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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Jorge de Mello: o capitalismo português nunca existiu

No Sábado passado morreu Jorge de Mello, o empresário português que o comunismo prendeu em 12 de Março de 1975, apenas por o ser e ter prosperado antes de 25 de Abril de 1974, à frente da CUF ( onde aliás foi preso após "cerco"),  um dos "monopólios" que o PCP e Esquerda em geral desmantelaram, nacionalizando-o e gerindo-o de modo danoso, apenas por motivos ideológicos.

O principal mentor desse crime inominável, Álvaro Cunhal, no Domingo passado faria cem anos. A imprensa em geral, em vez de traçar o perfil e contar o que Jorge de Mello tinha feito pelo país, preferiu parangonar e  endeusar o outro, pelos factos que praticou contra o país e contra o povo português, apresentados como  sinais democráticos mais intensos e luminosos que a actividade subversiva do capitalista da CUF.
É um mundo ao contrário, actualmente em Portugal,  e escrever isto passa logo a ser considerado "reaccionário" e outros epítetos que o mesmo comunismo e esquerda em geral inventaram para catalogar a novilíngua com que dominam os conceitos politicamente correctos. Poucos escapam do ferrete ignominioso logo que atacam em modo claro as actuações comunistas em Portugal no domínio da economia.
O Diário de Notícias de Domingo nem uma linha dedica ao óbito. Deixou o assunto para o "dinheiro vivo".  O Público fez assim o obituário, online. O Jornal de Negócios de ontem, nada de nada.
O jornal i de hoje consagra duas páginas ao óbito de Jorge de Mello.


A Cuf de 1974 tinha mais de cem empresas no seu universo, sendo o grupo empresarial mais antigo do país, fundado ainda no século XIX e portanto já com mais de cem anos, tendo resistido a tudo, mesmo à I República jacobina. Soçobrou em 1975 por obra e graça dos comunistas do PREC, perante o aplauso geral de toda a esquerda e a indiferença dos partidos do centrão ideológico.

No livro Os Donos de Portugal ( Jorge Costa, Fazenda, Louçã e tutti quanti do BE), um verdadeiro vade mecum destas badamecos que destruiram a economia de um país e ainda não se arrependeram, tentando repetir tudo outra vez, pode ler-se sobre Jorge de Mello:

No livro "Salazar e os milionários", de Pedro Jorge Castro, também se dá um retrato escrito de Jorge de Mello.


Em 1974 e 1975, empresários como Jorge de Mello ( cujo irmão, José Manuel de Mello chegou a integrar o grupo de empresários do MDE/S que no Verão de 1974 queriam investir 120 milhões de contos na economia, julgando que a Esquerda tal aceitaria...) foram expulsos, presos, vilipendiados, escorraçados do país porque eram...capitalistas. Só por isso e por se presumir que eram sabotadores da...economia.


Tinham dinheiro, empresas, queriam investir e contribuir para a riqueza nacional. O PCP e a Esquerda não deixaram porque entendiam que não havia lugar em Portugal a tal modo de produzir bens e serviços. Nacionalizaram-lhes as empresas, ficaram-lhes com o dinheiro, acusaram-nos de serem fascistas.   E conseguiram, em menos de dois anos, destruir toda a economia de décadas. E conseguiram ainda outro feito notável: depois de terem cometido esse crime contra o povo português, continuaram a representar as mesmas ideias, os mesmos princípios e com as mesmas pessoas que tal fizeram. E ainda mais: passam por democratas impolutos ideologicamente e assim são tratados nos media.

Anos depois destas loucuras, já nos noventa, a democracia portuguesa, representada ainda por aqueles que contribuiram decisivamente para a sua destruição, era mostrada como "mãos largas" e condescendente com os "capitalistas". O Semanário dos anos oitenta mostrava onde estavam então os tais capitalistas que foram escorraçados por aqueles que agora são endeusados como grandes figuras nacionais.


Quem teve papel mais proeminente e essencial nesse processo?
Álvaro Cunhal, o heró que faria 100 anos no Domingo passado e assim foi entronizado no gotha do panteão dos heróis da pátria. Surrealista? Não. Apenas uma fase do nosso peculiar processo e modo de sermos portugueses. O jornalismo do sistema é analfabeto e barata-tonta? É, mas não se fale muito alto que podem ficar aborrecidos...
Assim, os heróis são esquecidos ou vilipendiados e os anti-heróis assumem o palco e a ribalta das luzes mediáticas.


A prova? Irão ver quando morrer Eduardo Lourenço, o tal que escreveu que o "fascismo nunca existiu".  O que não existiu também, em Portugal, para o jornalismo actual,  foi o capitalismo. E por isso as figuras como Jorge de Mello passam nos rodapés das notícias rápidas enquanto os que destruiram a economia do país são eleitos como heróis nacionais.

A mentalidade actual continua a ser esta que já leva quase 40 anos: as "vinte famílias" celeradas que roubavam o povo português que coitadinho, em 1974- 75  desatou a ocupar os seus palácios para matar a fome...
Esta caricatura estúpida é a que prevalece na sociedade portuguesa actual.





5 comentários:

jbp disse...

Excelente!

JReis disse...

José,

Muito bom este seu post, a melhor homenagem que se poderia prestar a este Senhor.
Fica assim demonstrado que Portugal poderia ter sido empresarialmente/industrialmente viável mas essas cantilenas do Cunhal aparadas pelo Mário Soares e outros quejandos desviaram o rumo certo do nosso país. Como hoje tudo poderia ser tão diferente em Portugal. Foi uma pena.

zazie disse...

Excelente!

foca disse...

Muito bom

Green Lantern disse...

Totalmente de acordo.

Faleceu um grande homem que construiu um império, deu emprego a muita gente, teve o secto maior grupo empresarial da Europa. Sempre a inovar e a pensar mais além sem medo do trabalho.

Outros que defenderam a imposição de uma ditadura com Cunhal são herois.

Quando o Soares xéxé que cá pôs o FMI duas vezes bater as botas havemos de ver o que é uma revisão histórica.

Eu cá estarei para me rir e apontar o dedo a essa triste figura e ás suas homenagens.

Cumprimentos