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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2010

A ética lá de fora

Económico:

Horst Köhler demitiu-se poucos dias depois de declarações sobre o Afeganistão que causaram alguma polémica.
Köhler, 67 anos, cumpria o primeiro ano do seu segundo mandato enquanto presidente da Alemanha.
A renúncia, hoje anunciada, tem efeitos imediatos e surge após uma onda de críticas por causa de declarações do governante alemão sobre o Afeganistão.

Público:

O secretário de Estado das Finanças do novo Governo conservador britânico, o lib-dem David Laws, anunciou a sua demissão, capitulando num escândalo de cobrança indevida de despesas ao fim de três semanas como titular da pasta e segundo na linha hierárquica a seguir ao ministro.


Tsf:

O ministro espanhol da Justiça demitiu-se na sequência de um escândalo relacionado com o seu encontro com Baltasar Garzon durante uma caçada. Mariano Fernandez Bermejo encontrou-se com este juiz quando estava em instrução um processo por corrupção que envolve elementos do Partido Popular.

Como diz um comentador no Público, "o azar deles é nã…

O parceiro pensador

Do jornal de Negócios, via InVerbis :

O advogado Proença de Carvalho, cuja legitimidade para intervenção na vida pública lhe advém de ser advogado junto do poder político, é mais uma vez entrevistado. Desta vez pelo Jornal de Negócios. É incrível a quantidade de gente que pretende ouvir este pensador, parceiro privilegiado dos governos de bloco central.
Naturalmente, aparece agora ligado a uma iniciativa de outros parceiros pensadores do poder que está e do que há-de vir.
Como se dizia antigamente..." e não se podem exterminá-los?" Não é fácil porque a influência que esta gente adquiriu na polis, torna-os incontornáveis e por isso todos os serventuários se dispõem a dar-lhes voz activa sempre que o momento se aproxima. e é agora o tempo, porque o tempo é de mudança e de crise.
Por isso, como habitualmente, de há dezenas de anos para cá, lá aparecem estes benfeitores, sempre com a boca cheia de democracia e os bolsos de rendimentos a condizer, a desmultiplicarem intervenções de…

Ratos por todo o lado

Um dos fenómenos constantes e preocupantes ligados a este governo de José S. é a quantidade inusitada de coisas que desaparecem, sempre que poderiam esclarecer acontecimentos noticiados. Devido ao relativamente elevado número desses fenómenos, sem autor conhecido, poderão ser atribuídos a ratos metafóricos que os retiram da atenção pública sempre a favor dos mesmos.

Quanto a documentos desaparecidos é uma catástrofe a sucessão de azares que foram acontecendo a este primeiro-ministro, cuja credibilidade, devida à erosão decorrente, se assemelha a uma metáfora da mentira.

Tudo começou mediaticamente com os problemas da licenciatura na Independente, denunciados publicamente por um blog e depois os jornais, a reboque.
Os documentos nunca fizeram bater a bota com a perdigota e tudo por causa de infelizes desaparecimentos de originais que deveriam estar arquivados e nunca estiveram. Em vez dos devidos originais apareceram apócrifos justificativos e alguns notoriamente falseados. Pouca gente …

os reis que vão nus

Uma senhora jornalista que acompanha a política portuguesa praticamente desde o 25 de Abril, em diversos jornais de "prestígio", membro de pleno direito da situação, escreve hoje no i um artigo que se reproduz ( clicar para ler e ficar de boca aberta).

Maria João Avillez, de seu nome, traça um perfil do "oiro da nossa democracia", (!!!) perguntando a meia dúzia de iluminados ( na verdade oito) quem são os nomes que "tiraram Portugal do sítio onde estava, empurrando-o para a frente".

Mesmo sem discutir aqui em que sítio era esse, importa saber que os nomes escolhidos por aqueles esclarecidos da nossa democracia são, no mínimo, de arrasar a perplexidade.

A antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues é apontada por três indivíduos ( Luís Portela da Bial e Artur Santos Silva dos bancos e ainda Soares dos Santos, da Jerónimo Martins) como uma mulher de fibra que "implantou a reforma do ensino que o país esperava há trinta anos" ( Luís Por…

Sem comentários...

Despacho n.º 8346/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18 Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-GeralRequisita à empresa Deloitte & Touche, Lda., António José Oliveira Figueira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro·Despacho n.º 8347/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-GeralRequisita à Associação dos Bombeiros Voluntários de Colares Rui Manuel Alves Pereira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro·Despacho n.º 8348/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-GeralRequisita ao Sindicato dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Hotelaria e Serviços Vítor Manuel Gomes Martins Marques Ferreira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro·Despacho n.º 8349/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-GeralDesigna o agente principal da P…

Uma visão cor- de-rosa

O PGR Pinto Monteiro, na esteira de outras figuras públicas, disse ontem numa conferência que "Portugal não é um país de corruptos".

Pinto Monteiro tem sobre este fenómeno os mesmos dados que qualquer português que consulte as estatísticas do Ministério da Justiça pode ter. Seria melhor estar calado e pelo seu lado fazer melhor do que anda a fazer, mormente no Face Oculta.

Eduardo Dâmaso, no Correio da Manhã, respondeu-lhe assim:

Podemos dormir mais descansados. O procurador-geral da República garantiu ontem que Portugal “não é um País de corruptos”. Vamos, por isso, recuperar mais depressa da crise económica porque não há evasão de capitais, não há apropriação de recursos públicos nem desperdício do dinheiro de todos nós.
Ironia à parte, e respeitando a opinião de Pinto Monteiro, Portugal precisa de tudo menos destas visões suaves da realidade. É óbvio que Portugal não é um País de corruptos mas está abundantemente demonstrado que é um País com gravíssimos problemas de co…

Os segredos que contam

Sapo:Durante as buscas realizadas no âmbito do processo ‘Face Oculta, o documento foi encontrado na posse de Armando Vara, numa clara violação do segredo de Justiça. O antigo vice-presidente do BCP terá tido acesso ao documento através de três inspectores da Polícia Judiciária, integrados da Unidade Nacional de Combate à Corrupção.

Ouviram o Vara e companhia a falarem, todos indignados, com a violação do segredo de justiça, não ouviram? E que nem queriam falar nas escutas porque era dar oportunidade a mais violações, não ouviram?

E sobre isto, ouviram alguma coisa?


Provas dos nove

Sol. hoje:

«A Manela não apresenta mais o jornal. Mas não digas nada». Foi assim que Sócrates soube, através de Armando Vara, da saída de Manuela Moura Guedes da apresentação do Jornal de Sexta. No entanto, à Comissão de Inquérito, o 1.º-ministro disse que só soube do facto pela comunicação social." Ainda segundo o jornal, uma tribunal cível de Lisboa, deu seguimento à providência cautelar apresentada por Rui.Pedro.Soares, no sentido de censurar o jornal pela publicação de conversas em que aquele tenha participado e gravadas no Face Oculta. Na decisão, segundo o jornal, o tribunal escreveu: " As conversas telefónicas transcritas em que intervém o requerente no semanário Sol não respeitam à vida íntima e privada do requerente. Antes aludem à actuação deste, em concertação com o primeiro-ministro e um conjunto de homens da sua confiança, tendo em vista 'controlar a comunicação social do país'. Esta afirmação numa sentença judicial parte de pressupostos formais, de prova vá…

Descaramento

José António Lima, hoje na última página do Sol:


"Ricardo Rodrigues cometeu um furto em plena Assembleia da República, no desempenho da sua actividade política, atentou de forma flagrante e primária contra o valor constitucional da liberdade de imprensa, abusou com intolerável arrogância do exercício dos seus restritos poderes, ultrapassou os limites da prepotência democrática. Não chega?"- acaba por perguntar o cronista. Não chega. Para este indivíduo e clique que o segura, não chega e nada chegará, a não ser, talvez, uns corninhos de fora no hemiciclo, o que, diga-se, já esteve mais longe de suceder... Hoje, o mesmo jornal noticia que Ricardo Rodrigues pondera apresentar uma...queixa crime, pelo facto de ter sido vítima de uma "violência psicológica insuportável", perante os factos sobre que os reporteres da Sábado o questionaram. Recorde-se que as questões referiam-se todas a decisões judiciais sobre assuntos da vida pessoal de Ricardo Rodrigues tornados públicos p…

A mediatização da Justiça

A TVI, por Henrique Garcia, passou hoje uma entrevista com Carlos Cruz.

Que significa isso? Que Carlos Cruz, no fim de um julgamento num tribunal judicial, onde outros foram julgados e nunca deram entrevistas, tem a facilidade de dispor de mais um palco mediático para se defender das acusações julgadas.

No fundo, é apenas isto. A TVI não deu a mesmo oportunidade aos demais arguidos e muito menos às vítimas que os acusam. Deveria?

Se quiser entrar neste jogo da mediatização judicial, como aconteceu, tem o dever estrito de o fazer. E não o fez.

Porquê?

Ainda se compreenderia que Carlos Cruz fosse entrevistado a propósito dos 41 anos, feitos agora, do Zip Zip. Mas não foi isso.

O dito e o feito

Sol:

Insistindo que «ninguém goza de impunidade e que a Justiça trata todos por igual», o PGR considerou importante encontrar meios para que as pessoas denunciem os crimes, já que o grau de criminalidade participada é menor do que a praticada.

Há crimes denunciados que nem sequer são investigados, mas arquivados liminarmente, sem que se possa saber porquê.

E há pessoas em Portugal que por exercerem cargos políticos de relevo são tratados de modo diferente dos demais cidadãos, exigindo a lei requisitos que não concede aos outros cidadãos, sem qualquer justificação plausível.

Por isso, aquelas declarações do actual PGR não são credíveis.

O saber de Grilo

Marçal Grilo, antigo ministro da Educação ( Guterres) está na Sic Notícias a ser entrevistado por Mário Crespo, a propósito de um livro que agora escreveu: Se não estudas, estás tramado, é o título.

Acaba de dizer algo importante e fundamental: o essencial é que os alunos aprendam, e que saibam. Não é apenas estudar, mas acima de tudo saber.

Isto está certo e nem é o politicamente correcto.

Então, por que razão tudo corre mal nesse campo de saber e da Educação? Grilo apresta-se a apontar algumas razões: há turmas muito grandes, diz. E diz outra coisa que me parece fundamental e essencial: é necessário que os professores do básico saibam muito. E sejam bem formados tecnicamente.

Pois é mesmo assim, no meu entender. E já vão duas ideias básicas que os pedagogos do ministério da Educação não compreendem.

Uma outra ideia, de Marçal Grilo tem a ver com a escola: esta é boa se tiver uma boa liderança e um corpo docente estável e esteja bem inserida no meio em que funciona.
Outra ainda: a es…

Crise? Que crise?

Sol, citando o Correio da Manhã:

"A crise parece não ter chegado à Assembleia da República. Só para transportes os deputados irão receber mais 25% do que em 2009, ou seja, mais 780 mil euros do que no ano anterior, avança o Correio da Manhã" Quem não tem ética para entender a gravidade social que isto implica, não merece ser deputado. Quem não entende o sentido deletério deste "fartar, vilanagem", merece apenas desprezo público. Seja do PCP, do Bloco, do PS, Psd ou CDS.

Todos juntos, mostram ao povo português aquilo que realmente os move: o interesse pessoal na boa vidinha e o desprezo olímpico dos princípios e regras básicas da democracia que assentam no respeito pelo povo que elege.
É por essa razão que toleram com toda a facilidade indivíduos da estirpe de um Ricardo Rodrigues ou elegem para presidente, um Jaime G.

Os activos maus

O Expresso desta semana continua a dar notícias. Sobre o BPN, conta que o "buraco" já vai em mais de € 2 mil milhões.

"Buraco"? Sim, uma "insuficîência de capitais" e que engloba uns "créditos de cobrança difícil", "activos maus" no jargão do banco.

Para onde foram estes activos que se trasmudaram em maus, assim do pé para a mão? Alguém sabe quem são exactamente os beneficiários dos "activos bons" cuja falta de reembolso os transforma em maus?

Os dois indivíduos acima retratados sabem. Mas não dizem. Pelo menos por enquanto e à espera de uma insolvência que o possa revelar se os nomes forem muito além de sociedades anónimas em offshores e com demasiados activos maus.
O da direita, Francisco Bandeira, era vice-presidente da CGD aquando da intervenção estatal no banco dos "activos maus". Segundo se soube recentemente, por acaso e na sequência de investigações do processo Face Oculta, o mesmo indivíduo ocupava temporariam…

A vanguarda da democracia

Conforme se pode ler por aqui, na Itália segue uma discussão pública acalorada a propósito de projectos legislativos tendentes a modificar a lei das escutas telefónicas e a reduzir o seu âmbito de aplicação processual, ao mesmo tempo que se preparam medidas legislativas que impedem o relato jornalístico de assuntos apurados por esse meio. Os media em geral, magistrados e demais pessoas alheias ao poder político situado ( Berlusconi), indignaram-se publicamente com tais medidas restritivas da liberdade de informação apelidando-as de "legge-bavaglio", lei da mordaça. Em Portugal, Berlusoni não teria qualquer dificuldade em lidar com a lei que temos e nunca proporia qualquer alteração, porque aquilo que temos, depois de processos mediáticos como o Casa Pia, foi ainda mais além do que aquilo que em Itália é conveniente para o poder político. E no entanto, mesmo assim, vemos por vezes os habituais proenças júdices barretos de carvalho a insurgirem-se com todo o vigor democrático de…

Portugal é um mundo pequenino

Marcelo Rebelo de Sousa voltou à TVI, agora mesmo. E começou por falar na família, nos netos. Desconheço o que vai dizer sobre outros assuntos, designadamente o caso PT/TVI.

Uma coisa é certa: faltar-lhe-á a suficiente isenção para tal, uma vez que o filho é um dos responsáveis, na PT, por um sector, o multimédia.

O que Marcelo poderia fazer e seria inédito, era contar como é que o filho conseguiu tal emprego.

Método para apanhar aldrabões

Segundo o Jornal da Noite da TVI, Sara Ferguson, ex-mulher do príncipe André, do Reino Unido, tentou receber 500 mil libras por um pequeno tráfico de influência: apresentar um suposto negociante, ao ex-marido. Só isso.

Pormenor que faz a notícia: o negociante era jornalista encapotado e o encontro foi gravado em video, com som bem audível.

Resultado: aquela já chorou lágrimas de arrependimento e o escândalo fez a capa do News of the World, uma espécie de Correio da Manhã local. Não ouvi ninguém falar de ilegalidades ou inconstitucionalidades ( coisa que os ingleses nem tem).

Sugestão: em vez de escutas telefónicas para apanhar coisas "nulas e de nenhum efeito", os jornalistas portugueses poderiam fazer o mesmo. Tentavam apanhar os mentirosos que pululam no nosso espaço político, com gravações clandestinas e de prova irrefutável.
Teria uma vantagem: nenhum jurista poderia dizer que havia inconstitucionalidades ou seriam escutas nulas e de nenhum efeito. Mesmo em cima do risco cri…

Serventuários da ignorância

Ao folhear o Expresso desta semana, recheado de assuntos com interesse, a dado ponto, na pág. 22, deparamos com esta frase em destaque:

"Exames não servem para estragar a vida aos alunos", dita numa entrevista pelo responsável governamental pelo GAVE, o Gabinete de Avaliação Educacional.

Li outra vez a frase, olhei para o retrato em corpo inteiro que acompanha a entrevista e perguntei-me a mim mesmo, como é possível que uma pessoa destas tenha chegado ao centro do poder do Estado, onde se avaliam os exames e outras matérias da Educação.

A imagem nada diz da personagem e o Google também não, a não ser que é formado em Geografia e co-autor de manuais escolares.
Uma pesquisa pelos blogs da área, reconduziu-me a uma ideia intuitiva: este indivíduo está errado. A nomeação para o GAVE é recente e por isso nem se compreende a ausência de biografia.

Assim, como é que este indivíduo se formou? Onde? Que conhecimentos, competências, habilitações concretas e saberes específicos comporta? …

Justiça de Grazie

Em Portugal, sempre que ocorre um escândalo judiciário que envolva perigo para personalidades de relevo político, há circo mediático. Para além dos animais exóticos, aparecem logo, logo , os habituais malabaristas e prestidigitadores, que escrevem, falam, comentam e marcam pontos no espaço mediático controlado.
Nos casos que abalaram a Justiça mediática desde os anos oitenta do séc .que passou, a começar pelo caso das verbas do FSE, quem aparece sempre a botar faladura de responsabilidade nos media?
Advogados dos entalados excelentíssimos que pouco têm variado ao longo dos últimos vinte anos: Proença de Carvalho, sempre, sempre em primeiro lugar; José Miguel Júdice a disputar a parceria e alguns sócios de firmas bem conhecidas e estabelecidas que vivem muito da parecerística que o Estado dos governos que estão, lhes avença prodigamente, ao ponto de custarem milhões, anualmente, no Orçamento de Estado.
Depois aparecem os habituais sabujos da ordem estabelecida e situação periclitante, co…

Malditas escutas

Na Comissão de Inquérito que decorre na AR, a propósito do caso PT/TVI, o presidente Mota Amaral decidiu por despacho pessoal, proibir o uso do conteúdo de algumas escutas telefónicas, remetidas pela comarca do Baixo-Vouga, inseridas num inquérito que por lá corre termos, a pedido daquela Comissão. O PGR ( o MP) não se opôs a tal solicitação, segundo se noticia nos jornais.
Essas escutas são válidas nesse processo penal e servem para indiciar matéria criminal.
Pois bem. O presidente da Comissão acha que não valem para nada e alguns juristas de mérito também (um deles até fala em "tique inquisitorial") . Razão de fundo? Inconstitucionalidade flagrante: "0 artigo 34.º/4, da CR, que veda o uso de escutas telefónicas fora de processos criminais".
E mais, segundo Pedro Soares de Albergaria:
"Nem se diga, como por vezes se diz, que de acordo com o Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares (artigo 13.º/3, da L 5/93, com alterações) “as comissões podem, a requerim…

O actuário do ridículo

No Expresso de hoje ( clicar para ler), um retrato deste primeiro-ministro que temos, mostra-o sem a menor noção do ridículo. Já não mata, este ridículo. E por isso, só engorda.

PS: Actuário, segundo o artigo de Nuno Crato no Expresso de hoje, é alguém que faz cálculos de anuidades, seguros e pensões, seguindo métodos de soma e segue.

Harper Simon

Este puto que atravessa a rua, agarrado à mão do pai, chama-se Harper Simon. O pai chama-se Paul. Paul Simon e a foto ( Annie Leibowitz) é da revista americana Rolling Stone, de 1.7.1976.

Mais de trinta anos depois, Harper, comprova nestes dois videos retirados do YouTube que filho de peixe sabe nadar.




A política das conveniências

Sapo/Notícias:

"O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, defendeu hoje a necessidade de “estabilidade política e governabilidade” para Portugal ultrapassar o período de crise, escusando-se a fazer comentários sobre as medidas de austeridade apresentadas pelo Governo."

Claro. Tem sido isto de há cinco anos a esta parte. A sacrossanta estabilidade, aliás, conduziu-nos ao lindo Estado em que estamos.
O caso da licenciatura ao Domingo, com documentos falsificados na AR? Um mero fait-divers.
O caso Freeport com suspeitas agravadas sobre o primeiro-ministro? Assuntos de justiça.
O caso Face Oculta, com escutas escondidas? Nada a ver, porque é tudo nulo e de nenhum efeito.
O caso PGR com despachos que não dá a conhecer publicamente? Deixa estar para não incomodar o poder político e desestabilizar o país.
O desgoverno que sangrou os cofres do Estado em prol de alguns bancos e construtoras? Isso é corriqueiro e não adianta mudar.

Portanto, temos um presidente da República para quê…

A Justiça da conveniência

O presidente do STJ, Noronha do Nascimento; o procurador-geral da República, Pinto Monteiro e agora o presidente da Comissão parlamentar de inquérito, na AR, Mota Amaral, coincidem numa análise jurídica, sobre as escutas do Face Oculta: não valem juridicamente, para ser ouvidas e apreciadas. Os argumentos jurídicos dos três, são discutíveis, mesmo muito ( vide a posição de Costa Andrade que ninguém retomou publicamente) e são coincidentes ainda num ponto prático: safam objectivamente o primeiro-ministro de prestar contas por malfeitorias políticas indiciadas e já conhecidas informalmente pelos jornais, e agora confirmadas por um dos elementos da comissão de inquérito, precisamente Pacheco Pereira que classificou essas escutas como "avassaladoras". A pergunta a colocar por isso, tem este sentido: por que razão, aqueles três personagens tomaram a decisão que tomaram, com o sentido que é conhecido, com aqueles argumentos jurídicos altamente discutíveis? É um mistério porque o Di…

O despudor

No jornal i de hoje, o advogado de Armando Vara, Nuno Godinho de Matos, do escritório de Proença de Carvalho, escreve um "ensaio" de duas páginas para dizer uma cousa simples: " o caso Face Oculta é político".

É bem capaz de ter razão. Aliás, antes dele, já outro advogado tinha dito coisa parecida, mas com sentido diverso:

"Rodrigo Santiago, advogado de Manuel Godinho, considera que o empresário de Aveiro "é apenas a ponta de um iceberg" de um complexo processo que pode "envolver figuras da hierarquia do Estado".

Referindo-se ao caso Face Oculta, que visa uma alegada rede tentacular de tráfico de influência, corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, Rodrigo Santiago diz que um sinal desse envolvimento é a suspeita que recai sobre o presidente da Rede Eléctrica Nacional(REN), José Penedos: "Manuel Godinho é a face visível", diz o advogado."

Uma pergunta simples se impõe: quando é que certas pessoas ganham um mín…

A reforma essencial

O ministro Vieira da Silva acaba de dizer no Prós e Contras da RTP que uma das reformas essenciais a fazer "é a reforma da Justiça".

Extraordinária afirmação! Fantástica declaração!

Então este mesmo Vieira da Silva não tomou parte no Governo José S. I, com um ministro de reforma tão aprimorado como Alberto Costa? E não sustentou a grande reforma do CPP de 2007, das leis de funcionamento dos tribunais, das leis de processo executivo ( a maior vergonha que pode haver na Justiça) e outras que tais?
Então afinal ainda não foram capazes de acertar nem uma medida para a tal reforma da Justiça apesar dos anos que já levam de governo?

Este indivíduo é incrível. E esquece o mais importante: a reforma mais essencial e premente é outra: tirar a nódoa deste Governo que está a cobrir de negrume todo um país, depois de aviltar uma Nação.
Mas não admira nada: este indivíduo é o mais iscteano de todos os ministros.

Em exibição

Económico:

O primeiro-ministro diz que não conhecia nem interferiu no negócio de compra da TVI pela PT. Nas respostas que chegaram hoje ao Parlamento, Sócrates reitera que o "Governo nem recebeu qualquer tipo de informação, nem deu orientações sobre o negócio em preparação pela PT".


A aldrabice constante

A actual posição política do primeiro-ministro é esta, traçada no i:“O nosso plano anterior não previa o aumento de impostos”, disse. “Infelizmente no último mês o mundo mudou, a Europa mudou e mudou todo o ambiente. Por isso a Europa teve necessidade de avançar com o fundo de estabilização, com a ação do Banco Central e também com um novo esforço dos Estados”, sublinhou.
Tal como poetizou Camões, "todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades".Porém, neste quadro de poetização do efémero, infelizmente, há uma coisa que não muda: o carácter deste primeiro-ministro. A mentir não há quem o bata. A aldrabar também não.

Epitáfio para uma Nação

Esta crónica de Vasco Pulido Valente no Público de hoje, coloca-nos no sítio onde estamos: no limiar da indignidade como povo com mais de oitocentos anos de História.

Quem nos conduziu a este ponto? Basta ir ao sítio do Governo e consultar os arquivos históricos, para ter em devida conta os nomes dos governantes.

E não vale a pena vir com a treta de que foi o povo que os elegeu, porque o problema eleitoral espelha-se no regime que temos: de partidos que se endogamizaram de tal modo que a profissão de político é restrita a cidadãos inscritos em listas, elaboradas por directórios que o povo não escolhe. E os candidatos a cargos enfileiram nos partidos por saberem que não há lugar para além deles. E os partidos que temos são o espelho dos dirigentes que os orientam.
São sempre os mesmos, em grupo, desde o 25 de Abril e já os há em modo dinossáurico até ao ponto de se acharem patronos, se não mesmo pais da pátria! Sem pudor algum e ao modo jacobino, maçónico e republicano laico. Como se Port…

Ainda Saldanha Sanches

Na morte de Saldanha Sanches, a memória da última entrevista ao Económico. Com esta parte que diz tudo sobre a clarividência acerca da "crise da justiça" e o seu reflexo na corrupção:
"Como é que vê o facto de não ter sido decretada prisão preventiva a nenhum deles a não ser a Oliveira e Costa?É essa a função principal do nosso Processo Penal: proteger essa gente.Agora está a ser sarcástico.Não, não. Estou a ser rigoroso. Está construído de forma que o objectivo do Código é a protecção dessa gente.É um código viciado?Completamente viciado. É um código que nos envergonha pelos resultados. Essa impunidade que o código garante é uma coisa que nos envergonha. O caso Madoff em Portugal seria impossível, mesmo que alguém resolvesse confessar tudo, e nunca o faria. Na América as pessoas confessam porque as consequências da não confissão são muito duras e apesar de tudo o menos mau é confessar. Em Portugal não são duras, mas mesmo que se confessasse o processo não durar…

Saldanha Sanches

Morreu Saldanha Sanches. Tenho pena que tal tenha acontecido. Vale a pena, por isso, recordar os Caminhos da Memória.

Bava continua

Do Sol:

O administrador da Prisa Manuel Polanco afirmou hoje, na comissão parlamentar de inquérito ao caso PT/TVI, que a hipótese de venda de parte da Media Capital à PT foi pela primeira vez colocada numa reunião realizada a 26 de Maio de 2009.
(...)
Nas audições realizadas, primeiro na comissão de Ética e depois na comissão parlamentar de inquérito, Bava sustentou que as anteriores conversações entre as duas empresas se reportavam apenas à negociação de conteúdos e que só a 19 de Junho – a reunião para a qual chamou Rui Pedro Soares, por ser o administrador que estava «mais à mão» - se colocou o cenário de compra de parte do capital. A versão de Polanco é diferente: «Numa reunião a 26 de Maio disse a Zeinal Bava que seria muito interessante que a PT entrasse na Media Capital». Para este tipo de gente, mentir e dizer a verdade não tem qualquer diferença. Diferença apenas terá se colocar o tacho em risco. E neste momento é a verdade que o coloca. Mas Bava tem o trunfo maior: …

Portugal e os papas

A propósito da visita de Sua Santidade ( o primeiro-ministro chamou-lhe Eminência...) Bento XVI a Portugal, a revista Sábado, em separata, publicou um pequeno historial das visitas papais ao nosso país, focando em demasia o aspecto político e até politiqueiro dessas visitas e pelas teclas de um historiador- Rui Ramos- ficamos a saber que na primeira visita papal, a de Paulo VI em 13 de Maio de 1967, o poder político de então, centrado na figura de Salazar, quase nem o recebia. Apesar de as fotos publicadas algumas páginas à frente o desmentirem, Rui Ramos escreve que "Quando soube que o Papa planeava aparecer em público ao lado da vidente Lúcia, Salazar deu vazão ao seu desprezo: achou Paulo VI demagógico e ameaçou nem se encontrar com ele."
Ora o que provam as imagens da época?

Isto:

O que as imagens acima ( retiradas da Flama de 19.5.1967, clicar na imagem para ver melhor)comprovam é a anuência, pelo menos diplomática, de todo o regime, incluindo o presidente da República …

A sociologia é uma burla quotidiana?

Na revista Pública de Domingo, um artigo com foto de página, mostrava o autor de um livro apresentado como "José Machado Pais, 56 anos, professor no ISCTE é um sociólogo "do quotidiano", especialista em fugir às especializações." O livro tem como título "Lufa-lufa Quotidiana- Ensaios sobre a Cidade, Cultura e Vida Urbana" e pelo contexto, é um texto esgalhado sem espinhas sobre temas tão transcendentes como as mensagens nos pacotes de açúcar ou a análise ao fenómeno "manguebit".

Os temas lembram outros livros como as Mitologias de Barthes ou este que aqui fica em imagem. Ao lado, uma página de um livro de 1967, publicado no Brasil em 1969, com o título Princípios de Sociologia, de Henri Mendras. A primeira página mostrada, diz o que se entende por sociologia: "simultaneamente a Sociologia, a Psicologia Social e a Etnologia."

Onde já vamos com o livro de Machado Pais do ISCTE! Nos pacotes de açúcar como mensageiros do quotidiano adiado.



Em…

Similis cum similibus

Jornal de Noticias:

"A Assembleia da República não vai debater a conduta do deputado socialista Ricardo Rodrigues, que furtou dois gravadores a jornalistas da revista "Sábado", durante uma entrevista.
A decisão resulta da reunião, desta manhã, quarta-feira, da Comissão de Ética, que rejeitou a admissibilidade de um requerimento apresentado pelo Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, no qual era pedida a apreciação da atitude do deputado."
É mais do que natural esta conduta: é de uma habitualidade sem surpresas. Os iguais querem-se no mesmo nível. Neste caso, a habilidade inusitada do "mãozinhas de veludo", não espanta nem intriga ninguém, entre os pares. Nem incomoda, tão pouco. Aliás, um Parlamento que elege um Jaime G. como seu presidente, está devidamente classificado na Ética: nos lugares de baixo da tabela.

A estética jacobina

A propósito da vinda do Papa Bento XVI a Portugal, há uma certa tonalidade mediática que afina pelo diapasão do jacobinismo. No Público pode ler-se Paulo Moura, a escrever sobre o "enorme cálice de ouro"; sobre " as cores, o fausto dos paramentos e majestade do Papa, sentado na cadeira da presidência da celebração com a sua mitra a reluzir" e outras boutades do género que vêem algumas árvores na floresta da visita papal, num engano de crenças. O laicismo acredita na ausência de fé e por isso incomoda-se com a sua presença, repescando pormenores de fait-divers para emoldurar o discurso finalista. Ao lado, pode ler-se António Marujo a registar a essência do acontecimento, sem recurso ao acessório e cita adereços estéticos para reforçar o principal: a mensagem do Papa, directa ao entendimento e à razão. Entre estes dois polos, aparece um outro, descentrado e habitual no discurso politizado à esquerda: o do cronista Rui Tavares, na última página do jornal e que nada mel…