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A mostrar mensagens de Novembro, 2011

Ao cuidado da Sorbonne...

Sapo, citando o Público:

A notícia é avançada hoje pelo jornal Público que teve acesso ao dossiê e fotografou vários documentos originais.

O antigo dirigente da Universidade disse ao jornal que tem o processo de José Sócrates desde “muito antes” da abertura do inquérito judicial que, em agosto de 2007, concluiu não ter havido “qualquer crime de falsificação de documento autêntico” na obtenção da licenciatura.

O processo é constituído por um conjunto de 17 documentos e se Rui Verde tinha, de facto, o processo em mãos, a procuradora-geral adjunta Cândida Almeida e a procuradora-adjunta Carla Dias estiveram a investigar o processo com base em fotocópias e não em documentos originais. Essa informação não foi, contundo, confirmada ao jornal.

A análise detalhada dos originais detidos por Rui Verde mostra pequenas diferenças de conteúdo relativamente às cópias tornadas públicas há quatro anos.

Dois comentários: este senhor Verde não amadureceu a ideia de denunciar uma aldrabice mais cedo do que p…

Marinho e Pinto já não gosta dos tribunais arbitrais

Diário Digital:


O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, classificou hoje os tribunais arbitrais como «uma verdadeira escandaleira», em que «o Estado perde sempre», mas lembrou que «a ministra da Justiça é sócia fundadora da Associação Portuguesa de Arbitragem».
«É uma verdadeira escandaleira, uma justiça clandestina, em que o Estado perde sempre e o privado ganha sempre», referiu Marinho Pinto, durante um jantar de rotários, em Esposende.
Disse ainda que através das arbitragens se legitimam negócios que configuram «verdadeiros roubos ao Estado».
Ora porque é que Marinho e Pinto se atira agora aos tribunais arbitrais depois destes terem percorrido o via crucis do legislador que assim os quis instituir? Porque a ministra da Justiça o desfeiteou em público e de modo contundente e sem precedentes. Essa humilhação pública de Marinho e Pinto, aliás bem merecida, é a razão única da dissensão actual.
Porque é que Marinho e Pinto não apareceu a vociferar, como é seu costume e com o olho…

Medina Carreira a crédito

Ontem na TVI, citado hoje pelo Económico:

"Creio que não vai ser possível voltar a pagar subsídios aos funcionários públicos. Não estou a ver que venha a haver uma folga para isso", explicou o ex-ministro das Finanças no programa "Olhos nos olhos" da TVI24.

Medina Carreira defendeu que a única saída para Portugal é cortar nas despesas com pessoal e prestações sociais, porque "esta não é uma economia que dê para pagar o que devemos".

"O nosso estado social não tem consistência rigorosamente nenhuma, já está mal e daqui a 10 anos vai estar pior", alertou o responsável, para quem "devia ser incluído no código penal a incriminação dos políticos que conduziram o país a esta situação."

Quanto à incriminação dos políticos, um dos que estaria incurso seria o seu antigo primeiro-ministro, Mário Soares. E então, Medina Carreira era socialista de gema democrática. Mas não foi capaz de se impor ao socialismo tipo compagnon de route do PCP até aos anos…

Fátima Campos Ferreira, só prós.

No Prós e Contras que ainda decorre, sobre "os transportes", um autarca começou a enumerar os privilégios impressionantes das "chefias" da CP. Começou a dizer quanto ganhavam os administradores, as secretárias destes, em quintuplicado, as mordomias etc etc. Tanto bastou para a moderadora do programa começar a ficar incomodada e sob o pretexto da ausência de representantes da CP ( num programa como este, sobre os transportes, não foi possível convidar nenhum responsável pela empresa com maior défice ) tirar-lhe a palavra. Logo a seguir, outro autarca começou no mesmo tom. Mesmo método: estamos a ficar sem tempo, vamos para intervalo e cortou-lhe o pio.

Esta Fátima Campos Ferreira quanto ganha na RTP para fazer estas figuras?

Papas e bolos para os tolos

Sic:Um dia depois do Fado ter sido considerado Património Imaterial da Humanidade, já se fala de outras possíveis inscrições portuguesas. É o caso do canto alentejano ou da dieta mediterrânica.Proponho o bacalhau. Para quem é, basta. E é sempre mais uma comissão científica a trabalhar afincadamente durante anos em prol da UNESCO.

Para mau entendedor nem várias palavras bastam.....

Ministra da Justiça, ao Diário Económico, citado aqui:

- Quando disse que o PGR não precisa de mais poderes estava a tentar fragilizá-lo?
- Não fragilizo instituições, tenho respeito por elas, mesmo quando isso não é recíproco. A relação institucional com o PGR tem sido a relação institucional que tem de ser. Entendo, como entendia antes de assumir funções, que não há nenhuma razão para reforçar os poderes do PGR.

- Antes de assumir funções dizia que o PGR deveria sair se os poderes não fossem reforçados...
- O que disse é que se o PGR entende que tem os poderes da Rainha de Inglaterra deve disso tirar consequências. Não é intenção do Governo reforçar os poderes do PGR que é, na história da democracia, o PGR com mais poderes por alterações ao estatuto. Não há razão para os reforçar, há razão sim para reforçar a autonomia de cada magistrado do Ministério Público, aproximando-a da autonomia das magistraturas, como recomenda o Conselho da Europa.

- Não está, indirectamente, a frag…

Amália e a canção de Lisboa

Em 1.12.1977 a revista musical Música & Som ( no número 19 de Maio de 1977 trazia a recensão crítica numa dúzia de parágrafos, muito, muito fraquinhos, do disco de Carlos do Carmo, Um Homem na Cidade. Entalada entre a recensão de um disco de Frank Pourcel e outro de Rod Stewart, tal diz bastante sobre a importância do fado nessa altura), trazia uma entrevista com Amália. Porventura a primeira depois do 25 de Abril e na qual explica o caso do boato lançado logo nesse dia de que pertencera à Pide...é ler e perceber o que era o fado e Amália, então. E como a Esquerda portuguesa, com os camaradas de Ruben de Carvalho à proa, os tratava. E como alguns fazem o aggiornamento do costume, sem qualquer vergonha.
A entrevista é de Bernardo Brito e Cunha e merece ser lida porque Amália fala do fado,de alguns dos seus intérpretes mais significativos e do que significava então esse tipo de música.

A canção de Lisboa e o símbolo do masoquismo nacional

O fado, típica canção de Lisboa ( o de Coimbra é como se não existisse... porque nem em tal falaram), lá foi reconhecido como património imaterial da Humanidade. Os que representaram o interesse de Portugal na escolha, apresentaram "Estranha forma de vida", uma canção de Alfredo Marceneiro na voz de Amália, para o anúncio da distinção.
A eleição passou pela UNESCO e por uma "comissão científica da candidatura" , presidida pelo musicólogo Rui Vieira Nery que trabalhou para o efeito, durante...cinco anos!

E contudo, o fado, como canção de Lisboa nunca foi popular entre certas elites intelectuais. Aliás, até há uns anos atrás, o Fado era um resquício do famigerado "fassismo", a par do futebol, outro símbolo da alienação nacional para esses próceres da cultura do establishment intelectual luso. O fado, então, era mesmo uma estranha forma de vida e Amália Rodrigues ou Argentina Santos ou mesmo Alfredo Marceneiro eram simplesmente ignorados nos media de elite.…

Onde estão eles?

Querem saber quem são os responsáveis directos pela nossa situação político-social, actual? É ampliar a imagem ( de revistas do Expresso, uma de Dezembro de 1990 e outra de Março de 1995) com um clique e começar a apontar nomes...

Um livro para o Natal

Este, com direcção de Umberto Eco e que já tem um ano na edição original. É o primeiro de um conjunto de volumes sobre a Idade Média. Imperdível, logo que se comece a ler a introdução.

Os cunhados do empenho

O Público de hoje traz uma "investigação" sobre as cunhas, ou seja, os favores, os jeitinhos, numa palavra antiga, os empenhos.

Meia dúzia de pessoas pronunciaram-se sobre o fenómeno psico-social. Um socialista de gema, José Vera Jardim, antigo ministro da Justiça é um dos que se pronuncia sobre o caso concreto de uma estranha cunha que lhe entrou pelo gabinete dentro. Não se deu por achado, o que é costume em casos que tais.
Outra personagem que já não se lembra do que ocorreu no dealbar do caso Casa Pia, com os telefonemas malditos a pedir intervenção de empenho manifesto nas instâncias adequadas, é Maria José Morgado. Sobre o assunto das cunhas, empenhos e intercedências atempadas, diz assim:

“No essencial, o crime acontece sempre que for possível fazer prova de que: alguém vendeu o seu poder de decisão num organismo público ou num cargo político, através da prática (ou da promessa da prática) de determinada decisão, em troca do pagamento, pelo particular, de vantagens…

A esquerda portuguesa só nos desgraçou

"Normalmente, o ministro das Finanças, quando se dirigia para o seu gabinete, passava pelo Banco de Portugal. Várias vezes, sempre ao princípio da manhã, entrava e subia ao segundo andar para trocar impressões com o Governador. Consegue adivinhar quem era? Silva Lopes, precisamente. O sítio ficava na rua do Comércio e o economista, num dia dramático, mostrou-lhe uma espécie de folha de caixa onde constavam 61 milhões de dólares. Medina Carreira ficou atónito porque com aquele dinheiro em tesouraria o país não conseguiria pagar ordenados no final do mês.
O ministro telefonou de imediato para a embaixada americana e a secretária de Frank Carlucci informou-o que o embaixador estava a caminho da Galiza- Medina Carreira pediu-lhe para o avisar que não atravessasse a fronteira sem com ele falar. Telemóveis não existiam e os dois, ministro e governador, pediram um avião particular ao Banco Português do Atlântico e perto de Viana do Castelo alugaram uma carrinha cinzenta, o mais discreta …

Para tentar perceber os adeptos fervorosos

Em 7 de Março de 2002 a revista Visão publicou uma separata com várias páginas que intitulou "O Estado da Nação". Pediu a figuras públicas como Boaventura Sousa Santos e Maria de Lurdes Pintassilgo para escreverem artigos de opinião. Boaventura não se fez rogado e em quatro páginas explanou o seu excelso pensamento de terceiro-alter-mundialista. Começa por escrever que as "sociedades são teias complexas de vasos comunicantes onde tudo tem relação com tudo." É por isso que Boaventura se especializou na teoria geral do tudismo...com referências anexas e vinculadas à esquerda marxista e pratos requentados de anticapitalismo a ferver.
Maria de Lurdes Pintassilgo, então como sempre, defendia que era preciso "inventar a democracia".
Para além desses dois próceres de uma certa esquerda folclórica que nos animou sempre o circo mediático, houve mais dois cronistas de opinião cujos artigos vale a pena ler no contexto da época- após a saída de Guterres que governou de…

Ça va pas

Hoje no Publico três membros destacados da Associação Portuguesa de Estudos Franceses defendem que a língua francesa deve ser uma das línguas privilegiadas no ensino de línguas estrangeiras em Portugal.

E começa assim o pequeno exórdio: "A resiliência da presença da língua francesa entre nós (...)"

Quem escreve "resiliência" para publicitar a língua de Rabelais devia ser castigado com doses suplementares de trabalhos escolares.

Tentar perceber

Francisco Sarsfield Cabral é um dos cronistas mais antigos na imprensa portuguesa. Acompanha por isso os assuntos caseiros e já escreveu muitas coisas acertadas sobre assuntos económicos, há várias décadas, o que prova que não lhe caberá responsabilidade intelectual ou moral no estado a que chegamos economicamente. Sobre a Justiça, porém, parece não acertar uma.

Hoje escreve no Sol, numa coluna sintomaticamente intitulada "tentar perceber", algo extraordinário: " O caso da justiça é paradigmático. Durante décadas o poder político alheou-se deste sector, deixando campo livre às várias corporações da justiça ( juízes, magistrados, advogados, etc. ) que se detestam. O Parlamento limitou-se a fazer e desfazer leis " a quente", em função dos casos mediáticos do momento".

Sarsfield Cabral já que tenta perceber o que se passa devia ser mais comedido neste tipo de comentários.
Durante décadas o poder político não se alheou da justiça, antes pelo contrário. O que t…

O último a saber

R.R.:

O secretário de Estado da Justiça, Fernando Santo, manifesta preocupação com as sucessivas fugas de informação e critica o julgamento mediático das pessoas, que muitas vezes são as últimas a saber que estão envolvidas no processo.

“Até como cidadão, sempre me interroguei como é que matérias que são reservadas e que são da esfera da Procuradoria e daqueles que estão envolvidos nestes casos, são depois utilizadas de forma mediática”, afirma à Renascença.

Fernando Santo diz “compreender” que os órgãos de comunicação “vivam muito da mediatização de todos os casos e que com alguns julgamentos até antecipados àquilo que é o verdadeiro julgamento”, mas “criou-se um certo círculo”.

“O que julgo que não pode suceder é haver este tipo de fuga de informações que faz com que a pessoa que está envolvida seja a última a saber”, sublinha.

Este tipo de declarações de quem exerce poder político, insinuando comportamentos ilícitos a quem deveria colocar sempre a lei em primeira linha de…

Mário Soares, agitador social

Económico:

"Não podemos saudar democraticamente a chamada rua árabe e temer as nossas próprias ruas e praças. (...) Apelamos à participação política e cívica e à sua mobilização na construção de um novo paradigma". Em duas frases, este grupo de homens de esquerda liderado por Mário Soares apela aos que se opõem "a políticas de austeridade que acrescentam desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia" de forma a travar "a imposição da política de privatizações num calendário adverso" e o "recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais" como é o caso da saúde, a educação, a protecção social e a dignidade no trabalho."

Mário Soares que deveria estar na reforma e calado, pelo que fez e não fez ao país que somos, pela profunda vergonha que isso representa, ainda anda por aí a incendiar " a rua" e a apelar à revolta e indignação popular.
Em 1985, este político que nos entalou de modo grave e entreg…

O síndroma dos crocodilos voadores

Daqui, In Verbis:

Um estudo elaborado por dois investigadores portugueses e uma italiana, editado pela Faculdade de Direito da Universidade de Ilinóis (EUA), analisou 270 decisões do Tribunal Constitucional de Portugal relativas à fiscalização preventiva da constitucionalidade entre 1983 e 2007, tendo concluído que tais decisões são influenciadas pela “filiação partidária” dos juizes e pela presença do seu partido no Governo.

Para este efeito, o melhor é acabar com o tribunal Constitucional. Faz tanta falta como a RTP. Com um inconveniente: a RTP não tem soberania formal.

Conversas varridas e baratas tontas

Ferreira Fernandes, no D.N. de hoje:

Há sempre alguém de plantão e microfone à porta do Tribunal Central de Instrução Criminal, há sempre uma câmara para apanhar as saídas do juiz Carlos Alexandre, apressado e que varre conversas com um gesto de mão, há sempre uma informação de última hora sobre o interrogatório "que prossegue amanhã"... Seja, parece que suspiramos por isso. Mas já aviso: doses massivas dessas cenas gagas vão fazer-nos perder o gosto pelo fio do discurso. Isto é, a coisa, o substantivo, as pessoas e os actos. Não a espuma do nada. O terreno do IPO, sim. O terreno do IPO. Amanhã, tanta dose de jornalistas de plantão e de câmaras e microfones como baratas tontas - tudo atrapalhado pelas palavras dos homens das leis, tão só deles, embora haja quem insista em torná-las comuns e nossas - vão fazer-nos esquecer o que há interesse em tirarmos a limpo: factos. Os 40 milhões. Emprestados por quem. Porquê. E àqueles. O negócio do terreno. Para o IPO. IPO: Instituto Por…

Vasco Pulido Valente em entrevista de Pedro Lomba

Pedro Lomba entrevistou Vasco Pulido Valente e o Público de hoje mostra o que disse um dos mais antigos cronistas portugueses. É uma entrevista a não perder.
Leio VPV há vários anos. Já lia nos anos oitenta, ainda antes de entrarmos na CEE, na revista Grande Reportagem. Continuei a ler no Independente e na Kapa e agora no Público.
Vasco Pulido Valente é um dos nossos melhores cronistas de jornal e Pedro Lomba também.

A entrevista, com quatro páginas de jornal mas com fotos de grande dimensão, mostram-nos um VPV sempre pessimista, amargo até.
Sobre a nossa realidade político-social VPV acha que os governos não dependem dos bancos. Ou seja, entre as "forças sociais" que sustentam os governos, incluindo " o voto, certas instituições, as câmaras e as regiões autónomas e também os aparelhos partidários que se confundem com as câmaras". Mas os bancos, não.

VPV esquece o que se passou com o BPN, o BCP e a CGD nos últimos 15 anos. E o BES, com o senhor Salgado, outro Sombra do …

É a presidente da Assembleia da República que temos

Sol:

"A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, recebe 7.255 euros de pensão por dez anos de trabalho como juíza do Tribunal Constitucional. Por não poder acumular esse valor com o ordenado de presidente do Parlamento, Assunção Esteves abdicou de receber pelo exercício do actual cargo, cujo salário é de 5.219,15 euros. Mantém, no entanto, o direito a ajudas de custo no valor de 2.133 euros.Assunção Esteves pôde reformar-se muito cedo, aos 42 anos, porque a lei de então contemplava um regime muito favorável para todos os juízes do Tribunal Constitucional."A segunda figura institucional do Estado ganha 9 389 euros por mês. É uma vergonha? Não. Apenas um escândalo. Mais um.

Os crocodilos voam baixinho...

No mesmo i, António Cluny, procurador do MºPº no tribunal de Contas, dá conta do seu papel e sobre determinado assunto assim enunciado - Mas acha normal que no caso Face Oculta, os magistrados de Aveiro retirem certidões em que se suspeita do crime de abuso do Estado de direito por parte do chefe do governo? Que as certidões cheguem a Lisboa e sejam arquivadas pelo procurador-geral da República, num expediente administrativo, sem que se possam conhecer as razões desse arquivamento?

Diz assim:
Não é normal. E eu creio que este caso de que falou, que eu não conheço em pormenor, será certamente um caso de estudo no futuro. Não podemos ter um sistema hierárquico que permita intervenções casuísticas que poderão ser vistas como discricionárias.Apesar de estas declarações serem inequívocas e significarem o que significam, Cluny, à pergunta - Nesse contexto, qual é a sua avaliação do papel do actual procurador-geral da República, Pinto Monteiro?Responde assim:
Não faço avaliações. Sou um…

Uma conspiração tenebrosa

O jornal i de fim de semana arranjou outra notícia mais opinativa ainda que a do Público: "Fuga de informação de Duarte Lima arquitectada para fazer cair Pinto Monteiro".

Esta, nem lembrava ao diabo, mas como a realidade costuma ser mais estranha que a ficção, ainda seria possível avançar um pouco mais na conspiração: e se fosse o próprio a lançar a suspeita da intenção de queda? E se afinal tudo não passasse de uma especulação sobre a intenção do próprio? E se, de resto, nada disto tivesse o mínimo sentido lógico?
Vejamos: sendo consensual que houve uma violação grave de segredo de justiça, na medida em que consistiu no aviso prévio a potenciais interessados dos media, para montar o habitual circo à volta de um suspeito, quem teria sido o presumível autor da fuga?
Depende: quantas pessoas tiveram acesso ao teor dos mandados de busca? Muitas. Mesmo muitas, incluindo a Ordem dos Advogados. Nestes casos em que a Ordem é avisada previamente, sempre, mas mesmo sempre e coincidente…

O papel da Constituição portuguesa

" Eu acredito que num folha A4 se podia mudar a Europa toda. É uma questão de se acertar em cheio"- Assunção Esteves, presidente da A.R. ao Público de hoje.

Nem era preciso tanto! Se fosse possível, seria melhor acreditar que Portugar se poderia também mudar , numa folha A4, concentrando toda a Constituição nessa singela folha de papel. E a presidente da A.R. como constitucionalista e guardiã da Constituição poderia fazer esse esforço. Afinal, a Inglaterra nem sequer isso tem...

Os assuntos benditos do Público

Ao Domingo, o Público dá-nos opiniões avulsas da direcção do jornal, sobre os assuntos da semana. É uma prerrogativa deste tipo de jornalismo, o dar opiniões em forma de notícia e notícia em modo de opinião.

Sobre o caso do coordenador do grupo de trabalho para o serviço público, João Duque, a opinião é do melhor que podemos ler para entender a esquerda que temos e sempre tivemos:

"(...)surpreendeu o país ao declarar que as notícias da RTPi devem ser "orientadas" pelo Governo, " bem da Nação". Talvez o professor de Economia pense que as notícias são como as teses e precisam de orientador...Com estas e outras ideias, ditas numa manhã da TSF, Duque conseguiu descredibilizar por completo uma proposta de serviço público, já de si pouco consensual."

O país para a senhora Reis e ajudantes é o ambiente das redacções dos media que temos. Ser professor de Economia, director de escola prestigiada, é handicap para a senhora Reis e adjuntos; se fosse director no I…

RTP e serviço ao público

"A informação da estação pública de televisão será sempre o que um Marques Mendes, Cavaco, Sócrates, Santos Silva, Portas ou Relvas quis, quer ou quiser." - Manuela Moura Guedes, ao Correio da Manhã de ontem, citada pelo Público de hoje.

Na mesma edição deste jornal há três opiniões sobre a RTP: António-Pedro Vasconcelos pergunta como " garantir a independência do poder político e económico do operador público como manda a Constituição?" Missão impossível, evidentemente.
Pacheco Pereira, sempre igual a si mesmo, é contra o serviço público de tv pública e poderia ficar por aí porque o que Pacheco diz deixou de ter interesse se é que alguma vez teve. Aliás, em matéria de tv, o programa de Pacheco Pereira na SIC será provavelmente um dos piores programas que alguma tv alguma vez apresentou. Claro que ninguém tem coragem em acabar com aquela miséria, mas enfim. É este mesmo indivíduo que se argueira todo com programas tipo Preço Certo ( um programa muito bem apresentado …

José Sócrates era a "face oculta" do "sistema de contactos"??

As frases transcritas na capa do Sol de hoje são do despacho do procurador de Aveiro, Marques Vidal. Pelas mesmas o jornal conclui o óbvio ululante: José Sócrates foi quem deu ordem para o negócio PT/TVI. Por causa disso e de outros factos apurados indiciariamente, incorreu na suspeita forte da prática de um crime, relacionado com o Estado de Direito que devíamos ser. O procurador então extraiu certidão dessas passagens e entregou-a em mão ao PGR Pinto Monteiro, em 23 ou 24 de Junho de 2009.

O resto vem na notícia do jornal que se pode ler clicando e na transcrição do despacho que o jornal faz, em duas páginas.
Resta ainda uma pergunta: depois de tudo o que se passou e das provas assim expostas, somos mesmo um Estado de Direito digno dos demais europeus, para não ir mais longe?

O presidente do STJ não terá nada a acrescentar ao que já disse recentemente, reduzindo ao ridículo tudo o que ouviu nas escutas fortuitas ao primeiro-ministro de então?

Tudo isto que por aí fica é mesmo ridículo…

Filosofia tipo Independente?

Monsieur Peter Gumbel, ( um antigo jornalista do WSJ que, ironicamente, já escreveu um livro sobre a decadência do ensino francês) da Universidade de Paris conhecida como Sciences Po confirmou à revista Sábado que José Sócrates é mesmo aluno daquela universidade e até de...doutoramento! Espantem-se, ó incréus! Doutoramento para o licenciado ao Domingo na Independente! Não faz a coisa por menos: dois anos de frequência curricular e três para uma tese.
Só não diz em que curso...e em Sciences Po não há curso de Filosofia.
Pelo que há outra coisa: mais uma aldrabice, como já previ aqui.
O tal Gumbel mesmo assim assegura que " estamos satisfeitíssimos por o ter entre os nossos alunos".

You ain´t seen nothing yet, dude!

Portas da hipocrisia

A propósito do dito de João Duque, " a bem da Nação" , já caiu o Carmo e espera-se em breve a queda da Trindade, porque a esquerda em Portugal, intelectualmente, domina o discurso político.
Há palavras e frases que não se dizem sob pena de anátema imediato e arrasador. "A bem da Nação" é uma delas.

Por outro lado, aparecem agora uns virgens ofendidos com as declarações de Duque que pretendeu dizer o óbvio: o Estado que detém a empresa RTP deve ter uma palavra a dizer no caso da informação para o exterior dos PALOPS e afins.

Paulo Portas acha que não, porque "não tem intenção de influenciar qualquer jornalista". E mais: " Já fui jornalista e não me lembro de deixar que algum governo me influenciasse."

Esta é de rir, se não fosse séria. Paulo Portas, com o Independente fez apenas uma coisa: valeu-se de um jornal para orientar politicamente uma campanha ideológica contra o então partido do poder, o PSD, em nome do interesse de outro partido, o CDS. O j…

RTP: it´s the same old song

O economista João Duque coordenou um "grupo de trabalho" que apresentou um relatório em que propõe uma noção de serviço público de tv.
Uma das conclusões desse relatório é claríssima: " a RTP tem um passado de conhecidas práticas de intervenção ilegal ou eticamente reprovável" do poder político do momento.
"Todos os partidos, todos os governos sem excepção têm participado demasiado nos alinhamentos, na escolha de programas e até de pessoas que vão aos programas."

Perante isto que é uma evidência plana e crua, incontestável até pelos próprios, o que dizem os mesmos?
Nuno Santos, um responsável da RTP que temos, teve o desplante de afirmar que a influência do poder político é um mito e "atentatória da integridade dos jornalistas" , segundo o Público de ontem.
No de hoje, Miguel Relvas que recua, recua e recua nas intenções iniciais até se posicionar no ponto de partida desejável para os visados, já diz que " a informação da RTP é claramente isent…

O sistema de alarmes da esquerda

Segundo o Público de hoje, "João Duque, coordenador do Grupo de Trabalho para a definição do serviço público de tv, disse ontem , na TSF, que a informação da RTP Internacional deve ser "filtrada" e "trabalhada" pelo Governo" e que tal seria " a bem da Nação".

Maldita expressão! E bem dita a hora em que foi dita, porque permite aos espíritos saudosos do PREC um desafogo de esquerda, sempre tão recalcada e tão visível em tudo o que escrevem.

O Público jacobino de Miguel Gaspar lá titulou na primeira página o pequeno happening; editorializou no interior e até um comentador residente, filho pródigo do Bloco, zurziu o dislate na última página, segundo os cânones da esquerda bem pensante.
Congregaram todos os fantasmas antigos e o articulista pródigo em ideias esquerdizantes até cita um fantasmático Secretariado da Propaganda Nacional, para exorcizar o mal absoluto.

Claro que toda esta girândola de preocupações esquerdizadas e jacobinas assentam num únic…

Rosário Teixeira e os crocodilos voadores

Daqui:

O magistrado [Rosário Teixeira do DCIAP] é responsável pela investigação da "Operação Furação", em que está em causa, essencialmente, crimes fiscais. Sublinhou que neste processo houve a "opção de distinguir entre os que promovem a fraude e os que a praticam e de encontrar formas de aqueles que aderiram aos cometimentos da fraude beneficiarem caso regularizem a situação tributária". "Deu-se prevalência à recuperação do prejuízo do Estado sobre a perseguição formal dessas pessoas", explicou.

Pois foi. Assim, temos um DCIAP transformado em cobrador de fraque fiscal e o Furacão transformou-se em brisa amena onde bolinam os tubarões da alta finança.
Se tivessem seguido a tese do juiz de instrução Carlos Alexandre, ter-se-ia verificado que os crocodilos não voam porque se teria de prender, por exemplo, Ricardo Salgado. E outros da nossa banca, pelo crime de branqueamento de capitais ou mesmo de fraude fiscal agravada. Para evitar tal descalabro socia…

Pena achar que são atavismos

Marinho e Pinto no congresso da advocacia, referiu-se ao "cambão" de certas firmas de advogados. Mencionou até suspeitas de que tenha funcionado esse velho esquema de angariação de clientela, em recentes contratações do Estado. "Há indícios fortes que apontam para isso", disse, pela primeira vez, esquecendo que nunca tal foi motivo de preocupação de bastonário, quando era governo o Inenarrável José Sócrates, que aliás sempre defendeu. Marinho e Pinto nessa altura não via nenhum cambão. Só via combinações ganhadoras e juízes a quererem meter o nariz onde não deveriam ser chamados, por causa da divisão de poderes. Agora já vê cambões em todo o lado e inimigos em todas as esquinas.

Tanto bastou para que um potencial visado enfiasse a carapuça e viesse em "defesa da honra" dos conventos das firmas.
Segundo o Público que relata o caso, Rui Pena, da firma Rui Pena, Arnaut & Associados, lamenta que Marinho confunda um caso que lhe chegou aos ouvidos com "…

A acha sai à racha...

O deputado António Campos fautor de algumas das renegociações nas SCUT e que no outro dia foi abertamente apodado de mentiroso na A.R. tem um estilo próprio e com laivos caceteiros, como aqui se vê por este artigo "em defesa da honra" , no Diário de Notícias de hoje.

Estas "defesas da honra" lembram a actividade parlamentar do seu pai, António Campos, sempre metido nestas andanças. Em 1992, a propósito de uma questão qualquer sobre agricultura, especialidade do então deputado, para além das vacas loucas, interpelou " a mesa" da A.R. para responder a uma provocação de um governante que lhe chamara "cábula".
Respondeu assim.

O filho Paulo Campos, para responder a Marques Mendes usou a linguagem supra. Como se dizia na minha terra, "a acha sai à racha e Maria à sua mãe". Mutatis mutandis...

Os crocodilos que voam e o triunfo dos porcos

O Público dá hoje à estampa um postal em forma de "carta à Directora" da autoria de Santana-Maia Leonardo. É um daqueles postais que coloca o dedo numa ferida antiga, típica e que congrega todas as pústulas do Direito. Menciona aquilo que o falecido Orlando de Carvalho, professor de Direito de Coimbra, dizia do assunto que o ocupara a vida inteira: "por vezes é uma aldrabice secante".

O postal evidencia um postulado: "o confisco dos subsídios de férias e de Natal por parte do Governo é inconstitucional". Obviamente, concordo. Como concordo com a conclusão mais deliciosa do escrito: os juízes do Tribunal Constitucional, neste caso vão fazer como "a professora da antiga União Soviética que se apressou a reconhecer que o crocodilo era um animal que voava quando soube que o aluno que dera tão aberrante resposta era filho do chefe da KGB". Ilustrativo, do assunto e do seu contexto.
Os juízes do tribunal Constitucional, obviamente, com aquele aparato …

A logística das lojas

O Diário de Notícias de ontem, hoje, amanhã e depois de amanhã consagra várias páginas a um fenómeno social de relevo: a Maçonaria portuguesa e as suas lojas que abrigam muitos notáveis da sociedade portuguesa.
Hoje o relevo é dado às lojas frequentadas pelos magistrados e aparentemente denunciados num livro a publicar, da autoria de um juiz que há cerca de vinte anos trava uma guerra pessoal com a instituição, traduzida em processos disciplinares que ainda não findaram.
José Costa Pimenta, autor do livro a publicar, "A máfia dos tribunais portugueses", entre os anos oitenta e noventa foi considerado pelos inspectores que viram e apreciaram o seu trabalho, como um profissional de excepcional qualidade e que "dominava o chamado direito penal total", na expressão que o inspector usou no relatório em que lhe propôs a nota de "muito bom", aliás bem merecida pelo que se conhecia então do juiz José Costa Pimenta.
Autor das primeiras anotações ao código de process…