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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Jornalismo nacional: não se morde a mão que alimenta...

No passado dia27 de Abril  a direcção do Público, do inefável Dinis do caso Núncio, decidiu dar à estampa em primeira página uma notícia bizarra: o anúncio de uma queixa ainda a apresentar pelo director da PJ Almeida Rodrigues contra o JIC Carlos Alexandre.

A notícia é bizarra porque na capa aparece a indicação de uma queixa que afinal ainda não fora apresentada e tal só se compreende nas páginas interiores, num exemplo de jornalismo manhoso e maldoso cujo interesse de primeira página deixa muito a desejar, a não ser surtir um efeito óbvio: anunciar uma guerra desejada e preventiva de alguém contra alguém, cujos contornos deveriam obrigar a uma desconfiança natural num jornalista que se preze. Portanto, uma manipulação que o jornalista e a direcção do jornal engoliram com todo o gosto, pelos vistos e é muito triste.



O jornal Sol, uma semana antes, tinha dado o mote: no interior da PJ zangaram-se comadres, poderia ser a notícia apanhada nos interstícios de um recurso para o tribunal da Relação de Lisboa.


 A Sábado de hoje mostra a verdadeira extensão do problema, embora devidamente aparado pelos apparitchicks da PJ que vêem a casa  a arder e procuram pôr as barbas de molho, justificando e menorizando assuntos de magnitude sísmica que já deveriam ter conduzido a demissões ( Pedro do Carmo e Almeida Rodrigues, pelo menos).
No pasa nada e estão a ver se passam entre os pingos da chuva, pelos vistos. Os jornais que lhes vão comer às mãos quando é preciso ( Correio da Manhã, Sol e Público, além da Sábado) fazem o jogo que me parece sujo: a verdade tem apenas um caminho e não é o do encobrimento táctico ou da relativização conveniente.

Não suscita suspeitas a qualquer um dos jornalistas dos indicados, directores incluídos, que a fiscalização das obras no edifício novo da   PJ que "arrancaram em 2011"  tenha sido entregue precisamente à Proengel de Carlos Santos Silva? Sim, esse mesmo! Há uns meses seria notícia de primeira página no Correio da Manhã...o que pode denotar uma mudança interessante na política editorial do jornal agora dirigido por outrém que não o que lá estava.

Outra pergunta incómoda: se for verdade que o MºPº teve em mãos uma denúncia de irregularidades ou até suspeitas de crimes nessa obra, durante um ano e sem lhe tocar, o que significa tal fenómeno?

Por outro lado, com esta notícia da Sábado de hoje fica a perceber-se quase tudo acerca daquelas duas notícias anteriores e a respectiva causa. A todas, porém, subjaz um fenómeno: os jornalistas sabem reconhecer quem os ajuda na profissão...e não lhes mordem a mão.

É esta uma das razões do sensacionalismo actual nos media que vivem para vender papel e espaço-tempo mediático. A obtenção de informação oportuna acerca de famosos, dinheiro e crime, a trilogia enunciada por um Pedro Tadeu quando estava no 24H, obriga a concessões. Que agora se tornam visíveis mas carecem de exposição.
Este jornalismo, assim, apodreceu, por muita renovação de redacções que façam...

Olham para certos efeitos, não procuram saber as causas e engolem tudo o que lhes chega de bandeja, sem espírito crítico perante o critério supremo: a verdade tangível de uma Realidade que se torna visível a quem queira mesmo ver e que é a essência do jornalismo credível.

O jornalismo sério, desinteressado em tomar partido, adepto da objectividade e isenção, em Portugal morreu?  Talvez.  Não vejo sinais de vida...e a Sábado, afinal,  se ainda não está na lista dos desaparecidos nesse combate vai a caminho e rapidamente porque já precisa da respiração artificial de uns editoriais gastos e sem a chama da realidade actual. O Correio da Manhã já está anestesiado e teme-se uma morte prematura.



A Realidade nacional nos últimos 4 anos tornou-se mais transparente do que era, apesar do jornalismo oficioso, dos poderes,  dos dn´s, jn´s e principalmente das televisões e da Lusa que a escondem como podem e sabem porque participaram nos golpes e são cúmplices dos seus autores.

Mostrar tal Realidade é um imperativo que alguns tentaram, mas teme-se que tenham já desistido perante a crise de emprego que os ameaça.

Esperemos que não, para bem de todos, mas a alternativa será bem pior. Se os espectadores e leitores se aperceberem do logro e do jogo de sombras, os media, além de perderem a credibilidade ( que credibilidade tem hoje um Diário de Notícias?) perderão capital e entrarão na falência, como aconteceu nos anos oitenta a vários títulos de imprensa que vicejaram na década anterior.

A crise nos Media terá a ver com a proliferação das fontes informativas grátis, mas muito mais com a qualidade intrínseca do que produzem.

1 comentário:

João disse...

Por estas e outras é que a imprensa está como está, a nível de vendas. Não foi há muitos anos que o JN vendia mais de 100.000 exemplares diários. O Expresso idem. Agora, nem o CM chega a esses números, e fica-se pelos 95.000, mais ou menos. Os outros, residuais, já sabemos por que razão se vão mantendo...