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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Quem mandava na Independente...

O Correio da Manhã mostra hoje com a quinta transcrição de escutas entre José Sócrates e Luís Arouca quem verdadeiramente mandava na universidade. E depois de isto se saber, tudo continua como dantes. Os restantes media estão ausentes..."isso agora não interessa nada, pá!"

Esses gajos são uns estupores, pá!

Quarta tranche das escutas publicadas hoje no Correio da Manhã. Vai só uma página, suficiente para mostrar o nível.
Parece que depois disto ainda ninguém se lembrou, nos restantes media, de retomar o assunto.

Parece que "isso agora já não interessa nada"...

Memórias rastejantes

Ler esta conversa entre José Sócrates e Luís Arouca, publicada no Correio da Manhã de hoje, acerca dos pormenores da licenciatura daquele, é deprimente.
Basta atender ao seguinte: José Sócrates sobre um projecto de dissertação, componente essencial de uma licenciatura em engenharia, não se lembra de o ter feito, dez anos antes. Para perceber o alcance deste esquecimento, basta que cada pessoa que fez esse curso entenda que estas coisas não se esquecem. Nunca.
José Sócrates esqueceu. E foi preciso lembrar-lhe. Nas circunstâncias que acima se descrevem...

O chico-esperto

Correia de Campos - Os portugueses tinham, entre outras, cinco grandes qualidades: a inveja, o disfarce, a acomodação, a rusticidade e a subsídio-dependência. Nos últimos tempos podemos acrescentar mais uma: a justiça de sofá. Estávamos já bem servidos de atributos quando surge um novo: a capacidade de se "fazer justiça" pela televisão.
A inveja é um dos grandes atributos da alma lusa. Move montanhas e constitui a nossa via original para a transparência. Todos conhecemos a inveja, última palavra de Os Lusíadas, uma estrofe anódina que ninguém esperaria como fecho da nossa maior obra épica. Todavia, sem a inveja, nunca os filhos segundos que militaram nas descobertas, conquistas e colónias poderiam aspirar a possuir terra, nem os clérigos sem família a dizer missa em novas dioceses, nem os escrivães, juízes e tabeliães a escreverem a história do quotidiano.
Mas a inveja tem hoje outra função, mais nobre: ela é a estrada da transparência. Sem ela não se conheceriam as remuneraçõ…

Os curadores da viúva

Na revista Domingo do Correio da Manhã de hoje, numa entrevista a José Manuel Anes, maçónico notório ( "serei maçon até morrer"), este declara algo muito esclarecedor sobre a maçonaria e o interesse especial da viúva em colocar os seus órfãos de poder em diversas instituições públicas:

Correio da Manhã: porque se encontram tantos maçons nos serviços de Segurança?

José Manuel Anes: "É uma maneira de cuidar de um sector muito importante. Se eu for livre e quando sair de casa e me for apontada uma arma, de nada me vale a liberdade."

A obliteração de Laborinho

Ainda no Correio da Manhã de hoje, Laborinho Lúcio diz algumas coisas com interesse. Sobre a corrupção continua o seu habitual discurso deletério, já com décadas ( nos anos oitenta e noventa quando foi ministro, era o mesmo). Para Laborinho, essencialmente a corrupção é um fenómeno social que só se resolve com...educação. É uma questão cultural, portanto. O que Laborinho esquece desde sempre é que o problema é sentido de igual modo noutros países, mais educados, digamos assim. Na Alemanha, por exemplo. A diferença e que explica essa explicação reside precisamente naquilo que Laborinho e outros obliteram: o sistema de Justiça. Lá funciona. Cá, não. É assim. E é isso que explica que alguns trutas gordos escapem nas redes de malha distendida do nosso sistema. Condescendente, complacente e displicente.

Sobre o PGR não poderia ser mais explícito: tem os poderes todos de intervenção processual. O único que não tem é o que não pode ter: o de mudar uma magistratura num serviço do PGR. Obviame…

Os répteis à volta da capinha

Aqui fica a segunda tranche das escutas captadas entre José Sócrates e Luís Arouca, no âmbito do famigerado caso da licenciatura na Independente, tal como publicadas pelo Correio da Manhã de hoje.

Tal como ontem, torna-se evidente a manipulação da informação a fornecer à opinião pública, gizada por ambos para aldrabar. Quanto ao inglês técnico, o visado queria mesmo ignorar tal coisa.
" Talvez até fosse bom ignorar isso...ou dizer ´olhe fez comigo e foi aí que eu o conheci e tal..."

Venham mais cinco...fruteiras. E um capote para o frio..

No documentário que a RTP1 consagrou à efeméride dos 25 anos da morte de José Afonso, da autoria de um improvável Joaquim Vieira ( mas nem tanto porque é autor de uma fotobiografia do artista), há uma característica que é denominador comum da arte de José Afonso: genial. Artisticamente genial, dizem alguns dos intervenientes no documentário. Também concordo com a qualificação, sem reservas.
No entanto, o documentário centra muita atenção em aspectos da vida pessoal e privada do artista, designadamente familiares.

José Afonso, segundo os conhecidos da época, entre os anos cinquenta e sessenta, era essencialmente pobre. Necessitado. Carenciado de meios económicos. O pai era juiz, na jurisdição ultramarina e ganharia pouco, porque os magistrados antigamente eram muito mal pagos. Tinham casa de função e eram obrigados a andar com as trouxas às costas, por vezes literalmente, de seis em seis anos. Ainda por cima, o pai de José Afonso foi um pai ausente, eventualmente por necessidade. Esteve…

Os répteis que precisam de uma lição, pá...

O Correio da Manhã de hoje foi desencantar umas escutas entre José Sócrates e Luís Arouca, a propósito do caso da licenciatura daquele, pela Independente.
O jornal não diz onde apanhou as escutas, onde foram realizadas e agora uma coisa é certa: perante decisões recentes dos tribunais, estas escutas revestem insofismável interesse público e daí a legitimidade absoluta da sua publicação. A questão da sua validade jurídico-processual agora " não interessa nada", embora mereça discussão a fazer noutra altura.

O que releva destas conversas de José Sócrates com Luís Arouca? Uma evidência: José Sócrates no auge da polémica do caso Independente, combinou com Luís Arouca, reitor da Universidade acertar versões sobre aldrabices.
O mesmo José Sócrates vai ao fundo da questão quando lhe disse: " anda para aí uma campanha(...) que visa no fundo, dizer o seguinte: ele não concluiu a licenciatura."
A tal campanha passava " ao nivel deses répteis...ao nível da blogosfera e do a…

Crimes públicos à solta: os okupas do Estado

A revista Sábado desta semana conta que o fotógrado privativo do governo de José Sócrates, ( aqui numa imagem não muito antiga) pago pelo erário público durante anos a fio "em prestação de serviços", tirou milhares de fotografias digitais de cerimónias e eventos públicos com o então primeiro-ministro.

As fotos, naturalmente, serão de quem as pagou: de todos nós, ou seja do Estado.
Mas...não aparecem em lado algum. Alguém as levou consigo e nem sequer disse "água vai!" porque entendeu que lhe pertenciam.
O próprio fotógrafo, um brasileiro,m disse que as tinha em seu poder e "poderia mesmo vender algumas para publicação"...
Este fotógrafo e quem o contratou tem do Estado uma ideia singela: é de quem o ocupa e o captura. A partir daí, o que é do Estado é também do okupa temporário.
Esta ideia peregrina revela a indigência política de quem assim pensa e a falta de formação básica para o cargo.
Há dias, o ex-ministro Santos Silva, malhadinhas de profissão política e…

Justiça e Media

Sapo:

"Segundo o colectivo de juízes, não se provou nem a tese de rapto nem o encontro do menor com a prostituta que alegou ter estado com a criança no dia do seu desaparecimento."

Não conheço o caso a não ser pelos media. Pelo que fui lendo, tendo em atenção que os jornalistas acompanharam paripassu o desenrolar da produção de prova, fiquei convencido que se provou a tal tese de rapto e o encontro do menor com a prostituta.
Ou seja, o contrário do que o colectivo deu como provado. Daí uma grande surpresa ao ler isto, agora.

Há aqui um aspecto que cumpre salientar porque muito relevante: as regras de produção de prova em processo penal não estão em causa. O que estará em causa será a perspectiva jurídica de quem julgou ( colectivo dos juízes), os factos dados como provados e não provados e a apreciação dos mesmos factos pelos media. É evidente que há uma discrepância fundamental.

Alguma coisa está mal nesta divergência, porque a vida e a realidade, num caso como este que se bas…

E o próximo PGR é..

O Correio da Manhã, a dez dias do início do IX Congresso do MºPº anda a "analisar" o MºPº.

Hoje analisa o perfil do próximo PGR. Citando fontes anónimas, entre magistrados, aponta quatro figuras. As apreciações sobre cada um deles, aproxima-se muito daquilo que é o "sentir" de certa magistratura interessada no assunto. O que denota que o jornal está bem informado entre essas fontes, o que aliás se vai tornando notório pelas notícias que vão saindo. Nota-se ainda que tal efeito tem sido muito positivo porque acabaram aquelas faenas antigas em que saíam asneiras a cada parágrafo.
Entre os nomes indicados falta um, também ventilado: Cândida de Almeida, porventura a candidata do deputado Rodrigues, mão-leve nos gravadores dos jornalistas.
Pelo critério dos procuradores ouvidos, o candidato natural é...claro: aquele que mais sabe de direito penal. Não, talvez não seja esse que estão a pensar...e por outro lado, talvez seja preferível um outro que também sabe direito penal…

Ética sobre Carris.

Sol

O presidente da Carris admitiu hoje, quando questionado pelo SOL, ter sofrido pressões políticas para assinar acordos salariais com os sindicatos.Silva Rodrigues referiu que os efeitos destas pressões estão na base da dívida das empresas de transportes acumulada nos últimos anos.«Ao longo destes nove anos recebi orientações políticas para conduzir as negociações de política negocial e tarifária que serviam determinados objectivos», respondeu Silva Rodrigues.O gestor que dirige a Carris desde 2003 só não se foi embora porque estas pressões nunca quebraram os seus valores éticos.Os valores éticos deste indivíduo podem explicar-se por pequenos exemplos, como este:A Carris alugou no ano passado quatro novas viaturas topo de gama para o seu presidente e administradores, suportando um valor de cerca de 4500 euros mensais com o aluguer dos veículos. A empresa pública, que tem 2010 teve capitais negativos de 776,6 milhões de euros, explica que a decisão cumpre o estabelecido pela…

E o Brasil também! Mas é só fumaça...

Esta imagem é do Público de Domingo. Dá conta de uma reportagem antiga da revista brasileira Veja, sobre o antigo homem forte do PT de Lula, José Dirceu.
Acusado num processo de corrupção, chamado "mensalão" ( uma espécie de renda que certos políticos concediam a quem os apoiava, assim quase a modos que um crédito sem cartão, mas a pagar pelo Estado e sem documentos à vista, como parece que por cá foi norma no governo de José Sócrates), José Dirceu é naturalmente inocente. Sempre inocente porque estas pessoas são sempre inocentes. Mesmo assim, inocente, demitiu-se do governo de Lula. Tal não impediu de continuar a ser uma espécie de Jorge Coelho lá do sítio. Ou Miguel Relvas em relação ao PSD. Aliás, Miguel Relvas é conhecido de Dirceu e que ontem esclareceu ao Público a dizer que "existe uma relação pessoal com José Dirceu, mas deixando bem claro que é completamente despropositada qualquer ligação nos termos reproduzidos pelo jornal."
Quanto a Miguel Relvas e a e…

O malhadinhas

A notícia é do Correio da Manhã de hoje e já nem escandaliza assim tanto, porque o abuso do erário público parece que era norma no governo de José Sócrates.
Até um malhador da direita se tornou um malhadinhas a crédito.
Esta pouca-vergonha parece não ter limites. E parece que não há ninguém para investigar isto.

Os angolanos estão mesmo entre nós

Esta entrevista é do Correio da Manhã de hoje, com "um general, empresário e membro do comité central do MPLA." É presidente do clube angolano Kabuscorp e diz na entrevista que José Eduardo dos Santos é um santo. "Sem ele, Angola estaria ao deus-dará." Bento não leu Brecht, pela certa...

Esta reportagem fotográfica, saída no Expresso de há quinze dias retrata o encontro "secreto" no hotel Ritz, onde " se decidiu a administração do BCP". Ou seja, a saída, pela esquerda baixa, do génio Santos Ferreira, afundador da instituição e a entrada triunfal do capital angolano da família "Dos Santos", por portas travessas.

Como motivo de curiosidade suplementar, as fotos mostram um inoxidável do regime que temos, o habitual do costume. É clicar e ver...
No jornal i de hoje, noticia-se que ontem, em Londres, o ministro da Relações exteriores angolano, Georges Chicoti, disse que "se Portugal rejeitar o investimento angolano, este será investido…

Os angolanos estão entre nós

O que há a dizer sobre isto? O seguinte:
Um tal Álvaro Sobrinho, presidente do banco BES-Angola, foi presenteado com um depósito numa sua conta do BES, em Portugal. Cerca de três milhões de euros. O depositante foi Pinto Mascarenhas, responsável por várias empreas do BES. As "autoridades" angolanas queixaram-se. O DCIAP tem um inquérito em mãos, do procurador O.Figueira ( entretanto afastado desse processo, pelo CSMP, por causa deste assunto), o qual investigou factos e solicitou ao juiz de instrução, medidas de coacção contra o arguido Sobrinho, as quais foram atendidas, com a prestação de uma caução de 500 mil euros e a proibição de contactos com algumas pessoas. Houve recurso da decisão e a Relação disse que não havia indícios suficientes da prática de crime, para a aplicação dessas medidas de coacção.
Álvaro Sobrinho está indiciado pela prática de crime de branqueamento de capitais e associação criminosa.
O branqueamento, enquanto crime, está associado a um outro crime- o…

Catar pulgas

Manuel Pina, o cronista que escreve no Jornal de Notícias há vários anos e que aí foi jornalista e segundo se consta fazia títulos de primeira página, na época em que o jornal não não tinha sido comprado pelo investidor Oliveira que fez fortuna com o futebol, é entrevistado hoje no i.

Na parte transcrita, sobre " a relação entre os intelectuais e os políticos", conta como José Sócrates lhe telefonava "muitas vezes", a partir de certa altura. A propósito de uma crónica sobre Camacho, treinador do Benfica, José Sócrates telefonou-lhe uma primeira vez. Tendo em conta a data em que o treinador passou pelo Benfica deverá ter sido em 2008.
O telefonema foi para convidá-lo a almoçar. E a conversa deu frutos, pelos vistos, para outros telefonemas.

Não sei o que tratou a primeira conversa, porque Pina não conta, mas em 2008, o caso da licenciatura de Sócrates estava já ligeiramente arrefecido, mas não esquecido. Com certeza que não constou do menu...

O que me surpreende na e…

Alguns dos melhores...

Sol:

O grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima, afirmou na sexta-feira que ainda há um grande preconceito em Portugal em relação à maçonaria, mas lembrou que «muitos dos melhores no país foram ou são maçons».

Melhores em quê? Só se for na capacidade voraz de se apoderarem de prebendas e lugares publicos, para continuarem a poder exercer um poder factico que nenhum português sufragou eleitoralmente.

"Melhores" ? Tenha vergonha e meça bem as palavras!

Aditamento em 21.2.2012:

Um leitor que assina Hitlodeu Morus enviou-me por mensagem electrónica o seguinte comentário em que procura mostrar alguma da sua indignação pelo que escrevi aqui sobre alguns "dos seus".
O único comentário suplementar que faço é que se a Maçonaria se reservasse essa tarefa de aperfeiçoamento espiritual, não viria muito mal ao mundo e não andaria a catar membros para o clube entre as pessoas que compõe os sectores sociais mais sensíveis do Estado: administração pública, magistratura,…

A imoralidade política em tom criminal

Repare-se nesta notícia do Correio da Manhã de hoje. Ministros e outros governantes de José Sócrates tinham um cartão de crédito pago por todos nós, que funcionava como "suplemento remuneratório" ( foi assim que o tribunal de Contas o classificou). Esse suplemente atirava a remuneração efectiva de cada ministro contemplado, para cima de 10 mil euros por mês ( há a acrescer os perks inerentes à função como carros, motorista, etc etc etc e muitos mais etc).
Pois bem. O Governo é um órgão de soberania. A par dos demais: a Assembleia da República que o deve fiscalizar e os tribunais cuja independência contende com a base do princípio democrático ou pelo menos do sistema de divisão de poderes básico.
Aos tribunais e seus titulares, maxime juízes, esse governo de José Sócrates, por motivos que já foram amplamente explicados mas que apenas a psiquiatria aplicada poderá explicar melhor, retirou o que pôde e vilipendiou sempre que pôde, os seus titulares. Castigou-os com reduções no s…

Um bom artigo sobre o nosso jornalismo

Este artigo de Luís Paulo Rodrigues, no i de hoje, merece ser lido. Depois é só encaixar as anas lourenços, judites de sousa, fátimas campos ferreira, joões marcelinos, ricardos costas, são josés almeidas, bárbaras reis, etc etc etc no enquadramento próprio.
Teremos no final uma imagem aperfeiçoada do nosso actual panorama jornalístico.

Ao cuidado da nossa democracia

Sapo:

O presidente alemão, Christian Wulff, demitiu-se esta sexta-feira, depois da Procuradoria pedir o fim da sua imunidade num caso de Justiça em que é suspeito de corrupção. A "confiança dos cidadãos está afectada", "portanto, não posso continuar a exercer a minha função", afirmou, esta sexta-feira, Wulff, eleito em Junho de 2010, com o apoio de Merkel.

Comentário: na Alemanha o MºPº nem sequer tem a autonomia que o MºPº daqui tem ( porque depende do Executivo como por cá pretendem os Proenças de Carvalho da praça) e contudo não recuou perante um caso cuja comparação com recentes casos em Portugal até fica vários pontos atrás em indícios e relevância.

Em Portugal, um PGR deu-se ao luxo ( é mesmo isso, um luxo porque nunca tinha sido usado tal poder) de arquivar em modo secreto, insindicável e célere, sem qualquer diligência relevante, um procedimento que lhe fora entregue para accionar criminalmente um primeiro-ministro cujos indícios de prática criminal tinham…

Memórias de uma infâmia

O jornal Sol e cinco jornalistas já tinham sido absolvidos em primeira instância, do crime de violação de segredo de justiça, no caso Face Oculta. Agora foi a Relação a confirmar tal absolvição.
Ou seja, com a publicação de notícias relativas ao processo Face Oculta, inclusivé sobre o teor de escutas telefónicas nesse processo, o jornal cumpriu a sua missão de informar e em serviço público, como aliás até já fora reconhecido no processo cível em que foi paradoxalmente condenado.

Essa condenação, seguida a providências cautelares instauradas oportunamente, constituiu, a meu ver, a maior machadada na liberdade de imprensa de que há memória em Portugal. Obrigou o jornal a mudar de dono, motivando até uns apartes de um dos arguidos, autor nessas acções, no sentido de ficar com o jornal, adquirindo-o assim por tuta e meia.
Tendo em conta o que se passou, talvez tivesse sido melhor assim: entregar ao herói do dia, o despojo da sua conquista.
Veremos como se irá comportar no dia em que for sen…

Para os defensores da teoria do PEC IV...

Sic-N:

O antigo Presidente da República Mário Soares disse na noite de quinta-feira que José Sócrates acabou por ceder "à evidência" de ter de pedir ajuda externa, depois de com ele ter tido uma "gravíssima" discussão.
"Tive uma discussão com ele gravíssima, porque queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Falei muito com ele durante muito tempo, duas horas ou três, discutimos brutalmente mas amigavelmente, eu a convencê-lo e ele a não estar convencido", afirmou Mário Soares, na sessão promovida pelo Casino da Figueira da Foz. Acrescentou que também o então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos contribuiu para a decisão do Governo liderado por José Sócrates de pedir a intervenção do Fundo Monetário Internacional em Portugal. "Depois o ministro das Finanças também interveio mais tarde e ele José Sócrates acabou por ter de ceder, perante a evidência das coisas", frisou. Recusou que Sócrates tenha "fugido"…

As parcerias são uma barraca

Recebido por correio electrónico:

Governo escolhe consultores até Março
Foram cinco as empresas que se apresentaram ao concurso lançado pelo Governo para fazer uma auditoria às PPP. O resultado só será conhecido no próximo mês, o que significará um atraso de três meses face ao prazo definido com a troika. O executivo conseguiu negociar o adiamento do concurso por mais um mês, mas a escolha do auditor foi sendo adiada. De acordo com o Diário Económico, candidataram-se a PricewaterhouseCoopers em conjunto com a Sérvulo & Associados, a Ernst & Young, a PKF, a BDO e a Universidade Católica. Num comunicado enviado ontem às redacções, o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado criticava o facto de esta análise detalhada das PPP ainda não ter avançado. "Onde está a avaliação e a renegociação prometida pelo Governo?", perguntava.



Os encargos líquidos do Estado com as parcerias público-privadas (PPP) alcançaram 1822,6 milhões de euros em 2011, o que representou uma derrapagem d…

O deputado móvil

Daqui:

João Almeida afirmou hoje que os funcionários públicos que não concordam com maior mobilidade dos trabalhadores do Estado podem negociar a rescisão de contrato.
"Se as pessoas [funcionários públicos] não estiverem disponíveis têm sempre como alternativa a hipótese de negociarem a sua situação contratual", afirmou hoje o deputado democrata-cristão à TSF comentando a proposta do Governo para agilizar a mobilidade na função pública, de forma a transferir trabalhadores de serviços onde há excesso de pessoal para outros com falta de recursos humanos.

Este moçoilo há anos que negociou o seu contrato com o Estado: sempre num partido e a deputar, em Lisboa. Mas tem experiência de mobilidade: em duas legislaturas ( IX e X) foi deputado por Lisboa. Nas duas seguintes, foi pelo Porto.
Querem melhor exemplo de sacrifício para a causa pública da mobilidade do funcionalismo?

Não somos a Grécia!

Não somos, claro. A Grécia é um país mediterrânico, com belíssimas ilhas, um passado antiquíssimo, berço civilizacional da Europa e com acervo histórico-filosófico incomparável. Porém, tem uma História contemporânea que denega muito desse passado e por força do seu povo e dos seus líderes chegou a um impasse de bancarrota, no sistema económico que é o vigente, no mundo ocidental.

Algumas das contradições gregas foram e são também as destes indivíduos. Daí que se perceba a solidariedade na desgraça. Os passados grandiosos não são garantia de futuros radiosos se os presentes viverem de recordações. E uma coisa parece certa: se confiarmos o destino colectivo a estes indivíduos, em muito pouco tempo estaremos muito pior que os gregos. Já deram provas mais que suficientes do que são capazes, mas continuam a perorar e a dominar a opinião publicada e prevalecente. Todos os media lhes dão atenção e alguns são considerados os nossos génios das ciências sociais. Enfim.

Mário Soares
Mário Ruivo
Alfr…

A crítica ao crítico da crónica

Manuel Loff, um dos novos colunistas arranjados pela actual direcção do Público para substituir Vital Moreira e outros, escreve hoje no jornal sobre o caso Garzón, o juiz espanhol condenado por prevaricação.

O que escreve repesca uma crónica de Pedro Lomba no mesmo jornal sobre o assunto. Pedro Lomba, em suma e se bem compreendi, entende a condenação do juiz porque o mesmo se pôs a jeito e esticou a corda do poder judicial que detinha.
Loff não entende nada disso e acha o Garzón o herói dos tempos modernos da Espanha e até do universo porque no seu entender, "se tornou um símbolo mundial da aplicação universal da justiça, ao decretar, em 1998, pena de prisão para o ditador chileno Augusto Pinochet. "

Loff , cientista social, como agora se diz, aparentemente não sabe distinguir uma pena de uma medida de coacção, e também confunde o papel de um juiz de instrução com o de um julgador de pleno direito, mas adiante porque tal desconhecimento se grita outra vez mais à frente.

Para Lof…

Um PGR solitário

O actual PGR, Pinto Monteiro, concedeu uma entrevista à SIC-N, no seu gabinete.
Durante a conversa que durou alguns minutos de uma boa meia-hora, Pinto Monteiro falou sobre o MºPº em relação ao qual, confessadamente, "não conseguiu arrumar a casa", queixando-se expressamente do Conselhor Superior a que preside, dizendo que é composto por 18 elementos, 11 dos quais magistrados do MºPº e que não o aceitam por...ser juiz. É verdade, disse isto.

A entrevista decorreu sempre com um PGR à defesa e a mencionar as críticas avulsas que lhe fazem como motu proprio de actuação em reacção.

Disse que "procurei sempre criar uma justiça transparente para o cidadão", mas o cidadão, ali representado pela entrevistadora é que não entendeu tal desiderato.

Como não entende muito bem aquela parte em que Pinto Monteiro diz, a propósito do seu poder em determinar a abertura de inquéritos que "eu nunca abro inquéritos, mando sempre para o departamento competente, para os efeitos tidos po…

A vocação para o poder é uma circunstância

E então? O indivíduo vai fazer o quê, na vida, se não for isto a que está habituado desde a adolescência? Cavar batatas? Trabalhar na estiva? Assessorar no ISCTE?

O destino destes predestinados que passaram pelo MES e depois pelo PS, sempre de esquerda, é o poder político-partidário.
Quando um fenómeno como o Casa Pia se lhes depara no caminho político, unem-se todos em congregação de interesses, desideratos e fatalidades, proclamando a única coisa que podem dizer: CABALA! O contrário seria equivalente a um suicídio. E a morte política, para esta gente, seria pior que o anonimato. É que nada mais sabem fazer na vida.

Marinho e Pinto ataca outra vez

Jornal de Notícias de ontem. Sobre o caso Baltazar Garzón, Marinho e Pinto exprime opinião:

Em qualquer país civilizado, um juiz é, por definição, um homem profundamente respeitador da legalidade, sobretudo, da lei fundamental que é a constituição. Um juiz muito raramente pode ser notícia, pois quando isso acontece, quase sempre é por maus motivos. Quando um juiz se torna, ele próprio, notícia, pelo menos um dos dois não está bem - ou a notícia ou o juiz. Porém, Baltazar Garzón, há décadas que está permanentemente na comunicação social. Ele é o herói de todos os fundamentalistas que, lá como cá, enxameiam os órgãos de informação, incluindo alguns que se dizem de referência.
(...)
Uma decisão semelhante seria totalmente impossível em Portugal onde a generalidade dos juízes estão mais preocupados em protegerem-se uns aos outros do que em defender o estado de direito e os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Mas são decisões como a do TSE que fazem a diferença entre uma…

Os robalos estão pela hora da morte...

Conta o Público de hoje ( Mariana Oliveira) que quatro empresas com capitais públicos estão a exigir a arguidos do processo Face Oculta, avultando o principal, Manuel Godinho, 1,6 milhões de euros pelos prejuízos causados.

Quem causou os prejuízos? Foi Manuel Godinho ou os excelentes gestores que por lá havia e ainda há e lhe deram algo em troca de robalos e outros peixes mais graúdos? A resposta nem merece contestação, porque está no processo. Implica por isso a ponderação de um enriquecimento sem causa. A troca funcionou, não funcionou? Se houve prejuízo para a empresa quem é que decidiu a troca?

A REN, dos excepcionalíssimamente Penedos pai e filho, diz ainda o jornal, pede 68 mil euros ao empresário e nada aos quadros. Diz que aguarda para formular pedido quanto a outros prejuízos...sendo certo que esse pedido ao empresário foi formulado por outra excepcionalíssimamente firma- Vieira de Almeida & Associados.

Quanto ganha um coronel?

A propósito deste assunto só me surge uma pergunta muito simples:

Senhor coronel Prace, quanto é que ganha ao fim do mês, pago pelo Estado?

A resposta é simples, só carece de confirmação com o recibo de vencimento e basta o número que aparece em baixo, precedido de um símbolo- €

Quintelhices fedorentas

Aqui há dias, a opinião mediática tomou de ponta Jorge Braga de Macedo, enquanto director do IICT alçando-lhe a mira de comentários desprimorosos por causa de uma exposição artística da filha e que supostamente teria sido patrocinada pelo pai e respectivo instituto público. A notícia foi prontamente desmentida mas não tão de pronto que evitasse os artigos do costume, para desfazer em quem não agrada politicamente.

No Público, foi um fartote. Desde Vítor Malheiros até ao Inimigo Público passando por outro ersatz deste humor fantástico e que ninguém deve ler, chamado Quintela, tudo caiu em cima da honra de JBM.

O visado reagiu. A frio porque só hoje o jornal publica uma carta ao director em que o mesmo apela a que "deixem a minha família em paz".
Não pretendo sufragar dores alheias mas sim publicar trechos verdadeiramente humorísticos e em resposta ao tal Quintela que se dedica a publicitar meos e quejandos com voz de falsete, e aparatos de assim- assim, JBM escreveu assado:

&quo…

Afinal, havia outro!

No livro de memórias políticas de Freitas do Amaral, publicado em 1995 ( e à venda na Fnac por cinco euros), a páginas tantas dá-se conta do processo político de escolha de um sucessor de Salazar, para a presidência do Conselho, orientado por Américo Tomás.
Dos quatro candidatos possíveis ( Franco Nogueira, Antunes Varela, Adriano Moreira e Marcello Caetano) a escolha recaiu neste último, por razões que o pai de Freitas do Amaral explicava então e que aparecem transcritas na passagem em imagem. ( clicar para ler)

Interessante e curioso é a hipótese de Adriano Moreira, então "jovem, audacioso e habilíssimo", no dizer de FA, poder ter sido o presidente do Conselho, logo em 1968, com 46 anos, depois de ter sido, entre 1961 e 1963 ( início da guerra no Ultramar) ministro do Ultramar.

Adriano Moreira como presidente do Conselho, com Américo Tomás como presidente da República, como seria?
Melhor...como seria o regime com Adriano Moreira? A Censura? A PIDE/DGS? A política ultramarina?…