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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Órgãos de soberania em manobras dilatórias...

RR:

O Governo incumbiu esta quinta-feira a nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de fazer uma "auditoria independente" aos actos de gestão do banco "praticados a partir de 2000".
Observador:

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, pediu um parecer à Procuradoria Geral da República sobre a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos pedida pelo PSD e pelo CDS-PP.

Quem pode julgar que isto é fruto do mero acaso?!

O poder Executivo descobriu agora que as auditorias feitas pelos serviços próprios à CGD não são fiáveis nem confiáveis e há coisas por esclarecer que pareciam evidentes, suspeitas e passaram ao lado de auditores e membros do Conselho Fiscal, apesar de ganharem balúrdios para exercerem tais funções...

O poder Legislativo, uma emanação deste Executivo quando deveria ser o contrário,  acha agora que afinal se impõe que um órgão de Supervisão como o Conselho Consultivo da PGR vá analisar juridicamente o que muitos juristas da Assembleia da República afinal parece não serem competentes para tal. O que estão lá a fazer?!

Resultado de tudo isto? Adiar a Comissão de Inquérito que interessa apenas a uma entidade: a Esquerda Unida.

É esta a democracia que temos...

9 comentários:

Floribundus disse...

não esperava outro assunto dos soldados unidos vencerão

a avaliar pelo cvs da maior parte dos deputados

não se pode esperar grande coisa deles

o ordenado tem sabor a esmola forçada dos contribuintes

falta o balde de cal

Ricciardi disse...

Se estiver em curso investigações judiciais a eventuais crimes cometidos na concessão de crédito da cgd, necessariamente feitas ou a fazer no maior sigilo possível, é bom que não venham os deputados expor aquilo que está a ser investigado.
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Neste sentido, fez bem Ferro Rodrigues em pedir opinião à pgr. O passado já está escrito. O que está escrito já não se apaga. A qualquer momento os deputados podem fazer as orgias parlamentares q quiserem com o caso.
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Neste momento é mau para os interesses nacionais. É mau para todos. Mau para o banco, mau para as eventuais investigações em curso, mau para a imagem do sistema financeiro no exterior, mau para a credibilidade necessária para as negociações com a ue e bce, mau para a urgentissima e sempre adiada recapitalização do sistema financeiro... mas bom, no entanto, para as ânsias de poder de ppc que parece colocar os interesses nacionais atrás dos interesses particulares.
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Rb

Floribundus disse...

um órgão de soberania eleito

pede decisões a um funcionário público

acabe-se com as eleições

cheira a urss que tresanda

o RU saíu da UE,
a Escócia,
a Catalunha,
a França,
podem tomar o mesmo caminho

segue-se «desavergonhada mente sós»

'uma esmolinha para o céguinho!'

joserui disse...

"mau para a imagem do sistema financeiro no exterior", portanto caro RB, o sistema financeiro "no exterior" ainda goza uma boa imagem…
Manter essa boa imagem, deve ser para não haver uma corrida ao que resta dos bancos por parte dos angolanos… ainda cá têm muito dinheiro, se isto der o estouro, vão ter de se virar para o Panamá… -- JRF

joserui disse...

A recapitalização do sistema financeiro também urge que os socialistas andam à míngua… tomaram o poder, preparam a quarta banca rota, mas há pouco para roubar… Ferro Rodrigues esteve bem em dar mais tempo, a ver se pinga algum. -- JRF

Miguel Dias disse...

Ricciardi,

"mau para os interesses nacionais" é existir um banco - sustentado pelo Estado e pelo Erário Público - que se baseia no nepotismo, na "cleptocracia" dos governantes e no favorecimento de interesses de uma elite partidário-financeira, numa palavra corrupção. A sua argumentação lembra-me a do César dos Açores ontem ao negar uma investigação às prácticas da CGD. A indagação e averiguação ao papel da CGD no sistema financeiro português não serve para a destruir, como defende o César, mas sim para uma maior transparência e honestidade da sua actuação na economia nacional.

Não investigar serve sim para ocultar factos e portanto para uma possível destruição da Instituição a médio/longo prazo. Uma contradição lógica invocar que uma investigação serve para destruir, serve sim para salvar, mas só por este argumento se vê a desonestidade intelectual da Esquerda e da extrema-esquerda. Os critérios que o PCP, e a extrema-esquerda, usam para avaliar o Governo e o Poder são sempre diferentes consoante quem esteja a governar, se são eles aquilo que ontem criticavam são hoje esquecidos e calcados, como diria George Orwell a mentalidade do "duplo pensar".

Miguel Dias disse...

"mau para a credibilidade necessária para as negociações com a ue e bce..."

mau para a credibilidade do sistema financeiro é existir um Banco com práticas ilegais, corruptas. Mau para o interesse nacional é que exista um banco que favorece certas elites lesando o Erário Público. Como diz o antigo ditado "quem não deve não teme", uma investigação servirá para clarificar e elucidar o papel da CGD ao longo dos últimos anos. O bem do Estado e o interesse nacional assim o exigem, não investigar é dar preferência aos desejos de certa elite partidário-financeira em detrimento de Portugal.

Ricciardi disse...

Miguel,mas o parlamento investiga ou investigaria os eventuais desvarios na cgd?
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Claro que não. As comissões parlamentares são constituídas por papagaios que repetem aquilo que ouvem que não tem competências, nem meios de investigacao.
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Quem pode investigar os hipotéticos crimes são os órgãos judiciais.
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Não obstante, nesta fase do campeonato, não é do interesse nacional expor eventuais ilicitudes da cgd. Ainda que os haja não devem ser expostos. Deve ser resolvido pelo MP que acusará no futuro quem tiver de acusar. Sem propaganda negativa para o banco mas tão somente circunstanciado aos prevaricadores.
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Se quiser, é como se vc estivesse a negociar um empréstimo com o seu banco e em simultâneo promovesse uma discussão acerca da sua honestidade, dissecando todos os seus podres. É claro, o seu banco provavelmente recusar-lhe-ia preventivamente o emprestimo.
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Ninguém com bom senso, ou com dois dedos de testa, publicita as suas fraquezas a outrem quando está a negociar com ele.
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Rb

Miguel Dias disse...

Caro Ricciardi,

"Ninguém com bom senso, ou com dois dedos de testa, publicita as suas fraquezas a outrem quando está a negociar com ele."

não estamos a falar de uma pessoa, mas sim de uma Instituição bancária, símbolo de um regime e de um País, situação muito diferente. Entendo que, para muita gente, investigar o papel financeiro - e também político por muito que o ocultem - da CGD seja colocar em causa "este" regime e a actual conjuntura política, e por isso mesmo não desejem esta mesma indagação.