terça-feira, 7 de junho de 2011

A explicação do BE e do PCP que temos

Como se poderá compreender a Esquerda que temos, perante a génese que teve e que tenho procurado apresentar em modo ilustrado?

Como se poderá compreender que pessoas adultas, com formação superior e inteligência acima da média tenham embarcado nessa deriva ideológica de vulto e que conduziria os povos que nela acreditaram à desgraça económica mais evidente?

Como se pode compreender que ainda hoje, tais pessoas continuem a acreditar nessa mesma ideologia de massas com grande poder apelativo e continue a iludir as mesmas pessoas que se recusam a ver as evidências dos erros de escolha, apesar de todos os muros que cairam e das desgraças que se evidenciaram?

Há um autor que lhes era querido. Tanto que logo nos primeiros meses depois de 25 de Abril de 1984 veio cá, a Portugal, para conhecer e falar da Revolução. Nessa altura, os jornalistas de esquerda foram vê-lo e ouvi-lo, embasbacados por um discurso que estava em curso de execução em Portugal no PREC. Aqui fica uma imagem dessa visita, retirada da revista Século Ilustrado de 1975, com um texto assinado por um tal Dionísio Domingos:

Este mesmo Sartre, cinco anos depois, fez uma espécie de "testamento" político ao Le Nouvel Observateur, em três números que se publicaram em Março de 1980. Não tenho esses números originais, mas lembro-me muito bem de os ler e ver e querer comprar, tendo hesitado perante o pecúlio que tinha. Mas não tardou muito e O Jornal publicou por cá, também em três números, no mês de Abril desse ano, a entrevista. O texto que segue é da segunda parte dessa "entretien" com Benny Levy, "aliás o seu jovem companheiro ´Pierre Victor`" . A entrevista é sobre o "impasse" da esquerda e Sartre, neste texto diz o seguinte que é muito elucidativo:

"Em todo o caso a radicalidade sempre me pareceu um elemento essencial da atitude de esquerda. Se repelimos a radicalidade, quanto a mim contribuimos, e não pouco, para fazer morrer a esquerda. Por outro lado, a radicalidade, reconheço-o, conduz a um impasse. E Benny Levy faz-lhe o reparo: Não obstante, dissemo-lo, tanto tu como eu.
E Sartre: Sim, mas temos de reconhecer que nos enganámos. Deve executar-se uma acção, mas surge o momento em que é possível que, dada a pressão, do exterior, das outras acções, só possa prosseguir na sua direcção modificando-se um pouco, ou seja, aceitando o concurso de outras pessoas, de outros actos que não são originalmente da mesma corrente que ela. Por outras palavras, compromissos. Diremos então, se quiseres, que a radicalidade não é tanto o fim visado como a intenção de o alcançar; é a intenção como diria a moral de kantiana, que está em primeiro lugar, é ela que deve ser radical."

Esta passagem da entrevista de Sartre em 1980 é a explicação cabal para o nosso PCP e o nosso BE actuais...o engano está todo aí exposto e à vista desarmada.

2 comentários:

Floribundus disse...

nunca percebi porque razão Simone de Beauvoir, uma mulher com classe intelectual se babava por um maltrapilho das letras como sartre.

Simone
num dos seus diários toda a sua prosa se contorce para esconder que a tomada do poder por De Gaule foi um golpe de estado.

Bolota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.