quinta-feira, 21 de julho de 2011

Conivências e conveniências

Em 1981 A RTP então dirigida por Proença de Carvalho ( durante a qual José Mensurado lhe chamou Maquiavel à moda do Minho, seja lá isso o que for, mas sofreu as consequências disso) encomendou uma espécie de biografia do falecido Sá Carneiro e os autores do texto ( ler a imagem, clicando) receberiam cerca de 800 contos pelos "direitos de autor".
Nomes: Vasco Pulido Valente, que tinha sido secretário de Estado da Cultura e coordenador da AD em 1978-79; Vítor Cunha Rego que tinha sido secretário de Estado num governo de...Mário Soares e depois director do Diário de Notícias e embaixador em Madrid e ainda presidente da RTP, antes de Proença o ser. Finalmente, Francisco Sarsfield de Cabral, o mais modesto em cargos porque apenas jornalista especializado em economia e que ainda aparece nas tvs ( SIC- Notícias), tendo sido também coordenador da candidatura de Soares Carneiro.

A "oferta" de Proença de Carvalho, na época foi escandalosa pelo valor relativamente elevado para o trabalho a executar: cerca de 8 800$00 por minuto de texto...

Pergunta: como é que estas pessoas que foram objectiva e subjectivamente favorecidas do modo exposto podem ser isentas ou independentes sempre que um personagem do calibre de Proença de Carvalho salta para a ribalta dos media a defender a sua visão da Justiça, muito particular e dada a "responsabilizações" que passam sempre pelo controlo do MºPº pelo poder Executivo?

Resposta: não podem, sob pena de trairem essa memória antiga. E este é apenas um pequeno exemplo dos milhares de pequenas conivências que se cimentaram ao longo destes anos de democracia.
Portugal é um país pequeno onde todos se conhecem. Felizmente ainda há uns desconhecidos que podem escrever isto. Anónimos...

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