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quinta-feira, 23 de março de 2017

Os encómios à PJ

 

 O CM de ontem destacou na primeira página o sucesso da PJ na captura de todo o gang que assaltava carrinhas de valores e acabou por matar uma pessoa  em 28 de Fevereiro do ano passado, para lhe roubar o carro e que passava, como se costuma dizer,  pelo local errado na altura errada, por puro azar.
Nas páginas interiores do jornal dá-se conta dos factos então ocorridos e do modo como a PJ apanhou os bandidos.
A PJ está de parabéns porque os seus agentes fizeram o trabalho que lhes compete. Mas...fizeram mesmo todo o trabalho necessário?
Sobre esse trabalho escreve também no jornal um antigo agente dessa polícia, Carlos Anjos, agora "colunista" do CM e interventor na CMTV ao lado de Rui Pereira, outros. Sobre Rui Pereira não se devem regatear elogios pelo magnífico papel ( pago, mas ainda assim) que desempenha nessa estação de tv em enquadrar juridicamente factos, sem dizer asneiras como habitualmente estávamos habituados nas tv´s a ouvir a esmo.

Carlos Anjos escreve assim, sobre os métodos de recolha de prova da PJ:


Termina o articulista: "em matéria de investigação, ninguém em Portugal sabe mais que a PJ."

Pois assim será. Mas será ainda necessário atender a outro aspecto muito importante: como escreve  mais acima o articulista, é preciso que as provas reunidas suportem o contraditório do julgamento. E não só: é preciso ainda que tais provas sejam plenamente válidas em julgamento, com provas produzidas e eficazes.

Pouco adianta recolher confissões de arguidos que conduzem à descoberta da autoria de crimes se tais confissões não foram validadas em termos processuais, ou seja, através do crivo de magistrados e advogados em interrogatórios processualmente correctos e oportunos. E é isso que por vezes falha.
Relativamente a crimes graves como é o do homicídio, a recolha de indícios pode implicar a verificação de factos que o próprio suspeito em declarações informais indicou.
Se tais declarações não forem oportunamente validadas pela autoridade judiciária e tal exige a maior premência nesse acto, em prazos que se devem contar em horas, para não se perder o efeito de "colaboração", o resultado da investigação que é mediaticamente encomiada pode vir a perder-se.
E tal já aconteceu e continua a acontecer.
O corporativismo da polícia deve suster-se quando está em jogo o interesse público na realização da Justiça.



quarta-feira, 22 de março de 2017

o gado das nossas feiras

O que disse o holandês de tão ulrajante para uma boa maioria de políticos portugueses reclamarem a sua demissão,  "já!"?

Isto, segundo este relato:

"O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”

Quer dizer, recorreu a uma imagem: se alguém gastar mal e sem preocupação em pagar o que lhe emprestaram para refazer a vida é legítimo que o credor se interrogue sobre tais opções e franza o sobrolho. No mínimo.

O holandês não disse que quem gastou o dinheiro o fez em bebida e mulheres e é sumamente estúpida tal interpretação.

Pois foi exactamente o que fizeram muitos jornalistas portugueses, secundados por políticos do mesmo calibre intelectual, a começar pelo primeiro-ministro e um ministro, um tal Santos Silva, que há poucos meses chegou a comparar uma  negociação de parceiros de "concertação social" a uma feira de gado. E ficou impassível, mantendo-se no lugar...

terça-feira, 21 de março de 2017

A primavera duma praga

 A intolerância política e o extremismo de esquerda estão de volta com as cores de uma desvirtuada primavera.



Entretanto o título da notícia da RR acerca dos confrontos é um must:


Extrema-direita e antifascistas frente-a-frente na FCSH da Universidade Nova.


Mais de quarenta anos de lavagem ao cérebro têm que produzir os seus efeitos...

O assalto à Caixa e os castelos da esquerda

Vale a pena ler e guardar O Diabo de hoje. Por causa de artigos como estes, sobre os assaltos à CGD que a Esquerda ( e não só) quer esconder do povo português:


domingo, 19 de março de 2017

Morreu Chuck Berry e a imprensa esqueceu o obituário...



 Chuck Berry morreu ontem à hora do almoço na sua casa em St. Louis, no Missouri americano. Hoje os jornais impressos nada trazem de notícia e muito menos de primeira página, o que é estranho para quem publicou fotos inteiras de página dedicada aquando da morte de Bowie ou Lou Reed.
Porém, sem Chuck Berry, a música daqueles não seria a mesma coisa porque muito lhe ficaram a dever.
Não tenho nenhum disco original de Chuck Berry mas tenho muita música com sequências de acordes inventados por Chuck Berry, ouvida ainda sem saber tal facto.
Quando comecei a ouvir música rock, nos finais dos anos sessenta já Chuck Berry tinha produzido tudo por que se tornou celebrizado e copiado e já outros músicos e conjuntos tinham aprendido a tocar as suas músicas, sendo os casos mais  notórios os Beatles e os Rolling Stones.
Chuck Berry tinha ficado para trás,  nos anos cinquenta em transição para a década seguinte em que o rock n´ rol se trasmudou em rock, muito por influência daqueles grupos britânicos e das editoras Sun ( que gravava os discos de Elvis Presley, Carls Perkins e Jerry lee Lewis)  e Chess ( que gravava Chuck Berry e Muddy Waters, antes dele) e Atlantic que gravava Ray Charles e outros cantores pretos, americanos.
Chuck Berry foi provavelmente a maior influência singular na música rock que então surgiu. Maybellene, em Junho de 1955, foi uma das primeiras composições do músico. A canção cujo nome fora escolhido num frasco de brilhantina, foi passado por Alan Freed, a pedido dos irmãos Chess, polacos emigrados que convenceram esse  animador de rádio em Nova Iorque a transmitir a música e foi logo um êxito, segundo se conta. Mesmo sem o nome do artista no disco ( informação tirada do livro Rock & Indústria de Steve Chapeple e Reebee Garofalo, de 1977-Caminho da Música 1989). 


O Beatles ligaram logo a canção de Berry, Roll over Beethoven,  a um sucesso de vendas, em finais de 1963 no Lp With the Beatles. Os Rolling Stones já o tinham feito em meados desse ano, com a canção Come on, aliás o seu primeiro disco single. E continuaram a fazê-lo durante toda a carreira, copiando e adaptando mais de uma dúzia de canções de Berry.
Mas não foram apenas os Beatles e os Stones a tocarem músicas de Chuck Berry. Os Beach Boys, no início de 1963 compuseram Surfin´in the USA depois de terem escutado muito bem Sweet little sixteen, daquele músico. A melodia era tão semelhante que foi preciso dar-lhe o crédito respectivo após litígio judicial. A história é contada por Mike Love na sua autobiografia Good Vibrations, my life as a beach boy, de 2016, um magnífico livro, por sinal.

A primeira vez que ouvi Roll over Beethoven e me chamou a atenção  foi em 1973 numa versão da Electric Light Orchestra do seu segundo disco (II) que tenho e guardo como magnífico, muito por causa dessa canção e respectivo tratamento sonoro)
Por causa desse fenómeno as canções originais de Chuck Berry surgiram como recriações de outros grupos e artistas fazendo esquecer muitas vezes o artista original que as criou e agora faleceu aos noventa anos. Além da ode a Beethoven, Maybellene, Sweet Little sixteen, Johnny B. Goode, Memphis Tennessee, You never can tell e muitas outras foram entretanto ouvidas em versões originais ou adaptadas.
É por isso que a ausência de Berry dos obituários de hoje se torna estranha e revela uma incompreensível desatenção mediática a um fenómeno de cultura popular com um relevo superior a muitos outros.
Ao mesmo tempo revela bem a natureza dos critérios jornalísticos e o efeito rebanho que suscita.
Com a notícia de ontem não se gerou a onda mediática que noutros casos assumiu proporções de tsunami e neste morreu logo numa praia longínqua, da América distante. Por outro lado, os directores de jornais não estão sensibilizados para a importância do agora desaparecido Berry. Pouco ou nada lhes diz, mediaticamente. Musicalmente será igual, provavelmente.
A melhor representação da importância de Chuck Berry na música surgiu em 1986 no primeiro filme da trilogia Regresso ao Futuro.
Numa cena antológica, o artista Michael Fox, num palco e com uma guitarra idêntica à que Berry utilizava nos anos de fama de 1958 ( uma Gibson ES 345, encarnada). O tema é o magnífico Johnny B. Good com a introdução fantástica na guitarra, inventada por Chuck Berry:



A parte final do tema apresenta um resumo da evolução do som da guitarra até ao tempo dos Van Halen...o que o torna ainda mais interessante.

 Também memorável é a canção You Never can tell tal como apresentada no filme Pulp Fiction, disponível no You Tube

sábado, 18 de março de 2017

Opa da Sonaecom: estavam todos feitos...

Observador:

José Sócrates diz que Paulo Azevedo tentou recolher o apoio de última hora do seu Governo à Oferta Pública de Aquisição (OPA) do capital da Portugal Telecom (PT) lançada pela Sonae em 2006.

De acordo com um artigo de opinião que o ex-primeiro-ministro publicou este sábado no Diário de Notícias, Sócrates diz que o líder da Sonae ligou-lhe na véspera da Assembleia-Geral da PT que iria votar a desblindagem dos estatutos, que ocorreu em março de 2007.

“Alguns dias antes da assembleia geral da PT, o dr. Paulo Azevedo fez-me um derradeiro telefonema solicitando-me que o governo revisse a sua posição no sentido de dar orientações expressas à Caixa [Geral de Depósitos] para apoiar a referida OPA. Respondi-lhe que o governo não o faria e que se manteria fiel à sua conduta inicial de estrita neutralidade. Dei conta desse telefonema ao sr. ministro da tutela [Mário Lino]”, escreve Sócrates.


Curiosa neutralidade. Em 1 de Março de 2007, dias antes da Assembleia-Geral da PT referida no texto, a revista Visão publicou estas duas páginas em que avulta a informação do jornalista subscritor no sentido de "a tão proclamada neutralidade de José Sócrates, desde o início da operação, ameaça, agora. pender para o núcleo  de accionistas opositores ao projecto da Sonaecom, liderado por Ricardo Salgado, presidente do BES."

Ou o jornalista era bruxo ou sabia de algo que se preparava. É escolher a opção...e pensar se Paulo de Azevedo e Belmiro de Azevedo não terão razão quando afirmam que "estavam todos feitos".



Alguns meses antes desta reunião da AG da PT, em Setembro de 2006, Henrique Granadeiro era notícia de primeira página no pasquim de Pedro Tadeu ( que afirmou não ler o jornal se não o fizesse): afinal não estavam apenas "todos feitos". Eram todos amigos de conveniências e proveniências várias que desembocavam no mesmo interesse primordial: milhões de euros. E os jornalistas sabem muito bem disso porque lá estiveram, à pala do Granadeiro e da PT, na altura uma vaca com farto úbere que dava emprego a quem fosse conveniente. O Expresso de 20 de Maio de 2006 até se admirou disso...




Os resultados da OPA, na Visão de 8 de Março de 2006, dias depois da realização da mesma, com entrevista ao vencedor Henrique Granadeiro: o Santander era um "banco traidor" porque tinha apoiado o Belmiro da Sonaecom. O resto sabe-se agora e quem foram mesmos os verdadeiros traidores.





Estes recortes são o diabo...que tapa com uma mão e descobre com as duas. E vai ser isto que o processo vai dar a conhecer ao público em geral. Vai ser mesmo o diabo ou muito me engano.

Regresso a José Milhazes

No suplemento W do Negócios de ontem há uma entrevista extensa a José Milhazes a propósito do seu livro autobiográfico que relata a sua ida para a União Soviética, a expensas do Partido Comunista, a sua ilusão e consequente desilusão.



Na entrevista, Milhazes fala do mesmo assunto explicando que foi para lá em 1977 à espera de encontrar "tudo aquilo com que eu sonhava. Justiça social, igualdade de oportunidades, direito
a educação. à saúde. Tudo aquilo que eu não tive quando era criança".

Milhazes, no seu livro fala sobre a família, de pescadores das Caxinas, pobres, mas nem por isso pessoas de utopias ou ilusões. "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia", assim explica a renitência dos familiares directos em aceitar a doutrinação do então embevecido crente no comunismo como salvação da humanidade.

Uma das razões porque escrevo neste espaço de internet por conta da Google é a de perceber estas opções ideológicas em favor do comunismo prático numa altura em que havia tantas denúncias públicas dos seus efeitos perversos, dos seus crimes contra a Humanidade e da sua feição totalitária que mesmo assim atraía esta espécie de ingénuos deslumbrados com teorias e doutrinas radicais de combate aos ricos e burgueses. Uma das explicações que encontro, já o disse, é o fenómeno da inveja, como sentimento geral de alguém que não suporta ver os outros em melhor posição social, assacando-lhes a culpa directa de se encontrarem na mó de baixo.
O comunismo sustenta-se dessa inveja visceral e endémica que pretende substituir uma classe de possidentes por uma classe de proclamados oprimidos por aqueles. Portanto, sustentando como base ideológica de uma doutrina uma luta entre essas classes.
A teorização de autoridades intelectuais de um passado filosoficamente morto,  fornece o álibi necessário para que aquele sentimento primitivo seja sublimado e apresentado como desejo de justiça social, legitimando a acção concreta e a opção determinada por movimentos e partidos que provocaram desgraças inomináveis e hecatombes históricas, como o holodomor de Estaline, o genocídio como um dos horrores máximos que a Humanidade pode temer e que aconteceu por causa dessa teorização e práticas ideológicas.
Ainda hoje os partidos herdeiros desse horror denegam tal acontecimento, assemelhando-se por isso aos que denegam outros genocídios na História. Com uma diferença: o PCP que assim procede não é punido publicamente por isso e continua a ter a compreensão indulgente da bem-pensância caseira dos pachecos, flunsers e rosas, mais a companhia limitada do costume.

Por causa disso, compreendo muito mal que um José Milhazes, como tantos outros que aderiram conscientemente a uma doutrina dessas e a um partido desses, desprezassem os avisos e testemunhos e documentos e provas que já existiam em Portugal, nos idos de 1974 a 1977 e preferissem acreditar nas patranhas que agora reconhecem como tendo sido o prato que lhes serviram e eles sorveram com a gula dos que têm fome e sede de justiça.

E não compreendo, além do mais, porque nesses verdes anos, foi publicado em Portugal um livro que agora é reeditado pela Bertrand que então o publicou originalmente em dois volumes.



O Arquipélago de Gulag, de Alexandre Soljenitsine foi publicado originalmente em França, em 1973, sendo livro passado clandestinamente da União Soviética para o Ocidente e que deu muito brado na altura, mesmo em Portugal.

O advento do 25 de Abril de 1975 ajudou a relativizar o que aí se denunciava: o horror dos campos de concentração soviéticos, comunistas que comparados ao Tarrafal, na altura há muito extinto, faziam este passar por um verdadeiro campo de férias.
Tal comparação nunca era feita e pelo contrário assistia-se e continua a assistir-se à denúncia do fassismo de Salazar, pondo em evidência o Tarrafal mas esconde-se debaixo da consciência o horror dos Gulags.

Milhazes e outros como ele poderiam saber tudo isto em 1975, data da publicação do primeiro tomo desse livro em Portugal, mas aparentemente não quiseram, tomando tal por propaganda ocidental contra o comunismo soviético. Quiseram enganar-se e ser enganados e o motivo continua a permanecer apenas aquele acima exposto.


Mais: o segundo volume deste livro, publicado originalmente em França, pela editora Seuil, saiu em 1974. Por cá foi traduzido e publicado em 1977, altura em que trabalhadores da editora, em comissão, tentaram impedir a sua distribuição nacional, por causa de tal livro ser contra-revolucionário e fascista.

Também estes factos não incomodaram minimamente os que vituperavam a Censura de Salazar e do Estado Social de Marcello Caetano.

Actualmente já não subsiste a Censura como exame prévio oficial ao que se publicava. Existe outro tipo de censura que aqui também se aplica: o facto de a Geringona no poder incluir apoio de partidos comunistas impede a discussão alargada do fenómeno comunista, decorrente de factos que estão neste livro. E o melhor exemplo dessa censura interiorizada nos media em geral é o chumbo, no Parlamento, há dias de um voto de condenação do Holodomor, o holocausto soviético.

Percebe-se de algum modo como antes de 1968, para quem nasceu na década de 40 e por isso não acompanhou bem o que se passou em 1956 na Hungria,  alguns intelectuais tenham caído no PCP, por oposição ao salazarismo, como é o caso de António Barreto que tal explica no Sol de hoje, assim:


 Diz que aos 17 anos, em 1963, em Coimbra, não havia mais nada do que o PCP, na oposição. E foi comunista até 68-69, quando percebeu o que se passava na Checoslováquia.

De facto, tais acontecimentos foram muito bem relatados, mesmo por cá, nessa época. Só não viu quem não quis e só acreditou no PCP quem quis.  Barreto deixou de acreditar e saiu.

Vida Mundial de 30.8.1968 , com artigos extensos sobre o assunto ( "do estalinismo à crise checoslovaca", um deles, assinado pela redacção) e imagens da invasão soviética e dos tanques em Praga, nas praças medievais da cidade.


Vida Mundial de 21 de Agosto de 1970, com um dossier de várias páginas sobre o assunto, incluindo um artigo sobre um português, Luís d´Oliveira Nunes que viveu os acontecimentos e os conta em várias paginas muito interessantes:



Outros houve, porém,  que tendo acesso a informação sobre a realidade soviética não acreditavam nela e preferiam a narrativa do Partido que resumia tudo a uma querela propagandística do fascismo para denegrir o "sol na terra" e prejudicar a luta dos oprimidos operários e camponeses contra os opressores capitalistas. Esse discurso pegou e ainda pega nos tiagos oliveiras e outros joões ferreiras para não falar nas ritas ratos de todo o lado.

É pena que pessoas como José Milhazes não tenham querido saber melhor como era, na altura, em 1975-77, podendo fazê-lo. Depois, no caso de Milhazes, só em 1991,  veio a desilusão e a descrença que poderiam muito bem ser evitados se dessem ouvidos à sabedoria antiga sobre as esmolas que se dão aos pobres...
Ou então seguindo o que se diz no Evangelho: felizes daqueles que acreditam mesmo sem verem...

A ridícula defesa de um arguido excelentíssimo

Lendo os jornais de hoje- Público, Correio da Manhã, Diário de Notícias e Sol- a conclusão a tirar sobre os últimos acontecimentos do caso marquês é simples: não está a correr nada bem para a defesa de um dos arguidos ( sim, porque aos outros  ninguém liga...) que cada vez mais se torna patética.

O DN tem os indefectíveis defensores do antigo primeiro-ministro que lhes assegurou o chóio e por isso continuam a apaniguar. É lá que vem a resposta pífia daquele ao que Paulo Azevedo da SONAE disse esta semana: "eles estavam todos feitos", expressão que qualquer português percebe e que por isso não foi proferida para inglês ver.

O Público lá se convenceu que os prazos do inquérito são indicativos e até Pacheco Pereira acredita na culpabilidade do arguido ( os outros interessam nada) embora não queira que haja processos "populistas" que investiguem o regime. Lá se ia o chóio do Pacheco sempre a defender uma ortodoxia sistémica e contra o "justicialismo" que a incomoda.
O editorialista do jornal, Manuel Carvalho também não rasga as vestes por causa dos prazos que a televisão das lourenças tanto têm insistido que são um escândalo, porque a defesa assim o diz. E aquele até compreende a complexidade de uma investigação deste tomo. Para já aguarda, mas suspeito que anseia pelo non lieu...
Na última página, João Miguel Tavares, o articulista de direita que a esquerda gosta ( ver o artigo de Alberto Gonçalves no Observador de hoje) tenta explicar a totós das tv´s, ou nem tanto,  do género lourença, o comunicado de ontem, da PGR.

No Correio da Manhã o malho está sempre virado para o mesmo lado e desta vez arrasa a defesa do arguido excelentíssimo com uma revelação deduzida: há dez anos houve um pacto entre Ricardo Salgado e o arguido excelentíssimo para a prática continuada de corrupção. Luvas e comissões foram pagas, como habitualmente o fazia o antigo ddt e era adn da casa, segundo consta e se estendia até ao Brasil. Na última página, João Pereira Coutinho desvaloriza o assunto que tanto incomoda as  lourenças das tv´s amestradas.

Chegamos por isso ao SOL, como sempre aos Sábados e este pequeno apontamento do director-executivo do Sol resume o essencial do assunto:

sexta-feira, 17 de março de 2017

O anterior PGR falou e disse...

Observador:

No dia em que volta a ser adiado (agora sem data) o prazo para que seja deduzida a acusação no caso que envolve José Sócrates, o ex-Procurador-geral da República Pinto Monteiro veio defender uma ideia que diz ter há muito tempo e que passa pela divisão dos mega processos. “Dividir um processo acelera [os casos] e permite julgamentos melhores”, defendeu Pinto Monteiro numa entrevista à TSF.

Pinto Monteiro, amigo de José Sócrates e com quem prandiou alguns dias antes de este ser preso, para falar de livros e do tempo, falou agora sobre os processos de grande dimensão. Disse que prefere os processos de caganitas. E foi-se.

A antiga bastonária da Ordem dos Advogados, a crepitante Elina Fraga , também prefere os processos de caganitas. E alvitrou à jornalista Lourença, na RTP3 o modo como o MºPº deve fazer nestes casos: fracturar  e separar os processos logo que a prova de cada facto esteja consolidada. "Falou-se em Vale do Lobo? Muito bem. Faça-se um processo. Falou-se na PT? Faça-se outro", disse a inteligente e crepitante Fraga que quer assim fracturar investigações criminais cuja técnica aprendeu no largo da sede da Ordem dos Advogados...enfim.

Um advogado também convenientemente escolhido, para fracturar, Tiago Ponces de Carvalho também acha que as cartas rogatórias já estão cumpridas e os "prazos estão mais que ultrapassados"

Estamos entregues a estes komentadores  que se encarregam agora de replicar os argumentos da defesa...

Curioso...

Ainda mais curioso:

Ontem, o advogado João Nabais esteve no programa da Lourença. Hoje está no Expresso da meia-noite a dizer mal da investigação do MºPº. Ontem falava cuidadosamente referindo a deontologia dos advogados. Hoje esqueceu-a. Ai Nabais, Nabais...assim só se vislumbra uma explicação para a perplexidade: deve andar por aí mouro na Costa...
 Diz que é estranho  um indivíduo ter sido preso durante dez meses e  ainda não ter uma acusação.

Estranho? Estranhíssimo. Estranhíssimo que o advogado João Nabais esteja assim na televisão a perorar sobre um processo relativamente ao qual diz só conhecer o que vem na comunicação social.

Estranhíssimo, repito.



José Sócrates tem muito medo da Verdade

Observador, comunicado de hoje da PGR:

O Ministério Público, no âmbito do exercício da ação penal e enquanto titular do inquérito, está vinculado à obrigação de análise e apreciação objetiva de toda a prova recolhida com vista a uma decisão. O trabalho de ultimação do despacho final deve, igualmente, ser feito sem os constrangimentos da subsistência de diligências de recolha de prova.
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Pelas razões expostas, os magistrados titulares solicitam até ao final de junho como prazo concluir os trabalhos de ultimação do despacho final.

O inquérito, no qual se investigam suspeitas da prática de crimes de corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais, recebimento indevido de vantagem, falsificação e tráfico de influência, tem 28 arguidos constituídos (19 pessoas singulares e 9 coletivas)

No âmbito deste inquérito já foram realizadas mais de 260 buscas, inquiridas cerca de 170 testemunhas, autorizadas e transcritas mais de 2.600 escutas e enviadas 9 cartas rogatórias para diversos países.
O processo tem 91 volumes e 452 apensos e reúne uma extensa prova documental e digital, da qual fazem parte mais de 3 mil documentos em suporte de papel e 13.500 milhões de ficheiros informáticos.

Muita da prova foi recolhida no estrangeiro, o que determinou a necessidade de tradução.
Até finais do ano passado, já tinham sido apreciados, no âmbito do inquérito, cerca de 350 requerimentos apresentados por arguidos e, no Tribunal da Relação de Lisboa, tinham dado entrada mais de 50 peças processuais relativas a recursos e outros incidentes suscitados pelas defesas
.

 O arguido José Sócrates, só ele, tem um horror à verdade que se espelha neste processo. E por isso reage assim, como animal feroz, acossado pelos factos que atormentam:

RR: 

 João Araújo e Pedro Delille argumentam que a decisão da procuradora-geral da República é ilegal e ilegítima e consagra a “violência desenfreada sobre as pessoas”.

Teoricamente a questão explica-se assim:  os prazos de inquérito mal-grado a redacção do artigo 276º do C.P.P.  são meramente indicativos e apenas ordenadores da tramitação do inquérito. Não são prazos de caducidade nem peremptórios. Tal tem sido decidido pelos tribunais superiores e foi esse o sentido da última decisão sobre o assunto. Há um pequeno sector nesses tribunais que defende o contrário mas é ultra-minoritário e julgo que poderá mesmo mudar de opinião porque demasiado formalista e conceptual. É com esta réstea de esperança ténue que os advogados do arguido agridem tudo e todos do MºPº e da magistratura judicial, a esmagadora maioria que pensa o contrário.  Insultam em modo soez e até agora impunemente.
Ou devem receber fortunas por este papel ou então são malucos, simplesmente, porque a defesa dos constituintes não carece nem desta linguagem nem destas atitudes.

Por outro lado, o comunicado da PGR explica a própria prorrogação do prazo uma vez que tal tinha ficado contemplado no despacho anterior sobre a aceleração processual.

Dificilmente se compreende a argumentação de advogados deste calibre. Dificilmente.

A detenção e prisão de Sócrates foi justa e inteiramente justificada

Ontem na tv o preclaro advogado Magalhães e Silva, ps de gema e vogal do CSMP disse que a prisão de José Sócrates foi um erro, quando ocorreu. É uma ideia que está a lavrar agora nos media afectos à komentadoria do antigo recluso 44 e vai medrar como fogo na palha que nos querem fazer engolir.

Perante esta apreciação daquele preclaro, eivada de uma isenção a toda a prova, será necessário ir ao tempo de 2014 e reflectir no que disse Magalhães e Silva, ou seja, saber se José Sócrates, nessa altura deveria ou não ter sido detido, interrogado e preso.

Como é sabido, Sócrates tinha então uma vida relativamente recatada num apêndice universitário da Sorbonne, em Paris, onde alegadamente foi estudar para filosofia à velocidade da cidade-luz.

Nesse recato ledo e cego que a fortuna não deixou durar muito foi espiolhado pelo Correio da Manhã que já andava de olho em cima do marau por outras coisas e loisas do tempo do Face Oculta e não só.
É preciso dizer que a Justiça no MºPº não cheirava estas coisas, formalmente, e apenas instaurou inquérito quanto lhe foi participada a transferência de dinheiros suspeitos de branqueamento de capitais vindos da Suíça,  de um tal Carlos Santos Silva de quem ninguém tinha ouvido falar, com excepção de alguns apaniguados do PS e do antigo PM em particular. 

Esta notícia de 1.8. 2014 ( oito dias após a detenção e interrogatório de Ricardo Salgado) alertou os ouvidos atentos:


O comentário que então teci era este, cuidadoso porque ainda não se sabia quase nada de nada, a não ser a natureza de mentiroso relapso do visado que pagava refeições de contas opíparas a convivas desconhecidos nessa capital e para lá tinha ido supostamente com um empréstimo da CGD de dezenas de milhar de euros, cuja concessão o PS e Geringonça quer agora impedir se conheça nos seus contornos e provavelmente a operação marquês desprezou como prova ( e não devia). Sabe-se que tal empréstimo suportou a compra de um Mercedes de modelo S ( próximo de 100 mil euros ou mais e que ficou por cá a aguardar na garagem):

Portanto, regressando a Paris: como se pode descobrir que um apartamento é realmente de uma pessoa que não tem a titularidade do mesmo? Juridicamente não pode e é nesse formalismo atávico a que se agarram os espertos que fogem a credores ou os criminosos impedidos de revelar o património. E que fazem estes indivíduos? Arranjam testas de ferro para ocultarem o património. Pessoas de inteira confiança e que ficam agarradas ao verdadeiro dominus por laços de fidelidade intangível. Quem são os testas de ferro, habitualmente? Pessoas frágeis e manipuláveis. Como se pode assegurar a fidelidade de um testa de ferro e como assegurar o usufruto permanente do dominus? Não há regras fixas a não ser a da confiança. No fim, se esta falhar, perde-se tudo.

Quando José Sócrates foi preso no aeroporto tal ocorreu por um motivo simples e bem explicado na época: perigo de fuga. Havia bilhetes comprados para o Brasil e o dito cujo andou a manobrar à pressa na capital de Paris estratégias de ocultação de algo que a Justiça tem o dever de desconfiar, perante os indícios e tem de agir rapidamente. Durante dois dias fugiu ao radar de quem o queria apanhar e para confundir mandou uma espécie de mensagem electrónica, ele que não era versado em computadores, para assegurar que poderia apresentar-se voluntariamente ao MºPº. Esta estratégia deve ter sido combinada com o advogado Araújo que foi a Paris nessa mesma altura e o então ex-PGR Pinto Monteiro tinha estado, dias antes,  em conversa prandial com o fugitivo que falou de livros e cassetes piratas. Tudo isso foi vigiado pela polícia judiciária que reportou ao MºPº.
O argumento contra o tal perigo de fuga existente é daqueles que carece de prova: se mandou a mensagem electrónica para ser ouvido é porque não tencionava fugir...ora o que o suspeito de então nunca supôs seriamente foi que lhe aplicassem a prisão preventiva. "Eles não têm coragem de me prender", terá sido o desabafo...

Ou seja, estava criado o ambiente rocambolesco em que decorreu a prisão do dito cujo, por motivos que a si mesmo deve imputar.
 E o suspeito foi mesmo detido  e preso preventivamente, começando então a romagem de desagravo dos vários apaniguados do regime enquanto tutelado pelo detido. Até o já então defunto intelectualmente, M. Soares lá foi a Évora, várias vezes, em visita ao 44...
 
O advogado Magalhães e Silva fundador do PS e membro do CSMP devia saber disto antes de dizer fosse o que fosse sobre o assunto, até porque já disse demais sobre o mesmo assunto.Mesmo demais. E Magalhães e Silva pode ter telhados de vidro em certas matérias.

Quanto aos fundamentos da prisão preventiva também o causídico deveria saber porque é público que tal decisão foi sufragada várias vezes pelos tribunais superiores onde foi apreciada. Fazer de morto quanto a isto é estultícia que ofende a inteligência alheia.

E os indícios eram e são estes que suscitam fundados motivos de interesse público para se conhecerem melhor os respectivos contornos, como então escrevi:

 "No caso concreto perante o conhecimento de existência de contas bancárias com montantes elevados, pertença de um amigo de infância, suspeito de ter sido beneficiado em concursos de obras e que   ganhou por ser amigo, reflectindo essas contas movimentos muito importantes de dinheiro  em favor do suspeito que as outorgou, as provas a apresentar em julgamento são as exigidas por lei.  Os factos relativos ao motorista, às malas com dinheiro e entregas em mão, as utilizações de diversos subterfúgios típicos de quem quer ocultar a proveniência de dinheiro sujo, o circuito dos milhões para a Suíça e de ida e volta, tendo como beneficiário dessas contas o suspeito recluso, inculcam uma ideia que não pode ser simplesmente desvalorizada em função de qualquer presunção de inocência. Só por mera estultícia se poderia argumentar que tais indícios e provas, sendo insuficientes para provocar uma condenação judicial também o são para se poder julgar o comportamento cívico do suspeito. E é nesta vertente cívica que os jornalistas e cronistas tem um campo amplo de manobra relativamente a quem exerce cargos públicos."

A prisão preventiva do então suspeito ocorreu porque havia efectivamente um perigo de fuga a todo o tempo que era real e não fictício, atenta a natureza escorregadia do indivíduo em causa e antecedentes do género Fátima Felgueiras ( não é por acaso que a filha defende o dito...).

Por outro lado, em 2014 vivia-se ainda um período de novidade neste tipo de processos e disso se dava conta aqui, relatando outro caso paradigmático do modo como o PS de Magalhães e Silva lida com a justiça em Portugal e que deveria envergonhar qualquer pessoa civilizada democraticamente:

 Caras e Caros Camaradas,

Estamos todos por certo chocados com a notícia da detenção de José Socrates.
Os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a ação política do PS , que é essencial preservar , envolvendo o partido na apreciação de um processo que, como é próprio de um Estado de Direito, só à Justiça cabe conduzir com plena independência, que respeitamos.
Ao PS cabe concentrar-se na sua ação de mobilizar Portugal na afirmação da alternativa ao governo e à sua política.
Um abraço afetuoso do António Costa"


Há um pouco mais de dez anos, o mesmo António Costa, perante a perspectiva de derrocada do partido com a prisão de um elemento suspeitos de relacionamentos pedófilos e  outros na berlinda dos boatos e nem tanto, reagia de outro modo:

Primeiro fez chamadas telefónicas que confirmou, para o então PGR Souto Moura. Para o pressionar? Não. Para "ajustar" as coisas. Não conseguiu porque Souto Moura disse-lhe candidamente que o processo já estava nas mãos do juiz de instrução ( outro crucificável ao longo dos anos, como se tem comprovado em várias ocasiões). Dizia então a TSF:

  António Costa   confirmou, esta quarta-feira, que as chamadas que são citadas nos autos do chamado caso da Casa Pia, foram feitas do seu telemóvel. «Fiz essas duas chamadas do meu telemóvel», declarou o líder parlamentar socialista.

Estas pressões do então ex-ministro socialista da Justiça e com responsabilidades parlamentares conduziram à aplicação de medidas de coacção de prisão preventiva,  pelo juiz que se tornou persona non grata do PS e por isso foi perseguido no seio do próprio CSM ( quem se mete com o PS...leva, lá dizia o pantomineiro Jorge Coelho que bem governou a vidinha in illo tempore)

Magalhães é Silva, relativamente a este processo do marquês pretende criar exactamente o mesmo clima que então se criou contra a Justiça, por causa da Casa Pia. E bastaria ir ler declarações do mesmo, nesse tempo, para se confirmar tal ideia. Por exemplo, ficou satisfeito com a sentença...mas

Magalhães e Silva soube do caso Casa Pia desde o primeiro momento em que soaram alarmes no Largo do Rato.


Agora, já começou a expôr o esquema de sempre: querer reverter o tempo histórico que isto representa e reescrever os indícios sem sequer conhecer devidamente o processo, como o faz constantemente o advogado Magalhães e Silva, fundador do PS e membro do CSMP é penoso porque releva de uma obstinação doentia e que lhe tolhe qualquer autoridade ou mesmo seriedade na análise.

Magalhães e Silva, tal como alguns, poucos, faz parte das viúvas do garantismo , sempre preocupados com direitos postiços e liberdades particulares.  

Mas é exactamente por isso que é convidado habitual da Lourença da RTP3, uma vergonha de jornalista que deveria aprender outra vez a redigir notícias isentas de comentários ou trejeitos de linguagem.  

quinta-feira, 16 de março de 2017

A Lourença da RTP3 está muito interessada no processo marquês...

Na RTP3 a Lourença convidou três juristas para debater o assunto magno do processo do marquês, agora na vertente fora de prazo.
O primeiro, o advogado Magalhães e Silva, simultaneamente membro do Conselho Superior do Ministério Público e que apesar disso costuma falar abertamente de processos em segredo de justiça para criticar, sempre, o MºPº. Por isto e aquilo e o par de botas habitual. Estou para ouvir o dito advogado, fundador do PS, dizer bem do MºPº de que faz parte no seu órgão máximo e perceber a estranha perversão de quem o nomeou para o lugar
O segundo, o advogado João Nabais, normalmente comedido na apreciação concreta de processos, particularmente de clientes seus, desta vez apoiou sempre o que Magalhães  e Silva foi dizendo, de mal do MºPº,  mas com aquele ar de quem o faz em modo polido de quem não quer incomodar ninguém.
O que disse Magalhães e Silva? Que os prazos patati patata já duram há 44 meses; que o segredo de justiça é sempre vergonhosamente violado; que  os indícios sobre os factos foram diminuindo de intensidade consoante os assuntos foram mudando de alvo e outros pormenores de quem não conhece o processo e apenas fala por conhecer o que dele dizem os media. Mas fala e de cátedra e apontou agora uma solução miraculosa para o problema: se bem percebi, subtrair a uma fase formal de inquérito a maior parte da investigação. Assim tipo "madoff" que foi investigado administrativamente durante vários anos até se descobrir marosca grande e ser preso.
Coisa tola se entendermos que os direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição não se compadecem com informalidades dessas, tanto mais que obrigam a que se dê aos suspeitos cópias de mandados com factos e mais factos e outras garantias fantásticas que servem apenas para se violar depois o segredo de justiça.

Para enfrentar estes dois raposões de capoeira desguarnecida o MºPº foi representado "a título pessoal" pelo procurador José Niza, o qual conseguiu até hoje um feito notável: convencer um tribunal colectivo que Duarte Lima e companhia ( Raposo) tinham enganado Oliveira Costa, do BPN e burlado esta entidade impoluta. Acho isso um feito, sans blague.

José Niza como procurador do MºPº  e a "título pessoal" fugiu a todas as armadilhas que a Lourença lhe lançou, como boa apaniguada deste PS que é e por causa disso está na RTP. Ao mesmo tempo falhou toda a eficácia argumentativa que se esperaria numa intervenção do MºPº, mesmo a título pessoal. 
Não explicou em modo claro e concreto que o segredo de justiça tem várias  facetas e a mais importante delas é a preservação da eficácia e segredo da investigação e não a honra de arguidos que a perderam há muito.
Não explicou de caminho, entalando devidamente o raposão Magalhães e Silva que algumas violações de segredo de justiça nesse e noutros processos partem de pessoas que podem ter interesse diverso do do MºPº e que esta entidade é a menos interessada em que seja divulgada informação avulsa. Deveria ter dito que em consequência de reformas do processo penal, vários instrumentos como mandados de busca ou de detenção têm obrigatoriamente que conter elementos factuais do processo e que nas decisões tomadas em tribunais superiores são remetidas peças processuais que depois são aproveitadas pelos media para consumo de papel e primeiras páginas.

Disse de modo muito enrolado e circunloquial que estes processos causam incómodo em alguns sectores que preferiam um MºPº menos eficaz. Fugiu à ratoeira da Lourença a propósito das entrevistas de dois magistrados que incomodaram sobremaneira a dita que evidentemente partilha as dores dos entalados ( ou não estaria onde está) dizendo que não acompanhou as tais entrevistas ( de Carlos Alexandre e de Ventinhas do sindicato do MºPº). Poderia ter dito que em relação à primeira o CSM já arquivou o procedimento suscitado por presumíveis  amigos da Lourença e quanto à segunda seria escandaloso se não tivesse o mesmo fim. A propósito, a Lourença não perguntou nada disto ao advogado membro do CSMP...

Enfim, mais um programa encomendado pelos entalados do costume para debater um não assunto e destinado a confundir as pessoas. Portanto um exemplo de péssima informação e manipulação de acontecimentos em prol de entalados processuais com relevo e importância política.
O Salgado nisto que se cuide porque nunca terá o mesmo apoio descarado destas Lourenças da vida.


Quem avisa amigo é...

Observador:

Ricardo Reis, professor da London School of Economics, encontrou-se na capital britânica, recentemente, com alguém que estava a ponderar investir “muito dinheiro” em Portugal. Mas o investidor mostrou-se inquieto e explicou porquê: “um país com uma dívida pública tão alta quanto Portugal tem duas hipóteses: ou corta na despesa ou aumenta os impostos. Como nos últimos quatro anos não conseguiram cortar na despesa, não é credível que o façam agora. Portanto, a alternativa vai ser que, se eu investir, vai haver um qualquer ministro das Finanças que vai encontrar uma forma de taxar os meus retornos e vai ser chamado de génio por isso”. Por outras palavras, um ministro genial que faça do investidor burro.

Ontem, o ministro alemão Schäubel disse isto:  "Certifiquem-se de que não precisam de resgate".  Ou seja, tenham cuidado.
Resposta do Costa de cá:  “contra factos não há argumentos”. Ou seja, estamos muito bem e no bom caminho.

Assim que os factos se virarem contra este tipo de argumentos o culpado será...o Passos. Por causa da austeridade que secou o país. Vocês "hádem ver" se não vai ser assim...

quarta-feira, 15 de março de 2017

Holodomor: o comunismo mata

Daqui, de um sítio em brasileiro:

 Ao dar início à modernização da rústica União Soviética, Josef Stalin também iniciou o que ficaria controversamente conhecido como Holodomor. Enquanto a União Soviética exportava alimento e impunha forte crescimento industrial, dezenas de milhões de ucranianos passavam fome e o canibalismo se tornou prática usual no início da difícil década de 1930. Milhões pereceram ante a fome. 



Também chamado de Holocausto Ucraniano ou de A Grande Fome da Ucrânia, o Holodomor (“fome-extermínio” ou “assassinato pela fome”) teria ocorrido entre os anos de 1932 e 1933, tomando o último suspiro de vida de milhões na Ucrânia e no Kuban, ambas as regiões de etnia ucraniana. Contudo, há relativa divergência, sobretudo política, acerca do imenso número de mortos ser ou não decorrente de uma política genocida perpetrada pelo Estado Soviético. Ainda assim, o artigo em tela se baseou na corrente majoritária: houve genocídio.

Antecedentes

Em meados de 1928, o então líder soviético, Josef Stalin, sabendo da fragilidade da União Soviética perante as beligerantes potências estrangeiras, deu início a uma rápida e extraordinária modernização nacional mediante a execução do Primeiro Plano Quinquenal criado pelo Comitê Estatal de Planejamento (GOSPLAN), que dedicou prioridade às grandes obras de infraestrutura e à indústria pesada (siderurgia, maquinaria, etc.).

Nas extensas planícies do seu território, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) executou um radical projeto de coletivização da agricultura privada, que acabaria por desencadear uma grave crise política interna. A coletivização teria alcançado a impressionante soma de 25 milhões de lares e transformado a classe “abastada”, os kulaks, em sem-teto e impedidos de receber ajuda alheia.


O processo de coletivização demandava, para seu sucesso, a exclusão dos agricultores mais bem-sucedidos. No dia 3 de janeiro de 1930, Stalin decretou os kulaks como inimigos do Estado e, dispondo sobre as “medidas para eliminação dos pequenos agricultores kulaks nos distritos de ampla coletivização”, legalmente acabou por transformar a classe em inimiga nacional, pois a enxergava como uma possível fonte de insurreição futura. Estima-se que aproximadamente 10 milhões de kulaks foram desapossados de seu patrimônio e transformados em trabalhadores avulsos na engrenagem soviética.

Dessa forma, toda a União Soviética acabou sendo direcionada ao plano de cinco anos da GOSPLAN e as ações em face dos kulaks logo trouxeram grandes consequências: desapropriações, prisões, deportações e assassinatos. Muitos fugiram para Polônia e países próximos, outros abateram e defumaram seus animais para consumo próprio em vez de entregá-los ao Estado. Stalin, por sua vez, retaliou com violência e a polícia secreta soviética deu início às prisões em massa dos que resistiam à coletivização, deportando-os aos campos da Administração Geral dos Campos de Trabalho Correcional e Colônias, os conhecidos — e temidos — GULAGs.

Na colheita de 1930, dos três grandes centros produtores de trigo da União Soviética (Sibéria Ocidental, Cazaquistão e Ucrânia), somente a Ucrânia alçou bons resultados correspondendo a aproximadamente um terço de todo o trigo produzido na gigantesca URSS. Todavia, teve quase metade de sua produção confiscada pelo Estado, o que preocupou as autoridades ucranianas pela necessidade de alimentar sua população e garantir os grãos essenciais à próxima semeadura.

Ainda, a radical coletivização agrícola e a perseguição dos kulaks já teriam dado causa a elevados danos às regiões de etnia ucraniana (Ucrânia e Kuban, esta ao norte da região do Cáucaso). Outrossim, por causa das colheitas medíocres realizadas em outras regiões, as regiões ucranianas sofreram exigências específicas para o cumprimento de suas quotas na entrega. Stalin acreditava que estas regiões estavam desviando ou estocando grãos em vez de entregá-los ao Estado, o que ensejou maior perseguição estatal e consequentes negações de pedidos de ajuda.

Outro fator que teria alicerçado a forte política stalinista repousa no argumento de que as regiões de etnia ucraniana eram vistas como o elo político mais frágil e conturbado, mas essencial à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Assim sendo, acreditava-se que tais regiões deveriam sofrer certo arrocho para que permanecessem vinculadas à “federação” soviética.


O esquerdismo é o Estado no espírito




Este artigo de Manuel Carvalho no Público de hoje vem prolongar o assunto Núncio, extrapolando-o para outras considerações que definem um esquerdista.

Como se lê, Núncio pode não ter cometido qualquer ilegalidade, o que se dá de barato, mas faz parte do lado escuro da lua ideológica que ilumina a esquerda. Núncio, como Sérgio Monteiro e outros são ideologicamente incompatíveis com o Estado tal como o definem estes kamaradas.

Sendo advogados de firmas dedicadas a proteger cidadãos e empresas do Estado tentacular, tendencialmente omnívoro e de vocação totalitária,  são por isso mesmo inimigos desse Estado e convidá-los para governar é o mesmo que meter uma raposa num galinheiro- é mesmo esta a imagem usada no escrito.
Não há melhor definição para esta esquerda que isto: quem protege cidadãos do Estado não pode ir para esse mesmo Estado governar  porque fatalmente irá prejudicar esse Estado através do adn de origem.

O Núncio e os demais são catalogados como "facilitadores", "promotores da exportação de dinheiro para contas cobertas pelo manto diáfano do segredo e da suspeição", logo "temos de olhar de soslaio para a displicência com que abafou a publicação de estatísticas sobre transferências para offshores".

Está aqui tudo dito e resumido. A Esquerda é assim mesmo e não há volta a dar. De um lado,  o Estado governado idealmente por idealistas que tudo fazem para bem do povo em geral e professam doutrina com princípios atinentes.  Do outro,  os inimigos desse Estado que tudo farão para o desnaturar e devolver riqueza a uns tantos que detêm os meios de produção de um país.
A luta de classes no seu esplendor!

De um lado, os defensores desse Estado que deveria controlar bancos, seguradoras, empresas e instituições reguladoras. Este o princípio básico, antigo de algumas décadas pós-PREC e renovado com actualizações convenientes em modo leninista: um passo atrás para dar dois em frente quando calhar.

Do outro, os inimigos desse Estado potencialmente totalitário e que já deu provas sobejas de resultar exactamente no oposto do que se propõe:  bancarrotas sucessivas e miséria para o povo em geral, com manutenção assegurada de Portugal na liga dos últimos, sempre e de há décadas a esta parte, por causa dessa ideologia perversa. Não há no mundo um único Estado que tenha sucesso com esse modelo de organização política e social mas isso não demove os esquerdistas de todos os matizes de lutarem por essa utopia.

No caso do Núncio, Sérgio Monteiro,  agora associados a um Pina Moura e a um Armando Vara, em modo confuso e espúrio, de mistela ideológica sem nexo, o pecado original será esse: o de acreditarem num modelo de Estado diverso daquele. Um Estado mais restrito e menos interventor, com cidadãos mais livres por isso mesmo. Não se trata de luta de classes em que aqueles defendem os possidentes contra os que nada têm a não ser a força de trabalho. Trata-se antes da defesa de um modelo que crie mais riqueza nacional do que aquele que é proposto pelo esquerdismo. Sendo esse o objectivo, conseguido noutros países, porque se aposta sempre no cavalo errado, no caso português?
Tenho uma explicação ou duas: inveja em primeiro lugar e sempre. Depois, atavismo ideológico que vem da juventude. Incapacidade em abandonar as ideias fixas que parecem fixes e são uma porcaria, afinal.
A confusão no artigo entra depois pelo campo aberto das questões de corrupção latentes no regime e que evidentemente atinge toda essa Esquerda através do efeito normal, típico e habitual decorrente dessa opção: quanto mais o Estado se intromete em negócios privados e públicos tanto mais a corrupção vicejará, muitas vezes com protagonistas que defendem exactamente o Estado interventor e dominador. Et pour cause, diria o outro.
A mistela de razões que escoram a principal- a luta de classes- entra ainda por uma confusão perplexa: " Uma sociedade que espera tudo o Estado e concede tão pouco protagonismo à iniciativa individual acaba por gerar no seu seio um sistema de castas", escreve o autor.

Ora o que é a "iniciativa individual"? Exactamente o oposto da iniciativa do Estado, colectiva. A cobrança de impostos é uma das iniciativas do Estado, essenciais para a manutenção da máquina estadual e ao "estado social" e vai sacrificar a "iniciativa individual" retirando-lhe rendimentos que podem atingir o nível de confisco.
Segundo se diz, o Núncio e o Monteiro foram bem eficazes na afinação da máquina devoradora de impostos. Será que distinguiram clientes e pretenderam safar determinada classe em detrimento de outra? E isso exactamente o que o escrito sugere. Será justo? Não porque nem detectam ilegalidades, apenas tendências de classe...
A única questão a colocar perante a actuação do Núncio e demais inimigos da classe do Estado é esta: a sua actuação como governantes ( e não como profissionais) contribuiu mais ou menos para o aumento da riqueza nacional, no campo dos impostos?

Daí que aquela contradição não se dê por achada e continue o ataque feroz a tal opção ideológica.

Essencialmente é esse o tema do Público, neste caso das offshores. O Belmiro da Sonae é deste Estado ou do outro, afinal?

"Não perceber isto é não perceber nada do que se passou", escreve o articulista. Exactamente, embora a receita lhe seja aplicável.