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A mostrar mensagens de Setembro, 2011

O circo mediático

Isaltino Morais foi preso ontem, por ordem de um juiz do tribunal de Oeiras que entendeu que a decisão que aplicou dois anos de prisão preventiva ao autarca, tinha transitado em julgado e portanto devia ser cumprido o tempo de prisão.

Hoje, o tribunal de Oeiras, decidiu em sentido contrário, libertando o arguido, justificando a decisão com base no princípio in dubio pro reo.

Como é que isto tem sido noticiado durante a tarde?
Assim:
A defesa de Isaltino Morais tinha recebido uma notificação do Tribunal de Oeiras onde referia que "se o arguido juntasse o original da certidão do TC a declarar que o recurso pendente no TC tem efeitos suspensivos" seria emitido um mandado de libertação do arguido.

A decisão foi tomada pela juíza Carla Cardador depois de uma reunião com o procurador do Ministério Público Fernando Gamboa.

No despacho da juíza do tribunal de Oeiras, a decisão foi fundamentada no princípio “in dubio pro reo” (em caso de dúvida, decide-se a favor do réu). O tribun…

Coelho e Cabrita

Sobre o caso Duarte Lima, o Público de hoje e o Sol, semanário de hoje, publicam reportagens "de capa".
O título do Sol é- " Brasil pode julgar Duarte Lima à revelia." O Público- "Duarte Lima é o único suspeito da morte de Rosalina no Brasil".
Se eu tivesse que comprar um carro usado a uma das jornalistas que redigiram as duas notícias comprava-o mais depressa a Alexandra Lucas Coelho do Público do que a Felícia Cabritado Sol. E no entanto, ambas estarão a dar conta do que sentem ao escrever. Mas há uma diferença de vulto: Lucas Coelho não exprime a sua opinião, neste caso. Se fosse o Casa Pia, porventura outro galo cantaria...o que diz muito do jornalismo nacional.
Em todo o artigo de duas páginas, quanto a mim exemplar, limita-se a relatar o inquérito da polícia judiciária brasileira, obtido à socapa, através de toupeiras, porque está em "sigilo de justiça", deixando ao leitor a incumbência de julgar os factos relatados. Utiliza mesmo os termos b…

A petite histoire das toupeiras

D.N.:

O funcionário da Optimus constituído arguido no caso da espionagem aos telefonemas do jornalista Nuno Simas tem uma ligação familiar com um dos espiões do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), para onde terão sido enviados os dados privados. E terá sido por essa relação que o quadro da operadora foi recrutado como uma das "fontes" daquele serviço de informação.
O caso da revelação da "fonte" está a levantar muitas preocupações nas secretas: o funcionário pode revelar outros dados fornecidos ilegalmente.

Portugal é um mundo pequeno onde os familiares se cruzam nos empregos públicos de nomeação por concursos à medida. Nas tais "secretas" então, omundo é mesmo pequeno como escreveria David Lodge.
Imagine-se que agora até lá estão os filhos do presidente do STJ e de um chefe das polícias do tempo de José Sócrates. Entraram por concurso, evidentemente.
O DN acha que a toupeira da Optimus foi "recrutada". O jornalista anda a ler muit…

A petite histoire do comendador

Crónica no Público de hoje, copiada daqui:

O comendador sem comenda
Por Pedro Lomba
As duas enormidades que passo a enunciar envolvem verbas diferentes e pessoas diferentes em peso e estatuto. Mas são ambas um impiedoso retrato de como o Estado português é, no limite, apropriável por pessoas particulares.
A primeira, que ainda não está inteiramente fechada, é o aumento da verba que o município de Lisboa – entidade, como sabemos, numa robusta situação financeira – se prepara para votar em benefício da Fundação Mário Soares. Além dos 50 mil euros anuais que resultam do protocolo assinado em 1995, a vereadora da Cultura da câmara propõe uma contribuição adicional de perto de 15 mil euros (Correio da Manhã, 28-9). Aparentemente, ninguém percebe a razão para esta súbita e crescente generosidade do executivo de António Costa. Trata-se de um problema simbólico. Sempre supus que, em época de cortes e contracção, seríamos todos obrigados a viver com menos. Manifestamente, há quem vá acabar por viv…

Um (admirável?) mundo novo

Daqui e por indicação do comentador AF:

Last spring, Dow Jones launched a new service called Lexicon, which sends real-time financial news to professional investors. This in itself is not surprising. The company behind The Wall Street Journal and Dow Jones Newswires made its name by publishing the kind of news that moves the stock market. But many of the professional investors subscribing to Lexicon aren't human—they're algorithms, the lines of code that govern an increasing amount of global trading activity—and they don't read news the way humans do. They don't need their information delivered in the form of a story or even in sentences. They just want data—the hard, actionable information that those words represent.

Lexicon packages the news in a way that its robo-clients can understand. It scans every Dow Jones story in real time, looking for textual clues that might indicate how investors should feel about a stock. It then sends that information in machine-readable f…

Alessio Rastani, o descarado

Em entrevista à emissora pública britânica BBC, Alessio Rastani, um corrector independente, dizia ontem que sonhava com a recessão global há três anos para fazer mais dinheiro.


A que propósito?!

Correio da Manhã:

Para além dos 50 mil euros anuais que "o Município está obrigado" a dar como "apoio financeiro" à fundação de Soares, acrescem mais 14.825 euros, propostos pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto – e que vão hoje a discussão e votação em reunião de Câmara.

O CM teve acesso ao contrato-programa, entre a CML e a Fundação Mário Soares, em que se adianta "a atribuição de apoio financeiro para o prolongamento, até ao dia 31 de Dezembro de 2011, da exposição ‘A Voz das Vítimas’, organizada pela Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória" e pela fundação de Soares.

O protocolo entre o município de Lisboa e a Fundação Mário Soares, que obrigava a um apoio anual entre 30 e cerca de 44.000 euros, foi assinado a 07 de Novembro de 1995, pelo presidente da Câmara, Jorge Sampaio, vigorando durante 10 anos, ou seja, até 2015.

Foi actualizado para 50 mil euros em Julho de 2010, pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, como "reconheci…

O governo das contas

Sol:
"A Direcção-Geral do Orçamento (DGO) proibiu todos os organismos da Administração Pública e as empresas públicas de assumirem qualquer despesa se não tiverem dinheiro disponível e reservado para o efeito (cabimentos). A ordem emitida numa circular, no dia 10 de Setembro, é acompanhada de um aviso: quem não cumprir sofrerá sanções políticas (se for o caso), disciplinares, financeiras, civis e criminais. Esta «responsabilidade pela execução orçamental» será, segundo o documento, aplicada tanto aos titulares de cargos políticos como aos próprios funcionários. A directiva, apurou o SOL, está a lançar o caos na Administração Pública, onde, devido à crise, a maioria das entidades já lidava com graves dificuldades financeiras. Muitas compras e pagamentos já estavam em atraso e foram agora suspensos."Vamos lá ver no que isto vai dar, mas a medida drástica é uma boa medida, a priori.No tempo de Marcello Caetano, no chamado "fassismo", era assim que se governa…

os atestados contra o jacobinismo

O Público de hoje dá um destaque a uma notícia de ontem: em cerca de quatro meses ( Outubro e Janeiro do ano corrente) foram passados mais de 70 mil atestados médicos a professores que assim justificaram as faltas ao serviço.

O ministro Nuno Crato considera a situação "preocupante" e supõe que possa existir "casos de infracção".
Ainda segundo a notícia, os médicos que passaram tais atestados andam à roda de 11 700, havendo algumas situações em que um só médito atestou 100 casos de doença.

Parece evidente que as pessoas agora muito preocupadas, incluindo o ministro, não percebem ou não querem dar a entender que percebem o que se passa em Portugal neste domínio. Qualquer profissional da função pública que pretenda uns dias de descanso por isto ou por aquilo pede e "mete" um "atestado médico" e assim justifica as faltas.
Mais: nas escolas, o "atestado" é uma prática tão consuetudinária que até os próprios professores e dirigentes escolares s…

São ratos, são ratos!

Sol:

A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) diz que não houve qualquer violação dos dados do ex-jornalista do Público por parte da TMN, no caso que envolveu a espionagem a Nuno Simas pelo Serviço de Informações Estratégica de Defesa (SIED).

A CNPD vai ainda mais longe e garante que «os telefonemas e SMS listados não foram feitos a partir do número de telefone da rede TMN, de que é assinante o jornalista Nuno Simas». Isto apesar de até agora nenhuma autoridade ter questionado a veracidade da lista divulgada pelo Expresso e que contém quer dados dos contactos do jornalista quer do cartão da Optimus quer da TMN.

Afinal não havia toupeira na TMN, ao contrário do que o Expresso andou a anunciar. Devem ser ratos...ao largo.

PS. O título é uma parágrafe a uma canção de Sérgio Godinho, antiga e cujo refrão é mesmo assim- "são ratos, são ratos; vivem escondidos nos nosso buracos..." Ou melhor: "Tem ratos, tem ratos, vivem escondidos nos nossos sapatos"... até …

Carlos Moreno e a corrupção de Estado

Entrevista ao i de Carlos Moreno, Conselheiro jubilado do Tribunal de Contas. Deve ler-se e perguntar-se porque razão o MºPº e a PGR não instauraram um inquérito criminal para a averiguar indícios muito graves de corrupção, nos negócios da parcerias público-privadas. Além do mais por causa desta simples afirmação: "Em todas as PPP que auditei há uma manifesta incompetência do sector público, e eu falo só de incompetência e desleixo, na negociação de contratos que são muito pormenorizados."

Esta afirmação, produzida ao longo da entrevista é a verificação factual de um fenómeno muitas vezes denunciado e nunca assumido como constituindo um indício claro de corrupção, porque os negociadores por parte do Estado não devem nem podem ser ingénuos ao ponto de comprometerem seriamente a viabilidade económico-financeira de um país.
Os indícios de corrupção, neste caso, residem muito simplesmente em saber quem negociou e como negociou e que vantagens económicas e mesmo financeiras obt…

O cardeal Policarpo

"O nosso ministério é de uma natureza e de uma ordem que pode ficar prejudicado se nós nos metermos na política directa como ela é feita hoje. Ninguém sai de lá com as mãos limpas. E, portanto, nós fugimos disso", afirmou José Policarpo, em entrevista ao Jornal de Notícias (JN).

Se isso assim é, a Igreja portuguesa devia dar o "testemunho" que se impunha desde sempre, denunciando os desmandos e a corrupção de alto coturno. Em vez disso, o cardeal Plicarpo preferiu fazer o jogo do poder político, particularmente o dois últimos governos de José Sócrates e do PS. Não mobilizou a Igreja contra o jacobinismo que sabe muito bem que foi preponderante e continua a ser na sociedade portuguesa e consta que pode pertencer a uma Loja.
O cardeal Policarpo é, assim, um hipócrita.

Vasco Pulido Valente e a geração dos sessenta

Ontem foi a vez do cronista Sousa Tavares expôr o seu excelso entendimento sobre a nossa História contemporânea. Não me interessa muito o que Sousa Tavares pensa sobre o assunto, a não ser para dar conta do panorama intelectual de certas figuras que ganham a vida a escrever em jornais e Sousa Tavares é uma delas, porque sempre figurou em fichas de redacção ou colaboração em jornais . É uma notória figura pública que tem acesso aos media e isso faz do indivíduo um alvo de atenção crítica.
Hoje é a vez de Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, dar a sua versão da nossa História contemporânea. VPV tem uma óbvia vantagem: é notoriamente mais inteligente e versado, instruído, que o truão de banalidades.
Por isso mesmo a sua versão sobre a nossa decadência merece maior reflexão- para mais tarde.
O mote de VPV é que a sua geração pouco ou nada teve a ver com a decadência...
Pois então iremos ver se assim foi.

Sousa Tavares e a História contemporânea

Vale a pena ler este pequeno artigo de Miguel Sousa Tavares, sobre os nossos últimos 30 anos. E os comentários virão mais tarde.

As toupeiras da catrina

O Expresso de hoje volta à carga nas "secretas" ( um termo cretino que por isso mesmo é usado e abusado no semanário). Escreve em cacha que foi apanhado o toupeira da Optimus que "espiou jornalista".
Segundo o Expresso, o toupeira foi descoberto pelos serviços da Optimus, porque foi nabo demais. Deixou pistas em todo o lado por onde passou e mesmo assim as provas recolhidas contra o mesmo serão circunstanciais, o que significa que se o mesmo negar ou confirmar em inquérito e negar em julgamento, será fatalmente absolvido se chegar a ser acusado. O crime, esse, o Expresso não enuncia porque interessa mais a este jornalismo de pacotilha dizer que " o suspeito arrisca-se a uma pena de prisão", sem esclarecer que nunca um tribunal aplicou prisão efectiva em crimes com moldura até um ano, como é o caso e que há elementos de prova que são proibidos nestes casos. Precisamente os atinentes a escutas que podem consistir em verificação do conteúdo dos procedimentos…

Festejar o quê?

Imagem do jornal Sol de hoje

"Os soldados disseram ao soba Ngana Katende que ordenasse a retirada imediata dos garimpeiros, sob pena de morte. Mas Pereira, que já tinha recolhido cascalho, queria lavá-lo antes de interromper o trabalho. Os militares arrancaram os paus que reforçavam a cobertura do buraco escavado em forma de túnel. fizeram-no desabar e foram-se embora. Lá dentro estavam 45 garimpeiros. ´As pessoas não tinham coragem de retirar os cadáveres`, contou Linda Moisés da Rosa, mãe de Pereira, um dos soterrados. ´Fomos à polícia. Estes mandaram-nos ir ter com as FAA ( Forças Armadas angolanas). Os militares correram connosco, com as armas, na unidade ao lado do Hospital de Cafunfo."

Este relato de factos ocorridos em Angola, em 5 de Dezembro de 2009, foi publicado no Público de Sábado, 17 de Setembro último. As duas páginas de reportagem e entrevista com o autor do relato, Rafael Marques, autor de um livro que intitulou Diamantes de Sangue lançado na semana passada e…

O Público e o jornalismo para quem é, bacalhau basta.

O editorial do Público de hoje mostra bem até que ponto se pode chegar no jornalismo "para quem é, bacalhau basta".
Sobre o relatório do SIRP que concluiu pela ausência de indícios de responsabilidade dos serviços no caso da consulta dos dados de tráfego do telefone de um jornalista, então naquele jornal, o/a editorialista escreve que tal "prova que não houve, por parte das secretas, o mínimo de vontade em apurar o que se passou".
E escrevem isto mesmo sabendo, e escrevendo-o, que "o inquérito de natureza meramente administrativa" ( colocam a expressão entre aspas certamente porque não a entendem na sua plenitude) não permitiu "proceder a diligências e aceder a meios de prova complementares."

Ora o que esperava o/a editorialista do Público com este inquérito de natureza administrativa? Que o instrutor procedesse a diligências proibidas no âmbito desse procedimento? Ao que se sabe houve apreensão de telemóveis e de computadores pessoais, no âmbito …

Quem cabritos vende...

A fonte é um antigo pasquim, por isso aqui vai com muitas reservas:
A história foi contada pelo secretário-geral da OCDE, o socialista mexicano Angel Gurría, durante a sua visita a Portugal na semana passada e tem como protagonista principal o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Gurría ficou mais espantado do que os políticos portugueses que a ouviram, deliciados com todos os pormenores num jantar em Lisboa.O cenário tem lugar à hora de almoço em Paris, mais precisamente num dos mais caros restaurantes italianos da capital francesa. As massas ali nunca custam menos de 100 euros por pessoa. A propósito da presidência polaca da União Europeia, que se iniciou em Julho e termina em Dezembro, o embaixador de Varsóvia na Cidade Luz, Tomasz Orlowski, tem convidado vários grupos de representantes diplomáticos e políticos para almoços e jantares.Há algumas semanas, Angel Gurría foi o convidado de honra de um destes repastos de relações públicas. Sentavam-se à mesa do embaixador Orl…

Um inquérito para inglês ver

Perante esta notícia de hoje que nos informa que 30 figuras de topo ( incluindo o PGR) tomaram conhecimento dos factos que integram indícios de um crime público que agora vai ser investigado formalmente, o que dizer sobre o inquérito instaurado e dirigido pelo DCIAP ( ao contrário do que seria habitual e corrente porque esta entidade não investiga crimes deste género com molduras penais até um ano de prisão)?
Este inquérito surge, aparentemente, por pressão mediática, mesmo depois de se saber que tem todas as probabilidades de não conduzir a qualquer acusação e muito menos a qualquer condenação.
Só não é um acto inútil porque permite alimentar o circo mediático e questionar a razão pela qual não foram abertos outros inquéritos que se impunham por maioria de razão e por factos amplamente divulgados no mesmo circo mediático. Mas ainda vai a tempo...pelo que se deve questionar também se não vão ser abertos inquéritos por factos idênticos e de natureza ainda mais grave. Afinal, conduzir …

As virgens ofendidas: já chegamos à Madeira!

TSF:


Um antigo juiz do Tribunal de Contas diz não perceber o alarido que rodeia a questão do buraco orçamental do Madeira, depois de terem surgido outras dívidas do género em Portugal.
«Este coro, diria de virgens enganadas, que agora surge a apontar o caso excepcional da Madeira, mas não é do que as antigas virgens que, duma forma habilidosa, esperta e dissmulada, criaram outras dívidas que têm custado imensos sacríficos aos portugueses», disse Carlos Moreno.
Em declarações à TSF, este ex-juiz do Tribunal de Contas, que exerceu funções nesta instituição durante 15 anos, disse ainda que não ficará surpreendido se aparecerem outros buracos orçamentais em Portugal.



Assim que aparecerem os buracos financeiros que andam por aí escondidos em empresas, fundações e outras instituições, os seus dirigentes, fundadores e representantes, virarão a cara para o lado, como se nada tivessem a ver com o assunto.
Entretanto, a Madeira serve-lhes às mil maravilhas para verem o argueiro...
O jornalismo casei…

Novas do jornalismo "para quem é bacalhau basta"

R.R. ( esta emissora deve ter recrutado os seus jornalistas na antiga feira das cebolas):

O processo cível do Banco Português de Negócios (BPN) contra os ex-administradores Oliveira e Costa e Dias Loureiro foi travado.

A juíza da 11ª vara cível de Lisboa considerou o tribunal incompetente para analisar a questão que envolve um pedido de indemnização de 42 milhões de euros do banco a seis antigos gestores, entre os quais Dias Loureiro e Oliveira e Costa.

A notícia, avançada hoje pelo jornal “Correio da Manhã”, refere que a magistrada entende que esta é uma questão para o Tribunal do Comércio.

A administração do BPN já apresentou recurso no Supremo Tribunal de Justiça.

Portanto, é assim: uma incompetência em razão da matéria, determina a travagem de um processo. "Travar" é a expressão conotativa de uma aleivosia e simultaneamente de uma malfeitoria. O Correio da Manhã até a colocou na primeira página de modo que quem lê interpreta logo o sentido literal da expressão...
É este…

A falência da democracia da oligarquia partidária

Económico:
O presidente da Jerónimo Martins diz não ter dúvidas de que Portugal é hoje um País falido. "Estamos falidos e quando se está falido, está-se falido. Não vale a pena andar-se a discutir. A única coisa a fazer, todos em conjunto, é não assistir a este espectáculo triste de nos estarmos sempre a queixar na televisão, mas darmos as mãos e recuperarmos o país a trabalhar", argumentou hoje Alexandre Soares dos Santos durante uma conferência promovida pela AEP, em Lisboa.Em Abril de 1974 o país não estava falido, tinha guerra em três frentes e a democracia era uma esperança, mas o regime que tínhamos era mais democrático do que por exemplo o de...Angola, actualmente e que não é devidamente denunciado por estes democratas de pacotilha que temos.
Quem faliu Portugal? As forças políticas dominantes que foram escolhidas em eleições livres de constrangimentos que havia dantes, como por exemplo a proibição de partidos comunistas.
Quem dominou esses partidos? Foram os ind…

O jornalismo do "para quem é bacalhau basta."

O "professor Marcelo" na TVI, hoje, teceu considerações sobre o caso da Madeira e do facto do presidente do governo regional ter omitido informações sobre as contas públicas. Disse, como é natural e após a PGR ter admitido que o caso seria investigado criminalmente, que poderia haver responsabilidade criminal, mas no seu entender, tal como no de José Sócrates, não haveria dolo e portanto, nem haveria crime.
O que fez a redacção da Rádio Renascença? Isto:
Ao confessar que omitiu informações sobre as contas da Madeira, Alberto João Jardim corre o risco de ser processado criminalmente, diz Marcelo Rebelo de Sousa.

Nem se deram conta que o facto de haver um processo crime, de inquérito, implica já o tal facto de ser "processado criminalmente".

É mais um exemplo do jornalismo "para quem é bacalhau basta".

O saber dos jornalistas: para quem é, bacalhau basta.

O Provedor do Público, um esquerdista bem pensante, escreve hoje sobre o saber dos jornalistas. Começa logo por dizer que o jornalismo "é um ofício em que se aprende um pouco de tudo, sem se ficar a saber muito de nada. Grande parte dos profissionais é polivalente tem de se informar e informar diariamente o público sobre temas da mais variada natureza- e, mesmo nos casos em que se especializa numa área temática, não dispõe geralmente de uma formação específica prévia."

O Provedor acha que tal se compreende porque "as redacções não são formadas por especialistas nos vários domínios do saber e o que se espera de um bom jornalista é que seja um bom mediador de informação e um bom avaliador do seu interesse noticioso. Compete-lhe, em geral, descodificar situações, problemas, controvérsias ou acontecimentos que podem apresentar diferentes níveis de opacidade ou complexidade para a generalidade dos leitores."

O leit-motiv do artigo são as críticas dos leitores informados…

D. S-K não foi julgado, mas os franceses não o querem na política

Económico:

Strauss-Kahn dá esta noite a primeira entrevista desde que foi detido por suspeita
de abuso sexual. Os franceses não o querem na política.

Segundo a sondagem, cerca de 20 por cento dos franceses inquiridos querem que D.S-K regresse à política como se nada se tivesse passado.
Por cá, a opinião que mais me impressionou sobre este "affaire" foi a de Manuel António Pina. Aqui há uns tempos na sua coluna de opinião no JN defendeu a inocência de D.S-K como se o seu não julgamento equivalesse a uma absolvição e a uma condenação da vítima.
Tal como aconteceu com certos figurões do PS em relação ao processo Casa Pia.

PS: Entretanto já se conhece o conteúdo da primeira entrevista de D.S-K. Diz que teve "uma fraqueza moral". Claro que não admite a violação ou tentativa da mesma. Foi apenas a tal "fraqueza moral"...o que fica ao critério dos intérpretes. "Fraquezas morais" deste calibre, parece que teve várias. No outro dia confessou que tentou beij…

A fraude fiscal ambiente e a corrupção oculta

Este apontamento no Público de hoje, da autoria de José António Cerejo, dá conta de uma investigação do jornal, no ano de 2001, sobre um fenómeno tão corriqueiro e corrente como o do estacionamento em lugares proibidos: a fraude fiscal traduzida em ocultar ao Fisco o valor real das transacções imobiliárias, a fim de pagar menos imposto de sisa ( hoje IMT). Duvido que haja algum português que tenha comprado casa e não tenha pelo menos ponderado a hipótese de enganar o Fisco com base num raciocínio que a Criminologia estudou como um fenómeno clássico de justificação da conduta pela circunstância de o Estado se comportar como explorador fiscal sem limites para a voracidade.

O caso citado pelo Público é isolado e parte de factos que suscitaram a atenção do jornalista por motivos óbvios: um vereador de uma Câmara municipal comprou dois apartamentos a um empreiteiro, declarando um preço notoriamente abaixo do custo real. O vereador comprou a um empreiteiro de "regime", que por su…

Já cá faltava mais esta...

EconómicoO Procurador Geral da República (PGR) vai analisar se houve violação da lei de crimes da responsabilidade de titulares de cargos públicos. O PGR vai analisar a omissão de dívida da Madeira revelada pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística que ascende a 1.113 milhões de euros e levará à revisão dos défices entre 2008 e 2010.

Em coerência deveria a PGR analisar também se houve tal violação na última legislatura em que José Sócrates foi primeiro-ministro. Porque não o fez?

O saber não ocupa lugar

José Pacheco Pereira passa hoje no Público uma página inteira a escrever bacoquices com ar de muita seriedade.
Diz que leu na Focus que a GNR chega ao pé de um/a automobilista e não tem mais aquelas: pede-lhe a identificação dos cd´s que leva no carro e pede-lhe para deixar ver as etiquetas da roupa. Tudo em nome do combate ao crime de contrafacção...
Duas coisas: nenhum GNR pode fazer buscas no interior de um veiculo sem mandado judicial respectivo ou pelo menos do MºPº ou da autoridade de polícia ( comandante, só e apenas se o caso for urgente e de importância específica, tráfico de droga por exemplo) onde constem obrigatoriamente as razões concretas da suspeita para tal acto processual ( só no âmbito de um inquérito penal é admissível e por isso mesmo nem sequer o director do SIED ou lá quem foi tem autoridade para fazer buscas no serviço e apreender computadores como parece que terá feito...).
Segunda: o crime de contrafacção, desde 2003, depende de queixa das entidades ofendidas,…