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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O mundo português era muito relativo...

Segundo se escrevia em 29 de Outubro de 1971 na revista Vida Mundial, com capa alusiva, Portugal esteve em sérios riscos de perder as suas "extensões territoriais ultramarinas", vulgo colónias, por três vezes nos últimos cem anos, aferidos a 1974 e antes da entrega de mão beijada, pelos militares e políticos saídos do golpe de 25 de Abril desse ano.



Os protagonistas da façanha foram sempre os mesmos: os nossos amigos ingleses. Em 1938, imediatamente antes da eclosão da guerra, os ingleses tinham um governo conservador ( não era de esquerda...) e tentaram um "apaziguamento" com a Alemanha cada vez mais belicista e com Hitler a comandar. Tal política falhou e se não tivesse falhado e a guerra não tivesse eclodido, teríamos assistido, impotentes, como acontecera antes, à tentativa de partilha dos nossos territórios africanos por obra e graça da sua majestade britância mai-los nossos vizinhos europeus.
O nosso mundo já não era deste mundo...se é que alguma vez o fora.

Como o então embaixador Armindo Monteiro reconhecia "na minha modesta opinião, o mais que podemos fazer é opor à Inglaterra um impedimento moral claro e actual que a impeça de dispor do que é nosso. Se este for inútil, tudo será inútil".

Claro fica. Como é que se poderá pensar que nós tínhamos o mundo ou que o mundo estava connosco? O que valia a nossa força moral perante a realidade política trazida pelos "ventos da História"?  Haveria possibilidade de abrigo?
Não me parece.


44 comentários:

ainda ha disse...

Para cultura geral:
Armindo Monteiro teve um filho conhecido pelas Redações da Guidinha e por 2 romances.
Seu nome: Luís de Stau Monteiro. Fassista, claro, pois o acima foi publicado na soturna noite fassista.

Maria disse...

E ainda outro irmão, Miguel Monteiro, Administrador da Sociedade Central de Cervejas lá pelos anos 60/70. Uma família de gente digna e patriota. Nada sei sobre a personalidade de Stau Monteiro, mas salvo se tivesse sido considerado a ovelha negra da família por ter sido talvez de esquerda(?) numa família de direita, posso acreditar e apesar disso, ter sido um português tão digno e leal quanto os irmãos.

Floribundus disse...

Armindo Stau Monteiro era de Vila Velha de Rodão

um homem notável comparado com o lixo da geringonça do monhé Wimpy

conheci familiares

desconhecia esta tentativa de novo mapa cor de ....

Floribundus disse...

'felizmente há luar'

recordo Gomes Freire, nascido em Viena de embaixador português próximo de Pombal na perseguição aos Jesuitas
e de sua mulher Condessa Schaffgotsch e Baronesa von und zu Kynast und Greiffenstein, da região da Boémia

sua irmã nunca saiu de Viena. dela não consegui encontrar descendentes em livros e arquivos.

vítima da prepotência do bife Beresford
ainda comecei a redigir uma biografia ao visitar a planície de Wagram onde ficaram 800 portugueses

desta personagem se escreveu a quadra
'dum corno fazer um tinteiro
isso faz qualquer estrangeiro.
mas dum corno fazer um general,
isso só o senhor marechal'

Zephyrus disse...

A colonização efectiva de África foi tardia. Ficámos acomodados ao Brasil no século XVIII. Na primeira metade do século XIX, depois de perdermos o Brasil, andámos entretidos com guerras civis e destruição maciça de património material acumulado ao longo de séculos. Na segunda metade do século XIX não faltaram discussões diletantes sobre os males da nação, e não faltou endividamento. Quando Salazar a oportunidade já havia passado há muito. Mas se calhar, também não fomos talhados para isto. Éramos brandos e nos EUA ou na América Latina os ingleses e os espanhóis tomaram outra atitude: chacinaram os nativos até que não constituíssem a maioria étnica, e portanto, não fossem uma ameaça. Portugal tentou colonizar as Canárias no início do século XIV e não conseguiu. Os guanches resistiram. Mas os espanhóis não estiveram para isso: mataram quase todos os nativos das ilhas. Para a colonização «à Brasil», que de certa forma o Marcelo Caetano teorizou nos anos 50, já era tarde. A oportunidade tinha passado cento e tal anos antes. Mas sublinho, África não era o Brasil. Além do problema das doenças tropicais se mais intenso, havia também uma enorme resistência nativa.

Mas no fundo, o problema mor não era África nem era o Brasil. Está cá dentro, e resulta da incapacidade de termos um tecido económico sustentável, sólido e constantes perante o passar das décadas e dos séculos, com uma cultura de trabalho bem sedimentada no plano mental da nação.

Quando ocorreu a Reconquista, os mouros mais abastados partiram. Foram-se os melhores artesãos, e os que ficaram, os de cá, não produziam com qualidade. Os judeus dominavam o comércio em várias cidades, e no Sul, muitos mouriscos cultivavam a terra e cuidavam do gado.

No século XVI, importávamos os produtos manufacturados da Flandres e de Inglaterra. Vinha de quase tudo pois nós não produzíamos. Parte desses produtos eram trocados no Índico por especiarias. Outra era para luxo das elites.

No século XVIII a carne de vaca vinha em barcos da Irlanda, juntamente com a manteiga. Como se não houvesse bons pastos nos Açores e no Norte do país.

No século XIX não havia estradas na província. Apenas caminhos para burros e mulas. O povo vivia dispersos, em lugarejos, e não era comum haver famílias isoladas. Este modelo de povoamento, assente na agricultura de subsistência, que mais a Norte outros haviam abandonado, por cá persistia e persiste transfigurado por não termos seguido as revoluções: comercial, científica e industrial. Todas requerem a urbanização da população.

Não valemos como povo o que nos ensinaram nos bancos da escola. Nunca produzimos nada que se comparasse ao que produziam os franceses, holandeses, alemães, belgas, italianos, ingleses ou até mesmo espanhóis. Fomos incapazes de organizar o território e cuidar dele. Não acumulámos riqueza e não temos uma cultura de trabalho. Fomos passando entre os pingos da chuva em parte por estarmos neste canto desinteressante da Europa, apenas com um vizinho poderoso ao lado que quando nos tentou conquistar teve de escolher entre nós ou a Catalunha e a guerra com a França. Tornámos uma espécie protectorado inglês por interesse da pérfida Albion que precisava de um Aliado continental contra as poderosas Espanha e França.

É importante que tomemos consciência daquilo que realmente somos e passemos a ver moinhos em vez de gigantes.

Miguel Dias disse...

Caro Zephyrus,

parte do que afirmou no seu comentário é verdade, mas a outra parte é totalmente falsa. Parece-me que o Sr. é apenas mais um marxista "invertido", ou seja, para os comunistas está tudo mal na sociedade e no mundo, para si também está tudo mal e é tudo mau em Portugal, mas de um ponto inverso daqueles.

"Fomos incapazes de organizar o território e cuidar dele", "não temos uma cultura de trabalho", Deve ser muito novo de idade, para si Portugal só surgiu em 1974.

"por não termos seguido as revoluções: comercial, científica e industrial..." Sim, porque era uma coisa muito fácil, acessível e simples aderir a revolução técnica e industrial, pois logo imediatamente à Grã-Bretanha todos os países europeus entraram num processo de industrialização acelerada (modo ironia ON).

"Na segunda metade do século XIX não faltaram discussões diletantes sobre os males da nação, e não faltou endividamento". Debate e discussão sobre os problemas reais da nação são uma forma NECESSÁRIA de encontrar os melhores meios e soluções para os resolver, mau era não existir debate e deliberação, sinal que não existia pensamento ou raciocínio. Se acabamos por exagerar nessa análise crítica aí sim podemos considerar que estamos a chegar a diletantismo. A revolução industrial inglesa não singrou sem uma ampla discussão, na sociedade de então, pelos teóricos - ou diletantes como o Zephyrus os denomina - dos quais Adam Smith é um exemplo. Depois o Zephyrus advoga necessária a tal revolução industrial e técnica em Portugal, mas ataca o endividamento necessário para financiar tal revolução, uma contradição lógica. Para um País sem capitais próprios suficientes para suportar tal arranque industrial o recurso ao capital estrangeiro é uma solução, desde que racional e possível de sustentar com o futuro crescimento económico, foi o caso alemão no século XIX após a fusão dos estados germânicos.

As afirmações levianas que escreveu penso que se devem a um desconhecimento da História de Portugal e da Internacional. O Zephyrus afirmou noutra altura ser médico - portanto não é de Humanidades - sugiro então que antes de falar ou escrever sobre o que não domina se informe melhor.

Zephyrus disse...

Eu tenho fontes para tudo o que escrevi e com tempo posso abrir um blogue e passar a scanner. Como faz o caro José.

Zephyrus disse...

Discussões diletantes no sentido que Eça descreve na sua obra.

Pródigos a debater em cafés e na Assembleia os males da nação mas nenhum se aventurava na indústria ou no comércio.

Endividados para construir obras públicas que noutros países foram financiadas por privados.

Ser céptico não significa que embarque no discurso da Esquerda portuguesa de que isto «é tudo mau». Mas tento ver a realidade como ela é e vejo que como povo não valemos o que nos ensinaram e o que o território é bem mais pobre do que julgamos.

Zephyrus disse...

Não se faziam estradas no século XIX porque um deputado achava que facilitariam a invasão pelos espanhóis.

Mas sem estradas não é possível às povoações exportar.

Não tínhamos rios com caudal estável e navegáveis em longas extensões. O território também não facilitava a abertura de canais.

Como digo, há quem prefira ver gigantes em vez de moinhos.

Zephyrus disse...

O caro Bic Laranja deixou há meses um livro extraordinário do século XIX que aborda estes problemas.

As povoações em vastas áreas do país não produziam e mesmo que produzissem não poderiam exportar por não haver vias de comunicação.

Zephyrus disse...

O trabalho nunca foi bem visto por algumas classes sociais em Portugal. Ainda há dias estava a ler José Hermano Saraiva e era abordado este tema. No século XVI o trabalho seria visto como algo de preto, mouro ou cavador de enxada...

Zephyrus disse...

O caro fala em Adam Smith.

Pergunto-lhe. Dessas discussões e desses iluminados portugueses do século XIX saiu alguma obra de vulto de Política, Economia, Filosofia? Eu não conheço nenhuma.

Floribundus disse...

* um economista disse em 75 que tinhamos acabado de pagar a dívida dos caminhos de ferro contraida há cerca de 100 anos por fontes p melo

* a geringonça do monhé Wimpy com a politica dos transportes, laxismo de horários de trabalho e outros, perde cada vez mais crédito

* a China, Brasil e outros emergentes estão pelas ruas da amargura

* enquanto existirem sociais-fascistas a dominar o Ministério dito da educação
a instrução irá de mao a piao

* a Europa está cada dia mais desarticulada a começar pelos países. Espanha é o caso mais perto e conhecido.

a SS terá o destino do esquema em pirâmide da D. Branca

já nem os touros podem investir

'siamo tutti fregatti' ... e mal pagos

Floribundus disse...

esquecido desde os anos 50
agora relembrado no Insurgente

Talvez o historiador Arnold Toynbee tenha razão ao dizer que as mais sérias ameaças vêm de dentro: “As civilizações morrem por suicídio, não por assassinato”.

* ainda ninguém esteve disposto a dizer-me para onde foram os fundos comunitários
que dizem aproximar-se dos 100 mil milhões de €

* candidatei-me e nada recebi

Miguel Dias disse...

Caro Zephyrus,

"Eu não conheço nenhuma." Agradeço a sua honestidade em reconhecer ignorância neste assunto.

D. Rodrigo da Sousa Coutinho, "Textos Políticos, Económicos e Financeiros" 1811, entre outras obras.

José Acúrsio das Neves, "Memórias Sobre os Meios de Melhorar a Indústria Portuguesa"1820

António Oliveira Marreca, "Importância da Economia Política", 1836.

Autores que foram lidos - e não deixaram de influenciar o pensamento do mesmo - por António Oliveira Salazar.
Outros "iluminados" (expressão sua) poderiam ser citados.
Um dos problemas da nossa educação actual é que já não se estudam os autores "clássicos", o Zephyrus é de Medicina e portanto o seu desconhecimento destes pensadores não é de escarnecer, mas os alunos de Filosofia, História e Economia raramente são incentivados pelos docentes a estudar o passado pátrio. Em vez disso, como muito bem reconheceu o José num dos posts anteriores, nas actuais academias em Portugal só se ensina ideologia e propaganda política, como por exemplo o CES em Coimbra, pela figura sinistra do Boaventura Sousa Santos.

Zephyrus disse...

Vou tentar adquirir os livros que mencionou.

Os alunos mesmo em boas faculdades já não vão às fontes.

1) Memorizam tópicos de diapositivos das aulas teóricas;

2) Lêem sebentas com resumos que têm com frequência a devida distorção feita com as palas ideológicas de quem fez o resumo;

3) Não têm tempo para ler porque andam entretidos a fazer monografias e power points para aulas, onde serão avaliadas pelo aspecto da apresentação (e não tanto pelo conteúdo). Quando estudei já era moda colocar alunos a apresentar as aulas práticas e até seminários e teóricas (um professor mais velho era totalmente contra esta prática pois dizia e bem que roubava todo o tempo necessário para estudar pelos livros).

Uma cadeira de História da Medicina (que era um módulo) fazia-se memorizando os tópicos dos diapositivos: basicamente nomes e datas. Seria bem mais interessante que houvesse uma boa colectânea de textos sobre o tema...

Por outro lado, estudar pelos livros, obrigar os alunos a ir às fontes implica tempo. O grande embuste de Bolonha reduziu a duração das licenciaturas para 3 anos. Parte dos alunos gastam o seu tempo nas praxes, associações académicas e jotas. Outros andam atrapalhados com trabalhinhos e apresentações semanais de aulas.

Cada professor tem hoje a sua capelinha e a tendência é para piorar.

muja disse...

Bem, este exemplo manifestamente não é o melhor.

Houve, na realidade, um entendimento entre a Inglaterra e a Alemanha para partilha do Ultramar português, mas antes dos anos vinte.

Durante a 2ª GG não há indicação nenhuma de que tal tenha acontecido. Houve repetidos rumores que a imprensa inglesa - note-se - noticiou e o Governo português pediu várias esclarecimentos ao governo inglês, esclarecimentos estes que foram repetidamente dados, oficial, oficiosa, particular e publicamente. O governo inglês chegou a desmentir cabalmente, na pessoa do secretário dos assuntos estrangeiros, na câmara dos comuns, qualquer espécie de acordo semelhante aos que se haviam formulado no início do século.

Ao contrário da 1ª GG, em que Portugal não descansou enquanto não passou à beligerância, a política do Governo durante a segunda era a da neutralidade rigorosa, mas cooperante na medida do possível com o nosso aliado inglês. Os referidos rumores podem e devem ser entendidos como desinformação para minar essa política.

Na prática, não deixaram de ser reforçados os meios de defesa do ultramar. Porém, a grande, concreta e verdadeira ameaça pesava, no imediato, sobre os Açores e Cabo Verde, por um lado, e Timor e Macau pelo outro.

É fácil dizer que os ingleses podiam ter tomado tudo e pintar a nossa impotência perante tal coisa. Mas isso é atirar areia para os olhos. Há muitas maneiras de fazer a guerra e muitas maneiras de manietar gigantes.

A realidade é que não tomaram. A realidade é que fomos nós que demos.

muja disse...

Quanto a Armindo Monteiro, acabou por ser mentalmente vencido pelos ingleses e teve desentendimentos graves com o Presidente do Conselho, chegando mesmo a desobedecer a instruções concretas de Lisboa.

Achava que a única hipótese que havia era entrar na guerra ao lado da Inglaterra, e que se não o fizéssemos nunca conseguiríamos manter a neutralidade e que nos levariam tudo quanto tínhamos, isto se a Alemanha desde logo nos não invadisse, ou a Espanha.

Eventualmente acabou por tornar-se mais um dos que pensa que nós não podemos porque os outros também não.

Enganou-se como ainda outros tantos se enganam hoje. Portugal tinha uma política, seguiu-a firmemente, defendeu tenazmente os seus interesses e apenas os seus, e foi bem sucedido. Não nos levaram nada e mesmo Timor, que foi invadido pelos japoneses depois de o ser pelos australianos e holandeses, foi restituído à soberania portuguesa.

A nossa história da 2ª GG merecia bem ser lida por todos, porque ilustra bem quão enganados estão os que dizem que só podemos o que os outros podem.

Floribundus disse...

o sector desinformativo é muito mais eficaz e completo que o informativo

temos ideias muito limitadas dos acontecimentos
e muito dispersas

vergonhosamente nunca nos quizeram contar a razão da ida de Rudolf Hess a Inglaterra a 2 de Junho de 1941 e suicidaram-no aos 94 anos

depois da entrega dos Açores aos Ingleses andámos a colocar tiras de papel nas vidraças com receio de bombardeamentos

faziam-se ensaios nocturnos de localizações de aviões com holofotes

dizia-se que Hitler teria dito que tomava o rectângulo pelo telefone (Franco encarregar-se-ia da invasão)

falou-se na saída do governo para África

às vezes tenho a sensação que nos procuram baralhar sobre a história contemporânea, sobretudo aquela que vivi

António Rosa disse...

Enquanto continuarmos a rotular coisas,ideias e pessoas como " de esquerda " ou "de direita " nao vamos la , cara Maria ...

António Rosa disse...

Caro " ainda ha " : Luis de Sttau Monteiro nunca foi conhecido pelas " redaccoes da Guidinha "- alias, eram "da Guidinha " por isso mesmo , e poucos sabiam quem era o seu autor -mas sim por um romance notavel , que marcou quem o leu naquele tempo, intitulado "Angustia para o jantar ", e cuja leitura recomendaria ainda hoje a quem saiba pensar sem preconceitos e sem peias ideologicas de esquerda-direita ou de esquerdo/direito ,de que ele seria o primeiro a rir,homem livre de pensamento ,superior e bon-vivant que era.

António Rosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zephyrus disse...

O Estado prepara-se para expropriar 28% do património de parte das famílias portuguesas:

http://www.tvi24.iol.pt/economia/herancas/partilhas-apressadas-e-corrida-a-doacoes-para-evitar-imposto-sucessorio

1 milhão de euros não é muito para quem tem imóveis em áreas urbanas ou perto do mar.

Uma fábrica facilmente ultrapassa esse valor se for um imóvel com dimensões maiores. Pagar 28% num ano do valor do imóvel ao Estado será a falência de muitas PMEs que já pagam IMIs astronómicos.

No PREC a Igreja mobilizou o povo no Norte. E agora, ninguém contesta? Onde está a Igreja? Onde estão os patrões?

O Jerónimo disse numa entrevista há uns anos que o comunismo era o fim da História, mas seria por fases: social-democracia, socialismo, comunismo. É nisto que esta gente acredita. O fim da propriedade privada é um dos seus objectivos principais.

Onde anda os tudólogos da treta?

Que fará Marcelo?

zazie disse...

Estes artistas são mesmo uns líricos.

Quer-se dizer, temos um tipo que sacou o lugar do que ganhou as eleições em nome de uma maioria de esquerda, e este diz que essas coisas já nem existem a não ser na cabeça de quem usa palas...

zazie disse...

Um governo inteirinho a mandar em nós, em nome de uma coligação ideológica de esquerda que nem se apresentou a eleições.

Por lei conseguem sacar o lugar da coligação partidária que venceu.

Mas não. Estas cenas semânticas de esquerda/direita são preconceitos do José e de quem usa palas. Porque nem sequer existem ou são realidade alguma- como o comprova a realidade.

E um pano encharcado, não dá vontade?

António Rosa disse...

Enquanto continuarmos a rotular coisas,ideias e pessoas como " de esquerda " ou "de direita " nao vamos la , cara Maria ...

zazie disse...

Vão eles. Percebe? vão eles porque vendem ideologia.
Ou como é que julga que o Costa chegou a PM?

E este blogue mostra como a patranha que se vende foi construída desde o 25 de Abril, com a mitologia da "esquerda heróica" e anti-fascista.

zazie disse...

Além do mais existem ideias de esquerda e existe outra coisa que o não é e pode ser direita.

Historicamente é assim. Só o nega quem quer fazer passar esquerdice fazendo-a passar por coisa neutra e isenta, acima nem se sabe de quê.

Individualmente é que existem pessoas que não são nada. Mas a sociedade não é feita pessoa a pessoa e por isso mesmo as ideologias existem para falarem em nome de ideais colectivos que até podem ser grandes patranhas.

Ideias são outra coisa. A mania de confundir ideias com ideologia vem do analfabetismo geral.

zazie disse...

E eu não sou a Maria, para que fique esclarecido.

Não está a responder à Maria. Está a responder à zazie- com blogue, caso queira saber.

António Rosa disse...

... - "Si può ? "

Deambulando pela blogosfera topei há tempos com este blog ; agradou-me o que vi ,recomendei ( e continuarei a recomendar , no matter quaisquer divergencias de opinião ) e,vendo um hospitaleiro convite ao comentário
atrevi-me a entrar nesta tertúlia escrita ,por achar que é importante a
troca de pontos de vista entre pessoas que estão no mesmo nível de consciência das coisas , logo com responsabilidades acrescidas no estado da res publica .Dito isto , e como declaração de intenções e compromisso pessoal , fica a garantia de que nenhum comentário meu terá
um alvo pessoal ( discuto ideias , não pessoas e muito menos slogans ) nem me deixarei arrastar para querelas desse género - tenho mais que fazer , embora a tentação às vezes não faltasse...gosto de supor nos meus interlocutores a mesma abertura de ideias , humildade , tolerancia e ausencia de sobranceria intelectual com que tento expor as minhas reflexões.
Termino lembrando , sem com isto pretender ser original, que é a reflexão crítica sobre o nosso passado que nos ajuda a compreender o
presernte, e com sorte a evitar os mesmos erros no futuro...mas para tal é preciso ter a coragem de nos vermos tal como somos,nas nossas grandezas e misérias passadas e presentes - a Verdade é um prato forte , e estômagos mais sensíveis podem ter problemas... uma dica final , e desafio que deixo à tertúlia : esqueçamos que estamos a reflectir sobre coisas que ainda nos estão muito próximas , e tentemos analisá-las de longe...tentemos ter o olhar com que um hipotético historiador/ investigador do sec XXVI veria os nossos ultimos 3 séculos , em especial o nosso .

Zephyrus disse...

«É preciso coragem pessoal para ser candidata à Presidência da República aos 39 anos num país machista como Portugal. Escandalosamente machista, não porque o machismo seja maior do que quando eu tinha 20 anos, mas porque continua vivo, e a acabar com vidas, e passaram 20 anos. Creio que aos 20 anos eu achava que o machismo era uma idiotice tão óbvia que se extinguiria por si. Fazer coisas como se ele não existisse era uma forma natural de o esvaziar. Eu estava grata a todas as mulheres que o tinham combatido até esse ponto em que se iria extinguir como os mamutes. Feminista parecia-me um termo histórico com uma aplicação contemporânea ao mesmo tempo insuficiente e ultrapassada. Agora, que acabo de fazer 48 anos, parece-me que o machismo acha sempre novas formas de ser contemporâneo, como bem mostraram as reacções boçais à lei antiassédio, deturpada para lei do “piropo”.»

É isto um Público?

Uma radical feminista de Esquerda radical que pela linguagem usada se assume.

http://www.publico.pt/politica/noticia/declaracao-de-voto--inimputaveis-1719485

Zephyrus disse...

Esta Alexandra Lucas Coelhos mete-me nojo.

Zephyrus disse...

A lei do piropo aos olhos de uma estrangeira:

«Mas antes disso, deixem-me dizer qualquer coisa sobre a lei do piropo. É uma coisa bastante ridícula por muitas razões, mas principalmente porque 1) não vai funcionar e 2) vai ser facilmente abusada por pessoas vingativas. Mas como esse é o caso com muitas leis — 1) não impedem as pessoas de as infringirem e 2) há sempre alguém suficientemente vingativo para abusar delas — vamos ver como funcionar esta nova lei. Talvez eu esteja errada. Talvez a lei do piropo vá fazer chegar uma nova era de respeito pelas mulheres (mas não vai).»

http://observador.pt/opiniao/ja-nao-pode-dizer-boa/

António Rosa disse...

A lei do piropo aos olhos de um estrangeiro (na sua própria Pátria!) :


( Permita-se-me esta provocaçãozita para animar o debate)

A lei abarca também o piropo inter-homossexais ou apenas ou apenas o
piropo inter-heterossexual ?
O patamar aceitavel de tolerância literário-semântico-poético-fático
já foi tabelado pelo legislador , ou é ad hoc ?

Zephyrus disse...

«O patamar aceitavel de tolerância literário-semântico-poético-fático
já foi tabelado pelo legislador , ou é ad hoc ?»

Li há anos um artigo sobre a censura à Divina Comédia, já não me lembro em que país. Dizem que é homofóbica. Não tarda a moda chega cá. Podem fazer um catálogo de livros e autores a censurar. O Cancioneiro Geral é misógino. Gil Vicente, antisemita. Jorge de Sena misógino. Dante terrivelmente homofóbico. Ah, a Bíblia nem se fala. É o Admirável Mundo Novo do Huxley que se instala.

António Rosa disse...

É a globalização e o " politicamente correcto "...

zazie disse...

3 séculos é demasiado de uma só vez.

":OP

O distanciamento que é preciso em relação ao passado nada tem a ver com ficção científica.

António Rosa disse...

Caro Zephyrus ( whoever he or she may be )

Parabens pelo seu post de 7 Janeiro : acertou em cheio em muitas coisas
incómodas de reconhecer mas que são em grande parte verdade ! No entanto é preciso ir mais longe , chegar ao PORQUÊ das coisas...não basta um diagnóstico ( certeiro que fosse ), precisa-se da terapêutica !
A consciência de se estar enfermo é apenas meio caminho andado ,falta o resto...
Pela pertinência e coragem desassombrada do seu comentário e pelas questões que suscita voltarei a este tema com mais detalhe ; entretanto uma dica : qualquer que seja a sua área , pense sempre pela sua cabeça ,que me parece excelente , e não se deixe censurar / intimidar seja por quem for ...

Maria disse...

António Rosa, por mim esteja à vontade para me contraditar no que muito bem entender desde que com a elevação que demonstrou neste seu último comentário.

Relativamente à Zazie, que faz parte da prata da casa desta ilustre Casa:) pelo que se lhe deve o respeito igual ao que merece o Dono da mesma, estou d'acordo com muito do que ela escreve e não estou num ponto ou noutro.

Agradeço à sua observação no que à 'esquerda' e 'direita' diz respeito, mas repare, eu vivi ainda o tempo suficiente no Estado Novo para poder fazer comparações entre aquele regime e este. Mais acrescento, que se naquele regime a esquerda e direita nada nos diziam porque inexistiam no plano político/ideológico e também não nos faziam falta alguma (digo-o com toda a sinceridade, filha que fui de um republicano convicto que, apesar de o ser, nunca fez grande alarde desse facto e jamais contestou com acrimónia o regime de Salazar - e se alguma vez o fez nunca de um modo destrutivo ou difamatório, antes pelo contrário, elogiou mais do que uma vez algumas medidas imperiosas por ele tomadas, levadas a cabo com determinismo e uma coragem fora do vulgar, que o levava a ser admirado até pelos seus inimigos políticos, estrangeiros e nacionais, para a defesa de Portugal e dos portugueses, sendo esta a principal missão política que se atribuía e aquela que verdadeiramente o preocupava, da qual nunca se tendo afastado, lutando por ela toda a sua vida - nunca o tendo depreciado como pessoa ou Estadista nem desvalorizando o seu enorme contributo para a paz social que se viveu durante todos os seus governos, sem esquecer o seu esforço sobre-humano para a conservação da nossa soberania e independência que permaneceram intactas. Por tudo isto e muito mais, foi merecedor do imenso prestígio, admiração e respeito grangeados no País e no resto do mundo.

Isto para lhe dizer que se neste regime temos que nos confrontar obrigatòriamente com a existência de partidos políticos comunistas e extremo-esquerdistas que não são democráticos nem sabem adaptar-se a um regime efectivamente livre (os quais, na minha humilde opinião, são o que realmente divide grave e inexoràvelmente os portugueses, coisa que nunca havia acontecido no passado justamente por eles não existirem de todo e consequentemente não haver ódios, nem divisões, nem antagonismos, nem confrontos ideológicos entre pessoas e famílias, todos éramos unidos e felizes, não havia inveja nem ninguém desejava mal ao próximo, vivíamos em paz e todos nos apoiávamos mùtuamente - o exacto oposto do que se tem vivido neste País desde há quarenta anos a esta parte. E tudo graças a um Governante que nos garantia essas benesses sem têm preço, as quais só são verdadeiramente valorizadas quando se perdem), este género de regime inventou os ditos partidos e por alguma razão o fez. E nós sabemos perfeitamente, é dos livros, qual foi. E se eles existem e temos de nos debater com a sua existência, há que enfrentar essa realidade e separar o trigo do joio. E nesta separação, apontar sem reservas nem inibições nem complexos do polìticamente correcto, os defeitos e as qualidades que a cada uma das ideologias dizem respeito. E as diferenças entre aqueles e estas são abissais.
(cont.)

Maria disse...

O António não irá negar que a esquerda marxista e todas as outras esquerdas extremistas e moderadas a ela ligadas, o estão por convicção e total devoção. E que todas elas persistem em defender à outrance uma ideologia que está desde há muito ultrapassada pelos sucessivos acontecimentos mundiais, bem como pelos desenvolvimentos tecnológicos que se foram sucedendo quase à velocidade da luz pelo menos desde a implosão da União Soviética e que o atestam à exaustão. Regime que nesses países perdurava há longas décadas e por força do destino (ou os "ventos da história", segundo o José) deixou d'existir por não se poder coadunar com as sociedades desenvolvidas tal como elas se começavam a desenhar já então e continuaram ininterruptamente até ao presente século e no entanto as esquerdas estalinista e marxista-socialista, aceitaram-no e continuam a fazê-lo como um regime legítimo porque genuìnamente democrático, o que decididamente nunca foi nos países de então nem é nos que ainda resistem com o mesmo regime aos ventos da história, socorrendo-me de novo do termo do José para casos análogos.

Só acrescentarei algo que é do conhecimento de todos e que o António certamente não poderá negar. Todo o mal que nos tem vindo a acontecer, como País e Povo, desde há quarenta anos e até hoje, deve-se única e exclusivamente - estando nós desde então supostamente em democracia... - ao período negro chamado PREC. Período este, segundo o José tem frisado e muitíssimo bem, que destruiu para sempre (pelo menos até hoje) qualquer hipótese de nos tornarmos num País verdadeiramente democrático e livre, como os demais que subsistem na Europa e no mundo. (Nós estamos desde essa altura a ser governados pela esquerda marxista por interpostos partidos ditos democráticos, mas a ela submetidos. Aquela apossou-se do poder para não mais o largar. É meste impasse que reside o nosso drama). E de quem é a culpa de termos tido um PREC? Melhor, qual é a ideologia professada pelos verdadeiros culpados do período mais trágico vivido neste regime, logo seguido de outro ainda pior porque despótico e sanguinário, período esse que precedeu uma pseudo-democracia que havia sido falsamente propagandeada durante décadas pelos oposicionistas ao anterior regime como a sétima maravilha do universo e que eles prometeram vir introduzir no País em substituição daquele que eles acusavam de ter sido um regime despótico, fascista e anti-revolucionário? Afinal, se nos dermos ao trabalho de interrogar um qualquer cidadão russo do presente e lhe perguntarmos como caracterizaria o ex-regime soviético, ele responderá d'imediato (como eu ouvi em directo na TV, numa entrevista feita a um cidadão moscovita, pouco depois da queda daquele regime) que aquele havia um regime fascista e anti-revolucionário!! Tal e qual...

Terá o António algo a contrapor a estas verdades iniludíveis e incontestáveis que estão na origem dos partidos comunistas-estalinistas, comunistas-maoístas e socialistas-marxistas e dos regimes por eles liderados?

Vivendi disse...

José António Saraiva descreve o momento no livro “Confissões de um Director”, explicando que Marcelo encenou o seu enforcamento com a correia do estore de uma janela, numa brincadeira para divertir a secretária de Balsemão, Paula Calisto.

Rebelo de Sousa dizia que se não fosse admitido se enforcava. Quando entrou na sala, o futuro director do Expresso ainda apanhou Marcelo com a corda ao pescoço e a língua de fora. Achou-o louco, mas convidou-o para administrador-delegado. Só que a vocação de Marcelo não era a gestão e rapidamente passou para a redacção.

http://www.lusopt.com/portugal/2933-marcelo-rebelo-de-sousa-chegava-a-escrever-noticias-sobre-si-proprio

António Rosa disse...

Cara Maria

Antes do mais parabens pelo seu excelente post de comentário às minhas
modestas reflexões ,e obrigado pelo seu contraditório ! Tal é o escopo e a complexidade das questões que levanta que não poderei comentá-las
aqui, mas prometo fazê-lo com tempo e com calma . Gostaria no entanto , para contextualizar melhor esta troca de de ideias ,de adiantar o seguinte :

- Não sou ingénuo ou ignorante ao ponto de não estar a par das designações convencionais de esquerda/direita comummente aceites , e não só no nosso País ! Precisamente tento evitar a armadilha intelectual de nos deixarmos , HOJE ,encurralar nesse guetto mental ,
que só nos pode levar a debates enviesados (a meu ver ! )

-Tal como a Maria tambem eu vivi alguns dos anos do Salazarismo e do
Marcelismo - a 25 Ab de 74 tinha 16 anos ( estou a fazer 60 )e como tal totalmente não-esclarecido ideológicamente , como a grande maioria dos Portugueses , mesmo adultos ( e mesmo e ainda mais hoje ,diria ...apesar de não o saberem...lá iremos...)

- Não me recordo de ter faltado ao respeito a Zazie - aliás , nem sequer lhe dirigi a palavra , e fiz questão de ignorar algumas das suas "bicadazitas " ,essas sim algo displicentes , para não dizer outra coisa-pretendendo não perceber que me eram dirigidas...

- Dirigi-me isso sim a Zephyrus , citando-o ( a? ) por entender que
muito do que disse é incontestável e tão raro de ouvir que não merece
de todo ser desvalorizado...( en passant e citando de memória , só estas 4 ideias dariam "pano para mangas " : ( esta divertida ao mesmo tempo ! )Portugal como protectorado Britânico vivendo na ilusão de ser um País soberano ( digno de Kusturica ! )/a
colonização tardia de África e o nosso valor real como Povo e suas
realizações.Lá iremos , fica prometido ! ( Só a título de " cheirinho " : a narrativa da tomada de Lisboa aos infiéis pelo Cruzado Osberno - i.e. Osborne /o afã com que John Bull veio escorraçar daqui os Franceses, não fossem ficar-lhe com este magnífico cais aberto sobre o Atlântico, para mais ao pé do Mediterâneo e ainda com a bela vinhaça do Porto / o Ultimatum / o vergonhoso escarro e atestado de
menoridade que foi a investigação ao caso Maddie...


- Subscrevo totalmente a leitura da nossa História recente que o nosso anfitrião encoraja - e isto não tem nada a ver com revisionismo ou reescrita da História , acredite !

-No estado presente das minhas reflexões , depois de ensaiar muita tentativa de explicação que não me satisfez ,resolvi ser pragmático e adoptar um empirismo crítico; explicando-me : partamos da realidade actual e vamos em sucessivo flashback - além do mais é sempre útil, não esqueçamos que há quem dê por adquirido que " amanhã já ninguem se lembra "...



- Factos pois , senhores , factos ! ( Res , non verba ! ):



-Tivemos eleições , parece .

- 44% do Povo não votou ( !!! )- 4.4000.00
-em vez de termos um governo ( ? ) formado pela coligação que venceu...e mesmo assim seriam os não-eleitos de 7.800.00...
- temos :
Os eleitos por 460.000 ( e não-eleitos por 9.540.000 )
" " 1.200.000 ( " " 8.800.000 )
" 900.000 ( " " 9.100.000 9


Acordamos assim com os não-representantes de 8.000.000 âs cavalitas...como se explica este PREC ? E o Povo ?
ora , pois...adere , que remédio ! (povo de aderentes ? de adesivos ?
lá iremos ...)
ra...pois...

zazie disse...

Olha quem ele é ahahahaha

O velho formiga com aquela tradicional pontuação de demente

":O))))))))))))))

zazie disse...

http://formigabargante.blogspot.pt/

O Bargante continua marado