Páginas

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Esquerda portuguesa que nos arruinou: pqp, pcp.

Carlos Fiolhais, um professor universitário de Coimbra escreve hoje no Público esta crónica intitulada "uma herança do PREC", na qual enuncia como um "crime educativo", "provavelmente o maior cometido entre nós", "a abolição, após o 25 de Abril, do ensino técnico-profissional". E explica que "tal foi feito por unanimidade, no conturbado clima do PREC, em nome da igualdade social".

Já há uns tempos tinha escrito aqui este postal sobre o assunto, para esclarecer quem foi ou foram os autores de tal crime gravíssimo, a par de outro que também foi enunciado há pouco, a saber, o das nacionalizações após 11 de Março de 1975.
Os autores foram os mesmos: os esquerdistas em geral com grande destaque para o partido Comunista que em Portugal ainda merece crédito político e até pretende crescer(!).
Os maiores criminosos políticos do século XX, em Portugal, em vez de serem erradicados de vez da cena política andam por aí a apontar os mesmíssimos caminhos errados que nos conduziram até onde chegamos. E a gente dos jornais, como o Público, a apoiar vivamente.

O mesmo Público de hoje entrevista João Semedo, o futuro líder anunciado do BE, que antes de o ser já o é, porque a democracia, para essa gente é algo inefável que só eles sabem bem o que será. Diz que foi do Comité Central do PCP. Demitiu-se do comité em 1991 e do parido dez anos depois, em 2002. As razões? "político-ideológicas", diz. Por causa da ideia de "vanguarda que se considera apta a definir sempre o que é bom e o que é mau para o partido".
Semedo acha que a esquerda portuguesa se define como "todos os portugueses que se afastam da troika". Assim mesmo. O PS não se afasta, logo não é de esquerda.
É com gente assim ,destes Semedos que temos vivido em Portugal nestes últimos 40 anos, quase o tempo que durou o "fassismo". E nos arruinaram mais que uma vez e pretendem voltar a fazê-lo. Em nome da sacrossanta igualdade e do combate aos "ricos".
Apetece dizer: pcp? pqp!

É ler...o que foi escrito aqui, em Dezembro de 2010:

Muita gente se interroga sobre quem foi o autor da mudança do sistema de ensino que tínhamos em 25 de Abril de 2974 quanto à divisão entre ensino técnico-profissional, com as escolas secundárias comerciais e industriais, como se chamavam então e o ensino liceal vocacionado para a preparação para as universidades.

A divisão "de classe" causou sérios engulhos ao sistema esquerdista vigente, com notório destaque para o partido comunista que pautava a ideia de democracia pela de igualdade, através de uma colectivização da economia e do próprio ambiente colectivo com vista à almejada e constitucionalizada "sociedade sem classes".
O melhor exemplo deste tipo de pensamento que dominava então a intelligentsia que ensinava e comunicava nos media é Rui Grácio, já falecido.

Vale a pena ler esta entrevista concedida ao O Jornal de 6.2.1975 para se verificar o tremendo erro em que Rui Grácio laborava afincadamente.
Foi ele, sem dúvida alguma, um dos autores mais importantes do erro fatal que nos afectou e afecta nestes últimos trinta e seis anos de democracia: acabou com o ensino técnico que se ministrava nas escolas industriais e comerciais, em nome da democracia! A justificação é esta que o mesmo apresenta:


" Trata-se de democratizar, ao nível do ensino secundário, as estruturas escolares, implantando um tronco comumem que não haja vias paralelas de desigual prestígio que reproduzam e reforcem a hierarquia classista da formação social, designadamente a divisão do trabalho manual e do trabalho intelectual. A estratificação hierarquizada da sociedade portuguesa sofreu, com o 25 de Abril, abalo forte mas não se decompôs de maneira que os grupos socialmente dominantes nunca terão perdido a esperança de uma recuperação."

Esta aqui tudo dito sobre a ideologia comunista. A mesma que ainda hoje o PCP e o BE pregam aos neófitos e escondem do povo.


Como fruto desta mentalidade ideológica podíamos ler no mesmo jornal, em 8.8.1975 e em reportagem de Afonso Praça, uma peça jornalística sobre os professores primários. Os professores e a Revolução era o mote para um conjunto de docentes desse grau de ensino, numa pequena localidade de Aveiro se pronunciarem sobre as mudanças urgentes com vista à construção da "sociedade sem classes".
Curiosamente, uma analfabeta citada na reportagem, "mãe de nove filhos, que não sabe ler nem escrever, cujo marido também é analfabeto, habitando uma pequena casa para o agregado familiar, sem conforto nem condições higiénicas, vivendo exclusivamente da agricultura de terras que não lhe pertencem", dizia assim: " tenho nove filhos e nunca precisei de médico, e dos últimos três estava sozinha em casa quando eles nasceram e não precisei de ninguém. Se hoje viessem para cá os comunistas, eu matava os meus filhos todos e no fim matava-me também a mim. "
Foi por isto e só por isto que o comunismo não vingou em Portugal: por causa dos analfabetos , verdadeiros proletários e que afinal sabem mais que muitos doutores...
O partido comunista nunca conseguiu entrar em pleno nesse núcleo social que afinal seria ,supostamente, a sua base de apoio...
Mas entrou em força e com grande jeito no núcleo da pequena burguesia urbana das cinturas industriais nacionalizadas e no reduto histórico da sua implantação tradicional, o Alentejo.
E porque não entrou? Provavelmente pelo mesmo motivo que a Primeira República encontrou como escolho número um: a padralhada e a mentalidade conservadora e tradicional do povo que temos.


5 comentários:

zazie disse...

«Em nome da sacrossanta igualdade e do combate aos "ricos".»

Literalmente isso. Mas não aprendem nada e ainda lhes chamam "idealistas"

Floribundus disse...

o problema português qualquer que seja o regime político baseia-se
na inveja, ódio, subsídio dependência, 'trabalhar é bom para o preto'

nada me liga ao país onde nasci e sou obrigado a viver: trabalhador, persistente, disciplinado, profissional

lema:
'de pé ou morto,
nunca de cócoras'

lusitânea disse...

Passados estes anos todos e depois desse crime que aliás continuam a não assumir mandam o "povo" emigrar para essa Europa concorrer com a africanidade colonizadora...em pé de igualdade claro está...
O problema foi um 25 de Novembro mal resolvido.Agora só mesmo voltar uma ditadura de doutores...

hajapachorra disse...

O mais engraçado disto tudo é que nada ou quase nada distingue o Fiolhais dos linguistas, sociólogos, cientólogos da educação que fizeram estas trapalhadas. Gasta dos memsmíssimos preconceitos, apenas leu mais livros, entendendo alguns.

Pedro Marcos disse...

http://area.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/edicoes/ino/ino14-1-2/index.htm

Assina Maria Emília Brederode Santos.
Uma mestre... bostoniana.