domingo, 17 de outubro de 2010

O confiscador-mor

"Os meus erros guardo-os comigo", afirma Teixeira dos Santos em entrevista ao Público de hoje.

Em explicação mais detalhada, acrescenta que "haverá um tempo em que deixando passar aquilo que podemos chamar a espuma do tempo, podemos também ganhar o distanciamento e a objectividade que muitas vezes o nosso envolvimento nas coisas recomenda que não o façamos nesse momento."

Portanto, temos uma admissão de erros que ficam guardados no cofre pessoal mas que são sofridos por milhões de pessoas que não têm direito a saber desses erros que afinal fazem mais lembrar a frase daquele que proclamava que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava.

Entretanto, ad perpetuam rei memoriam, fica a lembrança deste incrível ministro das Finanças, confiscador-mor do governo deste Inenarrável, numa notícia que já tem dois anos:

Teixeira dos Santos foi considerado o pior ministro das Finanças pelo Jornal Financial Times, que avaliou o desempenho dos responsáveis das Finanças de 19 países da União Europeia.
O melhor ministro foi o da Finlândia.
O Financial Times teve em conta os indicadores económicos de cada país e a opinião de um painel de especialistas.
Ao ministro português foi atribuída a pior «performance» política, revelando um fraco perfil a nível europeu.
Teixeira dos Santos está também entre os ministros europeus com o pior desempenho a nível macroeconómico, ainda assim melhor do que os ministros espanhol e britânico.
Apenas na apreciação relativa à estabilidade é que Teixeira dos Santos consegue uma posição melhor - a 11ª entre os 19 países deste ranking.
O melhor ministro das Finanças é o da Finlândia que ganhou pontos graças à estabilidade do sistema financeiro e ao equilíbrio orçamental.

Na altura, este confiscador-mor não se envergonhou muito e até desvalorizou o assunto, sobranceiramente. Agora, vê-se pela performance o acerto daquela classificação, o que não o incomoda minimamente, porque é assim mesmo, de modo arrogante e necessariamente estúpido: "os meus erros guardo-os comigo".
Pois, mas o problema é que a consequência dos mesmos não o atinge só a ele, como devia.

2 comentários:

joserui disse...

Isto de dizer que não têm vergonha já começa a ser pleonástico.
Repare-se no comportamento desse do "há vida para além do déficit"; do comportamento do grande ex-governador Constâncio, um autêntico cúmplice; esta fraude de ministro das finanças, no seu comportamento vergonhoso antes das eleições, como ajudou a descredibilizar Manuela Ferreira Leite, completamente a soldo dos interesses das ninhadas de ratos.
Até o fabuloso mecenas que o regime tem e merece, o tal de Berardo, veio declarar que temos sorte em ter um líder como o inenarrável.
Como tenho dito, isto de ser inenarrável dá muito trabalho e necessita dos préstimos generosos de mesmo muita gente. Todos cheios de vergonha. Siga a marinha. -- JRF

Mani Pulite disse...

A ESTE CAVALHEIRO E AOS OUTROS DO GOVERNO APLICAM-SE OS ARTIGOS 21 E 22 DA CONSTITUIÇÃO-DIREITO DE RESISTÊNCIA E RESPONSABILIDADE DAS ENTIDADES PÚBLICAS.PORTUGUESES EM GERAL E MAGISTRADOS EM PARTICULAR,LEIAM E APLIQUEM.

Dura lex, sed latex