terça-feira, 19 de abril de 2011

A direita fictícia que a esquerda acapara

O Público de hoje titula na primeira página: "Negociações para ajuda externa só serão feitas com oposição à direita."

Esta frase é um vício de esquerda com a confusão do costume. A tal "direita" é o PSD e provavelmente o CDS, tidos como partidos de ala destra. Ora tais partidos são tão de direita como o PS. São social-democratas, essencialmente. A prova disse reside nessas duas figuras recentes que foram, segundo este critério espúrio, notoriamente de "direita": Basílio Horta e Freitas do Amaral.

O primeiro até chegou a ser um candidato dessa tal noção de "direita" e o segundo, saiu do seu centro rigoroso que aquela esquerda nunca se cansou de apontar como sendo de direita, para um partido socialista que todos querem aconchegar na esquerda quando chega a hora de votar pelos desgraçadinhos que elegem em maioria.

Portanto, a lógica do Público é a de uma Esquerda que nunca dorme. Tal como a ferrugem. A directora do jornal, como é óbvio, não conhece outra taxinomia que esta e outros comentadores seguem o rasto do equívoco.
A expressão "social-democracia" deixou de aparecer no registo do politicamente correcto e a confusão de conceitos que grassa serve-lhes às mil maravilhas, porque deixa a uma esquerda fictícia o papel que é reservado aos que têm razão política: a defesa da igualdade, solidariedade, democracia mais representativa, etc.
Esse equívoco não convém ser questionado porque retiraria à esquerda fictícia o monopólio dessa grande reserva de votos, deixando-os ao deus-dará da outra esquerda real e sem ficções, a comunista troglodita e anacrónica, sem paralelo na Europa.
Se os partidos portugueses "de direita" fossem simplesmente classificados como social-democratas, o que verdadeiramente são, retirariam ao partido de esquerda fictícia a possibilidade de se diferenciar e assumir o que verdadeiramente é: um partido jacobino em que realidade e essência de esquerda há muito tempo foi escondida na gaveta para apenas se mostrar em épocas eleiçoeiras e apenas em modo retórico.

7 comentários:

Floribundus disse...

do meu tempo da real república dos galifões
«dizia o poeta Acácio
na sua rima bruta,
que a puta é filha da vida
e a vida é filha da puta»

zazie disse...

Mas os responsáveis por estas tretas também são os psds e cdss e neotontos à boleia.

Agora é Esquerda e Direita e mais nada. Pelo meio também conseguem chamar socialista ao modelo da social-democracia, ao mesmo tempo que chamam liberais aos sociais democratas.

ehehhehe

zazie disse...

E o José ponha-se a pau que ainda acaba na Festa do Avante.

":O))))))

joserui disse...

Zazie tem razão, claro. Isto também vai até onde a incompetência desses partidos deixa. Que esforço fazem para se descolarem dessa direita fictícia? Nenhum. E para colarem o PS ao que realmente é? Nenhum (às tantas têm medo de se ver ao espelho).
É como as "causas". A esquerda, designadamente o BE, toma conta de tudo que é "causa". Nenhuma "causa" é pequena demais. Os sociais democrtas andam demasiado ocupados com os grandes desígnios da nação. -- JRF

Wegie disse...

Concluindo é um grandessíssimo jogo de espelhos.

José Domingos disse...

O PSD e o CDS, de direita????????
Se é uma anedota, não percebi.

zazie disse...

Nota-se frequentemente que não percebe.

Um artigo obsceno de Rui Patrício