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domingo, 10 de novembro de 2013

Imprensa nacional: tiragens 2013

As tiragens dos jornais portugueses são sempre uma desagradável surpresa. Durante o presente ano têm descido e provavelmente os seus directores atribuem tal infortúnio a crise. Mas...que crise? Para mim, mais que a económica é a crise de orientação das suas direcções que se revela na escolha das capas, dos títulos dos assuntos e dos temas .

Vejamos os gráficos saídos daqui:

O jornal que vende mais é o Correio da Manhã e aumenta as vendas.

O antigo institucional Diário de Notícias, actualmente dirigido em modo desportivo, está nas ruas da amargura e o dono, o "amigo Joaquim", já desistiu porque as dívidas ameaçavam arruinar o pecúlio arranjado na Olivedesportos do bom tempo. As vendas descem que nem a temperatura no Inverno.

O i nem se vê. A política editorial do jornal falhou. Os artigos são fracos e os compradores passam ao lado.


 O Jornal de Notícias já foi o maior jornal nacional e provavelmente será o diário mais bem feito da actualidade nacional.
Ainda assim vai bem em termos de vendas.
O Jornal de Negócios é um jornal de nicho. E portanto vende pouco. Conta com a publicidade?
O Público, esse, é a maior desgraça. Hoje comprei o jornal fiado no artigo de Pacheco Pereira em que explica como fez a biografia de Cunhal. Arrependi-me logo e nem o li. Folheei duas ou três vezes o jornal à procura de assunto e dei com uma coisa escrita em que aparecia o nome de Boaventura Sousa Santos. Amaldiçoei o euro e sessenta que esportulei e juro não o comprar tão cedo. A directora do jornal continua a sua senda de afundar o título e vai consegui-lo se o dono fizer o que prometeu: acabar com o jornal se continuar a dar prejuízos de dois milhões de euros por ano. Ainda não perceberam que a senhora só servirá para dirigir uma coluna de artigos sobre arte do bangladesh?

Quanto aos semanários, o destaque vai para o Expresso, um espelho da nossa mediocridade. Vende bem o que é um mistério porque está cada vez mais fraco.

A Visão, do mesmo grupo, é do mesmo género e também vende razoavelmente. Temos a imprensa à medida do que merecemos. A cultura em Portugal só dá para isto.
A Sábado também não se pode queixar muito. Um pouco mais ligeira que a Visão,  também não faz qualquer diferença de vulto no panorama nacional.
Para perceber o que andamos a perder basta ler as revistas-semanários francesas.

E quem são os vencedores desta corrida aos leitores de imprensa?

o Dica da Semana tira quase três milhões de exemplares!
A Maria vende cerca de 200 mil  por semana...
A Nova Gente quase cento e cinquenta mil...
O Record quase cem mil...tanto como a Telenovelas. Mas muito menos que a TV sete dias que quase chega aos 200 mil exemplares fresquinhos todas as semanas. A Tv Guia anda  pelos cem mil e a TvMais segue na peugada.

A Bola e o Jogo? Não sabemos, mas passarão à vontadinha qualquer diário de "referência".

É este o reflexo da cultura neste Portugal de 2013.

6 comentários:

Zé Luís disse...

"O Record quase cem mil..."

José, não se iluda. O bimestre referido pode ter sido assim.

Mas em 10 anos (2003-2013), o jornal que vendia 92 mil dia, média do ano, ni final de 2013 vendia, pela mesma APCT, 46 mil dia (ano 2013, repito).

O patrão escolheu uma Direcção - um lunático que andou pelo 24 horas e até por uma revista de gajas nos anos 90 que nem isso safou - que em 10 anos reduziu para metade as vendas do que era (1996-2008) o jornal mais vendido entre os desportios, destronou A Bola (1996) logo no primeiro ano de diário (a par com os outros, Jogo incluído) e em 2008 viu A Bola anunciar que voltara a ser o jornal mais vendido (ainda que por comprovar, não se sujeita à APCT para verificação).

E o JN Não vende bem, o JN vender menos de 56 mil, hoje em dia, é um fracasso que diz tudo do fracasso do grupo do amigo Joaquim, tal como o DN.

Os jornais vendem pouco, à excepção do CM, porque sofreram desinvestimento humano e mesclaram negócio onde era suposto, e existia apenas, haver apenas jornalismo. Os diários desportivos que conheço bem vendiam bem: o Record vendia mais de 100 mil diários de média quando passou a diário (1995-96) ao fim de um ano (e suplantou A Bola).

O JN vendia quase 100 mil também.

Todos ou quase já passaram por despedimentos colectivos, afastaram séniores e hoje têm putos comandados apenas por capatazes: fazer chouriços ia dar ao mesmo e é isso que tem dado nos pasquins em que se tornaram.

josé disse...

Então os números são marados?

O jornalismo perdeu-se algures nos anos noventa, antes da chegada do Guterres ao poder, acho.

Hoje nem há jornalismo de investigação a sério. Só por telefone.

josé disse...

Bem, de facto há uma diferença entre circulação e tiragem...

Zé Luís disse...

Exacto. Tome nota que, no período homólogo, a queda (do Rascord) continua, como todos os meses nos últimos 5 ou 6 anos, na ordem dos 11%. Por acaso este bimestre até melhorou o antecedente, mas a variação homóloga é negativa.

Agora, sobre a diferença de impressão e circulação, veja as sobras e imagina o défice sucessivo.

O patrão, privado, o eng. Paulo Fernandes, caucionou certa gente a orientar o jornal e veja o resultado. Parece uma empresa pública!...

Zé Luís disse...

Não sei se o momento político influenciou, talvez os desmiolados de então tenham contagiado as meninges das redacções. Creio que ao nível das administrações foi bem pior, muito pior, como o exemplo que dei acima.

josé disse...

Tenho para mim que quem administra as empresas de media, particularmente os filisteus que apareceram no negócio não sabem bem o que é o jornalismo.
E como não sabem incumbem jornalistas desportivos de fazerem jornalismo de referência. Ora tal, só por muito acaso acontece ( no caso do DN até tem acontecido mas não muito nem muito profundo, porque se limitam a recolher uns números e estatísticas, como no caso do Casa Pia, do BPN e das PPP´s). Ainda assim bom serviço público e jornalismo de qualidade.

Quanto ao Correio da Manhã sofre da mesma pecha mas não quer ser referência de coisa alguma, porque aceita qualquer assunto e gajas esparramadas nas folhas centrais a oferecerem serviços.

Portanto, temos um défice de jornalismo de qualidade, porque acredito que até tenhamos alguns jornalistas competentes, embora poucos e mirradinhos nas redacções.

O caso do Expresso em que a administração já não vem do jornalismo mas da gestão em inglês, vai dar ao mesmo. Com a agravante de ter dois abéculas a dirigir o jornal.