Avançar para o conteúdo principal

O esquerdismo é o Estado no espírito




Este artigo de Manuel Carvalho no Público de hoje vem prolongar o assunto Núncio, extrapolando-o para outras considerações que definem um esquerdista.

Como se lê, Núncio pode não ter cometido qualquer ilegalidade, o que se dá de barato, mas faz parte do lado escuro da lua ideológica que ilumina a esquerda. Núncio, como Sérgio Monteiro e outros são ideologicamente incompatíveis com o Estado tal como o definem estes kamaradas.

Sendo advogados de firmas dedicadas a proteger cidadãos e empresas do Estado tentacular, tendencialmente omnívoro e de vocação totalitária,  são por isso mesmo inimigos desse Estado e convidá-los para governar é o mesmo que meter uma raposa num galinheiro- é mesmo esta a imagem usada no escrito.
Não há melhor definição para esta esquerda que isto: quem protege cidadãos do Estado não pode ir para esse mesmo Estado governar  porque fatalmente irá prejudicar esse Estado através do adn de origem.

O Núncio e os demais são catalogados como "facilitadores", "promotores da exportação de dinheiro para contas cobertas pelo manto diáfano do segredo e da suspeição", logo "temos de olhar de soslaio para a displicência com que abafou a publicação de estatísticas sobre transferências para offshores".

Está aqui tudo dito e resumido. A Esquerda é assim mesmo e não há volta a dar. De um lado,  o Estado governado idealmente por idealistas que tudo fazem para bem do povo em geral e professam doutrina com princípios atinentes.  Do outro,  os inimigos desse Estado que tudo farão para o desnaturar e devolver riqueza a uns tantos que detêm os meios de produção de um país.
A luta de classes no seu esplendor!

De um lado, os defensores desse Estado que deveria controlar bancos, seguradoras, empresas e instituições reguladoras. Este o princípio básico, antigo de algumas décadas pós-PREC e renovado com actualizações convenientes em modo leninista: um passo atrás para dar dois em frente quando calhar.

Do outro, os inimigos desse Estado potencialmente totalitário e que já deu provas sobejas de resultar exactamente no oposto do que se propõe:  bancarrotas sucessivas e miséria para o povo em geral, com manutenção assegurada de Portugal na liga dos últimos, sempre e de há décadas a esta parte, por causa dessa ideologia perversa. Não há no mundo um único Estado que tenha sucesso com esse modelo de organização política e social mas isso não demove os esquerdistas de todos os matizes de lutarem por essa utopia.

No caso do Núncio, Sérgio Monteiro,  agora associados a um Pina Moura e a um Armando Vara, em modo confuso e espúrio, de mistela ideológica sem nexo, o pecado original será esse: o de acreditarem num modelo de Estado diverso daquele. Um Estado mais restrito e menos interventor, com cidadãos mais livres por isso mesmo. Não se trata de luta de classes em que aqueles defendem os possidentes contra os que nada têm a não ser a força de trabalho. Trata-se antes da defesa de um modelo que crie mais riqueza nacional do que aquele que é proposto pelo esquerdismo. Sendo esse o objectivo, conseguido noutros países, porque se aposta sempre no cavalo errado, no caso português?
Tenho uma explicação ou duas: inveja em primeiro lugar e sempre. Depois, atavismo ideológico que vem da juventude. Incapacidade em abandonar as ideias fixas que parecem fixes e são uma porcaria, afinal.
A confusão no artigo entra depois pelo campo aberto das questões de corrupção latentes no regime e que evidentemente atinge toda essa Esquerda através do efeito normal, típico e habitual decorrente dessa opção: quanto mais o Estado se intromete em negócios privados e públicos tanto mais a corrupção vicejará, muitas vezes com protagonistas que defendem exactamente o Estado interventor e dominador. Et pour cause, diria o outro.
A mistela de razões que escoram a principal- a luta de classes- entra ainda por uma confusão perplexa: " Uma sociedade que espera tudo o Estado e concede tão pouco protagonismo à iniciativa individual acaba por gerar no seu seio um sistema de castas", escreve o autor.

Ora o que é a "iniciativa individual"? Exactamente o oposto da iniciativa do Estado, colectiva. A cobrança de impostos é uma das iniciativas do Estado, essenciais para a manutenção da máquina estadual e ao "estado social" e vai sacrificar a "iniciativa individual" retirando-lhe rendimentos que podem atingir o nível de confisco.
Segundo se diz, o Núncio e o Monteiro foram bem eficazes na afinação da máquina devoradora de impostos. Será que distinguiram clientes e pretenderam safar determinada classe em detrimento de outra? E isso exactamente o que o escrito sugere. Será justo? Não porque nem detectam ilegalidades, apenas tendências de classe...
A única questão a colocar perante a actuação do Núncio e demais inimigos da classe do Estado é esta: a sua actuação como governantes ( e não como profissionais) contribuiu mais ou menos para o aumento da riqueza nacional, no campo dos impostos?

Daí que aquela contradição não se dê por achada e continue o ataque feroz a tal opção ideológica.

Essencialmente é esse o tema do Público, neste caso das offshores. O Belmiro da Sonae é deste Estado ou do outro, afinal?

"Não perceber isto é não perceber nada do que se passou", escreve o articulista. Exactamente, embora a receita lhe seja aplicável.

Comentários

Tiro ao Alvo disse…
Eu, que tenho gostado dos artigos do Manuel Carvalho, desta feita fiquei desiludido. Sobretudo, não gostei do ferrete que ele pôs ao Núncio e ao Sérgio Monteiro, considerando-os incapazes de servir o Estado na área onde são especialistas. Este raciocínio nem parece dele, mais parecendo o raciocínio de um político profissional, defendendo os lugares de responsabilidade da administração pública apenas para si e para os seus correlegionários, numa posição deveras corporativa.
Bilder disse…
check http://oliveirasalazar.org/download/documentos/Jaime%20Neves%20entrevistado%20por%20Jer%C3%B3nimo%20Pimentel.doc___091E72E3-55BD-468A-8FB1-FECA5678C49E.pdf
Floribundus disse…
o entertainer confessou ter tido dificuldade em convencer os investidores estrangeiros

mas omitiu o ps do monhé
Floribundus disse…
na Holanda o partido da 'extrema-direita' ficou em 2º lugar

um dos votos foi de Rentes de Carvalho

joserui disse…
O Wilders perdeu, mas tem um cabelo invejável…
zazie disse…
Perdeu vergonhosamente em segundo lugar e com 19 deputados lá dentro

ehehehehe

As notícias são o máximo.
zazie disse…
Ah, e é mais outro "populista".
Floribundus disse…
se a Holanda permitisse geringonças

Wilders era PM
Afonso Henriques disse…
Olhem pro que eu digo nao pro que eu como, carago!
hao-de-ver a casa do manel carballo la por alrededores do Puerto.