quarta-feira, 30 de março de 2011

Basta!

Na SIC-Notícias neste momento, José Ferreira entrevista Avelino de Jesus e Carlos Moreno. Este, antigo juiz do tribunal de Contas e em tempos gozado pelo palerma do Câmara Corporativa ( um blog inenarrável) acaba de dizer coisas sobre as parcerias público-privadas que deixam indícios fortíssimos de fraude nas negociações, por banda do Estado.

É preciso saber quem foram os negociadores, concluir a amplitude do escândalo ( e Carlos Moreno sugere uma auditoria para se ver qual o valor que o Estado terá de pagar) e organizar um inquérito criminal para se punir com penas de prisão quem cometeu tal desfaçatez. E ir ao bolso dos prevaricadores se tal for provado.

O próprio entrevistador disse que "é um escândalo" ao saber que os encargos que temos de pagar por esses erros notórios, agora apontados por Carlos Moreno e outros, todos derivados de sobreestimação de receitas, são da ordem dos milhares de milhões.

O negócio das parcerias público-privadas devia ser investigado criminalmente pelo DCIAP. Mesmo que Pinto Monteiro entenda que não se devem resolver problemas políticos através de inquéritos judiciais.
Aqui não se trata disso. Trata-se de um assalto ao contribuinte em números inimagináveis. Em favor de alguém e de alguns que é preciso determinar quem são. E quem calculou as receitas etc. sabia ou devia saber muito bem o que estava a fazer. É preciso saber quem foram, nome a nome, pessoa a pessoa e indagar o que fazem agora, onde estão e como é que foi possível cometerem uma coisa dessas de uma importância maior que o problema do BPN.

Quem se preocupa em fazer um inquérito relâmpago e com uma actuação digna de mérito no caso do pagamento à mulher do ministro, deveria de igual modo organizar rapidamente um inquérito com apreensão de documentos nos respectivos ministérios, antes que desapareçam, porque o valor do "abuso de poder", aqui não são 72 mil euros. São mais de dezenas de milhar de milhões. Sao biliões de euros que todos teremos de pagar por causa da decisão de alguns, muito poucos. O escândalo da antiga JAE, comparado com isto, é um jogo de crianças. Uma brincadeira. É isto que nos vai arruinar nos próximos anos e foram poucos, muito poucos os autores deste escândalo inominável.

Temos o direito de saber quem são. Não podem ficar no escurinho do cinema a chupar drops de aniz...
BASTA!

3 comentários:

joserui disse...

Eu estive a ver isso. Interrompi o meu jazz-zinho para ouvir isso.
"E quem calculou as receitas etc. sabia ou devia saber muito bem o que estava a fazer."
São tolinhos sempre para o mesmo lado. E repare, que essas ainda nem tinham arrefecido e já nos encalacraram com o TGV, pelo menos em parte. E consta que vão começar a correr os pedidos de milhões.
Agora o que não entendo e muito com base no que leio aqui é o seguinte: como é que o José ainda fala em "organizar um inquérito criminal para se punir com penas de prisão quem cometeu tal desfaçatez. E ir ao bolso dos prevaricadores se tal for provado." Tem exemplos disso? Acha mesmo que é possível? Sem correr com esta tropa toda a canhoeira? Não percebo. -- JRF

JC disse...

Comungo da dúvida do joserui.

Quem vai tomar a iniciativa de abrir o tal inquérito?
O que é preciso fazer-se para a investigação ter o seu início?

É preciso que alguém escreva uma denúncia para obrigar quem de direito a abrir a investigação?
Será que quem tomou a iniciativa de instaurar o inquérito ao caso da mulher do ministro da justiça ouviu o programa de ontem?

A governação deste "inenarrável" é um verdadeiro caso de polícia.
Cometeram-se crimes atrás de crimes durante estes seis anos de governação.
Foi um verdadeiro assalto às Finanças Públicas.

E temo que a reacção a tudo isto se vá ficar por uns escritos em meia dúzia de blogues e umas denúncias em dois ou três programas televisivos que passam a horas tardias e em canais de reduzida audiência.

Carlos disse...

Também vi o programa - petrificado!

Subscrevo por inteiro em "post" do José.

P.S.:para manter a urticária activa em muitos comentadeiros, sugiro: "Na ruela da má fama, faz negócio o charlatão, vende perfumes de lama e aneis de ouro a um tostão..."
José Mário Branco e Sérgio Godinho