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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2017

Media nacionais: estado da arte

CM de hoje:


Há um mistério que perpassa por estes números de tiragens: quem é que lê o Expresso, vendido em 65 mil exemplares?  Uma certa classe mediana na sociedade portuguesa. Professores? Duvido, pelo que ganham, mas haverá muitos, entre os cerca de 150 mil existentes. Profissionais liberais? Também, certamente. Mas quantos serão, uma vez que nem se encontram estatísticas?

Mas quem lê o Expresso lê a porcaria da revista do Expresso? Duvido muito. Então o que lê, verdadeiramente? As notícias de primeira página que raramente interessam por aí além ( excepto reportagens como a do incêndio de Pedrógão, excelente a todos os títulos)?

É um mistério, para mim, saber quem lê o Expresso com proveito verdadeiro. Esta semana foi jornal para se ler em poucos segundos que duram o folhear das páginas. E há mais semanas assim do que o contrário. 
E os que compram o Expresso lêem o CM? Duvido.
O Jornal de Notícias, para mim sem qualquer dúvida, o melhor jornal português de notícias puras, apesar…

A Censura tem muitas formas

O jornal i de hoje tem na capa uma alusão ao livro de Joaquim Vieira sobre a vida de Balsemão, numa biografia "não oficial". Assim:


Lá dentro 4 páginas 4, não assinadas e portanto da responsabilidade do director, Mário Ramires, em que se transcrevem passagens do livro atinentes à vida particular, privada do dono da Impresa falida.
O excerto publicado é do capítulo 4, "O Jornal da família" em que se dá conta do carácter pessoal e profissional de Balsemão, em modo semelhante ao que José António Saraiva fez no livro que escreveu sobre algumas figuras públicas e a propósito do que foi muito criticado por transcrever testemunhos directos e desprimorosos de pessoas já falecidas.
Neste caso concreto e neste capítulo aparecem os nomes e testemunhos desprimorosos para o visado, de pessoas já falecidas: Baptista-Bastos, Ruben A. através de correspondência aberta com o visado. 

A escolha do capítulo não pode ser inocente na medida em que a personalidade de Balsemão, como &qu…

A mutação de valores: perdidos e achados

Hoje no Correio da Manhã aparece esta notícia sobre algo que nem devia ser notícia: alguém encontrou um envelope com dinheiro dentro e procurou entregar ao dono.
Os valores promovidos pela notícia são claros e subentendidos: honestidade, honradez, sentido de justiça em entregar o seu a seu dono e, no caso, ética profissional. Aprumo moral, como dantes se dizia.


Há 50 anos isto seria notícia, assim num jornal? Duvido, mas se o fosse teria  um sentido diverso: alguém ter perdido dinheiro e por sorte outrém o encontrar de modo a poder ser recuperado por quem o perdeu. Ou então, seria notícia para que o dono o pudesse recuperar.
Quando não era susceptível de ser entregue a quem pertencia por se desconhecer o dono e não haver notícia de jornal, havia um método usual de publicidade: nas igrejas, nas missas, o padre avisava no fim: "encontrou-se um envelope contendo dinheiro e entrega-se a quem mostrar pertencer-lhe".
Não se fazia pregão laudatório de quem encontrou o achado.
Nas …

A finalidade das penas

Este artigo de Pedro Soares Martinez no O Diabo de hoje mostra a discussão que se pode ter acerca das penas de prisão e da finalidade das mesmas.

Entre magistrados o assunto é muito pouco estudado e no MºPº prevalece uma cultura peregrina no sentido de o sucesso da actuação dessa magistratura se medir pelo número de condenações em penas de prisão.
É uma ideia estúpida mas seguida por muitos inteligentes...



O politicamente correcto é mais uma moda importada...

O Diabo de hoje:






Esta tendência em contrariar a realidade em prol do que parece ideologicamente adequado, tem raízes exteriores, como quase tudo, em Portugal.
O episódio com um tal Cabrita, um doido com provas dadas é apenas um reflexo disso:




A canalha do politicamente correcto manda no país?

Artigo de Maria João Avillez no Observador, sobre a nova Censura:

Desde 1974 que a “media” ignora, despreza ou suporta mal a “ideia” de direita ou mesmo de centro-direita, troçando ou destruindo os seus líderes e ajudando a acabar com eles, mesmo que o voto os legitime. Ao contrário da Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Holanda, e etc., em Portugal nunca se impôs, com substância e carácter definitivo, um jornal ou algo de parecido com um órgão de comunicação social de centro-direita, conservador ou menos conservador. O qual, como sucede nos países citados, funcionaria também como catalizador/produtor de opiniões, ideias, movimentos, debates ideológicos, pensamento político. Mas nem isso: o espaço continua semi-orfão, inorgânico, mal-amado. É um mistério.
A sociedade civil é tão débil quanto isso? As elites tão frágeis? A dependência do Estado tão avassaladora? Há metade do país sem voz nem vontade? O comprometimento deixou de ter significado e perdeu poder de convocatória?…

Atentado ao Estado de Direito: uma realidade que nunca existiu

Uns patifes que chegaram ao poder em 2005, sob a batuta de um inenarrável político da nossa praça e a complacência de quase todos, quiseram dali a poucos anos tomar conta do poder mediático no país.
O chamado 4º poder, apesar de não ser reconhecido como tal, constitucionalmente,  é um dos pilares do Estado de Direito democrático e só uns juristas de trazer por casa de passe politicamente relevante,  desconsideraram tal entendimento, com pareceres de arquivamento liminar.

O Jornal de Negócios de hoje tem esta página:


Este jornal é da Cofina e por isso noticia estas coisas gravíssimas e de que afinal parece que ninguém se deu conta no tempo em que aconteceram, apesar de suspeitas e do conhecimento pleno do carácter inenarrável de quem as protagonizou.

Ainda agora os demais jornais, incluindo o do Balsemão, fazem vista grossa e não se importam muito com isto.
Ninguém questionou oficial e abertamente os detentores do poder judicial de então, em Portugal, a saber o PGR Pinto Monteiro e o p…

O notável Balsemão também é um aldrabão?

Joaquim Vieira, jornalista tornado biógrafo de certas figuras públicas, deu à estampa a biografia de Francisco Balsemão que deve ter um interesse muito relativo, atenta a figura cinzenta da personagem.

No Sol desta semana ( o que tem a divulgação de escutas a Sócrates em que este faz profissão de fé política em...Marinho e Pinto, para lhe suceder...) esta página mostra que Balsemão, quando se propôs criar a SIC ( com o apoio da luminária Rangel) não tinha dinheiro suficiente para tal. E como a lei não permitia mais de 10% de capital estrangeiro, quando aquele precisava de 40% arranjou um "esquema" bem à portuguesa: um "testa de ferro" de nacionalidade portuguesa que aceitasse ser pau de cabeleira de Balsemão e enriquecesse de repente com os tais 40% que foram injectados naquela aventura televisiva. Rasca? Nem por isso. Simplesmente de português desenrascado...






A Impresa de Balsemão está assim, agora:

E uma tal Sá Lopes, que não deve perder pela demora, faz-lhe assi…

A Impresa de Balsemão está de rastos...

Do blog O António Maria, de António Cerveira Pinto:

A marca Impresa (Expresso, SIC, Visão, ...) está para a comunicação social como o BES estava para a banca.Impresa pondera fechar Visão e outras revistas O grupo Impresa, detentor da SIC e de títulos como o semanário Expresso ou a revista Visão, pondera encerrar diversas publicações, se não conseguir vendê-las até ao final do ano, sendo certo que o Expresso se manterá no grupo. A solução foi comunicada pela administração esta quarta-feira de manhã aos directores de algumas das revistas em causa. Além da Visão (que inclui a Visão Junior e a Visão História), a Impresa detém a Caras, Activa, Exame, Exame Informática, Telenovelas e TV Mais, para lá do Courier Internacional, do Blitz e do Jornal de Letras. Público. LILIANA VALENTE e LUÍS VILLALOBOS 23 de agosto de 2017, 16:36 actualizada às 20:12Se não é ainda um fim anunciado, por perto andará. Há muito que se conhecem as dificuldades da Impresa (1) e o nível insustentável da su…

Roma não costuma pagar a traidores

Observador:

A administração do grupo Impresa comunicou esta quarta-feira a intenção de encerrar a revista Visão, avança o jornal Público. Isso, sabe o Observador, acontecerá caso não seja possível vender o título até ao final do ano.
À excepção da SIC e do semanário Expresso, todas as outras publicações detidas pelo grupo estão em risco: a Caras, a Caras Decoração, a Activa, a Visão Júnior, a Visão História, a Exame, a Exame Informática, a Telenovelas, a TV Mais, a Blitz, o Courier Internacional e o Jornal de Letras.
Um comunicado enviado pelo presidente executivo Francisco Pedro Pinto Balsemão, filho do presidente e fundador do grupo, esclarece que a Impresa “procederá a um reposicionamento estratégico da sua actividade” que irá focar-se nas “componentes do audiovisual e do digital”, em detrimento do “sector das revistas”.
A prioridade passa por continuar a melhorar a situação financeira do Grupo, assegurando a sua sustentabilidade económica, e logo a sua independência edi…

Por cá também temos juízes assim...

RR:

Abdelbaki Es Satty, o imã de Ripoll apontado como o cérebro da célula responsável pelos atentados na Catalunha, teve ordem de expulsão de Espanha, mas esta não foi concretizada. O juiz revogou o pedido de com o argumento de que não era uma "ameaça real". O jornal espanhol “El Mundo” escreve que em Março de 2015 o magistrado Pablo de la Rubia, do julgado contencioso-administrativo de Castellón, revogou o pedido por entender que o crime pelo qual ele deveria ser expulso (tráfico de droga) era "um facto criminal único”.

Argumentou também que Satty teria demonstrado "esforços para se integrar na sociedade espanhola", avança o jornal que teve acesso à sentença.

A ordem de expulsão coincidiu com a condenação a quatro anos de prisão por tráfico de droga e deveria ter sido executada quando o imã saiu da prisão, a 29 de Abril de 2014
.


Por cá também temos juízes destes...

Uma chuchadeira permanente e obscena

CM de hoje:


Este tipo de "reuniões" serviu para aprovar remunerações a gestores que depois autorizaram créditos que   se revelaram desastrosos e de gestão danosa.

É um escândalo mas que permite perceber o óbvio: tachos assim, são para distribuir por apaniguados. O Estado paga, no fim de contas.

Ignorância, incompetência e desleixo: o Governo que temos.

Esta notícia do Expresso de ontem motivou o jurista José António Barreiros a comentar na página do seu Facebook algo que merece atenção e me foi enviado por sms ( não tenho e não tenciono vir a ter Facebook).

O jornal informa que se trata "do artº 1345º do Código Civil, onde mora desde 1976, e é intenção do Governo passar a usá-lo para tomar posse de terrenos abandonados" .

JAB comenta que este artigo 1345º do C.C. não está lá desde 1976 mas sim desde a origem do código, em 1967, no tempo de Salazar.
A menção a 1976, ainda de acordo com JAB, irá por isso além do mero lapso, para a intenção deliberada em identificar tal artigo como saído dos alvores da Revolução e dos governos daí saídos.  E como indicativo de que não será mero lapso de escrita, acrescenta ainda o jornal e comenta aquele JAB que o Governo convoca um outro artigo, relativo a usucapião e que se fixa no artº 1294º do C. Civil, original.
Portanto conclui JAB que a intenção do Governo com estes anúncios ignorante…

A peça em falta no puzzle do Marquês

CM de hoje:


Proença de Carvalho é a peça que falta para se entender melhor o aspecto mais importante do puzzle do Marquês.
Este advogado esteve dentro de todos os casos que se interligam no processo do Marquês, particularmente no da PT e desde o início, na OPA da Sonae até ao final. Por "dentro" significa ter participado como negociador ( ele diz que foi por conta da CGD...como se isso fosse apenas assim e o Governo de então nada tivesse a ver com o caso, mesmo depois de ter nomeado um tal Vara para um sector estratégico da administração) e como advogado do principal envolvido ( José Sócrates, que largou logo que o mesmo foi preso...). Diz-se que Proença foi o indivíduo que indicou o antigo PGR Pinto Monteiro, para o cargo. Por duas razões: a primeira tornou-se óbvia ao longo do mandato daquele e a segunda porque é quase da mesma terra e amigo chegado. As conversas entre ambos terão sido das coisas mais interessantes para se compreender o que ocorreu em Portugal de 2005 a 20…

As causas dos incêndios negligentes, segundo o primeiro-ministro...

 RR:

“É importante que as pessoas saibam quais as zonas de risco para evitar comportamentos de risco, porque muitos deles são adoptados por negligência”, referiu António Costa, dando como exemplo as beatas lançadas para o chão, um churrasco e “até o trabalho com máquinas agrícolas”.

Acrescento mais uma causa: a inteligência fulgurante deste A. Costa, com projecções à distância. Ou os peidos a que o Salvador Sobral se referiu.

Salazar e Marcello Caetano sempre presentes no nosso imaginário colectivo

Na "entrevista de Verão" de ontem, o DN publicou uma conversa com o embaixador e intelectual Marcello Duarte Mathias. É um estrangeirado típico, filho até de uma estrangeira e estudou em Oxford e  Paris.  É diplomata desde o tempo anterior ao 25 de Abril de 1974 e conheceu os antigos presidentes do Conselho, Salazar e Marcello Caetano.

Sobre os mesmos diz isto:



É um dos que deveria fazer a análise semiótica dos elementos desta foto:


Sobre Salazar parece que o jornalista Miguel Pinheiro tem novo livro. Vou procurar e folhear para eventualmente ler e comentar.

Sobre outro assunto que o embaixador intelectual retoma, o do romance Equador de Miguel Sousa Tavares que foi um sucesso há cerca de dez anos e que o intelectual embaixador recenseou em modo crítico , convém lembrar a polémica a propósito do alegado plágio que foi motivo de processo que condenou um jornalista em modo assaz vergonhoso.

Há poucas semanas arranjei a edição original do livro Cette nuit la liberté, de Domini…

Vem tudo ao caso...mesmo a defesa patética

Este pindérico da patifaria política descarada julga que tem credibilidade suficiente para desmentir o óbvio e resulta já de inúmeros indícios probatórios recolhidos nos processos penais de que foi e é alvo.
Com estes argumentos de defesa patética, no Público de hoje,  a contrapor ao que já se conhece e ainda vai conhecer, pode ir contando com dez anos à sombra, no mínimo.   Tantos, pelo menos,  como o seu comparsa de mão para a CGD, o BCP, os media, etc etc. Esse já averbou cinco, por conta e que irá ser cumulado juridicamente ao restante.

Quanto ao principal aproveitador e mentor moral do efeito patifório que nos prejudicou enquanto sociedade por longos anos, pode ir contando com outro tanto. Salgado é o seu apelido.
Isso porque a Justiça acabará por se fazer  ou muito grande seria a injustiça em caso contrário.


Tal como Eduardo Dâmaso escreve na Sábado de hoje,  não há memória de patifarias deste género em Portugal e por isso, as pessoas acabarão por perceber o que se passou. E o…

Araújo e os intelectuais da paróquia

O intelectual A. Araújo na entrevista abaixo publicada teceu algumas considerações genéricas e particulares sobre aspectos da nossa vida contemporânea. Uma opinião, mesmo fundamentada ( o que não é o caso de Araújo) é sempre uma opinião, revestida do subjectivismo próprio e por isso relativamente insindicável no âmago do entendimento.

Porém, há afirmações de Araújo que suscitam reparos por denotarem entendimentos peregrinos cuja origem é desconhecida.

Quando afirma que o disco de Rui Veloso, Ar de Rock, tem a grande novidade de ser cantado em português, exemplificando assim o paroquialismo, não percebo o paralelismo.
O disco de Rui Veloso é um dos que se seguiram a outros publicados nos anos sessenta, pela Filarmónica Fraude ou pelos "conjuntos" que vieram depois, como a Banda do Casaco ou ainda o autor Júlio Pereira ou mesmo José Afonso em certos temas ou Fausto ou Sérgio Godinho, todos cantantes na língua materna e que nada tinham de paroquial ou provinciano. Paroquial e p…

António Araújo, o intelectual perdido na História contemporânea

No DN de hoje aparece uma entrevista "de Verão"  a António Araújo, apresentado com credenciais: historiador, crítico literário, responsável pela escolha dos autores da colecção retratos da Fundação Francisco Manuel dos Santos". Araújo também é conselheiro do presidente da República. É "licenciado e mestre em Direito e doutor em História". Publicou já vários livros sobre direito e história contemporânea e um deles mereceu recensão crítica aqui: Da direita à Esquerda-Cultura e sociedade em Portugal, dos anos 80 à actualidade.

Araújo tem sido alvo de comentários pelo que diz ou escreve, neste blog. Devo confessar que me irrita, o que este indivíduo diz ou escreve. Não devia, mas é assim. A razão para tal é a importância que lhe vão dando como oráculo dos tempos modernos, do mesmo modo que há 40 anos davam a um Eduardo Lourenço e a estirpe intelectual parece-me ser a mesma.
Enquanto Lourenço é da geração anterior, a do antifassismo militante e relapso, mesmo depo…

Os sérios e os sérios que não o são, a sério

Isaltino Morais sobre Marques Mendes...no Observador:

Passados todos estes anos, fala de Mendes com desdém.
Um político é muito mais escrutinado, sim. Quando são, porque às vezes há uns que passam pela chuva.
Quem é que acha que passa? No seu livro fala de Marques Mendes como um “facilitador de negócios”.
Pois, exactamente.
Acha que devia ser investigado?
Que o investiguem como me investigaram a mim.
Porque é que diz isso assim?
Os jornais noticiaram como ele enriqueceu muito rapidamente, com negócios das eólicas e não sei quê. É o que dizem, é o que vinha nos jornais também. Nunca foi averiguado isso. Mas o Marques Mendes para mim já não existe, é um comentador político, é deixá-lo fazer os comentários.
Incomoda-o ainda quando fala de si?
Não me incomoda nada, às vezes até o oiço. Digo-lhe uma coisa, às vezes até dou comigo a pensar: Isaltino, tu estás a concordar com este gajo, pá. Quando uma pessoa fala de muita coisa, claro que diz disparates. Mas veja bem, eu não sou um tipo sectár…

Retratos de uma aldeia do Alto-Minho nos anos de Salazar e Caetano