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quarta-feira, 15 de março de 2017

O esquerdismo é o Estado no espírito




Este artigo de Manuel Carvalho no Público de hoje vem prolongar o assunto Núncio, extrapolando-o para outras considerações que definem um esquerdista.

Como se lê, Núncio pode não ter cometido qualquer ilegalidade, o que se dá de barato, mas faz parte do lado escuro da lua ideológica que ilumina a esquerda. Núncio, como Sérgio Monteiro e outros são ideologicamente incompatíveis com o Estado tal como o definem estes kamaradas.

Sendo advogados de firmas dedicadas a proteger cidadãos e empresas do Estado tentacular, tendencialmente omnívoro e de vocação totalitária,  são por isso mesmo inimigos desse Estado e convidá-los para governar é o mesmo que meter uma raposa num galinheiro- é mesmo esta a imagem usada no escrito.
Não há melhor definição para esta esquerda que isto: quem protege cidadãos do Estado não pode ir para esse mesmo Estado governar  porque fatalmente irá prejudicar esse Estado através do adn de origem.

O Núncio e os demais são catalogados como "facilitadores", "promotores da exportação de dinheiro para contas cobertas pelo manto diáfano do segredo e da suspeição", logo "temos de olhar de soslaio para a displicência com que abafou a publicação de estatísticas sobre transferências para offshores".

Está aqui tudo dito e resumido. A Esquerda é assim mesmo e não há volta a dar. De um lado,  o Estado governado idealmente por idealistas que tudo fazem para bem do povo em geral e professam doutrina com princípios atinentes.  Do outro,  os inimigos desse Estado que tudo farão para o desnaturar e devolver riqueza a uns tantos que detêm os meios de produção de um país.
A luta de classes no seu esplendor!

De um lado, os defensores desse Estado que deveria controlar bancos, seguradoras, empresas e instituições reguladoras. Este o princípio básico, antigo de algumas décadas pós-PREC e renovado com actualizações convenientes em modo leninista: um passo atrás para dar dois em frente quando calhar.

Do outro, os inimigos desse Estado potencialmente totalitário e que já deu provas sobejas de resultar exactamente no oposto do que se propõe:  bancarrotas sucessivas e miséria para o povo em geral, com manutenção assegurada de Portugal na liga dos últimos, sempre e de há décadas a esta parte, por causa dessa ideologia perversa. Não há no mundo um único Estado que tenha sucesso com esse modelo de organização política e social mas isso não demove os esquerdistas de todos os matizes de lutarem por essa utopia.

No caso do Núncio, Sérgio Monteiro,  agora associados a um Pina Moura e a um Armando Vara, em modo confuso e espúrio, de mistela ideológica sem nexo, o pecado original será esse: o de acreditarem num modelo de Estado diverso daquele. Um Estado mais restrito e menos interventor, com cidadãos mais livres por isso mesmo. Não se trata de luta de classes em que aqueles defendem os possidentes contra os que nada têm a não ser a força de trabalho. Trata-se antes da defesa de um modelo que crie mais riqueza nacional do que aquele que é proposto pelo esquerdismo. Sendo esse o objectivo, conseguido noutros países, porque se aposta sempre no cavalo errado, no caso português?
Tenho uma explicação ou duas: inveja em primeiro lugar e sempre. Depois, atavismo ideológico que vem da juventude. Incapacidade em abandonar as ideias fixas que parecem fixes e são uma porcaria, afinal.
A confusão no artigo entra depois pelo campo aberto das questões de corrupção latentes no regime e que evidentemente atinge toda essa Esquerda através do efeito normal, típico e habitual decorrente dessa opção: quanto mais o Estado se intromete em negócios privados e públicos tanto mais a corrupção vicejará, muitas vezes com protagonistas que defendem exactamente o Estado interventor e dominador. Et pour cause, diria o outro.
A mistela de razões que escoram a principal- a luta de classes- entra ainda por uma confusão perplexa: " Uma sociedade que espera tudo o Estado e concede tão pouco protagonismo à iniciativa individual acaba por gerar no seu seio um sistema de castas", escreve o autor.

Ora o que é a "iniciativa individual"? Exactamente o oposto da iniciativa do Estado, colectiva. A cobrança de impostos é uma das iniciativas do Estado, essenciais para a manutenção da máquina estadual e ao "estado social" e vai sacrificar a "iniciativa individual" retirando-lhe rendimentos que podem atingir o nível de confisco.
Segundo se diz, o Núncio e o Monteiro foram bem eficazes na afinação da máquina devoradora de impostos. Será que distinguiram clientes e pretenderam safar determinada classe em detrimento de outra? E isso exactamente o que o escrito sugere. Será justo? Não porque nem detectam ilegalidades, apenas tendências de classe...
A única questão a colocar perante a actuação do Núncio e demais inimigos da classe do Estado é esta: a sua actuação como governantes ( e não como profissionais) contribuiu mais ou menos para o aumento da riqueza nacional, no campo dos impostos?

Daí que aquela contradição não se dê por achada e continue o ataque feroz a tal opção ideológica.

Essencialmente é esse o tema do Público, neste caso das offshores. O Belmiro da Sonae é deste Estado ou do outro, afinal?

"Não perceber isto é não perceber nada do que se passou", escreve o articulista. Exactamente, embora a receita lhe seja aplicável.

9 comentários:

Tiro ao Alvo disse...

Eu, que tenho gostado dos artigos do Manuel Carvalho, desta feita fiquei desiludido. Sobretudo, não gostei do ferrete que ele pôs ao Núncio e ao Sérgio Monteiro, considerando-os incapazes de servir o Estado na área onde são especialistas. Este raciocínio nem parece dele, mais parecendo o raciocínio de um político profissional, defendendo os lugares de responsabilidade da administração pública apenas para si e para os seus correlegionários, numa posição deveras corporativa.

Bilder disse...

check http://oliveirasalazar.org/download/documentos/Jaime%20Neves%20entrevistado%20por%20Jer%C3%B3nimo%20Pimentel.doc___091E72E3-55BD-468A-8FB1-FECA5678C49E.pdf

Floribundus disse...

o entertainer confessou ter tido dificuldade em convencer os investidores estrangeiros

mas omitiu o ps do monhé

Floribundus disse...

na Holanda o partido da 'extrema-direita' ficou em 2º lugar

um dos votos foi de Rentes de Carvalho

joserui disse...

O Wilders perdeu, mas tem um cabelo invejável…

zazie disse...

Perdeu vergonhosamente em segundo lugar e com 19 deputados lá dentro

ehehehehe

As notícias são o máximo.

zazie disse...

Ah, e é mais outro "populista".

Floribundus disse...

se a Holanda permitisse geringonças

Wilders era PM

Afonso Henriques disse...

Olhem pro que eu digo nao pro que eu como, carago!
hao-de-ver a casa do manel carballo la por alrededores do Puerto.