Páginas

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A má despesa pública é notícia



Esta dupla ( ela jurista; ele jornalista) anima um blog dedicado ao estudo de fenómenos correntes da sociedade portuguesa relacionados com dinheiros públicos. A verdadeira despesa pública tem sido alvo de atenção do blog Má Despesa Pública.
Os temas tratados, a forma como são abordados, embora com um cuidado demasiado medroso ou cauteloso, não deixam lugar a dúvidas: é já um blog essencial de escrutínio da res publica, melhor que muitos observatórios ( o paradigma destes aerópagos da inutilidade é o do professor Boaventura, precisamente outro sorvedouro de dinheiros públicos).



No passado dia 6 de Agosto, o jornal i publicou uma entrevista com ambos os animadores ( acima, clicar para ler) e em finais de Julho foi publicado pela Aletheia ( Zita Seabra)um livro interessante que se constitui como resenha de vários factos e fenómenos de despesa pública digna do jornal do incrível quando este existia.

Há umas décadas atrás, poucos anos depois do 25 de Abril de 74,  alguém publicou um livro que intitulou Viver à sombra da bananeira neste jardim à beira-mar plantado ou coisa que o valha. O tema era o mesmo- os desmandos com os dinheiros públicos- apenas com uma diferença de vulto: os escândalos eram bem menores e menos graves do que hoje esse blog e livro retratam.
Um deles, simultaneamente o mais caricato e exemplar vem relatado nestas páginas: o curioso caso do presidente da FNAT, perdão, INATEL, o magnífico Vítor Ramalho que desfilou na "marcha branca" de braço dado com Mário Soares, aquado do caso da Casa Pia, numa altura em que este ainda não tinha chamuscado o PS...
Vítor Ramalho concedeu a honra de uma entrevista a uma revista sui generis ( distribui-se gratuitamente com jornais) chamada País Positivo. E por conta da fundação INATEL e dos dinheiros públicos de todos nós, pagou por essa entrevista. É verdade! Cinco mil euros foi o custo do frete.
O caso foi contado no blog e o mesmíssimo Vítor Ramalho largou uma explicação não se dando por achado na escandaleira: voltaria a fazer o mesmo!
Nada lhe sucedeu. A Maçonaria, a amizade com os sectores soarista do PS, protegeram-no de ser corrido a pontapé metafórico do cargo que ocupa. Este governo consentiu. O tal Ramalho foi nomeado presidente da fnat pelo sinistro ministro Vieira da Silva, um enigma.
Os escândalos e o ridículo não matam esta gente: engordam-na.


4 comentários:

mujahedin مجاهدين disse...

Os escândalos e o ridículo não matam esta gente: engordam-na.

Pois não. E o contrário também não os emagrece...

Que fazer, então?

Floribundus disse...

os políticos, na sua qualidade de benfeitores dos contribuintes (1/3 é economia paralela), sacrificam-se quanto podem pela causa pública.
sou um ingrato. não agradeço.
a começar nas juntas de freguesia deviam ser todos empalados ao longo das autoestradas

Karocha disse...

Floribundos

Que maldade!!!

António disse...

O livro "Viver sem trabalhar num país à beira-mar" é do autor Luís de Campos. Ri muito com esse livro, uma autentica pérola.