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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Continuamos a ter aldrabões a governar

Alexandre Homem Cristo, Observador:

A 19 de Junho, dois dias após o incêndio de Pedrógão Grande, a equipa do ministério da Administração Interna informou que a rede SIRESP estava “a funcionar com toda a normalidade” e que “em nenhum momento esteve inoperacional”. A 6 de Julho, quase três semanas depois e com muitas averiguações feitas aos serviços da Administração Interna, o governo assegurou que as falhas no SIRESP eram de “menor relevância”. Entretanto, a 17 de Julho, António Costa abria a porta ao reconhecimento de que o SIRESP havia deixado de funcionar num momento crítico, afirmando que “temos de ter uma rede que funcione em todas as circunstâncias – é inadmissível que não funcione, em particular as redes de comunicações de emergência”. E a 28 de Julho, a ministra da Administração Interna assume a existência de um “problema efectivo” no SIRESP, mas deixa o aviso aos seus críticos: “é uma falta de sentido de Estado estar sempre a lançar lama sobre o SIRESP e a desestabilizar”.
Estas são as quatro primeiras versões (há uma quinta, já lá vamos). Recapitule-se: (1) a de o SIRESP ter funcionado com toda a normalidade; (2) a das falhas do SIRESP terem sido de “menor relevância”; (3) a de que o SIRESP falhou excepcionalmente num momento de emergência; (4) a de que há um problema efectivo no SIRESP. Ora, apesar de contraditórias, estas versões têm em comum um único foco de responsabilidade: o SIRESP, a sua gestão e a sua articulação com o Estado. Primeiro, para o ilibar. Depois, para o comprometer cada vez mais.
É, pois, sob esse foco que se tem debatido na arena política e investigado na imprensa. E é também nesse sentido que, a 9 de Agosto, a ministra da Administração Interna fez saber que pediu à Secretaria Geral do seu ministério que iniciasse “os procedimentos necessários à efectivação da aplicação de penalidades à SIRESP SA por falhas de disponibilidade e por falhas de desempenho, em cumprimento do contrato, bem como da sua responsabilidade enquanto operadora, pelo funcionamento do sistema”. Ordem que, de acordo com uma interpretação prévia de Joaquim Miranda Sarmento, especialista em parceiras público-privadas, terá pouca margem para sucesso, face a uma cláusula “força maior”, que consta do contrato e que impõe sobre o Estado a responsabilidade nos momentos de desastres naturais. Uma interpretação que a ministra Constança Urbano de Sousa rejeita, embora a 28 de Junho, no parlamento, tenha reconhecido a existência de um “fenómeno extraordinário”.
Tudo isto colocou o governo numa posição desconfortável. É que esta quarta versão dos factos, negada de início e depois forçada pela investigação dos jornais, é incómoda (expõe a incompetência governativa na articulação com o SIRESP) e particularmente problemática para o primeiro-ministro. António Costa assumiu a pasta da Administração Interna no governo de José Sócrates e, nessas funções, liderou a renegociação e a assinatura do contrato do SIRESP – ou seja, isso torna-o co-responsável político do problema que o SIRESP se tornou e pelo conteúdo no contrato desta PPP.
Não surpreende, portanto, que três dias depois, a 12 de Agosto, surja a quinta versão dos factos, desta vez pela boca do primeiro-ministro, para que fique definitiva: o SIRESP “colapsou” mesmo e a responsabilidade afinal é da PT. Vendo para além dos relatórios e dispensando as conclusões da comissão de peritos que o parlamento convocou, António Costa já apresentou a sua (nova) versão dos factos. Uma versão particularmente conveniente, diga-se. Por um lado, iliba o governo e anula as suas co-responsabilidades. Por outro lado, faz de bode expiatório uma empresa (Altice, detentora da PT) à qual declarou guerra e contra a qual tem direccionado as suas críticas – e, já agora, ameaça-a com a mudança do SIRESP para outra operadora. Situação win-win.
Faltam quatro dias para se completarem dois meses desde o incêndio de Pedrógão Grande. Sobre o que correu mal, há versões em abundância, mas certezas ainda só uma prevalece: o governo tudo fará para se descartar de responsabilidades, tanto operacionais como políticas. Sim, Marcelo vincou que há que “apurar tudo, mas mesmo tudo” sobre o que aconteceu em Pedrógão Grande. Mas os actos contam mais: se, no final, aceitar este atira-culpas político, fará também ele parte do logro.

Há uma similitude de procedimentos no caso Sócrates e do seu antigo ministro, António Costa que também tinha sido antes governante de Guterres:  são ambos aldrabões de alto coturno. 

8 comentários:

zazie disse...

A escardalhada é assim- aquilo é tudo uma aldrabice pegada. A começar no modo como fingem que são uma coisa sendo outra oposta.

Bic Laranja disse...

A fina flor duma longa estirpe.~Cumpts.

joserui disse...

Cláusula "força maior", ou seja os desastres naturais para os quais foi concebido o sistema e é crucial não falhar. Estes tipos são os kafkas da trafulhice.

osátiro disse...

Era isto q PPC deveria ter dito no PONTAL...

claro k sabemos k o SIRESP tem a cara de kosta...
k o advogado do SIRESP/EMPRESAS..é irmão da ana catarina mendes, braço direito de kosta no PS....e foi nomeado secretário de estado dos assuntos fiscais....

mas levar o TPC bem feito..com todas estes saltos mortais com piruetas do governo desde a tragédia...dá muito credibilidade à cara do siresp......e comprova como o governo quis sacudir as pesadas culpas na tragédia...


PPC tem k mudar discurso....faz lembrar os discursos redondos, vazos, fúteis..frases intermináveis de ...sampaio.....péssimo líder de oposição....que ganhou eleições quando NÃO foi oposição

Maria disse...

Bonita descrição, com testemunhos presenciais d'alguém que viveu in loco aqueles acontecimentos de um modo saudável e feliz. O José fez bem em frisar que estes democratas d'algibeira e anti-fascistas do 26 de Abril tipo Flunser e Rosas, não sabem o que foram aqueles tempos de sossego e paz vividos em todas as aldeias, vilas e cidades de Portugal. Eles, os anti-fascistas, "não sabem nem sonham" (ou melhor, sabem e bem, mas fingem propositadamente não saber, já que faz parte da farsa que andam a representar desde há quatro décadas e não se cansam.

Os pseudo-democratas hipócritas e cínicos, metirosos e corruptos que temos vindo a gramar à força mesmo que os odiemos até mais não podermos, sabem perfeitíssimamente que durante o regime anterior por todo o País vivia-se uma atmosfera de saudável convívio, confiança mútua e solidariedade da verdadeira e não da fingida, que é a que os democratas andam a apregoar desde que regressaram do exílio dourado na estranja com o único objectivo de vir destruir Portugal e foi exactamente o que começaram a fazer assim que cá chegaram e nunca mais pararam.

Havia no anterior Regime uma alegria de viver e uma felicidade interior difíceis de definir. Vivia-se com absoluta segurança e ignorava-se o que significava haver violência nas ruas e assaltos a casas particulares e a lojas e agora, imagine-se!, até a paiois... Não há dúvida que o este regime que os democratas vieram substituir pelo anterior é uma autêntica maravilha, já só falta assaltarem palácios estatais (nas sedes dos partidos ninguém toca, claro, são os seus residentes por interpostos homens de mão quem manda fazer assaltos, protegendo os assaltantes), ministérios, museus, hotéis, etc., pelo andar da carruagem quanto a estes já não deve faltar muito.

O sentimento de profunda tristeza com que se vive neste regime é a antítese em relação ao que se passava no anterior. Nesses tempos a cada novo dia que se saía para estudar ou trabalhar, era mais um que nos enchia de uma felicidade indefinível, que nos fazia sentirmo-nos de bem com a vida. A gratidão dos portugueses ao Regime do Estado Novo pela paz e segurança que este lhes proporcionava e garantia, era-lhe retribuída pelos mesmos com a verdade e o respeito que lhe eram merecidos.

Resumindo, este regime provoca no Povo um sentimento de insegurança a que se junta o medo diário do que lhe possa acontecer quando sai à rua. Além de viver em permanente ansiedade pelo que o futuro lhe possa reservar como País. No Regime anterior passava-se o exacto oposto de tudo isto: havia completa segurança em todas as áreas da sociedade e a violência nas ruas e os assaltos a casas, lojas e pessoas jamais passariam pela cabeça de quem quer que fosse, era algo de tão irreal para o pensamento dos portugueses que nem se punha. Se lhes fosse perguntado eles diriam que esses crimes horrendos só aconteciam nos outros países, que em Portugal tal era impensável e só o facto de sequer os mencionarem já de si era uma aberração.
Pois, mas para mal dos nossos pecados foi exactamente o que começou a acontecer a partir do dia 25 de Abril de 1974 e nunca mais parou até hoje.

Uma perguntinha: O José será um daqueles rapazitos à esquerda na primeira foto e do lado direito dos adultos? É que disse há tempos que tinha 15 ou 17(?) anos em 1974... e se um dos garotos da foto tivesse, como parece, seis ou sete anos naquela altura, feitas as contas podia o José bem ter sido um deles. Ainda pra mais com o seu Pai presente, bem como todas as pessoas da Aldeia. Em tão importante acontecimento só seria natural que a miudagem não ficasse em casa e também participasse no evento. É isso.

Maria disse...

Desculpe José, este comentário devia ter entrado na caixa do tema anterior.

josé disse...

Não.Näo estou na foto. Nesse dia estava no rio...

AAA disse...

Cada vez fica mais evidente que o Kosta não passa de um delinquente.