sábado, 6 de agosto de 2011

Dois problemas magnos

Estes dois artigos na mesma página do i de hoje resumem uma boa parte da nossa desgraça das últimas décadas e que devemos em grande parte ao jacobinismo associado à pura e simples corrupção no seio do aparelho de Estado, tomado, capturado por certos interesses tão evidentes que até dói como não há mais pessoas a ver com clareza e a denunciar com proficiência.

No da esquerda, um professor de Ciência Política em Yale, português, apresenta o panorama do nosso ensino superior tal como se evidencia menos para quem não quer ver. Resume tudo numa frase: " esta filosofia do ´o que é bom é ter um cursinho`é uma fraude social generalizada.O Estado aprova e financia cursos fracos ou desnecessários, que são leccionados por professores em muitos casos impreparados e desmotivados, e por onde passam alunos sem qualquer objectivo de crescimento intelectual."

O segundo artigo, à direita, é de um arquitecto e versa uma medida legislativa que foi entregue ao nacional-parecerismo que tomou conta do país desde o tempo de Guterres: o Código da Contratação Publica. Escreve assim sobre essa opus magnum da firma Sérvulo & Associados: " para o que ficou fora das excepções, o CPP revelou-se ineficaz, cheiro de truques, esquemas e burocracias descabidas. A sua aplicação transformou-se no pior dos pesadelos para as entidades públicas que procuram cumprir a lei. Se é certo que o CPP tem sido a galinha dos ovos de ouro de algumas empresas portuguesas- só a sociedade de advogados que o elaborou acumula 138 adjudicações desde Novembro de 2008- a troika não demorou muito a detectar a malandrice que impedias as empresas estrangeiras ( e a maioria das nacionais) a concorrer em Portugal."

Se estes dois problemas nacionais- o novo-riquismo educativo, bacoco e despesista e a corrupção de Estado- fossem debelados, teríamos um país decente.
Infelizmente, pelo que se tem visto nestas primeiras semanas de Governo, a vontade de acabar com isto não é grande.
É que alguns dos beneficiários directos destas coisas estão lá- no Governo. E não vão deixar que se perca a fonte de rendimento. Basta ver as declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional que os novos membros do Governo têm andado a apresentar...

4 comentários:

zazie disse...

«É que alguns dos beneficiários directos destas coisas estão lá- no Governo. E não vão deixar que se perca a fonte de rendimento. Basta ver as declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional que os novos membros do Governo têm andado a apresentar...»

Exacto. E como não tocam neles, vá de sacar nos impostos e nos aumentos de tudo e mais alguma coisa.

Mas o José vê isto porque é imparcial. Leia os outros palermas e veja como agora lhes dá para andarem a contar as migalhas mal gastas com os pobrezinhos.

Eu não suporto a escardalhada por ter criado esta mentira e dela viverem. E também não suporto os neotontos porque não se atrevem a tocar na corrupção e preferem andar com a luta de classes às avessas.

joserui disse...

Enquanto não se resolver o problema da educação, não vale a pena pensar em grandes futuros... era bom que os pais de hoje começassem a meter os pés na terra e a saberem que futuro está reservado para os filhos... mas infelizmente é o contrário... amigos meus professores têm de levar com os babosos paizinhos regularmente porque os calaceiros dos filhos tiram negativas... com a agravante que nem direcção de escola, nem direções de educação nem ministérios os suportam... ficam ao Deus dará a preencher relatórios justificativos... -- JRF

joserui disse...

Quanto à neotontice, de facto é de pasmar... a quantidade de continhas que fazem... só não fazem uma: a quantidade de pobres a trabalhar necessários para sustentar um só da classe dos privilégios que tanto admiram e alguns já lá chegaram, tudo de encosto liberalíssimo estatal... dos empregos às parcas reforminhas. Bardamerda. -- JRF

Zephyrus disse...

Em Portugal boa parte dos alunos deita-se às quatro ou cinco da madrugada em vésperas de dias úteis. Passam o tempo em festas académicas, no Bairro Alto, na Ribeira do Porto, etc. Fui estudante, conheci tal realidade. Estuda-se em diapositivos 3, 4 ou 5 dias antes do exame, fazem-se uns exames de anos anteriores e dá para o 10. Mesmo nos cursos mais exigentes e nas melhores faculdades isto é comum.

E depois faz-se Erasmus. E a realidade é outras. Antes da meia-noite a dormir. Acordar às sete, e aulas às oito. Sem atrasos. Estuda-se por livros, e pela tarde, os estudantes trabalham ou participam em actividades como trabalhar numa biblioteca, num laboratório, num coro, etc. É assim em Inglaterra, na Alemanha, na Finlândia, na Suécia, na Holanda...

Mas por cá, quando não se estuda, o que é a maior parte do tempo, fazem-se jantaradas e noitadas, vai-se ao ginásio, conversa-se, namora-se ou preparam-se as latadas de caloiros ou os carros da queima das fitas.

Então e as cábulas no nosso Superior? Uma vergonha. Isso e a fuga aos impostos com o negócio dos quartos e apartamentos para estudantes. Uma vez uma dinamarquesa ficou estupefacta quando lhe contei como os estudantes viviam em Coimbra. Consta que lá pela Dinamarca vive-se em residências, coisa que não abunda por cá.

Do ponto de vista intelectual, a maioria dos estudantes saem uns especialistas a memorizar sebentas e diapositivos. E preparados para a cunha na empresa municipal, na autarquia, no balcão do Banco onde trabalha o amigo do pai...