domingo, 14 de abril de 2013

Jornalismo para quem é, bacalhau basta...

Sol:

Barack Obama não desiste da intenção de ir buscar 535 mil milhões de euros às grandes fortunas norte-americanas para ajudar a reduzir uma dívida federal de 12 biliões de euros. 

billions, millions e confusions...

Seria melhor ler o que  Económico escreve sobre o assunto, já que o economiquês é a sua especialidade:

" Mil milhões ou biliões? Veja a diferença...

A confusão é habitual e voltou esta semana à baila com a apresentação do plano de Obama: afinal, um "billion" americano é o mesmo que um "bilhão" no Brasil e que... "mil milhões" em Portugal. Veja aqui a escala.



Quando o Negócios publicou esta semana a notícia "Fundos para activos tóxicos podem chegar a dois biliões de dólares nos EUA", recebi e-mails de leitores duvidando ou mesmo desmentindo. Afinal, diziam, eram triliões, não biliões! Bastava ler nos jornais americanos que o plano envolvia "up to two trillion"...

Caros leitores, não há erro: tanto as notícias americanas (trillion) como a do Negócio(bilião) estão correctas. É que há duas escalas para números grandes, a chamada escala longa utilizada na maioria dos países europeus; e a curta,usada em países de língua inglesa, incluindo os Estados Unidos, mas também o Brasil.

Segundo o sítio Ciberdúvidas, "a regra de que um bilião é um milhão de milhões para Portugal foi estabelecida pela norma portuguesa NP-18, 1960. É também esta a prática em Espanha, Itália, França, Inglaterra, Alemanha, etc." O mesmo sítio esclarece que "só até ao milhão é que a terminologia é a mesma na Europa e nos EUA".Depois, muda, conforme a tabela de cima.

O problema coloca-se sobretudo no mundo financeiro, em que a linguagem (e também a métrica) anglosaxónica é muito usada.

Já agora, há outra diferença: no nosso sistema de numeração, separamos os milhares por espaços, quando nos Estados Unidos é por vírgulas. Cá, a vírgula só serve para separar os números inteiros dos números decimais. Exemplo: "a empresa X facturou 1 200 milhões, uma subida de 12,5%".

Números são números, palavras são... palavras."

16 comentários:

João Neto disse...

O uso está correcto. Trata-se do bilião europeu (milhão de milhões).

cf. http://mathforum.org/library/drmath/view/52579.html

Floribundus disse...

o hussein nem aumenta a riqueza
nem diminui a despesa.

josé disse...

Claro, confunde-se o bilião europeu com os millions americanos.

Quanto é mil milhões?

zazie disse...

Vai buscar mais do que o que devem.

O resto deve ser para saldar a nossa dívida e mais de alguns africanos

ahahahahahha

zazie disse...

Ah, eles traduziram os billion por biliões em vez triliões

eheheheh

josé disse...

Para se dar a notícia correcta teria que se esclarecer que mil milhões não corresponderia ao billion americano. Se nada se disser, mil milhões são em bom português, quanto?

Diz o dicionário:um bilião é um milhão de milhões. 10 elevado a 12. Do francês "billion".

Portanto, se mil milhões, como diz o Económico, corresponde ao billion americano, 535 mil milhões são 535 billions.

Ora são nada. Até o Económico!

12 billions, para corresponder a 12 biliões, terão que ser 12 milhões de milhões.

É muita massa.

josé disse...

aqui explica-se melhor

josé disse...

E até me baralhei com estes números. Mas isto não era para informar...

foca disse...

José
Leia o Decreto Lei 128/2010, encontra lá o fundamental do sistema métrico português, e referencias a diplomas legais anteriores.

Floribundus disse...

cuidado com o bacalhau porque alguns dos seus componentes produzem ácido úrico e este quando eliminado em excesso ataca os rins

Zephyrus disse...

Era uma vez uma ilha endividada num planeta da galáxia Andrómeda. O Governo da ilha gastava mais do que recebia em impostos, e estava no poder um grupo medíocre que lá ia controlando as contas. O Partido da oposição, por sua vez, queria mais gastos, mais dívida, o que inevitavelmente traria mais depressa uma provável bancarrota.

Do partido do poder fazia parte um senhor que gostava de falar muito. Os homens da ilha desconfiavam dos homens que falavam muito, que adoravam falar, e pior, que falavam depressa. O senhor que falava muito aparecia na TV a pedir que o partido do poder se juntasse ao outro que queria gastar ainda mais.

Nesse planeta havia um mito muito antigo, sobre a destruição de duas cidades de uma planície. Esse mito traduzia várias mensagens. Uma delas era esta: os homens que falam muito, e gesticulam enquanto falam, e falam de novo, e depressa, conduzem à destruição. E a destruição ocorre porque neles reside um alter-ego para o qual não há futuro, pois não há descendência. Não há aprovisionamento para os vindouros. É apenas, sublinhe-se, um alter-ego interno de alguns, embora para outros senhores que falem muito, e depressa, seja algo mais externo. Mas muitos são destrutivos, e no poder, destroem por vezes nações, ora com dívidas, ora com megalomanias, ora com traições e intrigas.

O senhor que falava muito e depressa era divorciado e tinha uma amiga que dizia ser sua namorada. Mas seguia uma religião que proibia o divórcio, e novo casamento. Por isso, infeliz, vivia em casa separada da sua amiga. Mas vejam só, em surdina, dentro do seu partido, línguas viperinas atribuiam outras razões para tal solidão. Falava-se em gostos típicos de senhores que falam muito, depressa, com gestos, e falam mais, e adoram falar, e por vezes, são destrutivos, sem se aperceberem.

Tal como na Terra, o arquétipo feminino tinha como característica a traição aos seus. Nesse planeta havia uma Medeia também matava o irmão, em nome do amor carnal, e os filhos, em nome da vingança contra o amado que a rejeitara. E também havia homens com alma feminina, e que portanto traíam os seus, e «matavam» por vingança.

Esta pequena história é mera ficção. Qualquer semelhança com a realidade... é pura coincidência.

Kaiser Soze disse...

Agradecido.

Com este post descobri o motivo pelo qual para mim mil milhões é igual a bilião.
Quando crescia, os livros do Patinhas chegavam traduzidos em português do Brazil.

Isto sim é serviço público!

Kaiser Soze disse...

...meu deus...escrevi "BraZil"...

zazie disse...

ehehe

Eu também aprendi por aí- pelo tio Patinhas

":O)))))

Bic Laranja disse...

Jornalismo?. Será o significante apropriado?
Cumpts.

Apache disse...

Correcto e bastante claro.
Este erro é demasiado comum entre jornalistas. Mas, infelizmente, não só entre jornalistas, pois já vi um manual de Geografia (do 3.º Ciclo) a assegurar que a população da Terra é de aproximadamente 7 biliões de seres humanos, número que multiplica o real (7 mil milhões) por mil.