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sábado, 26 de março de 2016

A essência esquerdista loff

O comunista-historiador Manuel Loff anda a  contar uma História alternativa no Público.
Nessa versão apócrifa da realidade circundante, o vilão da História é a Direita, seja isso o que for e Loff designa segundo a óptica da luta de classes, o método mais adequado para classificação. A Esquerda é tudo o resto que se define como  "defensores dos trabalhadores". Ou seja, a velha e relha cartilha marxista, fossilizada e que permanece entre nós como museu vivo de uma das maiores tragédias do séc. XX.
Estes acólitos da revolução permanente enquanto não surja a oportunidade do golpe, escravizaram milhões de pessoas e falam de libertação dos povos. Reduziram outras tantas a uma miséria colectiva cujo último exemplo assentou arraiais na Venezuela e tentam fazer o mesmo por cá, enquanto vivem à custa de um Estado que os suporta como se fossem uma consciência colectiva de um povo condescendente.
Falam de democracia ocultando gulags, repressões sanguinárias, assassínios em massa pela fome e inacção, desprezo completo pelos direitos individuais, tudo em nome do colectivo socialista-comunista que erigem em modelo único de organização política e social.
Pois é este modelo de democrata que o Público acolhe para o mesmo expor as mesmas ideias que conduziram à desgraça colectiva de povos inteiros e que mesmo fossilizadas pelos ventos da História não desistem de propor como modelo único para a felicidade vindoura.

A vítima preferida actualmente para a exposição fóssil é Cavaco Silva e o "cavaquismo" na sua tentativa de desfazer o que o comunismo-socialismo tinha feito ao país, durante os dez anos que se seguiram a 25 de Abril de 1974.
A destruição da Economia, com duas bancarrotas, o empobrecimento real e o desfasamento perante a Europa mais evoluída, não foram motivos suficientes para se abandonarem essas ideias fósseis, antes pelo contrário.
Os loffs que pululam nessa Esquerda continuam a apostar nessa pileca como se fosse o puro-sangue que nos irá conduzir à vitória e por esse motivo todos os que não acreditam nas virtualidades do jerico são corridos a "fascismo" e outros epítetos que servem de vergasta à pileca.

O que me traz a este comentário é por isso mais do mesmo: a capacidade dos loffs em desvirtuar a História, mesmo dizendo-se historiadores.

No artigo há uma categorização do regime anterior ao 25 de Abril como perfeitamente odioso e sem qualquer remissão. Nisso não concedem um milímetro de antifassismo primário e Marcello Caetano é um fassista que colaborou com os grandes grupos económicos. Estes "grandes grupos económicos" são e foram sempre os inimigos desta classe comunista e que por antonomásia impingem a todo um povo, mesmo que se apoiem em menos de 10% dos votos democráticos.

A democracia destes loffs não aceita naturalmente os fassistas que se reúnem em grupo alargado a partir de certas franjas do PS. Tivessem o poder suficiente e tiravam-lhes o pio e em alguns casos literalmente, como aconteceu nas democracias populares mais conhecidas.
Como tal, nem mesmo as tentativas de abertura do regime anterior, iniciadas logo em 1968 quando Marcello Caetano chegou ao poder, lhes servem de lenitivo para apaziguar o antifassismo de que padecem.
Na perspectiva dos loffs, Sá Carneiro nunca foi democrata e Cavaco Silva também não.

É tempo de perguntar a estes loffs que raio de democracia defendem...se bem que a pergunta seja mera retórica e se dirija mais a quem lhes dá guarida. Anti-democratas deste género a defenderem a democracia é sinal de estupidez de quem os convoca para tal discurso.

E é preciso voltar a lembrar que a democracia de tipo ocidental que Álvaro Cunhal, um dos patronos ideológicos dos loffs, jurou nunca ser possível em Portugal,  teve o seu embrião na antiga Assembleia Nacional fassista. Isso para mostrar a verdadeira História e para confundir os loffs que pululam por aí.

As imagens são da Flama de 4 de Dezembro de 1970.  Nessa altura ainda havia gulags na União Soviética...pátria dos loffs de então.



25 comentários:

ainda ha disse...

Tome em atenção que "loff", mesmo indo às suas raízes germânicas, é uma palavra ou um nome elogiosos.
Mas como em todo o pano cai a nódoa...

Unknown disse...

Um merdas, seboso e sebento, apropriadamente embrulhado no papel higiénico de péssima qualidade em que transformou o "púbico" da sãozinha...
PS
Que esqueletos terá o Eng. no armário para, contra ventos, marés e a sua própria maneira de ser, continuar a sustentar esta cloaca "comunicacional" ?

muja disse...

Ainda bem que não concedem um milímetro. Há-de ser isso que os remeterá à inexistência de onde nunca deviam ter saído

Os orfãos ideológicos debatem-se como peixes fora de água. A esquerda abandonou definitivamente os trabalhadores que fingia representar, por esse mundo fora. Hoje mais que nunca não suporta essa massa reaccionária e pouco sofisticada em tudo desde as perversões sexuais à religião.

Trocou o proletariado pelo "victimizado - a maioria pelas minorias.

Essa transição é bem evidente do PC para os lacaios capitalistas do bloco.

Já não faltará muito para que vejamos acusar o Estado Novo de fascista por ter feito alguma coisa pelos trabalhadores.

O capitalismo não causa engulhos nenhuns oficiais à nova esquerda desde que seja amigo das minorias. Aliás, sabem perfeitamente que é o principal parceiro.

A maioria homogénea enraizada culturalmente é o novo capitalismo imperialista colonialista.

É que isto os ventos da "história" continuam a soprar...

António Rosa disse...

Ventos ? parecem ventosidades...

lusitânea disse...

Sem propaganda devidamente controlada onde é que eles já iam...mas irão!

Lura do Grilo disse...

O comunismo não é uma ideologia: é uma tara psicológica!

José Domingos disse...

Quando os camaradas, da radio Portugal livre, emitiam de Bucareste, estavam num país que era uma liberdade, que até metia dó. Na altura Portugal comparado com os países do pacto de Varsóvia, era um paraíso.
Esta verdade é que os camaradas do museu de arte antiga, também conhecido por pcp, não apagam, porque não podem.
O pcp, tem muitas culpas no cartório, no estado a que o país chegou.
Já que não são democráticos, pelo menos tenham vergonha.

Miguel Dias disse...

Sr. José Domingos,

O PCP ter vergonha do passado e das realidades sociais, políticas e económicas existentes nos Países do então Pacto de Varsóvia? Mais facilmente um camelo entraria por um buraco de uma agulha.... não em sentido metafórico entenda-se.

Floribundus disse...

pelo sofrimento (PATHOS) que causou e provocará nos seres humanos

sempre inclui o comunismo
nas PATOLOGIAS SOCIAIS

lado a lado com os outros socialismos

João José Horta Nobre disse...

O Manuel Loff é mais um da turba neomarxista que se apropriou do ensino superior em Portugal. É deixá-los andar que hão-de cair de podres.

Floribundus disse...

pertecem a uma forma patológica o delirium tremens

delirium ' acto em que a aiveca do arado saía fora do sulco'
por incapacidade de que segurava a rabiça

dizia-se que a besta ou pega de canga ou de arado

mas nunca perde a sua condição de besta

Floribundus disse...

acorrentados numa caverna escura

observam 'sombras' em vez de pessoas e objectos

incapazes de ter consciência do mundo envolvente

são o exemplo mais destrutivo

do mito ou alegoria da caverna

que Platão apresenta na República

Maria disse...

Assino por baixo as palavras do comentador José Domingos, acima. Raramente se lê em tão poucas palavras tanta verdade sobre o que separava o regime do Estado Novo e os regimes comunistas de Leste. Eu, que já era então crescidinha, posso testemunhar, «até que a voz me doa» (citando apropriadamente a feliz frase da canção), como se vivia uma paz social verdadeira, assim como existia uma segurança absoluta no País. Era impensável ter-se medo do próximo e muito menos receio de ser-se assaltado na rua ou em casa, como neste regime acontece todos os dias, na verdade não exite uma só família em que um único dos seus membros ou todos eles, um a um, não tenham sido roubados ou assaltados, desde crianças pequeninas a adultos idosos, sem falar nos inúmeros cidadãos, por esse país fora, assassinados para serem roubados. Fiz recentemente uma pesquisa entre família, amigos e vizinhos e constatei esta pavorosa realidade. Um inferno de tão inacreditável magnitude jamais teria passado algum dia pela cabeça dos portugueses, porque ele nem sequer se punha. A paz social, a ausência de violência e a segurança das pessoas, a todos os níveis, eram simples e inconscientemente assumidas como tal. Nunca se terá vivido em Portugal - e estou a colocar em perspectiva todos os regimes anteriores incluíndo o monárquico (com talvez a excepção do reinado de D. José em que o Marquês era quem governava com mãos de ferro o País e acautelava a respectiva segurança e ai de quem a transgredisse - uma paz real e uma segurança total como durante o Estado Novo. Estas minhas palavras baseiam-se não só no tempo ainda por mim vivido, mas também nos relatos que me foram transmitidos por Pais e Avós que o viveram na totalidade e mo transmitiram, já em plena 'democracia e liberdade'... e que belas estas têm vindo a revelar-se, então não? Testemunhos preciosos passados pela minha Tia-Bisavó materna a minha Mãe, sua sobrinha-neta, que cheguei a conhecer era eu pequenina. Esta minha familiar afastada, nasceu ainda no séc. dezanove e viveu toda a 1ª. República - da qual relatou os horrores por ela provocados - que e anos subsequentes até aos anos cinquenta do Estado Novo, sendo-lhe consequentemente facílimo fazer comparações e se as fez! Felizmente que não chegou a assitir à sua trágica derrocada pela mão de maçons traidores, comunistas e socialistas.

É esta cruel, insuportável, inaceitável e imerecida realidade que somos obrigados a viver desde há quatro longas décadas. Até quando?

Portuga disse...

Maria
Subscrevo totalmente as suas palavras e confirmo tudo o que diz porque eu vivi esse tempo, antes do 25abril. Havia paz e liberdade embora com algumas reservas a liberdade de expressão mas nada que não se pudesse evitar. Aliás, esse tema nunca foi deveras debatido com verdade. Sempre tem vingado a versão dos comunistas mas nunca foram capazes de dizer quantas bombas colocaram em edifícios e equipamentos do Estado e a destruição e violência que provocaram no país. Mas essa é outra história... Hoje que as cadeias estão cheias e a criminalidade é mais que muita está tudo numa boa. A corrupção é o pão-nosso-de-cada-dia mas não faz mal porque é democracia. A pobreza aumenta a cada dia que passa mas isso ainda são reminiscências do fascismo, dirão.
Hoje vive-se uma hipocrisia de bradar aos céus. Mentirosos são mais que muitos. Política vergonhosa que até dá repugnância. Partidos políticos e sindicatos a viverem à conta do Estado e este a subcarregar os cidadãos com impostos. É uma maravilha...
Até quando?

Portuga disse...

Ainda sobre este país.
Quando se aplaude com as mãos a estalar o filme "Os gatos não têm vertigens" vê-se logo o tipo de escumalha progressista que temos no nosso país. E ai daquele que disser o contrário. É antiquado, é um velhadas, é um retrógado, é um reacionário, enfim... Quanto a mim aquilo é um contributo à selvajaria. Com o argumento de demonstrar a amizade de uma idosa, viúva a um jovem delinquente vêem incentivar ainda mais a podridão que grassa entre a juventude com graves consequências para a sociedade. Será preciso incentivar os jovens a roubar, a drogarem-se, a dizerem babozeiras, a porem gerações em confronto? Aquilo tem alguma coisa de cultural? Aquilo para mim é uma ordinarice pegada. Mas isso sou eu que aprendi, no tempo do fassismo, a respeitar as pessoas e a ouvir os conselhos sábios dos mais velhos.
É a minha opinião.

Maria disse...

Obrigada Portuga pelo seu oportuno e certeiro comentário. Amanhã conto escrever aqui qualquer coisa a propósito do que afirma (e bem) sobre a não total liberdade de expressão no "antigamente" e sobre o que polìticamente pensava um republicano convicto (o meu querido Pai) sobre regime de então, que o viveu do princípio ao fim, bem como o que pensava do próprio Salazar de quem não gostava nada (paradoxalmente chegou a elogiá-lo mais do que vez...) como seria natural num republicano. Isto em contraposição com a mentira monumental que representa o contínuo propagandear das tão incensadas e exaltadas 'democracia e liberdade' do "agora", lema òbviamente intencional, porém falso, que de tão repetitivo já não se suporta, leva ao vómito. E ver-se-á quão abissais são as diferenças entre os dois regimes, o anterior para bem, o actual para o mal.

Floribundus disse...

Maria
tem toda a razão.
nunca fui fascista nem anti.

felizmente estou com 85

já só espero assistir à próxima e rápida bancarrota socialista

a família que fica está preparada para o pior

porque esse estado de coisas bate à porta um destes dias

e ocupa os restos do que poderia ter sido um país

na prática um
'local mal frequentado'

Floribundus disse...

a dupla monhé-entertainer
está vender
episódios do 'sr conte e senhor feliz', diz um articulista

estão a ocidente duma Europa
que se tornou Próximo Oriente

falidos não iremos com sorrisos desligados da realidade

no rectângulo há 3 tipos de nativos
comem dia sim dia sim
comem dia sim dia não
comem dia não dia não

do hamburguer à lagosta suada pelos outros

lusitânea disse...

Hoje o "indígena" amplamente "interpretado" foi transformado em vaca leiteira do Universo a bem através da Seg Social ou a mal através do arrasto/assalto.E existe a "justiça democrata" para garantir que a coisa assim continue.Enquanto o zé povinho andar a fugir dos gatunos nem tem tempo para pensar no resto...

Apache disse...

O maior problema da esquerda, não só a portuguesa, não é a ideologia fóssil, é, por um lado, a mentira ou a distorção/exagero da realidade e, por outro, a incoerência entre a ideologia proclamada e a prática.
O PCP enche a boca com os “direitos” dos homossexuais, mas os entre os seus simpatizantes proliferam homofóbicos.
PCP e Bloco passam a vida a falar do combate à corrupção mas as investigações da justiça brasileira sobre o PT constituem um golpe de estado.
A esquerda defende os trabalhadores, mas aumenta-lhes os impostos para distribuir dinheiro, ou por empresas “amigas” ou, por um lote significativo de gente que foge do trabalho como o Diabo da cruz.
Criticam constantemente as grandes multinacionais, mas defendem com unhas e dentes “tretas” ambientalistas que estas criaram/patrocinam para protegerem os seus monopólios.
Atacam ferozmente as religiões, mas defendem fanaticamente teorias científicas cuja relação com o mundo real é, no mínimo, muito ténue.

Maria disse...

Portuga, o meu anterior comentário era uma resposta ao seu primeiro, como terá certamente depreendido. Mas olhe que o seu segundo comentário está igualmente muito bem.

Deixe ver se ainda escrevo, mais daqui a bocado, algo do que prometi ontem.

Floribundus, compreendo perfeitamente tudo quanto escreve e as acusações que tem vindo a fazer contra a esquerda comunista e socialista no geral e contra o sistema/socialismo 'democrático' (que infelizmente nos é dado viver) mais os seus dirigentes, que, sem a mais pequena vergonha tão pèssimamente governam o País, em particular. E porque o que escreve está baseado no conhecimento profundo adquirido no tempo em que estaria muito perto dos trágicos acontecimentos que durante décadas foram sendo relatados, só em parte, pelas notícias dos jornais nacionais e televisões mundiais e que hoje se vai sabendo em pormenor e sem margem para dúvidas qual a sua verdadeira extensão, origem e motivações - nos últimos tempos, graças, primeiro, ao desmoronar da U. Soviética e mais recentemente à desclassificação dos seus arquivos secretos e respectiva difusão pela comunicação social de todos os países e sobretudo pela Internete, do muito que durante décadas foi escondido do mundo, embora ainda falte porventura a parte de leão. Cenários de horror, aqueles, onde se desenrolaram tragédias humanas inimagináveis provocadas pelo comunismo estalinista e socialismo marxista, ambos ligados umbilicalmente e às ordens, vinte e quatro horas sobre vinte e quatro, como hoje é por demais sabido, da maçonaria sionista.

Perante tudo isto e o mais que se poderá antever, os seus relatos verídicos (importantíssimos, porque deles teve conhecimento directo e alguns deles chegou porventura a vivê-los in loco) e as denúncias que vai fazendo com conhecimento de causa, adquirem um valor inestimável, como saberá. Eis porque repito o que disse já mais do que vez, o Floribundus deveria pôr à nossa disposição, através do Porta da Loja, por exemplo, os seus escritos ou memórias (que já aqui disse possuí-las e em bom recato) do que viveu e do que teve conhecimento, mais que não fôra por ter então vivido ou permanecido temporàriamente nos países e lugares onde tudo se passou. Quando digo "nossa" refiro-me a nós, os fiéis leitores desta imprescindível Loja, que o lêem com atenção e saúdam a sua coragem e determinação em ir denunciando uma parte, crê-se que ínfima, do muito que sabe e presenciou.

Floribundus, pense nisso. A sério.

Maria disse...

Portuga, desculpe só agora estar a escrever sobre o assunto por nós abordado.

Certamente não me terá vindo a ler ao longo do tempo nalguns blogos, não mais que dois ou três, nos quais costumava e ainda costumo comentar. Eu já abordei este assunto por diversas vezes nesta específica vertente.

Como sublinhei, o Pai era um republicano a 100%. Mas curiosamente não comentava (ou fazia-o muito raramente) o que quer que dissesse respeito ao regime em que vivíamos ou sobre Salazar. Como éramos muitos filhos e todos muito miúdos, essa matéria estava arredada das conversas lá em casa e este era um ponto assente. Que aliás se prolongou mesmo depois mais crescidos. Isto acontecia dada a educação primorosa (e rigorosa) recebida da família monárquica (família amiga do meu Avô e que pelos largos períodos em que ele estava ausente de Portugal dado os negócios que possuía em África, nela deixou entregues dois dos seus vários filhos para serem educados na Metrópole, como se dizia) com a qual havia vivido desde os quatro anos até à Universidade. Estudos feitos em Coimbra, é bom ter este pormenor em conta, que na minha opinião foi onde bebeu o caldo do republicanismo ficando vacinado para sempre, como acontecia à maioria da estudantada daqueles tempos e naquela cidade (e pelo que se vê e ouve ainda acontece o mesmo neste tempo), como igualmente o eram muitos dos seus colegas, médicos que vieram a tornar-se conhecidos e alguns políticos desses tempos, os únicos com quem de facto discutia política quando se encontravam e de quem ficou amigo para toda a vida.

Esta sua atitude rígida sobre a proibição de discussões políticas em casa, de que não transigia (cheguei a esta conclusão com o decorrer dos anos) salvo uma ou outra excepção, tinha razão de ser, era por ter sido educado em ambiente monárquico e por ter vindo a casar com uma monárquica cuja família era toda monárquica e salazarista. Dois conceitos ideológicos totalmente diversos mas que o Pai respeitava completamente. Além de querer evitar discussões que se tornariam estéreis, podendo ainda criar mau ambiente, também não queria influenciar os filhos nem para um lado nem para o outro no que às ideologias dizia respeito.
(cont.)

Maria disse...

(Conclusão)

Nesta atitude hermética houve algumas excepções que não deixam de ser interessantes tendo em conta a sua ideologia. Sendo eu um pouco mais crescida, mas continuando a não perceber nadinha de política, tendo porém perfeita consciência do seu republicanismo "à moda antiga", só me lemnbro de que não gostava do regime nem de Salazar. E sendo toda a minha família materna monárquica e apoiante de Salazar, tinha que haver entre um e outra, por pequena que fosse, alguma animosidade, embora verdade seja dita nunca a tenha manifestado de modo evidente. Este desencontro de ideologias fazia-me alguma confusão. Um dia por mero acaso resolvi perguntar-lhe o que pensava do regime e do Presidente do Conselho. Com ar sereno mas decidido, o Pai disse muito simplesmente "Salazar é um ditador". Já que nunca o ouvira dizer mal de Salazar, algum tempo depois perguntei-lhe o que pensava das medidas políticas que o Estadista havia tomando ao longo das suas décadas no poder e se as achava boas ou más. Respondeu sem hesitações "há coisas que ele fez bem, por exemplo livrou-nos da Guerra; também a ele se deve a defesa intransigente da Pátria e uma outra medida que não deve ser substimada, a ele se deve a segurança e a paz que se vive no País, desde que chegou ao poder". E fazendo paralelismos entre os dois países e neste particular elogiando o nosso, chegou a dar o exemplo da Itália que por aquela altura já ia "no 45º governo desde o fim da Guerra e é humanamente impossível governar um país com tanta instabilidade governativa". E durante os anos seguintes pouco ou nada mais acrescentou quanto ao regime e a Salazar.

Veio o 25/4 e ficou naturalmente satisfeito, mas estranhamente não exteriorizou muito essa satisfação..., até parece que adivinhava por antecipação o que nos esperava. Felizmente para ele não chegou a assistir aos horrores e tragédias subsequentes com que os grandes libertadores do «povo oprimido e da tenebrosa longa noite», nos presenteou.
O meu Pai conheceu o pai de M. Soares por motivos de trabalho e já depois d'Abril chegou a dizer que "esse era uma pessoa como deve de ser" e de Mário Soares, quando o ouvia discursar e a dizer baboseiras a torto e a direito, que "este é um palerma". Claro que se tivesse vivido mais uns largos anos e, dentre outros episódios gravíssimos entretanto acontecidos graças ao regime/sistema que nos é imposto, depois de ler o que Rui Mateus revelou sobre esse malandro travestido de democrata impoluto, muito eu gostaria de saber o diria sobre o 'grande democrata' e 'esta' democracia, mais o bando mafioso que, bem respaldado por ela, nos vem infernizando o espírito desde há quatro décadas.

Já fora do contexto, há um acontecimento muito engraçado que o meu Pai viveu e que recordava com alguma bonomia. Já o contei mais do que uma vez. Tinha ele uns quatro ou cinco anitos e acompanhado pelo Visconde, seu Tutor, veio de Coimbra a Lisboa assistir a uma Tourada Real no Campo Pequeno. Na altura e julgada a apropriada, foi apresentado ao Rei D. Carlos. Nunca mais se esqueceu. Dizia que tinha tido "a subida honra conhecer o Rei" e frisava "era eu tão pequenino".

Portuga disse...

Maria
Li o seu comentário e gostei. Era de gente boa e honesta que era constituída a nossa sociedade. Podíamos não concordar com muita coisa mas havia respeito e havia maneiras de discordar sem ofender.
As sociedades de hoje estão corrompidas pelas ideologias e fanatismos. Só se preocupam com a segurança quando vêem o rabo a arder. É o que está a acontecer na Europa. Passando esta fase volta tudo ao mesmo e o cidadão comum que se cuide.

BELIAL disse...

Quando o excremento cai no interior da sanita - faz "plof"
E chapisca.

Não consigo dizer mais nada.