esclarecer esta roubalheira de crédito pessoal ou fará de conta que nada se passa?

É que entre as dezenas de professores da FDUC, Vital Moreira foi o único que não recolheu um só voto.

Nem um!

Figuras degradadas

As "figuras gradas" do PSD que estiveram ligadas ao BPN, afinal, também estavam dispostas a cooptarem outras gradas figuras, na área mais pacífica onde Vital Moreira come e bebe ética e moralidade.

No começo da década, altura em que Cavaco Silva entregava as poupanças da família à guarda dos futuros arautos da "roubalheira", um mail entre pessoas de bem, recomendava certos nomes para certos lugares.

Segundo o Público on line:

"Abdool Vakil, então presidente do Banco Efisa, sugeriu a José Oliveira Costa, no início da década, a pedido deste e segundo critério definidos pelo ex-presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), um conjunto de nomes do universo do Partido Socialista (PS) para integrarem os órgãos sociais do Efisa, a instituição financeira que funciona como braço de investimento do Banco Português de Negócios (BPN).
Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa.

O e-mail enviado a Oliveira e Costa por Vakil e que agora é matéria reservada à Comissão de Inquérito Parlamentar à supervisão ao BPN, foi trocado no início da década, quando era primeiro-ministro António Guterres.

O e-mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa

Meu caro,

No tocante a este assunto, para além do nome que sugeriu que foi o do Doutor Oliveira Martins que julgo não ser o mais provável porque não é para Presidente, lembrei-me de alguns outros nomes que lhe submeto para uma apreciação prévia e para estabelecermos uma hierarquização para que eu possa então seguir a lista por essa ordem.

Os nomes que me ocorrem dentro do critério que foi definido são:

Vera Jardim - advogado com nome na Praça, Deputado pelo PS e ex-Ministro da Justiça; muito próximo do actual PR (e também amigo do Neto Valente dado que este foi há anos colega do escritório Jardim, Sampaio e Caldas);

João Cravinho - nome bem conhecido, Deputado do PS e ex-Super Ministro do Equip Social, etc, conheço-o bem, já fez o favor de dar alguma colaboração ao Banco Efisa a título gracioso porque quando saiu do governo achou que não devia logo trabalhar para o banco que era prestador de serviços ao Ministerio que comandou. Entretanto, como isso já foi há algum tempo, pode ser que já possa aceitar. (Disse-me na altura que tinha aceite um lugar no Conselho Consultivo do Banco do Rendeiro).

Prof. Augusto Mateus - PS muito bem inserido na máquina do Partido ; ex-Ministro da Economia; meu antigo aluno e com quem tenho excelente relação.

Dr. Fernando Castro que foi Ch de Gabinete e ao que se diz o Mentor do então Ministro Pina Moura, muito bem inserido dentro dos meios políticos onde se move com muita discrição mas com grande eficácia. Dou-me bem com ele; veio há dias almoçar comigo ao banco; está de momento ligado à General des Eaux em Portugal.

Alberto Costa - Deputado pelo PS, advogado e muito ligado ao António Vitorino com quem também me dou bem. Foi Ministro da Administração Interna e é também uma pessoa discreta.
Também o Mário Cristina de Sousa poderia ser um bom nome mas está neste momento ligado à CGD e daí que, mesmo sendo um bom amigo, não possa. Mas fica aqui como uma mera sugestão mas que não me parece viável.

Podemos falar sobre este assunto quando entender conveniente."

Vital Moreira depois de dar tiros no pé, começou a disparar para o escuro. Agora, o pistoleiro da mordaça. atingiu quem não esperava...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A crise de Proença de Carvalho

No Semanário Económico, ( citado aqui) Proença de Carvalho, mais uma vez, dá-nos a sua visão particular da crise da Justiça e apresenta a mezinha para a resolver. É ler...

Digo com sincero pesar que não me enganei quando desde há muitos anos previ o que está a acontecer no mundo da Justiça. E penso não me ter enganado ao dizer que a crise da Justiça não se resolve com a mudança das leis que regem os processos, nem com mais meios humanos. As nossas leis processuais têm vindo a reduzir os direitos das partes, a diminuir os recursos e em geral a conferir aos investigadores e magistrados amplos poderes de investigação, disciplina nos processos e liberdade de decisão. No que toca aos meios, as estatísticas demonstram que Portugal compara bem com os seus parceiros em percentagem do PIB afecto à Justiça e em número de magistrados. O problema reside no modo de organização do MP, Polícias de investigação e Tribunais. E, principalmente, na absoluta falta de liderança no sector, que assumisse a responsabilidade de criar maior eficiência. Muitos portugueses ignoram que o ministro da Justiça não tem qualquer poder de influência para melhorar o serviço prestado pelo MP e Tribunais.

Mas o que mais tem descredibilizado a Justiça é o comportamento de alguns dos agentes da investigação criminal, que se mostram incapazes de impedir a prática diária do crime de violação do segredo de justiça, revelam cumplicidades vergonhosas com os media em julgamentos sumários nos meios de comunicação social, discutem permanentemente na praça pública as leis a que deviam obedecer e agem na mais absoluta irresponsabilidade. O sindicato do MP comporta-se como dono da Instituição e não mero representante sindical dos seus membros.

A única forma de pôr termo a este descalabro é conferir ao Procurador-Geral - única entidade com legitimidade democrática dentro do MP - a responsabilidade e o poder de pôr ordem na casa e garantir o seu bom funcionamento.

Portanto, meios existem. Os poderes da investigação criminal foram reforçados. As garantias de defesa têm sido diminuidas e afinal a crise da Justiça é imputável aos..."agentes da investigação criminal".

Primeiro, repare-se na palavra deste agente de forças políticas de um centro amplo de interesses difusos: os "agentes de investigação criminal", são naturalmente os polícias e os magistrados, todos incluidos na mesma designação de alguém que age em nome de outrém. Agentes, portanto.

Depois, o paradoxo: quando toda a gente, entre os agentes, denuncia exactamente o contrário, apontando a dificuldade cada vez maior em investigar; em produzir prova em julgamento; em interpretar leis contraditórias e mal feitas, Proença diz precisamente o contrário!

Por fim, o corolário de tanta perspicácia aplicada: os culpados da crise da Justiça são aqueles que violam o segredo de Justiça, andam mancomunados com os media e discutem na praça pública (!) as leis.

Os que violam o segredo de Justiça são os que publicam as notícias sobre os casos e utilizam a tv e figuras gradas da política para safar entalados, em telefonemas de manobra ,para fugir a responsabilidades, como Proença sabe muito bem. Os que se mancomunam com os media, são os que os dominam ( como Proença que pretendia ser dono de uma tv, em tempos) e os que discutem na praça pública são os que usufruem da liberdade de opinião e expressão para escrever artigos de opinião, como Proença o faz, periodicamente.

Portanto, Proença,no fim de contas, acaba por ser um dos principais responsáveis pela crise na Justiça.

Mas Proença tem uma solução milagrosa para a crise: dar poderes de chefe de quartel ao PGR e submeter este ao poder do chefe de Governo, acabando com veleidades sindicais e outras autonomias.

Todos sabemos, infelizmente, o que isto significa e o que Proença pretende na realidade com essa solução sempre proclamada: controlar totalmente a investigação de criminalidade de classe superior.
É esse o único objectivo. Depois disso, acaba a crise na Justiça

Jornalismo de equívocos

O Público põe hoje em manchete o título: “Ministério Público vai ouvir Dias Loureiro” e ainda “ Pinto Monteiro já assinou o despacho a determinar a audição”; na página 24, contradiz esta notícia, ao escrever “PGR ordenou audição de Dias Loureiro a seu pedido” e logo a seguir, escrever “ Pinto Monteiro produziu um despacho (…) em que defende a audição de Dias Loureiro “ e ainda que o mesmo “deve ser ouvido de acordo com as possibilidades actuais e desde que não haja prejuízo para a investigação”.

Estas frases são equívocas, erradas e contraditórias no seu conteúdo específico e denotam um desconhecimento do Estatuto do MP e dos limites ao poder hierárquico que envolve a polémica com a actual revisão do mesmo estatuto.

Coloquemos a questão directamente e sem rodeios: Pinto Monteiro, enquanto PGR tem poder estatutário ou legal para dar ordens precisas e concretas no processo do BPN, tal como esta que resulta na interferência directa na investigação cujo titular é outro magistrado, com autonomia pessoal?

O poder do PGR, fixado no Estatuto ( artº 79º), está bem definido na lei e Figueiredo Dias, há décadas avisava solenemente:

O maior perigo para o escrupuloso cumprimento do dever de objectividade do MP provirá de um erróneo entendimento da amplitude dos efeitos a atribuir ao seu dever de obediência hierárquica”.

A hierarquia da magistratura do MP distingue-se claramente da hierarquia administrativa, cujo dever de obediência do subalterno a ordens e instruções emitidas, é quase absoluto.
Na magistratura não é, não deve ser e a autonomia da decisão própria reflecte-se ainda na possibilidade de o inferior hierárquico dever recusar o cumprimento das ordens ou instruções ilegais e as que contendem com a "violação grave da sua consciência jurídica.”

No caso de ordens provenientes do PGR, dirigidas a um processo, as mesmas devem ficar escritas e além disso, não podem ser recusadas, a não ser em caso de ilegalidade.
Será o caso?
Mesmo que não seja, o próprio PGR escreve em modo de solicitação e com os cuidados necessários a uma interpretação do titular do processo, com a legalidade do acto. Ou seja, segundo a notícia, o despacho não parece ser uma "ordem" em sentido estrito. Então o que é?

O PGR foi cuidadoso e prudente na redacção da “ordem”, ao sugerir e propor a ponderação da tempestividade de cumprimento do sugerido.
No entanto, subsiste um problema difícil de resolver e que reside no artº 13º nº 1 da Constituição: "Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei".
E...se de repente desatassem a aparecer na PGR, aos milhares, pedidos semelhantes de audiência para o propósito definido e anunciado de as pessoas quererem ser ouvidas com rapidez nos processos em que podem ser visadas? E com fundamento nos seus inalienáveis "direitos de personalidade"?

O Público aparentemente, não entendeu o conteúdo destas subtilezas importantíssimas para a autonomia do MP.
Claro que estes assuntos preocupam nada a populaça que lê, vê e ouve notícias. Quem as escreve, aparentemente, também pouco sabe sobre o papel do PGR em face da Constituição, da lei e do Estatuto.
Por isso é que o PGR ainda é visto assim a modos de um comandante de tropas que deveriam ser obedientes à voz de comando. E quando estas aparentam a autonomia que lhes cabe de pleno direito, causam perplexidade, mesmo em quem teria o dever de saber melhor um pouco.
A quem interessa este equívoco?

Quid juris, caro PJODM?

Citações paralelas

"O caso BPN envolve altas figuras do PSD: Oliveira Costa, Dias Loureiro, Joaquim Coimbra, para citar apenas três nomes"- Ana Gomes, candidata ao PE ( a a uma autarquia local), ao Público.

"O caso Casa Pia envolve altas figuras do PS: Paulo P., Ferro R. e Jaime G., para citar apenas estes três nomes".- citação avulsa e seguindo a lógica daquela candidata.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A graduação das figuras

A graduação das figuras do PSD, em 1990, em pleno cavaquismo, foi logo classificada por Vasco Pulido Valente, numa crónica do Público de 7.7.1990: " os economistas e funcionários que hoje nos governam", foi assim resumido pelo cronista, a fauna política que então mandava em nós. Clicar na imagem para ler: