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domingo, 16 de setembro de 2012

O mercador de Lisboa



 Este pequeno texto é uma tradução livre de uma passagem do Mercador de Veneza, de Shakespeare, com um diálogo entre o mercador propriamente dito, o abastado António, e o estroina Bassanio que se empenhou para além do suportável e procura uma solução para poder pagar todas as dívidas que contraiu junto daquele. 

O episódio, se conhecido de outro estroina chamado Portugal Socialista, poderia ter algum efeito, se associado a um módico de vergonha e sabedoria filosófica de algibeira. 
Assim...temos o panorama que temos.

Bassanio:
Não ignorais, António, em que estado  pus a minha fortuna, ostentando durante algum tempo um fausto excessivo que os meus fracos recursos não me permitiam sustentar.  Não me lamurio por não poder continuar neste trem de vida; mas o meu maior desejo é o de solver honestamente  as dívidas consideráveis  em que na minha juventude, demasiado pródiga, me deixei  enredar.  É a ti, António, a quem mais  devo, em dinheiro e afecto;  e é acreditando no teu afecto que me resolvo  contar todos os planos e projectos que formei para me desembaraçar de todas as minhas dívidas.
António:
Peço-te, meu bom Bassanio que mos dês a conhecer;  e se não se afastarem,  tal como tu,  dos caminhos da honradez, podes ficar ciente que a minha bolsa, a minha pessoa, os meus recursos ficarão ao teu dispor.
Bassanio:
Quando estudante,   perdendo  uma flecha, lançava outra na mesma direcção,  prestando-lhe um olhar mais atento, para encontrar a primeira; e, arriscando as duas, muitas vezes encontrava ambas. Se dou  este exemplo da infância, é porque a minha conclusão espelha a maior sinceridade.
Devo-te muito; e pela minha estroinice de jovem o que te devo já o perdi; mas se consentires em lançar uma segunda flecha na mesma direcção que a primeira, não duvido, porque estarei atento ao voo, que hei-de reencontrar as duas, ou pelo menos trazer-te a segunda continuando, reconhecido,  a dever-te a primeira.

1 comentário:

Floribundus disse...

a culpa é sempre dos outros. ninguém culpa os xuxas ou comunas de 3ª categoria.

o texto do mercador de Veneza é anti-judaico. o cristão falido viveu dos empréstimos do agiota Judeu e não quer pagar.

a 'pérfida Albion' expulsou os Judeus no final do séc. Xiii; estes regressaram durante a ditadura de Oliver Cromwell.

hoje, os citadinos caminhantes de ontem, muitos deles barrigudos, devem estar de cama com os músculos doridos por excesso de produção de ácido láctico.

é trágico-cómico o facto de ser tudo gente que ainda queria viver melhor à custa dos contribuintes. não vi pobres nem desmpregados.

longe vão os tempo da minha juventude de 'fato roto, vida alegre'