quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O atestado de óbito do regime: a história dos seus apaniguados.

 
Investigadora da Universidade de Aveiro foi analisar as nomeações feitas entre 1995 e 2009 e conclui que estas são, sobretudo, uma recompensa por serviços prestados.
Uma investigadora da Universidade de Aveiro analisou 10.482 escolhas para dirigentes no Estado entre 1995 e 2009. Por trás delas detectou dois tipos de motivações: o controlo de políticas públicas e a recompensa por serviços prestados anteriormente ou em antecipação aos mesmos.

O estudo, realizado por Patrícia Silva, é divulgado esta quarta-feira, 12 de Fevereiro, pelo Público e pelo Diário de Notícias e as conclusões são transversais a vários Governos, de Cavaco Silva a António Guterres, Durão Barroso e Santana Lopes.

“Os resultados sugerem que, embora as nomeações possam ser usadas para efeitos de controlo de políticas públicas, tende a persistir a utilização das nomeações como uma forma de recompensa por serviços prestados anteriormente ou em antecipação  aos mesmos, esperando-se que a filiação partidária ou o relacionamento pessoal com o ministro sejam centrais neste processo”, escreve a investigadora, citada pelos jornais.

E continua: as escolhas são “utilizadas para cooptar apoio de indivíduos com redes de conhecimento que podem ser relevantes para o partido”.

A investigação ouviu testemunhos de 51 intervenientes no processo de nomeação, desde ministros a dirigentes partidários e todos reconhecem que as pressões são reais, confirmando esta influência partidária.

O estudo “Novos dilemas, velhas soluções? Patronagem e governos partidários” refere que “as motivações de recompensa surgem associadas às posições intermédias e a posições nos gabinetes ministeriais ou nos serviços periféricos da administração pública, bem como a posições menos visíveis, mas igualmente atractivas do ponto de vista financeiro”.

 Este estudo académico sobre as nomeações daquele grupo da meia dúzia de milhares de "boys & girls", na designação infeliz de Guterres ( "no jobs for the boys", foi um motto que lhe permitiu ganhar as eleições de 1995 a um muito desgastado Cavaco Silva)  mostra bem as causas reais do nosso sub-desenvolvimento atávico.
Essa meia dúzia de milhar de apaniguados( a palavra mais adequada) do regime que se revezam e acumulam em lugares do Estado pagos por todos nós,  são a desgraça da administração pública, os causadores das PPP´s, dos BPN´s e das bancarrotas e do nosso atraso endémico. No fim de contas, são esses apaniguados quem controla o Estado, porque os políticos que os nomeiam obedecem à sua lógica porque em tempos o foram também e por isso são pares.

É preciso dizer por isso mesmo claramente: este regime democrático com esta escumalha ( termo usado pelo MRPP) não presta. Melhor era o regime do Estado Novo e do Estado Social de Marcello Caetano porque não assentava nesta miséria moral.
E isso é tão evidente que nem adianta que os "antifassistas" do costume venham por aí  branquear essa escumalha que se alimenta de corrupção como os moscardos do sangue dos seres vivos.

13 comentários:

Floribundus disse...

cu-riosamente o estudo não inclui o prec do pcp, o boxexa, e Cavaco PM

a nossa indigência será eterna

impossível ver prosperar um rectângulo dominado por incompetentes partidários

no largo dos ratos sente-se o resfolgar da nechechidade de tacos

siga o enterro

Unknown disse...

Regime do Tacho, pelo Tacho e para o Tacho...
Cá passa por "democracia" - o que prova que somos mesmo pascácios ignorantes.

Vivendi disse...


Portugal está em 8º lugar entre os países com melhor nutrição, melhor acesso à comida, preços mais acessíveis.

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2014/02/a-esquerdalha-tem-mesmo-fome-de-que.html

O berreiro dos politiqueiros nunca foi a fome...

É mesmo de tacho.

lusitânea disse...

As forças de bloqueio(eram os planeadores profissionais dos ministérios)foram substituídas por planeadores dos gajos que pagam as campanhas e que dão emprego à rapaziada democrata.Assim governados em cima do joelho só mesmo a "pesada herança" garantiu que a coisa não fosse ao fundo mais cedo...
Os construtores do novo império agora só cá dentro e por nossa conta além de corruptos são traidores...

Manuel de Castro disse...

Concordo!

Análise de Paulo Otero:
http://www.youtube.com/watch?v=_KjC6VQPHMg

S.T. disse...


Pergunto eu , na minha ignorância : este estudo , público que é , não deveria ter sequelas em termos judiciais ?

Anibal Duarte Corrécio disse...

Isto quer significar, entre outras coisas, que ao 'pobres, mas honrados' do regime anterior sobreveio o 'corruptos mas endividados'.

A transição para a democracia deveria ter ocorrido num quadro de negociação com o regime anterior que permitisse a continuidade em alguns aspectos basilares e introduzisse a ruptura em outros.

O vírus comunista estava já há muito alastrado e corroía a meter "o pauzinho na engrenagem" ou "eu vou ser como a toupeira, que esburaca, esburaca"

O regime anterior por seu lado fechou-se demasiado, teve medo, não conseguiu fazer a ponte com certos sectores oposicionistas e concertar um plano para a transição democratica.

Estamos agora afundados num bloco central de interesses que governa por controle remoto a nossa 'democracia'representativa'.

Desta situação tiram partido os marxistas-leninistas de várias matizes que acabam por ´facturar´o descontentamento através de uma postura sistemática de crítica e obstrução sempre apoiada na demagogia e na doutrina totalitarista.

E sobretudo fomentando e argamassando ao nível do (in)conciente colectivo uma mentalidade de contestação e insatisfação permanentes, sustentada no lema das "conquistas de Abril", "dos direitos", "da igualdade", etc.

Governar nestas condições é uma tarefa extremamente difícil.

Passos Coelho para o bem e para o mal assumiu-a.

Tivemos provavelmente a sorte neste período histórico de aliar na Presidência, no Parlamento e no Executivo, de uma maioria de direita que, embora não nos preencha e nos sintamos identificados com ela, tem feito os possiveis por levar o barco para outro porto.

Para finalizar : Que mais querem? Que mais querem quando não temos líder que corporize as ambições de um Portugal que desejamos, nem um Partido que dê voz à nossa inquietação?

Siga o lamento.

Manuel de Castro disse...
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Manuel de Castro disse...
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Manuel de Castro disse...
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Manuel de Castro disse...

Governar é extremamente difícil? À revelia do direito torna-se mais fácil. O primado da lei - tratados da UE, direito constitucional, administrativo, societário, fiscal, etc. - deu lugar ao primado dos interesses (v. o último perdão fiscal como exemplo dado aos que pagam atempadamente os impostos).

Madeleine Albright terá dito há anos num jantar diplomático que o direito internacional não existe, que certos países tomam as macro-decisões e que os pequenos têm que as cumprir.

Anibal Duarte Corrécio disse...

«Governar é extremamente difícil? À revelia do direito torna-se mais fácil.»

Nem à revelia do Direito, nem à revelia das cognições e das emoções.

foca disse...

Outra coisa estranha deste país é o dinheiro que se gasta a patrocinar teses de doutoramento para demonstrar o óbvio ululante!
.
Para ficar perfeito a investigadora podia falar com o Bilhim (o tal que preside à comissão de recrutamento de dirigentes por concurso mas que entrou por nomeação!), para ele lhe explicar porque é que acha estranho o facto de apenas 20% dos candidatos a cargos dirigentes da administração pública (curiosamente não refere a % dos efetivamente nomeados) serem externos, como se o normal fosse a existência de candidatos a dirigentes superiores que nunca tenham dirigido nada em questão (leia-se boys). Mais dia menos dia o homem ainda vai defender o recrutamento para Almirante de civis com carta de marinheiro!