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sábado, 12 de outubro de 2013

A cartilha de Carrapatoso

Há pessoas em Portugal que merecem ser ouvidas ( ou lidas, no caso). Uma delas é António Carrapatoso que tem uma idade ( 56) suficiente para ter algum juizo e "fez parte de um grupo de gestores que propunha um plano para liberalizar a economia nacional". Foi o Compromisso Portugal. Na altura, 2004, os objectivos eram os mais ambiciosos possível. Passos Coelho é do mesmo ambiente, assim como alguns dos seus ministros. Para compreender o actual momento do país, com o governo que temos, é necessário retomar esta memória de há cerca de dez anos. Em menos tempo que isso, nos anos trinta, Portugal recuperou de um caos económico e social. E agora?
Obviamente, o tal movimento,  falhou em toda a linha. Atrevo-me a alvitrar que falhou porque não tinha raízes portuguesas genuínas. Não compreenderam o país e andamos estes anos todos a enganarmo-nos uns aos outros.   Em Portugal, em 2005 entrou o governo do PS, com José Sócrates a mandar. Se houve governos fora da realidade comezinha de um país pobre, foram esses. Foi, no dizer de uma das ministras desse governo ( a senhor Lurdes Rodrigues que me recuso a titular como licenciada no que quer que seja) "uma festa". A conta está aí para ser paga, agora.
Em 2006, a intelligentsia do Compromisso,  voltou à carga, com outra convenção ainda mais ambiciosa. Falhou tudo outra vez, porque as ideias não passaram nem para a "sociedade civil" ( basta ver a ascensão da troika Jerónimo, Arménio e Avoila, mai-lo assessor Silva do bigode que não corta nem que a vaca tussa...) nem para o governo ( o do Inenarrável Sócrates foi o melhor exemplo disso).

E no entanto, basta reparar nos nomes que intervieram nos debates. Por exemplo, na Justiça, João Vieira de Almeida de uma das firmas de advogados do regime ( filho de Vasco Vieira de Almeida). Na "competitividade" intervieram outros pesos-pesados da nossa intelligentsia nacional: António Mexia e o Ricciardi do BES. A história desses dois nomes associados às respectivas firmas ( a advocacia de negócios que os arruinou e a banca que o incentivou) mostra bem o que foi o país nestes últimos dez anos.
 Que esperar destas pessoas, em 2006?  O mínimo seria esperar que tivessem senso comum. Algum deles teve, para evitar a deriva despesista, faraónica, parola, numa palavra? Nenum deles teve. E nem é preciso apontar exemplos porque bassta lembrar o papel do BES no incentivo às obras públicas que desenbocaram nas PPP´s e nas ruinosas rendas que o senhor Mexia tão bem conhece. O resultado desta visão desta gente? A entrega da EDP aos chineses e a ruína do país com mais uma bancarrota à porta.

Se esta nossa elite, com centenas de nomes, é como foi, estamos bem arranjados. Será possível arranjar outra? Onde?
Como é que foi possível, nos anos vinte do séc. XX arranjar um Salazar e mais alguns indivíduos que conseguiram colocar o país fora da bancarrota da I República e hoje em dia nem vislumbramos sequer quem no-lo possa fazer?

Restam-nos os Carrapatosos. Num trocadilho de mau-gosto, são piores que os carrapatos. Porque nos enganam sempre com ideias que não funcionam. Não é nas escolas de gestão que se aprende a gerir um povo ou um país. Uma empresa não é um país. Salazar vinha do povo humilde que tinha ideias aprendidas no senso comum: poupar; não gastar mais do que se tem; respeitar uma autoridade necessária para se tornar suficiente; organizar as coisas segundo uma tradição que mostrou ser eficaz e adequada;ensinar em profundidade o que é essencial nas letras e ciências;  aprender com os velhos e antigos e não mudar a linguagem por tudo e por nada; trabalhar e trabalhar; atender aos pobres mas sem "solidariedades" de cartilha. Etc etc etc.

Ainda iremos a tempo de retomar as velhas ideias? Duvido. Estes gestores não aprenderam e portanto não conseguem ensinar. Basta ler a entrevista, publicada no Diário de Notícias de hoje.


30 comentários:

Floribundus disse...

pior que as figuras sinistras do pcp-cgtp
são as deslumbradas ou brilhantes do ps-ugt

seguem-se as lambretas e o centrão.

resultado:
com o povo que temos vamos até ao canibalismo

Unknown disse...

lurdes rodrigues - a mais estratosférica das carreiras "académicas".
Ao pé desta artista, tanto o relvas como o do "trottoir" parisiense são dois anjolas...

Vivendi disse...

Tem razão José.

Estes líderes de hoje não aprenderam em lado nenhum (nem em casa)o que é o bem comum.

A pensão mais baixa de sobrevivência está abaixo de 200 €. A pensão mais alta de uma subvenção política está quase em 10000 €. A diferença é de quase 5000% (contas feitas à moda de merceeiro).

Um excelente fim-de-semana.

António Barreto disse...

Caro José; os líderes mudaram o Povo...que os sustenta! E agora?

JC disse...

"Como é que foi possível, nos anos vinte do séc. XX arranjar um Salazar e mais alguns indivíduos que conseguiram colocar o país fora da bancarrota da I República e hoje em dia nem vislumbramos sequer quem no-lo possa fazer?"

Hoje em dia, com este regime, com esta cartilha constitucional, com esta comunicação social, penso que nem 20 Salazares nos conseguiam salvar.

silviasantos2323 disse...

Salazar vinha do povo humilde que tinha ideias aprendidas no senso comum: poupar; não gastar mais do que se tem; respeitar uma autoridade necessária para se tornar suficiente;


Post antifascista do cantor e compositor comunista Samuel:

http://samuel-cantigueiro.blogspot.pt/2013/10/um-recorte-da-realidade-passada-ou-de.html


«Esta “imagem”, surripiada na página de “facebook” de uma amiga, é a melhor ilustração para o que quero dizer hoje. É a imagem “escarrada” (como diz o povo) do poder cinzento, miserável, parolo e fascista, que o 25 de Abril derrubou... mas não extinguiu.»

Miguel Dias disse...

Eu possuo pouco respeito intelectual por pessoas licenciadas em Gestão de Empresas - distingo dos licenciados em Economia -, e não por me considerar acima dos outros ou por arrogância da minha parte. Para mim são marxistas do avesso: embora com outra teoria do mundo, a mesma arrogância intelectual fruto de julgarem que possuem uma teoria infalível para explicar o funcionamento da economia e da sociedade, a mesma jactância, a mesma estrutura mental, o mesmo ar de superioridade moral e intelectual. Considero António Carrapatoso e o Compromisso Portugal um expoente desse meio, daí nunca lhes ter dado grande atenção. A interpretação que possuem do mundo e da sociedade humana provém de teorias abstractas, desligadas da realidade envolvente, desligada do contexto social e cultural, indiferente aos condicionalismos históricos de cada País, negadora das idiossincrasias individuais.
Por ironia também considero Pedro Passos Coelho fruto desse meio social e mental.

Miguel Dias disse...

Quando trabalhei numa Instituição Financeira (vulgo Banco) tive oportunidade de lidar com este tipo de licenciados, devo dizer que grande parte das más decisões erradas na vida da Instituição foram tomadas por um Director que provinha deste meio. Julgava que bastava ler - porque interpretar correctamente as obras é outra coisa - "A Arte da Guerra" de Sun Tzu ou "O Príncipe" de Maquiavel para se julgar capaz de estratégias infalíveis que derrotariam a concorrência e nos levariam a dominar o meio económico, apesar de ter notado nele pouca capacidade analítica e um fraco raciocínio lógico. Como eu disse um marxista "do avesso": julga possuir a teoria infalível para interpretar o mundo e a economia e, consequentemente, levar a sociedade ao desenvolvimento e crescimento.

Uma quota de responsabilidade pelo estado desastroso da economia portuguesa - para além de um esquerdismo fanático e intolerante - advêm do triunfo profissional destes indivíduos nas empresas e nas instituições em Portugal.

Miguel Dias disse...

No meu 2º comentário eu queria escrever «grande parte das más decisões "tomadas"» em vez de «grande parte das más decisões "erradas"».

José disse...

O cantigueiro Samuel acha que poupar, ser modesto nos costumes, não gastar mais do que se tem, trabalhar e respeitar os outros são valores parolos.

E acha que o facto de em 1962 os agentes da Judiciária que comprassem carro justificassem o modo de o fazerem é fascismo cinzento.

E que dizer da parolice de quem assim pensa? Que é modernaço, democrata e progressista?

Malha-o deus.

lusitânea disse...

Fassismo cinzento era ter o império lá fora.Agora com ele cá dentro comparem o que se compra com 50 cêntimos e com o que se comprava com os correspondes 100$00, quando decidiram mudar de agulha...

zazie disse...

O cantigueiro é um palerma ateu de formação protestante. O que ainda agrava o marxismo da coisa.

mujahedin مجاهدين disse...

Não sei José. Acho que ainda há gente capaz. Como diz, e bem, o dr. Salazar tem origem (e teve fim) humilde. Gente humilde ainda há. E, na realidade, já ficaríamos bem servidos por alguém honesto, de bom-senso elementar, e de escrupulosos princípios. Certamente ainda os há. Mas se se espera que lá chegue com votos, bem podemos ficar sentados. Gente assim colhe, quanto muito, votos de boas festas. A tv e os jornais encarregar-se-ão disso.

A meu ver, o problema é muito mais grave do que mera Tesouraria. Em política externa, por exemplo, estamos inteiramente condicionados. Dificilmente se faz dinamizar uma economia sem a liberdade de encetar e estabelecer livremente acordos comerciais, por exemplo.
O controlo da moeda também me parece essencial. Enfim, vai ser muito difícil fazer o que quer que seja, a sério, sem a liberdade de um país independente e soberano, que Portugal já não tem, por o não ser.

Mas ainda que fosse - se é que era possível, pois, às tantas, esta situação não é mais do que a consequência inevitável do que vou enunciar a seguir; ainda que fosse, portanto, continuaria a pôr-se uma questão essencial - em toda a acepção da palavra -, que é a seguinte: qual é o desígnio de Portugal no mundo?
Até 1974 essa questão havia a mesma resposta, firme e velha de cinco séculos. Os "ventos da história" - um eufemismo para designar bandidos e traidores - tornaram-na impossível na altura em que, provavelmente, mais precisava de ser ouvida.
É necessário arranjar outra. Mas anda tudo há quarenta anos a assobiar para o lado. Ora, sem desígnio, sem propósito, as coisas desaparecem. É fatal como o destino. Aliás, é o destino, o dos que preferem não o tomar em suas próprias mãos.

Assim, a questão que se põe não é se ainda haverá um Salazar; é se ainda poderá haver um infante D. Henrique ou um D. João II. O que, não desfazendo o dr. Salazar, me parece ainda mais difícil e extraordinário.
O futuro não parece agourar nada de bom.

zazie disse...

Capaz talvez, com saber e que consiga ser político, duvido.

Se é que não tenho mesmo a certeza que não existe ninguém.

E é simples de chegar a esta conclusão- ora encontrem lá elites fabricadas nestes 40 anso que possam dar cartas nas artes, nas letras, nas ciências.

Ninguém. Um deserto democrático que até mete dó

":O))))))

zazie disse...

E a explicação há-de ser mesmo essa- nenhum povo pode viver sem História.

Portugal vive de uma História fabricada que tem apenas cerca de 40 anos.

Para trás são as trevas "a combater".

zazie disse...

A lógica partidária nem permite que qualquer pessoa dessas possa sequer ser elegível internamente, quanto mais pelo povo.

Vivendi disse...

"O nosso grande problema é o da formação das elites que eduquem e dirijam a Nação. A sua fraqueza ou deficiência é a mais grave crise nacional. Só as gerações em marcha, se devidamente aproveitadas, nos fornecerão os dirigentes – governantes, técnicos, professores, sacerdotes, chefes do trabalho, operários especializados – indispensáveis à nossa completa renovação. Considero até mais urgente a constituição de vastas elites do que ensinar toda a gente a ler. É que os grandes problemas nacionais têm de ser resolvidos, não pelo povo, mas pelas elites enquadrando as massas."

António de Oliveira Salazar in «Homens e Multidões» de António Ferro.

As massas (a geração mais bem preparada de sempre):

http://www.youtube.com/watch?v=J_gnp-EMeJ4

Kaiser Soze disse...

A apologia à humildade sempre foi uma coisa que me deixou, e ainda deixa, relativamente tenso.
Ora porque é uma apologia mentirosa no sentido em que quem dela se apregoa dela não beneficia ora porque é o eterno fado português do coitadinho.

Mudaram muitas coisas em Portugal mas quem ganha os Big Brothers ainda é o Zé Maria.

josé disse...

A apologia à humildade é o caminho para nos redimirmos das asneiras que fizemos enquanto povo.

Quem votou na Esquerda estes anos todos devia reflectir naquilo que a Esquerda lhe deu.

mujahedin مجاهدين disse...

Ou então porque tu és um idiota.

Se te deixa tenso, faz yoga. Ou cousa assim.

Se alguém quiser fazer um catálogo de "inanidades", é apontar o que escreve este tipo de cada vez que é mencionado o nome do dr. Salazar.

Com estes vamos longe, vamos... A "apologia da humildade" deixa-o tenso... Pudera, tivesse ele alguma...
A tensão deste e dos como este relaxa os nervos das aves que normalmente figuram nos posts do José. É ver como rejubilam a cada eleição.

Valham-nos todos os catorze santos...

Kaiser Soze disse...

humildade + redenção e uma pitada de autoflagelação?

é sempre discutível a importância deste tipo de conceitos socialmente mas também é discutível a sua utilidade prática.

É, talvez, a falta desta humildade clássica que nos dá o Mourinho, os EUA, o RU... enfim, gentes e povos de quem podemos não gostar mas que nos vê no retrovisor.

Kaiser Soze disse...

hmmm....
Muja,

pompns verdes para dar com a bandana?

mujahedin مجاهدين disse...

Um belo pompom tens tu à laia de mioleira, e um par de vidros foscos a servirem-te de olhos.

O José Mourinho também vai a eleições de quatro em quatro, não é ó meu democrata de meia-tigela?


josé disse...

"humildade + redenção e uma pitada de autoflagelação"

Nada disso. Apenas uma leve noção do que é o regresso ao ponto de partida que deixamos lá atrás, em 1974.

O "orgulhosamente sós" não condiz com isto, mas paradoxalmente precisamos dessa noção, se é que alguém ainda a entende.

A ver os adrianos moreiras que andaram nos corredores do poder de então, é caso para dizer que nunca souberam o que isso era.

Com as ideias de esquerda já vimos que não vamos lá. É preciso repescar outras ideias, em que aquelas noções tenham algum valor e sejam compreendidas por todos.

Julgo que a Alemanha sabe o que isso é e a Inglaterra também.

Nós já soubemos mas perdemos a noção e os jovens de hoje nem fazem a mais leve ideia do que isso significa.

josé disse...

Precisamos agora de sacrifícios para recuperarmos a pouca dignidade que ainda nos resta, como povo.

josé disse...

Precisamos agora de sacrifícios para recuperarmos a pouca dignidade que ainda nos resta, como povo.

josé disse...

Salazar conseguiu ter essa noção em 1928. Basta ler o que escreveu nessa época e que já citei por aqui.

josé disse...

Não é com os pataratas tipo Soares que nos safamos. Esses nem para limpar os sapatos ao Salazar serviam.

Kaiser Soze disse...

Com o aprender com o passado concordo em absoluto. Aliás, quando o outro otário disse que estudar história é uma perda de tempo só o terá feito porque não entende nem nunca a estudou.

A Zazie escreveu por aí que um povo não pode viver sem História e não posso concordar mais com isso. Deverá é, no meu entender, ser entendida como um ponto cardeal e não como uma âncora; é neste sentido que o me lembrei da "humildade + redenção + autoflagelação".

Estou, agora, a ler um livro que julgo ser a tese de doutoramento de sobre a relação entre Inglaterra e Portugal relativa à descolonização e está-me a ser muito útil.

mujahedin مجاهدين disse...

Um ponto cardeal... ahaha deu em rosa dos ventos, agora.

Mas tu aprendes alguma coisa? Cada vez que aqui pões alguma coisa, sobre factos e pessoas do E.N. sai disparate. E sempre enviesado para o mesmo lado...

Se alguém aqui diz que Salazar ou o E.N. fez alguma coisa útil pelo país e pelas pessoas, lá tem de vir a ressalvazinha à democrata, completamente despropositada, como quem faz um frete.

Lá às provocações tu dás troco, aos pompons e coisas assim.
Aos argumentos é que nada. De repente, já te não rojas na lama.

E ainda vens com cantigas de que concordas 'em absoluto' com isto e com aquilo. Como diabo queres tu aprender, se só lês metade da história?

O problema da malta "democrata", é que está sempre a tentar ganhar eleições...