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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A nova sociedade portuguesa do espectáculo

No final dos anos sessenta do séc. XX foi vulgarizada a obra de Guy Debord, A Sociedade do espectáculo cujas premissas estão assim definidas na Wikipedia:

Le spectacle est une idéologie économique, en ce sens que la société contemporaine légitime l’universalité d’une vision unique de la vie, en l’imposant aux sens et à la conscience de tous, via une sphère de manifestations audio-visuelles, bureaucratiques, politiques et économiques, toutes solidaires les unes des autres. Ceci, afin de maintenir la reproduction du pouvoir et de l’aliénation : la perte du vivant de la vie.

Aussi le concept prend plusieurs significations. Le « spectacle » est à la fois l'appareil de propagande de l'emprise du capital sur les vies, aussi bien qu'un « rapport social entre des personnes médiatisé par des images »
.

 Em 5 de Dezembro de 1980 o então primeiro-ministro Sá Carneiro e mais Adelino Amaro da Costa, também governante e outros acompanhantes pereceram num desastre de avião em Camarate que ainda hoje suscita dúvidas acerca da eventual origem criminosa.

Dali a três dias realizar-se-iam eleições presidenciais em que aqueles líderes políticos apoiavam um candidato que se opunha ao general Ramalho Eanes, apoiado por toda a esquerda, com a excepção dos extremistas.
Com aquelas mortes desvaneciam-se a maior parte das hipóteses, aliás já reduzidas de o candidato daqueles poder ser eleito.
No Sábado, dia 6 de Dezembro, como relata O Jornal de 9 de 12.1980, "o corpo de Sá Carneiro foi passeado pelas ruas de Lisboa, sob os olhares de milhões de espectadores que seguiram o cortejo através da TV."
 A televisão já era a cores mas ainda havia poucos aparelhos que assim transmitiam. Proença de Carvalho era o então presidente da RTP e primeiro responsável pela emissão do referido dia de espectáculo funéreo.

Os principais jornais da época referiram o acontecimento assim.

O Expresso quase nem deu relevo para além de escrever ( Benjamim Formigo, Maria João Avillez, Madalena Fragoso, entre outros) sobre o acontecimento e suas consequências políticas e pessoais.

O Jornal foi mais além e denunciou "os mercadores de cadáveres", no dizer do articulista Augusto Abelaira, um intelectual da elite de esquerda moderada o regime.




Se fosse hoje vivo, o que escreveria Abelaira sobre o espectáculo dos  novos "mercadores de cadáveres", particularmente com o que se passa em todas as televisões que se copiam umas às outras?

Falaria Abelaira e os intelectuais de esquerda na "sociedade do espectácul" assim exposta de forma tão nua e crua?



 Entretanto o primeiro-ministro de Portugal foi à Índia, terra do pai e fez estas figuras, além-mar:


O espectáculo continua...



15 comentários:

Kaiser Soze disse...

Poderia falar do facto de Santa Comba Dão ir atribuir a uma rua o nome do Mário Soares.

Deve ser só o princípio.
Cheira-me que daqui a uns aninhos vai ser tão comum como Rua 25 de Abril por todo o país.

A Mim Me Parece disse...

Negativo. Daqui a uns anitos, para bem da sua reputação, ninguém saberá quem foi Mário Soares. Pois se já hoje em Lisboa "ninguém" se dignou vir à rua ver passar aquele cortejo fantasmagórico... é que estava muito frio e ver o espectáculo pela televisão num espaço aquecido é tão mais confortável...

Unknown disse...

Publicidade (mal) redigida e "spots" televisivos - eis o jornalixo dos nossos dias.

Floribundus disse...

a avenida boxexas deve ser inaugurada em breve

por baixo é necessário escrever o curriculo

o funeral de Sá Carneiro tinha povo em quantidade

no funeral das bancarrotas com juros a 40% á cabeça o joãozinho não disse palavrões

Floribundus disse...

já não me lembrava de Debord .
somente de Llosa

estavam lã todos os comediantes narcisos

do Inferno de outra Commedia
Lasciate ogni speranza voi che entrate
"Deixai qualquer esperança, vós que entrais"

joserui disse...

Hoje estive a ouvir o "Governo Sombra" e foi a única coisa que ouvi sobre Soares enquanto programa — uma náusea absoluta. Do palhacito aprendi que foi o PCP que evitou a guerra civil em Portugal; do palerma que se diz de direita, percebi que desde 2003 só disse mal do defunto no pasquim onde lavra umas crónicas e nesta ocasião soberana para ser coerente, desdobrou-se em elogios sobre o que é "realmente importante"; do Pedro Mexia, infelizmente ouvi que o Soares é a razão porque eles escrevem em jornais (além de paizinho da pátria, tem de assumir a paternidade dos jornais — portanto José, aquilo que se depreende é que antes do 25A não havia jornais, o que aqui tem colocado é só photoshop.
É como diz, le spectacle continua. Fico muito triste que esta meta linguagem — ou lá que é —, que a esquerda inventou tenha penetrado tão profundamente na sociedade portuguesa. Se nem o Pedro Mexia escapou, ninguém escapou. -- JRF

joserui disse...

E parece que foi o palerma que se diz de direita que pediu mais reconhecimento pelos feitos do defunto, designadamente nos livros escolares, ou escolas. Porque quem não viveu os acontecimentos (revolucionários), pode ter uma imagem negativa do indivíduo e não saber o que lhe deve. Etc, Etc.
Mais reconhecimento José, o homem já tem pouco. Ruas e avenidas não vão chegar. -- JRF

Floribundus disse...

Deborde falasva ainda da
sociedade de consumo
da mulher objecto

depois apareceu el estatico
e o boxexas

foi o fim da macacada

josé disse...

Este João Miguel Tavares recebe pela participação no programa, quanto?

É preciso saber para entender certas opções de classe e de conformismo.

Eu compreendo. O colégio dos filhos, a casa, o carro, o emprego, agora são as prioridades.

O resto é barulho e eles fazem muito. O Ricardo Araújo Pereira esteve lá na cerimónia fúnebre a prestar a homenagem ao falecido.

Percebe-se muito bem a necessidade em pertencer à nomenklatura ou ao establishment.

Há muito que não dou importância alguma ao Governo Sombra. É uma palhaçada, literalmente.

E em que canal é, afinal? TVI, não é? Sérgio Figueiredo e tal, não
é? Entrevistas a Sócrates a fazer de conta não é assim? Porque Sócrates é uma ponta visível de um iceberg de corrupção que marina por essas águas em que aqueles agora mergulham com gosto.

Triste, muito triste.

josé disse...

Sairam todos uns tartufos de gema.

Pedro Santos da Cunha disse...

E quanto custou toda esta "palhaçada"?
E quem vai pagar? A Fundação Mário Soares? Ou a Fundação Maria Barroso?
Está-se mesmo a ver quem vai ser! O Zé pagante para não destoar das outras despesas que esta sinistra personagem gastou à nossa custa.

josé disse...

As televisões é que deveriam pagar porque foram elas quem mais aproveitou. Uma vergonha, uma indecência, um despudor.

Em suma, um nojo.

josé disse...

O funeral de Sá Carneiro, orquestrado a nível televisivo por Proença de Carvalho ( sempre ele em todos os tabuleiros...) tresandava a frete político à AD.

Este tresanda a espectáculo triste e irreal.

joserui disse...

O palerma do Tavares está triste lá na pasquim, porque foi muito pouca gente ao funeral do Soares (nem sabia disso e para mim é indiferente, se calhar as pessoas precisam de trabalhar para colocar comida na mesa). Estas coisas não se conseguem inventar. Mais um perigoso indivíduo da direita portuguesa. Anedótico. -- JRF

Maria disse...

Não há-de o Sousa Tavares defender o Soares... Ele é compadre do Salgado pelo casamento da sua filha com o filho deste. E porque Soares andou metido em negócios obscuros com Salgado, nem outra coisa seria de esperar do oportunista e interesseirão Miguel Sousa Tavares. Este só teve e tem a lucrar com isso. Por sua vez Sousa Tavares e toda a sua família eram amiguinhos do Soares desde o tempo da 'outra senhora'. A mãe dele, Sofia (prima das Avilez, do Nicolau Breyner, etc.) ela e todos estes d'origem judaica (lá está aganância exacerbada por dinheiro) dizia-se socialista(?...) e era unha com carne com Soares e respectiva pandilha e lucrava em sê-lo, tendo deste modo a vida literária assegurada e a familiar totalmente protegida pelo sistema, como se comprovou. O Sousa Tavares-pai tinha a mania que era monárquico (uma pessoa da minha família fartava-se de gozar quando ele aparecia nas notícias e/ou televisão a gabar-se desta sua filiação e pretensa ideologia, não tendo visto contradições nem quaisquer pruridos ao ter-se juntado aos traidores republicanos no próprio dia do golpe d'Abril...), o que não o impediu de ter sido toda a vida amigo do peito do traidor Soares. Grande monárquico, sim senhor!

Soares beneficiou em milhares de milhões com as trafulhices de Salgado, este por aquele instigado, deixando-se estupidamente convencer e corromper com esquemas obscuros e corrupções monstras congeminadas pelo falinhas mansas e maquiavélico Soares.

O triste fim daquele que foi o maior e mais prestigiado Banco de Portugal, um Banco centenário presidido por uma família que lhe emprestou sucesso e grangeou prestígio - cá e no estrangeiro - e que, como entidade bancária, durante o Estado Novo se havia comportado irrepreensìvelmente, sendo por isso estimado e da inteira confiança do Presidente do Conselho, que aliás nunca os deixaria pôr os pés em ramo verde e aqueles, porque o sabiam e porque respeitavam Salazar imensamente, nunca o fariam. A culpa da destruição pessoal e financeira (só em parte) de Ricardo Salgado e na totalidade do seu Banco centenário, vai inteirinha para o seu "amigo de Peniche" e traidor Soares.

O que me deixou francamente admirada (ou talvez não) foram as palavras elogiosas com que Ricardo Salgado homenageou Soares no dia do seu funeral. Por que seria? Teria sido um agradecimento póstumo pelos 14 milhões que, por interposto José Guilherme e a mando de Sócrates/Soares, ele recebeu como contra-partida e agradecimento "pelos serviços prestados" e que Salgado, nunca desvendando a origem dos milhões aos investigadores do processo, classificou-os como tratar-se simplesmente de "um assunto particular"?

E foi assim que o espertalhaço e ultra manipulador Soares - seguido caninamente por uma côrte referêncial que o seguia para todo o lado vivendo das migalhas (e outras recompensas maiores) que ele lhes lançava como paga do seu fiel seguidismo - viveu que nem um nababo durante quarenta e dois anos (como nunca o havia feito, mas já antevendo gulosamente o futuro que ia tramando através de traições e conspirações contra o seu pretenso país, enquanto ia vivendo na penúria de Paris sem fazer nenhum, como era então e continuou a ser toda a sua vidinha regalada), nadando sempre em águas turvas sem nunca se afundar.