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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O jornalismo de investigação não interessa a ninguém em Portugal...




No Público de hoje este artigo sobre o jornalismo de investigação em Portugal, ficou reduzido a um nome como símbolo do género que praticamente nem existe: José António Cerejo.
É pena que o autor ( Jacinto Godinho, provavelmente de Lisboa, sem grande experiência e versado em filmes, de preferência estrangeiros. Deve saber tudo do Watergate, do Network, do Citizen Kane, etc). Do jornalismo caseiro sabe o que se pode ler.

Pelos vistos sabe nada sobre este indivíduo que é um verdadeiro jornalista de investigação como já nem há. Até tem um livro sobre o assunto, mas é do Porto, o que é uma desvantagem. Porém, este é que é o verdadeiro "pai" do jornalismo de investigação em Portugal. O seu a seu dono e façam-lhe justiça.


Sobre José António Cerejo também aprecio o esforço que por vezes leio. Agora muito raro.


No outro dia, o Observador, citando o jornal i que investigou,  publicou um artigo sobre a adjudicação de um serviço jurídico a um escritório de advogados cujo nome principal avultava ser...do CDS. Um certo Mota Soares. Só que não era o "tal" Mota Soares. E os factos parece que nem eram os correctos. Também dei conta por aqui, do acontecimento relatado, mas publico agora o esclarecimento dos visados. Enfim, ainda há tempo para remediar o mal feito. Mas parece ser tarde...e deste jornalismo de investigação dispensa-se.

 O esclarecimento aparece agora numa pequena nota já recuada no tempo no mesmo Observador, como direito de resposta:



Exmo Senhor Director do Jornal Observador,

Tenho em conta a notícia publicada na vossa edição de 15/2/2015, vimos pelo presente exercer o nosso direito de resposta nos seguintes termos:

1- Na edição de hoje [15 de Fevereiro de 2016] do Jornal Observador que V.Exa é Director é publicado uma notícia com o seguinte título: Parque Expo paga 100 mil euros a escritório de Nobre Guedes e Mota Soares.


2- Lamentamos que não nos tenham contactado previamente à publicação, o que teria evitado a publicação de uma notícia com factos que não correspondem à verdade.

3- A notícia remete e cita para outra publicada no Jornal I acompanhada por fotografias do Dr. Luís Nobre Guedes e do Dr. Luís Pedro Mota Soares.

4- Sucede que o Dr. Luís Pedro Mota Soares não é, nem nunca foi, sócio da sociedade de advogados Nobre Guedes Mota Soares e Associados. Quem é sócio da sociedade, e desde a sua fundação, é o dr. Fernando José Mota Soares.

5- Também é falso que a Parque Expo tenha “pago 100.000 euros ao escritório de Nobre Guedes e Mota Soares” como é noticiado.

6- O escritório Nobre Guedes, Mota Soares e Associados foi contratado para a operação de concepção, negociação e implementação da privatização da concessão do Oceanário de Lisboa, processo que decorreu de Março a Setembro de 2015.

7- O processo de contratação obedeceu a todas as regras de contratação pública tendo a nossa sociedade sido contratada para prestar serviços de assessoria jurídica no âmbito da “privatização do Oceanário de Lisboa”, englobando os seguintes serviços:

– Assessoria na elaboração de projecto de resolução fundamentada de Conselho de Ministros que aprova os termos da privatização;


– Assessoria na elaboração de projecto de Decreto Lei que determina o interessa publico da actividade do Oceanário;

– Assessoria na elaboração de Decreto Lei de Bases de concessão estatal à sociedade de capitais públicos Oceanário de Lisboa, SA;

– Elaboração do caderno de encargos da privatização;

– Elaboração do contrato de concessão entre o Estado e a Oceanário de Lisboa;

– Lançamento de procedimento concorrencial internacional para a alienação da empresa Oceanário de Lisboa;

– Preparação da Due Diligence da operação;

– Acompanhamento do processo concorrencial e esclarecimento das dúvidas dos concorrentes;

– Análise das propostas, graduação das mesmas, (de notar apresentadas várias propostas de concorrentes internacionais);

– Elaboração dos contratos de compra e venda e de todas as garantias,

– Fecho da operação

– Pareceres vários emitidos em função dos pedidos de esclarecimento efectuados por entidades públicas administrativas e jurisdicionais (DGTF, Gabinetes Ministeriais, Tribunal de Contas, entre outras).

8 – Para assegurar a prestação dos serviços englobados, foram discriminadas pelos cinco advogados envolvidos 818 horas de trabalho, tendo sido facturados 66.001 Euros que corresponde a um valor horário de 80 euros/hora, tendo sido o processo de privatização que teve menos encargos para o Estado, no que respeita a assessoria jurídica.

9 – Não é portando verdade que a Parque Expo tenha pago 100.000 euros no escritório Nobre Guedes, Mota Soares e Associados. Pagou 66.001 euros que foi o valor que foi facturado pelos serviços prestados durante sete meses, nos termos do contrato celebrado que obedeceu a todas as regras da contratação pública.

10 – Todas estas questões teriam sido cabalmente esclarecidas se o Observador tivesse tido o cuidado de contactar o nosso escritório antes de publicar uma notícia com vários factos inverídicos e erróneos, susceptíveis de causar danos à nossa reputação enquanto sociedade de advogados.

Pelo exposto, e sem prejuízo de outros procedimentos, solicitamos que publiquem o presente esclarecimento ao abrigo do direito de resposta.

Pedro Pestana Bastos

Sócio – Advogado – Departamento Contencioso e Arbitragem

NOBRE GUEDES, MOTA SOARES & ASSOCIADOS





6 comentários:

Floribundus disse...

contaram-me que em Ponta Delgada houve um dirigente da PSP que preferia aplicar castigos físicos à malandragem em vez de enfiar os ditos na prisão

dizia antes da aplicação dumas vergastadas nas nalgas

'-tira lá a rupinha quela não tem quiulpa'

Ardina de Chelas disse...

"Jacinto Godinho, provavelmente de Lisboa, sem grande experiência e versado em filmes, de preferência estrangeiros."

É pena meu caro que você também tenha feito um esforço para investigar quem é este jornalista "sem experiência" chamado Jacinto Godinho que leva quase 30 anos de profissão e tem dois prémios Gazeta por reportagens de investigação.


Jacinto Godinho

josé disse...

Obrigado pelo esclarecimento. Não conhecia o seu trabalho de investigação e dou a mão à palmatória, se for esse o caso.

Vou tentar verificar as "fontes".

Por outro lado aqui não se trata de jornalismo de investigação mas apenas de investigação do jornalismo. Há diferenças e sobre isso reconheço a minha limitação ao contrário do que vejo escrito no seu artigo...

joserui disse...

'-tira lá a rupinha quela não tem quiulpa'
Foi a melhor coisinha que li este ano! -- JRF

Jorge disse...

Sejamos sérios, este Godinho nem para engraxar as botas a Aurélio Cunha servia. Prémios Gazeta ?? Isso é o quê ?? Há pessoas que não se enxergam !!

Manuel disse...

É impressionante a desilusão com que se fica ao ler a crítica ignorante e cínica ao Jacinto Godinho, um dos maiores no jornalismo de investigação em Portugal, quando acedei a este blog e li a crítica ao Jacinto Godinho até pensei que no artigo postado o Jacinto Godinho tinha desprezado o trabalho de outro grande jornalista de investigação, o José António Cerejo, afinal no artigo elogia-o, como nunca poderia deixar de ser. Sugiro que altere a sua forma de valorizar um grande senhor do jornalismo português, desvalorizando outro grande senhor do jornalismo português, já são tão poucos que fazer isto é de uma desonestidade impressionante, fiquei chocado e indignado pela falte de respeito. Saudações