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sábado, 15 de setembro de 2012

Os 50 responsáveis pela crise, segundo a Marianne

A Esquerda portuguesa tem sido o que temos visto: sempre a mesma coisa, de há décadas a esta parte. O PS, com medo de perder base eleitoral afina demasiadas vezes pela voz de uma esquerda que esconde o seu comunismo no que se refere à Economia do Estado, ou seja em que o Estado participa a gastar o que tem e o que não tem. Deve ser isso a noção de keynesianismo que possuem para inglês ver e português pagar. Daí a renitência em privatizar empresas públicas que são um sorvedouro de dinheiro de todos; em ajustar a Constituição a um modelo mais consentâneo com o modo de produção capitalista que foi o único que vingou no Ocidente ( e no Leste também) e que tem sido aquele que melhor assegura a produção de riqueza dos países.
Pode ter muitos defeitos e um deles está à vista com a crise das dívidas soberanas e o papel dos sistema bancário e financeiro na sua eclosão. Ainda assim, não se vislumbra alternativa a não ser mudar o sistema por dentro e reformar o que tem de ser reformado.
Evidentemente que não é nada disto que  a Esquerda clássica, comunista, do PCP e do BE pretendem. O que os mesmos fósseis pretendem é a eliminação pura e simples do sistema capitalista de acumulação de riqueza por uns poucos em detrimento de muitos outros, sempre com a mesma justificação teórica imbatível: a igualdade social. É essa a palavra mágica que lhes rende votos porque ninguém se lembra que é essa mesma noção que os arruína economicamente por efeito paradoxal que não aceitam nem compreendem.

Mesmo assim nem todas as esquerdas são iguais e há uma que me habituei a respeitar: a que escreve na revista francesa Marianne, particularmente um dos seus articulistas mais notórios, Jacques Julliard.
No número desta semana o mesmo escreve sobre educação em França e sintetiza tudo numa frase que aqui não se compreende muito bem: " Senhor ministro, ajude somente os profs a tornarem-se mestres e os alunos ´aprendizes`!"  A nossa Esquerda não entende este saber simples e comum porque ainda anda às voltas com o conceito de "igualdade" e de escola inclusiva...

Mais interessante é o artigo de fundo da revista em que se mostra com fotos e texto que nenhum jornal ou revista nacionais conseguem fazer, quais os 50 responsáveis pela crise mundial que atravessamos e que tem os reflexos que sentimos na nossa economia.
Ao longo de dezasseis páginas figuram-se os nomes e os factos explicativos da crise cujos sete pecados capitais são assim enunciados:
Os paraísos fiscais que permitem a evasão fiscal, em toda a legalidade.  As agências de notação que não alertaram os seus clientes aquando do fenómeno do subprime e da dívida grega. Os produtos derivados como os swaps e outros cds e que hoje representam cerca de 13 vezes o PIB mundial. A dimensão dos bancos, too big to fail. A ausência de separação entre banca de crédito e banca de investimentos.Os hedge funds, fundos de investimento altamente especupativos e que escapam à regulamentação. Finalmente, a finança em alta frequência, em que se confia a computadores a tarefa das transacções através de algoritmos e que jogam na diferença de centésimos de segundo para ganhar uma fracção que faz a diferença em milhões. "90% das transacções são anuladas nos sete segundos seguintes à emissão e 60% no segundo seguinte", segundo a revista.

Entretanto os 50 nomes magníficos entre os quais não figura nenhum português, o que dá a medida da nossa irrelevância. Mas nenhuma jornal ou revista nacional, mesmo de esquerda ( como são quase todos, et pour cause) se preocupou em fazer semelhante levantamento redactorial...

Os últimos incendiários são aqui elencados e têm um ponto em comum: alguns foram  assalariados da Goldman Sachs. Um deles, o magnífico judeu Lloyd Blankfein salvou a firma da falência, aquando do escândalo Lehman Brothers.Recompensa? Manda agora na Firma que alguns dizem que manda no mundo.




18 comentários:

Floribundus disse...

as crises são sempre financeiras.
os financeiros vendem o 'produto«,
os parvos, que pensa ser os únicos espertos, compram e lixam-se.

a firma americana onde trabalhei tinha em 87 as acções cotadas a 27usd e horas depois teve de as comprara a 9 para evitar a falência

judeus no seu meio.
o meu avô materno tinha sangue semita (sumítico), o meu sogro tamb+em

Arnatron disse...

Completamente de acordo ... a banca comanda ... pariu o dito comunismo ... na sua génese ... o círculo fechou-se ... é o salve-se quem puder ... e o último a sair ... que feche a porta ...
Não existe alternativa viável ... aqui pôr o Inseguro + o cavaquinho ... em sintonia = Calamidade ... pública

zazie disse...

Estive a ler online e é um bom artigo. Também inclui a Nicole el Karoui, a dos "modelos neutros".

AAA disse...

Duas conclusões destas duas páginas:
1. não há um português do grupo dos 50. Não contamos, nem para o bom nem para o mal.
2. a negligência e os erros (para não usar outros adjectivos) compensam. Vitor Constâncios há em todo o lado. Depois queixem-se...

Filipe Silva disse...

Aconselho a leitura do Livro "O Banco- Como a Goldman Sachs governa o mundo" Marc Roche.

Ainda não acabei de o Ler, mas pinta uma pintura um pouco negativa sobre o Banco e principalmente sobre os politicos. O que Este banco faz não é mais que capitalismo de interesse, contrata pessoas chave em todos os países que opera no mundo, para que assim tenha acesso aos decisores politicos directo.

É verdade que o Banco é de judeus, mas segundo o livro conta, até aos anos 80 o banco sofria com o antissemitismo de bancos rivais, como o Jp Morgan, muito interessante, conta como o banco passou de um banco que tinha o cliente em primeiro lugar para conspirar contra o cliente.

Explica muito bem o processo que ocorreu em setembro que permitiu o banco sobreviver e o lehman brothers falir.

Lembrar que quer o Antigo secretário do Tesouro (Henry Paulson presidente do Goldman durante uns anos) e o actual (Tim Gheitner presidente da reserva federal de New york na alura) foram os que salvaram o banco.

Segundo o Livro o Henry Paulson tinha se comprometido a não falar com ninguém do Goldman sozinho, tinha assinado um compromisso que não iria o fazer, mas Blankfein ao ver a situação muito delicada, liga lhe para o tlm pessoal e diz "Henry you got to do something" e este fez salvou o banco.


Lembrar que o Goldman era um banco de negócios, não tinha depósitos e só com a mudança de lei operada por Paulson o banco foi permitido recorrer aos fundos ilimitados da FED.


Aqui se vê que o capitalismo é mesmo crony, e não capitalismo de mercado livre.


Mas a realidade é que a quase totalidade da crise foi criada por Greenspan e a sua politica economica, hoje pagamos o preço da existencia de manipulação por parte do banco central da taxa de juro.

O que ocorreu é simples de explicar, em 1998 no tempo de Clinton foi modificado a lei dos requesitos para concessão de crédito, baixando-os.

Arrebentou a bolha das dot.com, e Greenspan num primeiro momento subiu as taxas de juro e a economia americana começou a entrar em recessão, este com medo do ajustamento (krugman esta on record afirmando que devia-se insuflar uma bolha no imobiliário) Greenspan baixa as taxas de juro para niveis historicamente baixos, e insufla a bolha do imobiliário, e os bancos toca a providenciar o crédito para os americanos comprarem casa, como o preço das casas subia sempre, esta passou a ser uma caixa ATM, era normal recorrer se a segunda hipoteca, a um refinanciamento, era desporto nacional fazer o flip houses, era comprar e vender por um lucro, depois existiu muitas burlas entre os morgage brokers e real estate brokers, existem muito videos no youtube a explicar muito bem.

A realidade é que com a busca voraz de crédito por parte dos americanos e os bancos ao quererem satisfazer essa necessidade criaram os CDO e outros veiculos para aumentar a sua capacidade de conceder crédito, e aumentar exponencialmente os lucros. E foi assim até o estoiro, o problema das bolhas é que nunca se sabe quando estoiram, basta ver que poucos meses antes do estoiro o Bernanke dizia que tudo estava optimo

Filipe Silva disse...

Mas o pecado original tudo que permitiu esta brincadeira, foi a FED ao conceder dinheiro quase de borla.

Se metermos um drogado há beira de heroina e dissermos não consumas a droga e sairmos da sala, sabemos que ele vai consumir, é mais forte do que ele, os bancos são isso mesmo, junkies.

Claro que a explicação é mais complexa, mas a realidade é que com uma taxa de juro de 4 ou 5% em 2000e adiante e nada disto teria ocorrido.

A taxa de juro é demasiado importante para ser deixada manipulada por banqueiros centrais.

A nova impressão dos USA vai levar a que os outro banqueiros centrais imprimam isso vai levar no medio prazo a um aumento dos preços, das commoditties principalmente alimentação e combustiveis, em impressões é sempre o pobre que se lixa, sempre..

josé disse...

Essa história também vem bem contada no Too Big to fail, de um jornalista americano, sobre a falência do Lehman

Mirza disse...

Esta do judeu diz tudo sobre a isenção do blogue. José escondido com rabo de fora

josé disse...

É ofensivo designar alguém como judeu, se o é?

josé disse...

ou árabe, para o caso...

Mirza disse...

Não sabia que para se exprimir um juízo sobre os actos de uma pessoa é preciso indicar a sua origem racial, étnica, ou o que for.
A não ser para exprimir sem grande subtileza que a pessoa tem os defeitos que lhe imputamos exactamente por causa da sua origem racial ou étnica.
Havia uns tipos que faziam isso, mas foi há muitos anos.

josé disse...

Indica-se a origem étnica porque é assim mesmo que os judeus se entendem.

Ninguém diz povo cristão. Mas diz-se povo judeu. E porquê? Porque se julgam e assumem que são o Povo Escolhido.
Ora se são o povo escolhido o demais é o rejeitado...

Portanto em matéria de discriminação ficamos conversados e entendidos.

josé disse...

E escusa de vir com a insinuação nazi porque daqui não leva troco por causa disso.
Nazi eram os indivíduos que na Alemanha entenderam os judeus como povo a eliminar.

Nem toda a gente que chama judeus aos judeus o quer fazer ou aceita que o tenham feito.

O nosso Gil Vicente fartou-se de satirizar o judeu e não era nazi...

josé disse...

A mania de discutir estes assuntos com base em antonomásias é inútil, aqui.

josé disse...

O judeu é o símbolo do onzeneiro, do especulador monetário e que empresta a juros altos.

Já o era no tempo de GIl Vicente.

E Lloyd Blankfein veste bem a pele do onzeneiro actual.

zazie disse...

Que engraçado. Tive um gato que se se chamava Mirza- Z'avez pas vu Mirza? Oh la la la la la la, Oh yeah! satané Mirza

Mirza disse...

Invejo o José porque consegue funcionar com base em estereótipos. É uma coisa boa, que dispensa de pensar.

Embora o Mirza da canção fosse cão, todos os que conheci eram gatos. Aqui está mais um exemplo.

josé disse...

Estereótipo, o Blankfein?

Talvez...