Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2010

A mulher de César

Tentemos então perceber porque é que os políticos de topo são objectivamente protegidos pela investigação criminal em Portugal.

Será porque os dirigentes do MP e da Judiciária são moralmente corruptos e incapazes de enfrentar o poder político de topo? É uma hipótese que deve ser colocada porque nenhum investigador deve descartar elementos plausíveis em qualquer indagação. E deve ainda assim tentar adivinhar elementos que não são plausíveis mas se tornam passíveis de assumir tal estatuto. Nisso consiste o raciocínio abdutivo que se deve ponderar.

Neste caso concreto, os magistrados, mormente os da alta hierarquia, serão moralmente corruptos nessa perspectiva?
Sê-lo-iam sem dúvida, se colocados perante a plausibilidade de um procedimento por factos apontados como tendo relevo criminal, procurassem dolosamente afastar tal hipótese, socorrendo-se de expedientes legais ou mesmo informais para tal efeito.

Tê-lo-ão feito, neste caso concreto? Ninguém se atreveu claramente a afirmar tal coisa, co…

A igualdade dos cidadãos perante a lei é uma quimera

Artº 13º nº 1 da CRP:
Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

A principal questão que o processo Freeport e outros que envolvem políticos de topo, como o Face Oculta, colocam é a da efectiva igualdade de todos os cidadãos, incluindo os que governam, perante a lei e conforme o comando constitucional.

Como se percebe instintivamente, ao ver os resultados da investigação criminal efectuada pelo MP coadjuvado pelas polícias, com destaque para a Judiciária, não se tem verificado a aplicação prática do princípio. E quando tal se prepara para poder ser posto em prática, correctamente, aparece logo quem o denegue com eficácia, respaldando os detentores do poder político numa rede intransponível para a investigação. Seja no MP, sede do poder de investigação criminal em Portugal, seja mesmo no seio dos juízes dos tribunais, sede de aplicação de um dos poderes do Estado, o poder judicial. E se tal falhar por qualquer motivo prosaico como o caso do Face Oculta em…

O tudólogo já comentou

A SIC, para comentar o caso Freeport e a "guerra" no MP, não arranjou melhor comentador do que...Miguel Sousa Tavares que em directo da praia, com barulho de talheres em fundo, comentou e expeliu uma série de dislates.

Miguel Sousa Tavares é useiro e vezeiro no uso da asneira como comentário. Mais uma vez, fez jus à fama. Até quando?

Um comentário pertinente

Coloco aqui um comentário de um anónimo que assina "Pisca":“1.É impressionante como as coisas realmente graves desaparecem do radar da sociedade portuguesa. Vamos lá fazer um exercício de memória: o Conselho Superior do Ministério Público considerou como provadas as pressões de Lopes da Mota sobre os procuradores do caso Freeport. A pena proposta foi de 30 dias de suspensão. Este caso começa a não fazer sentido logo aqui: se Lopes da Mota pressionou dois procuradores, a pena de 30 dias de suspensão é ridícula. Se Lopes da Mota pressionou dois procuradores no sentido de beneficiar José Sócrates, então a pena certa devia ser a suspensão definitiva.
2. O caso começa a fazer ainda menos sentido quando o advogado de Lopes da Mota dá a entender que as pressões vieram do próprio procurador-geral da República e da directora do DCIAP, Cândida Almeida. Como salientou um editorial deste jornal, uma coisa é certa no meio desta confusão: existiram pressões no sentido de benef…

A "listinha"

Por que razão se instalou esta guerra no Ministério Público? O jornal i de hoje apresenta as perguntas fatais que não foram apresentadas a quem de direito e que deveriam ter constituído o manual e guia da investigação, logo no início. O caso apresenta-se como de pura e simples corrupção, penal e política e se esta fica de fora da alçada do MP, aquela não.
Corrupção associada a tráfico de influências com relevo evidenciado em entrevistas de tv. Por isso mesmo, a investigação deveria ter seguido esse roteiro primordial, em total segredo de justiça, de modo rápido e com diligências eficazes que apenas a celeridade e o secretismo poderiam garantir alguma probabilidade de sucesso. Segundo se anuncia hoje nos jornais- Público, Sol e i- nada de relevante se fez nesse capítulo da investigação ao poder político e topo e quanto à alegada actividade de financiamento ilegal de partidos, arruma-se a questão como se carecesse de uma queixa que nunca foi apresentada. Como se o problema não estivesse …

O golpe no Ministério Público

Os jornais de hoje relatam o insólito que atingiu o Ministério Público em Portugal: o procurador-geral da República, cabeça desse mesmo MP, desmente os magistrados do caso Freeport e anuncia um procedimento de inquérito para apurar a actuação processual dos mesmos, nesse processo.
Tudo por causa de uma parte do despacho de encerramento do processo em que se refere a ocorrência de uma "ordem" ou "instrução" ou mesmo "recomendação", ou até "aviso de atenção", no sentido de o processo estar concluído até 25 de Julho.
Tal "instrução" teria partido, segundo o Público de ontem e o Sol de hoje, do próprio vice-procurador geral da República, Mário Gomes Dias que assim teria assinado um despacho com data de 4 de Junho. Incidentalmente, este magistrado do topo da hierarquia do MP estará em situação de ilegalidade, no exercício de funções, desde o momento em que perfez 70 anos ( em 15 de Junho último) e segundo o Sol, um administrativista de prestí…

Uma vergonha mais

Está neste momento na SIC- Notícias a falar abertamente sobre o processo Freeport, uma advogada. Apontando provas, elementos e circunstâncias do processo, criticando abertamente a investigação e adiantando factos que serão eventualmente usados na eventual instrução do processo.-
A advogada é apresentada como sendo de um dos arguidos.

Provavelmente esta advogada não conhece o seu estatuto. Espero que o bastonário Marinho e Pinto lho ensine através de um processo disciplinar.

Afinal, a mesma advogada esclarece que pediu autorização à Ordem para poder falar "à vontade" do processo.

Inadmissível! Escandaloso e se foi o bastonário quem deu a autorização, precisa de um inquérito criminal por esse facto.

Isto é demais. Nunca visto.

Finalmente: obviamente a sonsa Ana Lourenço sabe muito bem onde sopra o vento e preferiu dar a voz à advogada de um dos arguidos, agora mesmo, a noticiar outras coisas e a fazer o que é normal no jornalismo que não é de causas: ouvir as pessoas com objectivida…

Demita-se, senhor Procurador.

Sic-Sapo:Em nota divulgada à comunicação social, o procurador-geral da República afirma-se surpreso com a necessidade de mais inquirições suscitadas pelos investigadores do caso Freeport.
Pinto Monteiro reagiu assim às notícias que davam conta que os procuradores encarregados do processo queriam ouvir o primeiro-ministro mas não tiveram tempo. O Ministério Público chegou mesmo a elaborar 27 perguntas para colocar a José Sócrates.Pinto Monteiro, como PGR, não tem competência legal e processual para investigar em processos de inquérito, salvo o caso notável de um inquérito ao primeiro-ministro que aliás e como se sabe, decidiu como decidiu: não abrindo inquérito e arquivando o expediente administrativo, escondendo o despacho até agora.

Não obstante, o PGR desmente hoje a notícia do Público que dava conta de que os procuradores do caso Freeport foram obrigados a encerrar o inquérito por indicação expressa do vice-PGR que segundo o Público teria indicado, por escrito e com data de 4 …

Pior que os gregos

Esta imagem é a de um papel que serve de protecção aos tabuleiros de um restaurante "pronto-a-comer", como vários que há na zona de "restauração" do museu Louvre, em Paris.
O local é literalmente infestado de turistas, presumivelmente em todos os dias do ano. Bichas para tudo e hordas de japoneses de máquina digital em punho pronta a registar os quadros e esculturas mais célebres.
Entre todas as línguas do mundo que foi possível recolher no papel, não houve espaço para o português, uma língua falada por vários milhões de indivíduos, incluindo os brasileiros que no Louvre vestem camisetas de futebolista. E no entanto, o grego lá figura...
Provavelmente o gerente do "restaurant du monde" nunca ouviu falar de um tal Pinho, o dos corninhos. Nem de um Basílio, Horta de apelido. E do Instituto de Turismo ainda menos.

Relativismos

O Público de hoje escreve na parangona da primeira página sobre a acusação do MºPº a "quatro administradores do BCP que vão a tribunal por manipular dados", incluindo Jardim Gonçalves, o ogre da banca portuguesa e que tem sido vilipendiado pelo comendador da Bacalhôa por causa do...vencimento. Os factos que atingem o banco, integram um crime que será muito discutível em sede de julgamento, segundo se pode ler na notícia e a matéria não é líquida nem sequer pacífica.

A revista Sábado noticiava que Ricardo Espírito Santo, pessoalmente e através de uma empresa em que participava, a Esger, organizou um esquema de fraude fiscal de vários milhões, com uso de offshores e prejuizo assinalável para o erário público.

A visão da Esquerda sobre estas matérias é interessante. Por arrasto, "a equipa de Jardim Gonçalves criou esquema para ultrapassar dificuldades de capital e assegurar expansão do banco" escreve o Público. "Mas a estratégia não correu bem", acrescenta…

E o dinheiro para quem foi?

Diário Digital:O líder do Governo destacou duas conclusões do Ministério Público: «primeiro, o MP concluiu que não houve quaisquer irregularidades no licenciamento ambiental do Freeport; segundo, o MP concluiu também não acusar quem quer que fosse, entre técnicos e dirigentes do Ministério do Ambiente, por corrupção, tráfico de influência ou outro crime qualquer».

Pois sim, mas até se saber o resto, as dúvidas permanecem:

A Polícia Judiciária (PJ) detectou o levantamento de meio milhão de euros em notas, durante a aprovação do projecto Freeport, mas não conseguiu descobrir a quem foi entregue esse dinheiro, noticia a revista Sábado na sua edição de hoje.

Efemérides com 40 anos

Faz hoje 40 anos que morreu Salazar. Na época, a revista Flama, ( a madrinha da geração da Visão e que teve vários jornalistas que depois passaram à "esquerda democrática", quando não à outra, mais popular...) publicou vários números sobre o assunto, com reportagens desenvolvidas do funeral. Como se poder ver (clicando nas imagens e ler por exemplo a ficha redactorial):

Não obstante, em finais de Julho de 1970, Salazar estava morto há quase dois anos e a vida continuava, com o destaque para a cultura popular e Joaquim Agostinho, como vencedor no ciclismo. Na música, os Beatles tinham acabado, mas o disco Let it be continuava a ser ouvido como devia. Porém, o single do Verão, saído em Maio, era In the Summertime, dos Mungo Jerry.



Salazar, no meio disto tudo? Um símbolo de um tempo que passou e cujos valores merecem ser ponderados outra vez, porque alguns deles fazem muita falta.

"A Justiça às ordens"

A revista francesa Marianne é hoje, talvez, o modelo de jornalismo que nos falta. Sem apego a grupos partidários e principalmente de escrita sempre atenta ao poder e ao governo de momento, tem sido em França, a par do sítio Mediapart, de Edwy Plenel, o oasis onde o jornalismo verdadeiro, de investigação e princípios solidificados, tem vicejado, para bem dos leitores e da democracia que torna os cidadãos mais iguais perante as leis, direitos e deveres.
O número desta semana, saído no passado Sábado, tem um artigo de opinião de um dos seus mais prestigiados jornalistas, Guy Sitbon, um decano do jornalismo francês, já septuagenário e que escreve como muito poucos se atrevem, sobre aquele princípio da igualdade de todos perante as leis.
A capa da revista desta semana é impressionante: "querem abafar o caso" é a frase que nunca, por cá, poderíamos ler em jornais ou revistas de "referência". Falta-nos o 24 Horas, para essa tarefa...

O artigo reporta-se ao caso Woerth/ Bett…

Sem comentários.

Apenas um comentário, afinal: o Ministério Público não pode ser isto. Se um qualquer magistrado do Ministério Público se atrevesse a fazer uma coisa destas, o Conselho Superior do Ministério Público teria intervenção eventualmente disciplinar. Não sei quem tem autoridade em Portugal para apreciar esta coisa extraordinária, porque o é. O presidente da República já demonstrou que se está nas tintas para isto, por motivos estritamente eleitorais.

O actual PGR embrenhou-se num labirinto de há um ano para cá. Sem fio de Ariane, estará convencido que o minotauro é de papel. O problema é que talvez seja mesmo isso e acabe por ser a imprensa a fazer o papel que as instituições democráticas não conseguem. O Sol já cita um advogado-Ricardo Sá Fernandes- que usa a palavra "arbítrio" para classificar a atitude do PGR. Daqui a pouco, a expressão passará a outra dimensão, porque a notícia do Sol, citada abaixo, já fala em crime, explicitamente. Para existir um crime, em certos casos, é …

O Estado desta Nação

O Expresso de hoje refere no artigo sobre o debate parlamentar que versou o Estado da Nação que o tema Justiça mereceu uma referência de...uma simples frase com 4 segundos, no total. E adianta que foi mais discutida uma frase de Fernando Pessoa do que esse tema.

Tivemos retórica, no Parlamento. Aliás, sobre a Justiça, há muito que se sabe que a discussão passa sempre por "unidades de missão" com objectivos precisos. O último foi o de acaparar processualmente, danos em certas classes dirigentes. A Justiça parlamentar não passa de uma retórica que as unidades de missão se encarregam de ajustar a leis de protecção que desvirtuam gravemente o princípio constitucional da igualdade de todos os cidadãos perante a lei.

O político Isaltino

Sol:

Isaltino «só não continuará a fazer o mesmo se não puder». Foi isso que se escreveu no acórdão que condenou Isaltino numa pena de prisão efectiva de dois anos, pelos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, cometidos já na década de 2000. A expressão " só não continuará a fazer o mesmo se não puder" é fatal para a credibilidade seja de quem for, mormente uma fígura pública, de político e autarca que já foi ministro. E magistrado do Ministério Público durante quatro anos. É um atestado de degenerescência cívica, ética e...fatal para a honra, seja de quem for. O que a Relação de Lisboa prognosticou numa sentença de colectivo, foi que Isaltino de Morais é corrupto moralmente, porque se puder continuará a defraudar o fisco e a branquear capitais, na Suíça, como foi o caso, ou noutro lado qualquer. Poderia fazê-lo? Sim, se o fundamentar devidamente, porque as penas aplicam-se também com base nesses critérios de culpa. No entanto, logo após esta sentença mortal para …

A Justiça de Hollywood

O Sapo, para ilustrar uma notícia destas, sobre justiça e tribunais, colocou esta imagem algo antonomásica no site:


Estes martelinhos nada dizem à Justiça portuguesa porque são de proveniência anglo-saxónica. Não se sabe por que razão particular, a não ser de parolismo rangeliano, um destes artefactos foi usado por um juiz jubilado, Ricardo da Velha, um velho mação bonacheirão que assentou banca, a simular julgamentos, no programa O Juiz decide, na SIC dos primórdios.

No programa, o juiz ataviado de beca bem portuguesa, eventualmente a que lhe servira enquanto Conselheiro, usava com discrição o martelinho para sublinhar o encerramento da "audiência" e foi essa imagem que ficou no imaginário de muita gente, a par daqueloutras veiculadas pelos filmes de procedência hollywoodesca.

E tem sido assim a imagem da Justiça portuguesa que os media passam: desajustada, irreal, desfocada do contexto nacional, desequilibrada na balança das demais instituições do Estado e virtualmente in…

A golpada

Pedro Lomba escreve hoje na última página do Público um artigo sobre aquilo que designa, em anglicismo, os "rumores" sobre o banco BCP. Ou seja, os boatos que atingiram o coração do banco liderado por um grupo ligado ao PS. Cita um autor de Direito, Cass Sustein, que escreveu um livro intitulado Dos Rumores.

Na última parte da crónica escreve assim:

" Os rumores sobre a liquidez do BCP obrigaram a administração a publicar um desmentido formal e a apresentar queixa na PJ, para que o autor do boato fosse descoberto. Mas, se Susstein e a sua psicologia estiverem certos, o rumor de bancarrota do BCP tem um primeiro responsável: o próprio BCP. Por que nos é tão fácil acreditar num rumor letal como este, apesar de negado pelas autoridades? Porque esse rumor ajusta-se a tudo o que sabemos. A imagem pública granjeada pelo BCP tem sido a de um banco ao serviço do socratismo, a de braço financeiro do Governo que , com Vara no comando e outra gente ligada ao PS, ia a onda o GOverno …

A crise da Justiça

Sic:O caso da compra dos submarinos volta a estar no centro das atenções. A relação próxima entre uma procuradora do Ministério Público e o presidente de uma empresa determinante para a compra dos submarinos e para a investigação criminal pode pôr em causa os respectivos processos judiciais. A procuradora é uma das responsáveis pela investigação e ele o responsável pela empresa que fez as perícias para o Ministério Publico. Em causa estão questões de ordem legal, mas, sobretudo, de ordem ética e deontológica. O procurador-geral da República diz que desconhece toda a situação, mas que vai investigar.

Para comentar este assunto, a SIC convidou um juiz. Rui Rangel. Enfim.
Quanto à superiora hierárquica da referida procuradora-adjunta, a directora do DCIAP Cândida de Almeida, ameaçou a SIC com um processo...cível!!!

Há situações em Portugal que são insustentáveis e esta é uma delas.

As vagas no ensino superior

Ontem foi notícia o aumento de vagas no ensino superior para o ano que vem. Para o curso de Medicina, mais três vagas, ficando em 1660 no total e 1516 regulares.
Para o curso de Direito, há 1230 vagas, tendo aumentado desde 2008, ano em que eram 1190.

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, vociferou imediatamente que era uma "fraude": «O conselho que deixo aos jovens é que fujam dos cursos de Direito, procurem outros cursos, ou então vão continuar muitos anos depois de licenciados a viver à custa dos pais» .

Logo de seguida foi ouvido nas tv´s o ministro do ensino superior, Mariano Gago. Para o governante há ainda poucos licenciados em Portugal. Diz que há um milhão e que são metade do número que deveria existir. Daí que defenda o aumento cego das vagas e frequência do ensino superior. E por isso não está de acordo com Marinho e Pinto e até acha que os licenciados em Direito têm emprego em diversos sectores para além da magistratura e da adv…

A Justiça, segundo Germano Marques da Silva

Este artigo de Germano Marques da Silva, no Jornal de Notícias de hoje e publicado aqui, merece um comentário:

Não junto a minha voz aos muitos alarmistas que entendem que a justiça atravessa a maior crise de sempre, que está moribunda A crise da justiça é da sua própria natureza enquanto insatisfação na busca e realização do ideal que faz da Justiça uma virtude: vontade constante e perpétua de dar a cada um o que lhe pertence.
A crise da justiça participa da crise das demais instituições: da definição e hierarquização dos valores que deve realizar e da concordância prática da sua realização, sobressaindo para o comum dos mortais a transparência e a celeridade.A justiça deve ser transparente, deixando perceber os conflitos ideológicos que subjazem na definição do “suum” de todos e de cada um, desde a sua consagração em lei à interpretação da própria lei. Numa sociedade pluralista e dinâmica tudo ou quase é controvertido ideologicamente e tudo é precário como o são as maiori…

O jornalismo pinóquio

Depois de ontem ter parangonado que afinal o Pinóquio era outro, o jornal i de hoje dá-nos o desconsolo de verificar que o putativo boneco mentiroso pode muito bem ser outro que não o outro. O imputado de nariz elástico, um tal José Manuel Marques, ouvido ontem pelo i, considera-se muito justamente ofendido pelo facto de lhe terem aposto o apêndice irregular e extensível, uma vez que " a minha última interveção neste processo foi em Dezembro de 1999, numa questão que nada tinha a ver com o Freeport". A informação do i de hoje poderia ter sido recolhida a tempo de evitar a parangona de ontem? Claro que podia...mas não era a mesma coisa e o jornalismo tipo Inês Serra Lopes ( que se há-de fazer?) é assim mesmo: vive do efémero que permite parangonas. Mesmo que seja um jornalismo tipo pinóquio, com elasticidade suficiente para a meia verdade, retraída na meia-mentira apinocada. Um nariz de pinóquio, afinal não é um nariz? E o i não acaba hoje mesmo por confessar que ontem já sabia…

Afinal, havia outro... pinóquio!

"O Zézito já sabe que vocês estão aqui?"- Júlio Monteiro, tio de José S. para os investigadores da PJ e MP, em 22.1.2009, aquando da busca domiciliária, em Cascais, na sua luxuosa residência e conforme citação da revista Sábado da semana que passou.


Em França, o escândalo Bettencourt/Woerth/Sarkozy atinge a dimensão grave do assunto de Estado e o presidente da República é entrevistado hoje na televisão.

O assunto contende com o eventual financiamento ilegal do partido de Sarkozy, cerca de 150 mil euros, entregues pela multimilionária, para campanha eleitoral e por esta fugir ao fisco, incorrendo em fraude fiscal, sendo cliente de uma firma de consultadoria, quem tem como directora, a mulher de Woerth.
Por enquanto os factos são apenas indiciários e o visado Woerth , actual ministro do trabalho, proclama inocência a todo o custo.
Não obstante as revistas da semana passada e desta, capeiam assim o assunto, em todos os quadrantes, de um modo que a imprensa portuguesa não consegue …

O tempo da justiça helvética

Sapo:

O cineasta franco-polaco Roman Polanski «não será extraditado para os Estados Unidos e as medidas de restrição da sua liberdade serão suprimidas», anunciou hoje a ministra suíça da Justiça.
Desenvolvimento
A ministra Eveline Eveline Widmer-Schlumpf explicou hoje, numa conferência de imprensa em Berna, que as investigações não permitem excluir «vícios» no pedido de extradição americano.
O advogado de Roman Polanski e os embaixadores americano, francês e polaco na Suíça foram informados da decisão.
Os Estados Unidos pediram a extradição de Polanski, de 76 anos, para que este pudesse cumprir uma pena por um crime de abuso de menor pelo qual foi condenado há 30 anos.
O realizador foi detido em Setembro de 2009 ao chegar ao aeroporto de Zurique, onde ia receber um prémio no Festival de Cinema da mesma cidade, e encontrava-se em prisão domiciliar no seu chalé em Gstaad, nos Alpes suíços, à espera da decisão judicial.
A acção a que se reporta o motivo da detenção de Roman Polanski reporta-se …

Sousa Tavares, jurista de novela

Sousa Tavares escreve crónicas de página no Expresso. Sobre tudo, todos e o par de botas habitual e recorrente. Há poucos assim. Escreve livros e em tempos declarou-se publicamente "escritor". Vasco Pulido Valente fez-lhe o favor, nessa altura, de lhe mostrar que para se ser escritor é preciso algo mais que vontade.

Na crónica de hoje deambula por escrito sobre matéria de Direito que visivelmente não domina, mesmo sendo jurista e em tempos até advogado (!).

Escreve sobre o caso das queixas por difamação à roda do assunto Governo/TVI.
Começa por referir o "insólito" circunstancial de a queixa apresentada pela apresentadora do Jornal de Sexta " ter começado por dormir o sono dos justos durante oito meses num departamento errado, daí passando para as mãos de um delegado do Ministério Público e de um juiz, os quais, sem mais, tomaram a insólita decisão de requerer ao Parlamento o levantamento da imunidade parlamentar do PM para responder no processo".

Tirando à …

As firmas ganham sempre.

Económico:
Marques Mendes sustenta que a explicação é que "o primeiro-ministro está cada vez pior nas sondagens, está a perder popularidade todos os dias" e "pensou que bater o pé aos espanhóis era popular"."O primeiro-ministro não está a servir nem a PT nem o país. Está a servir-se da PT para tentar limpar a sua imagem nas sondagens", reforça.

"Quem o ouve, o primeiro-ministro, parece que o destino da pátria está dependente da presença da PT na Vivo. Isso é o cúmulo da demagogia. Há que dizer que há mais vida para além da Vivo. A Vivo não é o alfa e o ómega do nosso desenvolvimento", argumenta Marques Mendes, questionando o que ganha Portugal "se houver uma guerra jurídica que se arraste pelo tempo fora".

No seu entender, "quem vai ganhar são vários escritórios de advogados -- esses, sim, podem agradecer ao primeiro-ministro", de resto todos os portugueses perdem "se os investidores estrangeiros se afastarem de…

Alienação parental

Alienação parental, um conceito americanizado, e de outro modo aqui referido, pode muito bem ser isto:
Cristiano Ronaldo paid the surrogate mother of his baby son £10 million to stay quiet, according to reports.
It’s claimed the Real Madrid star stumped up the cash so the unnamed woman would keep the details secret AND give up rights to see the child.
A source told The Sun: “He paid nearly a year’s wages but it’s more than worth it. He’s called it the most expensive day of his life, but at least he has sole custody.”
Although the footballer only revealed the news at the weekend the boy was born on June 17 in the US.
It’s believed he’s being cared for by Ronaldo’s mother and sister in Portugal. Reports earlier this week claimed that the star’s Russian model girlfriend Irina Shayk knew nothing about the child until he publicly announced the news.
However new pics released today show Ron and Irina together in New York earlier this week, so she must have forgiven hi…

A realidade virtual do ensino português

Jorge Sampaio esteve há bocado na SIC, numa entrevista extensa sobre tudo, principalmente o país que temos e onde andou a "fazer política" há decénios.

Durante a entrevista repisou uma ideia cara a Guterres- a paixão pela educação. Noutro modo, Sampaio falou da "qualificação das pessoas", como objectivo fundamental e que foi de alguma forma menorizado em épocas passadas, assumindo a sua quota-parte de responsabilidade ( mas há uns mais responsáveis que outros, ainda afirmou).
Curiosamente, referiu que agora se está a fazer qualquer coisa entre nós, nesse capítulo, com os "cursos de profissionalização".
Saberá Jorge Sampaio do que fala e como são os tais cursos "de profissionalização" que compara com o ensino técnico de há 40 anos? Não sabe pela certa, ou pelo menos saberá tanto como a senhora Milú Rodrigues que foi ministra do anterior governo que está e que ainda há pouco defendeu as suas realizações educativas como o símbolo da excelência em cur…

Cantar de galo

Ontem, Domingo, Vasco Pulido Valente gastou o espaço da sua crónica do Público a escrever sobre o seu desaguisado com a cronista Clara Ferreira Alves que nunca nomeia, mas fraseia como "jornalista da casa Expresso".
A crónica merece leitura pelo pitoresca descrição da condição de arguido, de réu, na expressão desbotada do cronista.
Depois de narrar as vicissitudes de um opróbrio que se estendeu por quatro anos que e que a final se esticam para cinco "de humilhação, de insegurança e de angústia", Pulido Valente, arranca umas boas risadas ao leitor desprevenido, descrevendo o ambiente do tribunal:

"No tribunal, o réu é tratado como um leproso. A lei reserva para ele uma espécie de capoeira, que o separa da gente presumivelmente honesta. Ainda por cima, só pode falar de pé, enquanto a acusação e os magistrados falam sentados, com a dignidade que sem dúvida merece. A simples posição no espaço nega infelizmente ao réu a presunção de inocência, que a lei lhe atribui, …

O culpado foi o mordomo

Segundo vai sendo notícia, na França de Sarkozy corre um escândalo político de contornos difuos e ao mesmo tempo paradigmáticos. Um ministro de grande prestígio e confiança do presidente, Eric Woerth, é suspeito de encobrir uma fraude fiscal atribuida à maior ricaça do hexágono, Liliane Bettencourt, cabeça de casal da L´Oréal. Como isso? A mulher de Woerth é conselheira financeira e fiscal da milionária, numa forma que gere a fortuna desta. A firma, de aconselhamento e consultadoria, da qual é directora, esqueceu-se de aconselhar a declaração às finanças gaulesas, de dinheiros e uma ilha que aquela detém no Pacífico. Esse pequeno esquecimento não devia ter sucedido e a mulher de Woerth é suspeita de ter dito qualquer coisa sobre o assunto ao marido, em conversas particulares, está bom de ver, eventualmente de pé-de-orelha. O ministro nega tudo, apresenta-se como incorruptivel e de honestidade a toda a prova e acima de suspeitas de conversas de pé-de-orelha. Como é que tudo isto se soub…

Igualdade dos cidadãos perante a lei

TSF:

O Ministério Público decidiu encerrar o inquérito ao primeiro-ministro, aberto na sequência de uma queixa de Manuela Moura Guedes. O Ministério Público decidiu, este sábado, fechar o inquérito a José Sócrates, aberto na sequência de uma queixa da jornalista Manuela Moura Guedes, por considerar que as afirmações relativas ao "Jornal de Sexta" não constituem crime de difamação.

«Só devem ser realizadas diligências em inquérito quando existirem indícios da prática de crime, (...) o que, no caso, não acontece», refere a decisão divulgada este sábado às redacções.

O Ministério Público entende que «as expressões alusivas ao ?Jornal Nacional de Sexta? da TVI, que o denunciado proferiu na entrevista concedida ao Canal 1 da RTP e emitida em 21 de Abril de 2009, não constituem o crime de difamação».Não há muito a dizer sobre esta decisão do MºPº e concordo com a mesma. O que me causa perplexidade é que não façam o mesmo em relação a outras queixas em que o P.M. tenha sido…

Acção de regresso

O jornal i de hoje noticia que o antigo presidente dos EUA, Richard Nixon, gravou conversas suas com Henry Kissinger nas quais manifesta a vontade explícita de "dar um chuto no traseiro" de Slavador Allende, então eleito presidente do Chile e cuja política de nacionalizações das minas de cobre e outras punha directamente em causa algumas empresas norte-americanas, nesse início da década de setenta do século que passou.
As gravações, agora desclassificadas, foram efectuadas pelo próprio Nixon, na Casa Branca, num gravador Sony, como este:

A história destas gravações pode ler-se aqui. Começaram em 1971 e prolongaram-se até 1973. Se não tivessem existido, Nixon, provavelmente poderia ter continuado a mentir ao povo americano, sem consequências legais ou políticas de relevo.
No entanto, foi o próprio Nixon que se descaiu, por ocasião do escândalo Watergate, ao citar de modo extenso e ipsis verbis, algumas conversas mantidas com outros intervenientes o que levou a desconfiar das gr…