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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O jornalismo nacional é toxicodependente em último grau

Sapo24:



Um estudo elaborado pela Cision sobre as pessoas e organizações que mais se notabilizaram nos órgãos de informação durante 2016, coloca o Governo como a organização que mais ‘tinta’ fez correr na imprensa nacional. O executivo português foi mencionado 205.128 vezes.

Logo de seguida entra o futebol, de rompante, com o desporto-rei a ocupar os três lugares seguintes. Neste mini campeonato que acontece nas bancas dos quiosques e no online, o Sport Lisboa e Benfica, tricampeão nacional de futebol, vence, tendo sido referenciado 182.191 vezes em peças jornalísticas. Logo de seguida surge o Sporting Clube de Portugal com 164.039 menções, superando o Futebol Clube do Porto, mencionado por 146.503. A Cision sublinha ainda que, embora grande parte do volume noticioso associado a estas três instituições esteja ligado ao futebol, “houve também muitas referências” a estes clubes no que toca às diversas modalidades; sem, no entanto, divulgar números concretos.

No 5º e 6º lugar deste estudo surgem os dois homens que estão à frente do país, António Costa, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. O chefe do Executivo português foi referenciado 124.767 vezes, mais de 10 mil vezes que o chefe de Estado, que foi mencionado por 111.156 em trabalhos jornalísticos.

O ranking segue com o Partido Social Democrata, 87.226 referências, e com o Partido Socialista, com 78.326, menções. A Guarda Nacional Republicana (GNR) coloca-se entre os dois maiores partidos portugueses para abrir um novo tema num ranking em que top-10 é dominado por futebol e política. Num ano marcado pela “caça ao homem” a Pedro Dias e às buscas pelo pequeno Martim, foram feitas 82.264 alusões à GNR.

Os dez primeiros lugares encerram com a Assembleia da República, que soma mais de 70 mil referências.

Os restantes lugares do ranking mantêm o mesmo registo. Ministério das Finanças (70.000) e Bloco de Esquerda (66.070) ocupam a 11ª e 12ª posição, respectivamente. Na décima terceira posição surge a Seleção Nacional de Futebol, campeã da Europa em França, citada 65.564 vezes em notícias.

De seguida surge, com 65.513 menções, a Comissão Europeia, a única entidade internacional que integra a lista dos temas mais falados em 2016. No 15º lugar regressamos ao tema do “crime” com a Polícia de Segurança Pública a ser a segunda força de segurança a aparecer no ranking, somando 62.259 referências. A Cision não deixa escapar estas duas “interferências” [da GNR e da PSP] num top, atribuindo a responsabilidade à CMTV, canal de televisão do Correio da Manhã, uma estação que dá “particular atenção ao mundo do crime”.

Na décima sexta posição aparece o Partido Comunista Português, a fechar a chamada ‘Geringonça’, com os comunistas a serem mencionados em 60.123 artigos noticiosos.

A fechar, desta vez a oposição, aparece o CDS/PP com 59.823 menções, no décimo sétimo lugar e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no décimo oitavo lugar. O antigo primeiro-ministro foi referenciado em 55.486 notícias.

De seguida, na penúltima posição deste ranking com 20 lugares, surge a Caixa Geral de Depósitos que este ano tanta tinta fez correr, quer pelo processo de recapitalização, quer pelos salários dos seus dirigentes, quer pela demissão da sua direcção e nomeação de Paulo Macedo para dirigir o banco público português. A CGD foi mencionada em 47.136 notícias.

A fechar o ranking surge o nome de Cristiano Ronaldo, o melhor futebolista do mundo que recentemente foi galardoado com a 4ª Bola de Ouro da carreira, foi falado em mais de 47 mil notícias.

A Cision teve como objecto de estudo “as notícias veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2.000 meios de comunicação social (televisão, rádio, online e imprensa), (...) entre os dias 1 de Janeiro e 15 de Dezembro de 2016, num total de mais de cinco milhões de artigos analisados”.


O droga preferida do jornalismo nacional é o Governo, em Portugal. A seguir, o futebol.

Em vez dos três FF do antigamente ( Fátima, Fado e Futebol) que não correspondiam à realidade mas eram apresentados como se o fossem pela esquerda já dominante, actualmente as coisas pioraram bastante.
O Governo é a heroína do jornalismo que a ela está tão agarrado que dificilmente alguma cura de desintoxicação surtirá efeito. Seguidamente a maldita cocaína do futebol, mais os diversos subprodutos anestesiantes que nos servem diariamente.

Será que os portugueses se consideram informados com estas doses maciças de estupefacientes que tomam regularmente?

Quem vê regularmente os canais abertos e fechados das tv´s é sujeito a um tratamento mediático em que estes drogados entram pela casa dentro a fazer a propaganda despudorada de uma realidade virtual.
Pouco escapa aos seus efeitos e acredito que a maioria dos espectadores se transformaram em zombies, a julgar pela reacção a certo tipo de notícias, como a da morte de Fidel Castro.

Esperemos para ver o que acontecerá daqui a pouco  com a morte daquele que agora se encontra em "coma profundo".  Vai ser a overdose total e o delírio completo.

3 comentários:

Floribundus disse...

já não suporto a futeboiização eo elogio daa geringonça.

por isso vejo o eurosport e outros canais tv

a comunicação xuxial é o diário do governo

usam todas as formas de opressão com os dentinhos de fora

esta forma de violência acaba sempre no internamento na psiquiatria

este social-fascismo é muito pior que o fássismo

Floribundus disse...

net

A violência da e na mídia é outro tema fundamental relacionado
à prevenção e à geração de outras violências. É preciso lutar
contra a “... desatenção e a sonolência das massas” para atenuar
o esmaecimento dos limites entre o espaço público e o privado. Os
reflexos da interferência da mídia como geradora de violência afetam
as ressignificações de valores, pontos de referência em torno do qual
sujeito e sociedade se organizam e se equilibram. O real imita a ficção
e a ficção, de fantasia se torna um ideal a ser concretizado. Visto por
outro ângulo, “a vocação da mídia deveria ser, em primeiro lugar, o de
servir a paz, o bem, o justo e o progresso da humanidade.”, mas pode
ser usada como instrumento para confundi-la.

Maria disse...

José, não "vai ser o delírio"... já está a sê-lo e de que maneira. E o corropio dos e das carpideiras não cessa.