Páginas

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

À margem, de qualquer maneira: os revolucionários de papel.

Há algumas semanas atrás comprei o livro de José Jorge Letria "E tudo era possível". Já li boa parte do mesmo e espanto-me sempre ao ler o retrato de um mundo paralelo ao vivido por uma maioria da população portuguesa das cidades e dos campos. É um mundo de papel e de referências em papel. Um mundo em que as palavras saltam dos conceitos aprendidos com grandes frases para explicar pequenos mundos de fantasia e utopia, sempre ancorados a uma palavra mágica- Liberdade- com um apêndice suspeito-Igualdade. A fraternidade era um acrescento inevitável, entre esse pequeno mundo em que todos se conheciam.

O autor começou cedo nas lides jornalísticas e artísticas ( teatro e música) e ainda estudante de Direito em Lisboa, acompanhava o ritmo dos tempos a ouvir rádio ( os programas que também eu ouvia na época- Página Um, Tempo Zip, PBX, etc, com a mesma música que também eu gostava). Antes, aos 16 anos perdeu o pai num avc e "zangou-se com Deus" por causa disso. JJL escrevia poesia e em 1968 escreveu as primeiras canções e tal levou-o a juntar-se aos cantores-autores da época, os baladeiros e revolucionários da canção como arma. As actividades teatrais e de escrita com cantigas, de JJL, abriram-lhe as portas do gotha da intelectualidade lisboeta que era então quase a portuguesa. Tudo de esquerda e tudo do reviralho, da oposição e da subversão ao regime.

No livro quase que não há um único nome citado e são dezenas e dezenas que fuja a esse parâmetro ideológico e portanto JJL começou na melhor escola da esquerda portuguesa: o jornalismo. Vale a pena ler o relato que se estende por diversas páginas e que publico, enquanto vou reflectindo neste estranho fenómeno que deve ser único na Europa inteira: como é que um punhado de intelectuais dos jornais deu a volta a "isto", no início dos anos setenta e conseguiu uma lavagem ao cérebro colectivo da nossa maneira de ser português que o regime de Salazar e Caetano enformava. Vou reflectindo e escrevendo e talvez publique aqui as reflexões, se para tanto  tiver o engenho e arte.
Para já ficam as páginas que testemunham melhor que outra coisa qualquer esse fenómeno que me parece evidente e gritante.

N.B.Para ler as páginas em tamanho maior, clicar com o botão direito do rato e abrir um novo separador. Aí voltar a clicar, com um toque no rato, no sinal + que aparece na imagem.




7 comentários:

Floribundus disse...

por causa do perfume não consigo ler coisas e loisas escritas em papel higiénico

este abusa do deus perfidus

JC disse...

"Liberdade" era a palavra que o Mário Bochechas mais utilizava aqui há uns anos, quando ainda era governante.

Qualquer intervenção que fizesse, fosse em que circunstâncias fosse, lá estava a dita "liberdade" pronunciada por ele de boca aberta.

Ultimamente não sei se a utiliza tanto como fazia, porque ele faz parte dos que me dão vómitos quando fala, razão porque deixei de o ouvir ou de ler o que diz.

Maria disse...

Fugindo ligeiramente do tema, mas, bem vistas as coisas, coincidindo com tudo aquilo que assombra o nosso País e que se deve em exclusivo à grande democracia mentirosa e corrupta.

Mas é curioso, neste jogo de embustices existe algo paradoxal. Até há uns dez anos, sensìvelmente, Portugal estava em 1º ou 2º lugar em todos os "rankings" analisados na zona euro, comparativamente com todos os outros países. Éramos os melhores em tudo: nos cuidados de saúde; na diminuição da mortalidade infantil; no não abandono escolar; no atendimento aos doentes com sida; na diminuição do desemprego, etc., etc.
Com o passar do tempo começámos a ser os piores em tudo ou seja, a posicionarmo-nos no último ou penúltimo lugares das tais estatísticas, só ultrapassados pelos países mais pobres e sub-desenvolvidos do mundo. O quadro que nos apresentam nas notícias diárias desde então em relação a estes relatórios, dizem eles que 'rigorosos', elaborados pelos respectivos gabinetes da U.E., são sempre do mais negro que é possível imaginar-se. Porquê?
(Porém, estranhamente ou não, esquecem-se sempre de revelar que o número de roubos, assaltos violentos, crimes à mão armada, homicídios por encomenda, violações, desaparecimentos de crianças e até de adultos, tudo à luz do dia, estão em crescendo e provàvelmente equiparam-se aos das restantes democracias, se é que não as superam e sabe-se perfeitamente por que não o fazem).

Ora, ora... Há estudos independentes e estes sim, rigorosos, nos Estados Unidos e em mais alguns países, sobre este tema, que argumentam, com provas, que um dos dois principais e infalíveis métodos para aterrorizar os povos e amestrá-los a seu favor nas democracias, mas não só, é incutir-lhes diàriamente o medo ao extremo e na verdade já o conseguiram em quase todo o mundo; o outro, é repetirem constantemente, mentindo sem o mínimo pudor (lá está "a mentira muitas vezes repetida..."), que em todas as áreas produtivas da sociedade tais como a saúde, educação, economia, indústria, agricultura, pescas e agora também o abandono escolar (só escapando desde há pouco tempo as enormes receitas do turismo e desde há alguns anos as remessas descomunais dos emigrantes, já que estes sabem exactamente os montantes que vão enviando para Portugal e não aceitam golpes baixos nem mentiras... É claro que numa ou noutra área não podiam fugir à verdade, até para dar seriedade à trama, isto porque eles, embora velhacos ao máximo, de parvos nada têm), incutindo nas populações o sentimento de frustração, desânimo, tristeza e nenhuma vontade de se esforçarem no seus postos de trabalho. Reduzem-se ao deixar andar, porque já não vale a pena lutar pelo país.

É precisamente esta atitude desesperada das populações, que em muitos casos leva ao suicídio, que o mundialismo deseja ardentemente que vá acontecendo nas democracias e tendo em conta o que se passa actualmente no mundo, está a resultar em pleno.

Maria disse...

Quem não tiver visto a primeira parte de um documentário passado esta noite na TVI24, extremamente bem feito e muito revelador sobre o assassinato por encomenda de vários cidadãos idóneos e íntegros, não ligados à política, que na Guatemala estavam a lutar contra a mega corrupção, criminalidade e ladroagem do sistema e mais concretamente do governo que está, não perca a segunda parte.

O número de crimes, raptos e corrupção desenfreada, segundo um grupo de independentes que os investiga, está todo centrado nos políticos do sistema e muito particularmente no próprio presidente, dito pelos investigadores e justamente revelado num vídeo acusador pela voz de um advogado que avisou a família, amigos e o povo, que caso aparecesse morto tinha sido o presidente da república que tal tinha ordenado. Este vídeo só foi revelado após a sua morte. Poucos dias depois apareceu morto junto da sua bicicleta e já próximo de casa. O povo quase não queria acreditar no que estava a ver e a ouvir. O advogado acusava directamente quem tinha encomendado o crime. Segundo os investigadores deste crime, quem os ordena na Guatemala é mesmo o presidente da república porque não quer opositores que lhe façam sombra e menos ainda que revelem a completa podridão em que o todo sistema se encontra mergulhado, sendo ele próprio o maior corrupto. E mais, acrescentam os investigadores, esta matança de cidadãos inocentes e indefesos a juntar a uma corrupção de Estado monstruosa, já ultrapassou todos os limites e a bem ou a mal terá que acabar.
O que se passa naquela "democracia" passa-se em todas as outras com maior ou menor satanismo segundo a latitude e longitude em que se encontrem no Globo.

Não percam. Para que possam fazer comparações, designadamente com o que se tem passado na 'nossa' democracia desde o 25/4/74. E também para que os portugueses, que ainda não acreditam que este regime nos meteu numa camisa de onze varas, coloquem num dos pratos da balança a democracia que nos rege e no outro o regime do Estado Novo e depois vejam com olhos de ver para que lado da balança pende o prato mais pesado.

Na realidade os crimes, corrupção, etc., que acontecem diàriamente nas democracias só têm um propósito, banalizá-los de tal maneira que os seus povos sejam levados a pensar, sem nada condenar, que todo o mal que lhes acontece é perfeitamente normal. E se é assim, é porque não pode ser doutro modo.

Maria disse...

Esqueci-me de acrescentar que este grupo de advogados, alguns amigos e de um dos filhos ainda vivo, o outro filho foi assassinado pelos mesmos carrascos do pai, propositadamente organizados para a investigar este crime bárbaro (e entretanto outros mais, ùnicamente por vingança), após uma aturada procura bem sucedida do único carro que havia passado junto ao corpo na altura do crime, de inúmeras escutas telefónicas do condutor com os seus comparsas, etc., chegaram à conclusão, com todas as provas filmadas, que o autor do crime havia sido um ex-polícia. Lá exactamente como cá. Sem esquecer as restantes democracias.

Maria disse...

Mais uma acusação gravíssima contra o governo guatemalteco, que me escapou e citada no documentário, que também estava nas preocupações do advogado assassinado e do grupo patriótico que o acompanha e que, tanto quanto as outras, também teria que ser combatida com a máxima urgência, é o monstruoso tráfico de droga com a protecção e conivência absolutas do governo e do presidente.

Eu estava a assistir a este documentário sobre a actualidade política na Guatemala e muito sinceramente pareceu-me estar a assistir a um filme actual retratando a realidade política portuguesa, ponto por ponto, desde que a famigerada democracia foi aqui implatada.
Quando um extraordinário e corajoso cidadão, que foi cobardemente assassinado para ser impedido de levar a sua patriótica luta contra a corrupção até ao fim, acusa e qualifica os poderes públicos e muito particularmente o seu presidente de ladrões, corruptos e mafiosos, está tudo dito no que respeita ao modo como são geridas as democracias, todas elas, pelos seus criminosos dirigentes.

João José Horta Nobre disse...

Publiquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/10/a-margem-de-qualquer-maneira-os.html

Contacto: historiamaximus@hotmail.com