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sábado, 5 de agosto de 2017

Américo Amorim por A.Horta Osório

Este obituário em modo de homenagem, no Expresso de hoje,  vale a pena ler porque acrescenta valor ao que sabíamos sobre o valor de Américo Amorim como empresário português, com os valores antigos.


No artigo menciona-se o caso do Banco de Fomento a cuja privatização concorreu A. Amorim, em meados dos anos noventa. No artigo refere-se que A. Amorim foi afastado dessa privatização na "secretaria", graças a lobbies então poderosos a nada mais se esclarece.

No entanto, a internet ( e os arquivos se preciso forem) ajuram a esclarecer melhor o que se passou.
Aqui escreve-se assim, sobre o caso, em depoimento do antigo governante do PSD, Miguel Cadilhe:

Em meados dos anos 90, na privatização dos bancos Fomento e Borges, disse-lhe que era bem-vindo e ele concorreu, foram três os candidatos, mas o júri do concurso público, num acto que me pareceu muito mal, não abriu a sua proposta nem a de outro concorrente, abriu somente a de um.

O Esquerda.net, sobre isto diz isto:

 De regresso à banca, funda com Horácio Roque o Banco Nacional de Crédito (BNC). Amorim acabava de ser preterido por Guterres na privatização do Banco de Fomento Exterior. Um desaire que ainda consegue anular formalmente em tribunal, demasiado tarde, quando o BFE já estava absorvido pelo BPI. O Expresso conta (2.2.2013) que Amorim “telefonou indignado ao primeiro-ministro. Guterres confortou-o, prometendo que seria compensado numa futura operação. A Galp estava mesmo condenada a ficar para Amorim”.

E adianta pormenores curiosos a propósito do BCP e do BPN em que Amorim participou e que são referidos por Horta Osório quanto à desilusão de Amorim, com o bcp:

Amorim é um dos fundadores do BCP, em 1985. Quando Jardim Gonçalves reforça o seu poder com a blindagem dos estatutos e limita o direito de voto a 10%, Américo Amorim, com 20% das ações, vende a sua quota ao Banco Central Hispano. Com esses 300 milhões de euros, funda a Real Seguros e o Banco Português de Negócios. Mas quando outro ex-Secretário de Estado de Cavaco, Oliveira e Costa, se liga ao BPN, em 1997, Amorim já está vendedor dos seus 25%.

Conclusão do obituário da Esquerda.net, sempre, sempre contra a burguesia:

 Amorim é o homem mais rico de Portugal - uma fortuna de mais de 3000 milhões de euros, segundo a revista Exame - mas a sua não é nenhuma das “grandes famílias” do Estado Novo. A raiz da sua fortuna - a Corticeira - conviveu com a ditadura ao longo de décadas mas se deu o salto foi porque soube adaptar-se às circunstâncias políticas do pós-25 de Abril. Entre imobiliário e banca privada, telecomunicações, turismo e energia, Amorim soube realizar enormes mais-valias nas permanentes mudanças de sector e de posição em cada sector, sem nunca perder o pé da actividade multinacional na cortiça. Projectou-se nas oportunidades abertas pela mão do Estado, no ciclo privatizador da integração europeia e, mais recentemente, no centro do “triângulo dourado” Angola-Brasil-Portugal, aliado às famílias do poder angolano e moçambicano.

Sobre o tal negócio com o Fomento em que Amorim foi afastado na secretaria em prol de um BPI...no tempo de Guterres quem seriam os tais "lobbies" poderosos que afinal acabaram no pântano? Seria interessante conhecer tais personagens...

Na altura da decisão que o STA tomou, de anular o concurso viciado, em 14.5.2001, o Público escrevia assim, citando o actual presidente da República, então komentador da TVI:

As consequências desta decisão, que constitui a primeira anulação num caso de privatizações, serão muito mais políticas. Nas revelações que fez, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa fala em "incompetência brutal" e "relação patológica anormal com os grupos económicos". "É uma decisão em que se chega à conclusão de que, sem que se diga que há favoritismo, e eu penso que não houve, houve incompetência do Governo". Logo depois acrescenta que "o Governo se esqueceu de cumprir uma das regras básicas num processo como este, que é ouvir os interessados antes da selecção", esclarecendo logo de seguida que "nem sequer foi o Governo, foi a comissão que seleccionou e depois o Governo, na medida em que decidiu com base nisso". Nas revelações que fez a propósito deste caso, o ex-líder do PSD fez questão de lembrar que o secretário de Estado que "acompanhou de perto" este processo é hoje o presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Teixeira dos Santos. Aproveitou ainda para referir que este caso também mostra um pouco a lentidão da justiça, já que, quando a decisão é tomada, o banco já não existe.

Com que então, monsieur Teixeira dos Santos, um dos coveiros das finanças do país, com José Sócrates e com currículo vindo de longe. Teixeira dos Santos e...Artur Santos Silva, então executivo do BPI? E quem mais?

2 comentários:

Adelino Ferreira disse...

Oh, prescreveu...

https://www.publico.pt/sociedade/jornal/americo-amorim-escapa-a-julgamento-149401

Floribundus disse...

um primo tinha para a época negócio importante de carvão de sobro e cortiça.

o filho foi político e teve lugar de relevo no BdP, mas nunca se serviu dos cargos

as histórias da cortiça depois de 26.iv e das ligações aos sociais-fascistas ficam para
'mais tarde recordar'