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quinta-feira, 30 de março de 2017

A Parada da Paródia na Graça com todos

Seguindo a lógica antifassista estas coisas que passo a seguir não deveriam ter existido no tempo tenebroso de Salazar. Mas existiram como se comprova...

Vida Mundial de 19.1.1968. Um artigo desenvolvido sobre os Parodiantes de Lisboa, ou seja um grupo formado em pleno salazarismo, dedicado ao humor e centrado em dois irmãos: José e Rui Andrade. É ler...



 Em finais de 1973 o programa Graça com Todos passava todos os dias de segunda a sábado, no Rádio Clube Português, da uma às duas da tarde. Lembro-me de ter ouvido episódios sem conta. Era assim a programação dos rádios em Janeiro de 1974, conforme mostrava a revista R&T de 5.1.1974:



Pastilhas e Ventoinha, seu Arnestinho, vêm desse tempo...

Também esta edição da revista datada de 15.8.1969 não devia existir ou devia ter sido censurada, Jaime Cortesão era "democrata" antes do Estado Novo, opositor do regime e fugiu para o estrangeiro até 1940 altura em que regressou a Portugal e foi preso por isso. Mas por pouco tempo. Passado um ano estava no Brasil e em 1957 regressou a Portugal. Esta edição da revista contava essa história. Segundo o antifassismo não deveria...
É certo que em 1960 a tal "oposição" queria fazer do escritor um herói político. Salazar não deixou. Agora acontece o mesmo, embora de modo mais subtil. 


Rasto de Bava na PT

Sábado de hoje:






O dinheiro dos consumidores dava para tudo na PT de Bava, Granadeiro e quejandos. Até para ter o dobro do pessoal necessário.

O busto desengonçado e o geringonço desfocado

Daqui, uns versos a la O´Neill...


quarta-feira, 29 de março de 2017

Em Órbita da modernidade há 50 anos

Há 50 anos a esta parte passava no Rádio Clube Português, uma emissora privada ( os rádios  privados foram nacionalizados só depois de 25 de Abril de 1974...),  um programa que já vinha de 1 de Abril de 1965.

Esse programa foi chamado de Em Órbita, nome cuja origem não se especifica mas pode ter a ver com a então conquista do espaço sideral, em curso nos EUA e URSS e que culminou com a Apollo 11 em 1969, a pousar no solo lunar. 

O programa passava então música popular de expressão exclusivamente anglo-saxónica e concentrada no rock e pop, sem atenção particular ao jazz ou a músicas populares de outras paragens.

Era um programa feito por jovens, quase todos estudantes do ensino superior e que levavam muito a sério as escolhas musicais que então faziam. Achavam mesmo que tais escolhas tinham uma função social , com destaque para a "música inglesa" que era "baseada em ideias, numa sociedade diferente, com necessidades diferentes, com uma juventude diferente, também de preocupações diferentes."  E também com atenção "a indivíduos cujo inconformismo, cuja novidade são ataques frontais às sociedades de que são simultaneamente consequência e causa."

Portanto, um programa de causas e naturalmente de esquerda porque que era esse já o ar to tempo da segunda metade dos anos sessenta, ainda em plena época de Salazar...

Quem quiser saber quase tudo sobre o programa pode ver este fabuloso blog, Notas Passadas,  de referências musicais desse tempo e que retrata muito bem o ambiente musical da juventude desse tempo que também foi o meu, embora mais a partir dos anos setenta.
O Em Órbita, neste formato pop,  terminou em 31 de Maio de 1971, como relata o jornal Disco Música & Moda nº 10,  de Junho desse ano ( cópia da imagem tirada desse blog)  e foi a partir dessa  altura  que comecei a dar maior atenção a esse tipo de música, até hoje.


A revista Século Ilustrado de 14.1.1967, pertencente ao Século e então dirigida por Francisco Mata reportou em algumas páginas o que era tal programa, num artigo assinado por Ruben Tristão de Carvalho, provavelmente já comunista nessa altura...e o paradoxo é que tais programas de rádio nunca passariam ou seriam permitidos nos países de Leste, precisamente aqueles que tinham um regime que os ditos comunistas queriam imitar por cá.






A dado momento na entrevista, um dos autores do programa - Diogo Saraiva e Sousa- ( por onde andará e o que fará?) dizia que "não conhecemos nenhum programa, mesmo na rádio estrangeira, do mesmo tipo", o que significa que em 1965-67 estávamos a par do que de melhor se fazia "lá fora" em música popular.

Quem aposta em acantonar o regime de então a um beco de obscurantismo e atraso, tem aqui uma bela ocasião para meditar se não deveria estar calado a esse respeito.

Expectativa elevada: nunca mais é Sábado...

Correio da Manhã de hoje:

A Sábado vai ter como director Eduardo Dâmaso, até agora colunista da revista.  A expectativa é grande acerca da nova orientação editorial.
Terá Eduardo Dâmaso capacidade para orientar a revista na linha editorial a que  nos habituou ao longo dos anos, naquilo que escreve? Não duvido.  Porém, uma revista em forma de newsmagazine carece de bastante imaginação para prender a atenção dos leitores todas as semanas e esse bem escasso e precioso não abunda pelas nossas redacções. E os temas habituais  de Dâmaso não chegam nem são os mais importantes para uma revista deste género. 
Os exemplos lá de fora pouco ajudam e os de cá muito menos.
Qual gostaria eu de ver e ler na Sábado?
Vou começar pelo que é para tentar chegar ao que poderia ou desejaria que fosse, com base no último número.
A capa e respectivo grafismo é banal. Nada a distingue de outras congéneres, mesmo pela Europa fora, mormente na Itália ( Panorama e L´Espresso ou Europeo). Mas é melhor, muito melhor que a Visão.
Sendo o bom inimigo do óptimo devo dizer que quanto à capa, paginação e respectivo grafismo nada bate, quanto a mim, a New York e até a Bloomberg, americanas. Fantástica, a primeira e de ver com olhos de ler.
A L´Obs francesa também é um bom modelo e foi sempre assim ao longo das últimas décadas. A imitação desta revista francesa seria um "atout". Vão ver, no último número, como fizeram o obituário de Chuck Berry que me parece exemplar e de uma beleza gráfica inultrapassável, nesse estilo.
Na Sábado há vários designers gráficos ou especialistas da matéria. Estudem o assunto, embora a paginação da revista seja muito boa e não vale a pena mexer muito nisso.
O importante mesmo é o conteúdo noticioso e de reportagem. Neste aspecto só espero uma coisa: que me surpreendam. Já não seria mau, embora entenda que o leitor médio ou típico da revista talvez seja pouco exigente. Não obstante sempre achei que o jornalista deve escrever para o leitor mais exigente e nivelar por cima o estilo e o conteúdo. No jornal Correio da Manhã tal não sucede, mas apenas em modo aparente porque muitas notícias contêm o essencial da exigência mínima e rigorosa.  O estilo é que ajuda pouco...porque o Jornal de Notícias é bem melhor nisso.

Assim, que reportagens ou artigos gostaria de ler na revista? Lembrei-me agora de outra revista que me parece exemplar nisso: a francesa, recente ( em Janeiro ia no número 47 e é quinzenal), Society.  É uma revista muito bem feita, graficamente nada de extraordinário mas interessante e com artigos que não se encontram em mais lado nenhum.
Mas tal depende da qualidade dos jornalistas que lá têm...
Ai se a Sábado pudesse imitar uma coisa destas! Seria o ideal. Mas julgo que é pedir demais...até porque a revista nem se vende por cá e duvido que a conheçam na redacção da Sábado...


Em resumo: não mexam na paginação e estilo gráfico. Melhorem as capas se puderem, apenas.
Quanto ao conteúdo espero surpresas e que sejam artigos para guardar.  Com a qualidade e estilo que tal merece e reportagens bem realizadas com factos e opiniões individualizadas em quem as transmite. Dispenso opiniões dos próprios jornalistas, embora aprecie a isenção daqueles que sabem escolher quem entrevistam e o modo como entrevistam.  

terça-feira, 28 de março de 2017

Cliché dos fautores da nossa desgraça num futuro próximo


Olhem bem para a foto que regista a imagem dos fautores da nossa desgraça anunciada...



Hiper, mega, maxi: de onde vem esta novilíngua jornalística?


Observador:


A Procuradora-Geral da República (PGR) quer alterar a forma como se investigam os crimes económicos e financeiros em Portugal, criando para isso “superequipas” de magistrados de diferentes áreas, refere o Diário de Notícias. Contactado pelo jornal, o gabinete de Joana Marques Vidal frisou que “um dos aspectos é justamente a necessidade de criação de equipas que, tendo um coordenador, integrem vários magistrados de diversas jurisdições”.

"Super" isto e "super" aquilo. "Megaprocessos" e  "maxiprocessos".  "Hiper", "mega", "maxi"...

De onde vem este linguarejar escrito?  Não há outro modo de escrever para definir coisas e assuntos?


domingo, 26 de março de 2017

A Liberdade em "revista"

 Observador:

O Observador entrevistou a artista de "variedades" Io Apolloni, uma italiana que veio para Portugal e singrou nas artes de representação em "revista".

Assim:


Como título da entrevista o Observador pôs este que envergonha a realidade e defrauda a verdade:


Io Appolloni: “A PIDE deu-me 48 horas para sair do país por desencaminhar um homem casado”
A seguir explica-se assim o título:


À época o Camilo não estava mais com a mulher, estava com a Io, mas certo dia a mulher dele apresentou queixa contra si na PIDE e a Io recebeu um ultimato: tinha que deixar o país.
Tive quarenta e oito horas para sair do país! Por desencaminhar um homem casado, vê tu bem. A mulher dele sabia que ele era mulherengo, mas também sabia que eu era um grande “perigo”. Portanto, sabia que comigo a conversa era completamente diferente, era séria. Essa coisa de ter saído de casa, que era a primeira vez que tinha acontecido num casamento que durava há doze anos, foi uma coisa séria.

Foi graças ao Aníbal Nazaré, o autor de “Sopa no Mel”, que acabou por não deixar o país, não foi?
O Aníbal felizmente era amigo do Silva Pais [director da PIDE]. Aquilo na altura não era brincadeira nenhuma e se não tivesse sido o Aníbal tinha mesmo abandonado Portugal. Todas as pessoas que nasceram depois do 25 de Abril não têm a verdadeira noção do que é a liberdade. Eu que vivi sem ela, e aqui em Portugal sentia-se e de que maneira a ditadura, quando chega o 25 de Abril quase rebentei por dentro de felicidade
.

Portanto, a artista de variedades não saiu do país, apesar do ultimato "da PIDE" porque um amigo meteu uma cunha ao director da  polícia e tudo se compôs.


Imagem tirada daqui.

A PIDE seria terrível, segundo o que diz a artista. Até tinha o poder de repôr no sítio certo o "magnetismo" dos homens, afastando-lhes o polo de atracção...

Como motivo de interesse desta entrevista está este fabuloso desenho de Juan Miró, oferecido pelo próprio à artista:



 Sobre uma "revista" de que se fala na entrevista, "Vison Voador", que foi um sucesso em 1970, a revista da época, Mundo Moderno ( a nossa Playboy...) em 1 Março de 1970,  mostrava uma página e a seguir os nomes e caras de quem fazia a revista, na fabulosa Agência Portuguesa de Revistas.



sábado, 25 de março de 2017

O valete de copas

Sol de hoje:



Doidos à solta

 Observador:



O fundador do MRPP, Arnaldo Matos, considera legítimo o atentado de Londres, já que os povos que viram “as suas riquezas e a sua força de trabalho roubadas e exploradas pelo terrorismo imperialista têm todo o direito de utilizar todos os meios ao seu alcance para destruir o imperialismo nos covis das suas próprias capitais.” E avisa que os que fazem atentados na Europa “vão acabar por vencer.”








sexta-feira, 24 de março de 2017

Enquanto houver dinheiro emprestado a juros baixos há geringonça...

No i de hoje, o antigo comunista José Magalhães, convertido à social-democracia maçónica, responde a algumas perguntas numa entrevista.  As iniciais chegam para definir um estado de espírito de uma esquerda que não tem paralelo na Europa na união contra-natura entre algumas das suas forças.
Magalhães, agora muito dado a contemplações maçónicas, depois de abater a suas colunas marxistas-leninistas percebe muito bem quem ainda as apoia e resume tudo numa pequena frase:

"Em Outubro de 2015 estávamos numa situação extrema. Ou uma solução inovadora ou mais quatro anos da Maria Luís de Passos. Temos um país que é prefeitamente desenvolvível ( sic) mas não com a canção do cagalheiro".

Essencialmente é este o argumentário de toda a esquerda, incluindo a de Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite, cada vez mais tapada do bestunto. Entretanto, o antigo parceiro de Magalhães, Vital Moreira, por seu turno também ensandeceu ainda mais um pouco. Também acha que o holandês disse que “não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e logo depois pedir ajuda”, mesmo em modo metafórico e depois sem o ser, ao mesmo tempo, atribuindo-nos o costume.

Em consequência, o esquilibrista Magalhães sugere mesmo o casamento de toda a esquerda, fazendo o PS o papel de entidade parideira do consenso.
Este casamento assim arranjado vai gerar monstrinhos depois de parir nados-mortos. O PS social-democrata não casa bem com o comunismo leninista ou trotskista e tal é conhecido pelo menos desde o tempo de Mário Soares como líder daquele partido.
Essa quadratura de um círculo que aquele Magalhães frequenta será uma aberração.

Em França, o problema é bem conhecido e antigo e foi agora explicado numa edição do semanário Le Un.
Assim:






Em 1977,  quando por cá se enfrentava a primeira bancarrota directamente derivada destas aventuras de casamentos contra-natura, à esquerda,  o socialista Michel Rocard discursou assim perante os socialistas de lá que eram muito escutados pelos de cá, nesse tempo. E as propostas que fazia, ajudavam a definir os propósitos de uma geringonça que nunca chegou a funcionar. Et pour cause, uma vez que as contradições eram tamanhas que ainda não desapareceram.
De tal modo que a explicação para tal fenómeno natural é dada aqui num modo original e cativante: a esquerda é demasiado utópica para se entender com a realidade.



É esse o problema principal cuja impossibilidade de solução irá gerar as contradições que destruirão inevitavelmente uma geringonça feita para percorrer apenas o caminho sem grandes obstáculos que o dinheiro emprestado proporciona. Quando acabar essa mama desfaz-se a geringonça, do mesmo modo que se montou: à pressa e sem jeito.

O jornal de Negócios deste fim de semana mostra bem o roteiro do que nos espera, perante o cru panorama da realidade virtual:






Na página 3 Camilo Lourenço escreve sobre a alternativa e a ilusão desta geringonça, citando as declarações de um Michel Rocard da actualidade, chamado Jaime Gama.


Conclusão? A do título do postal







quinta-feira, 23 de março de 2017

Os encómios à PJ

 

 O CM de ontem destacou na primeira página o sucesso da PJ na captura de todo o gang que assaltava carrinhas de valores e acabou por matar uma pessoa  em 28 de Fevereiro do ano passado, para lhe roubar o carro e que passava, como se costuma dizer,  pelo local errado na altura errada, por puro azar.
Nas páginas interiores do jornal dá-se conta dos factos então ocorridos e do modo como a PJ apanhou os bandidos.
A PJ está de parabéns porque os seus agentes fizeram o trabalho que lhes compete. Mas...fizeram mesmo todo o trabalho necessário?
Sobre esse trabalho escreve também no jornal um antigo agente dessa polícia, Carlos Anjos, agora "colunista" do CM e interventor na CMTV ao lado de Rui Pereira, outros. Sobre Rui Pereira não se devem regatear elogios pelo magnífico papel ( pago, mas ainda assim) que desempenha nessa estação de tv em enquadrar juridicamente factos, sem dizer asneiras como habitualmente estávamos habituados nas tv´s a ouvir a esmo.

Carlos Anjos escreve assim, sobre os métodos de recolha de prova da PJ:


Termina o articulista: "em matéria de investigação, ninguém em Portugal sabe mais que a PJ."

Pois assim será. Mas será ainda necessário atender a outro aspecto muito importante: como escreve  mais acima o articulista, é preciso que as provas reunidas suportem o contraditório do julgamento. E não só: é preciso ainda que tais provas sejam plenamente válidas em julgamento, com provas produzidas e eficazes.

Pouco adianta recolher confissões de arguidos que conduzem à descoberta da autoria de crimes se tais confissões não foram validadas em termos processuais, ou seja, através do crivo de magistrados e advogados em interrogatórios processualmente correctos e oportunos. E é isso que por vezes falha.
Relativamente a crimes graves como é o do homicídio, a recolha de indícios pode implicar a verificação de factos que o próprio suspeito em declarações informais indicou.
Se tais declarações não forem oportunamente validadas pela autoridade judiciária e tal exige a maior premência nesse acto, em prazos que se devem contar em horas, para não se perder o efeito de "colaboração", o resultado da investigação que é mediaticamente encomiada pode vir a perder-se.
E tal já aconteceu e continua a acontecer.
O corporativismo da polícia deve suster-se quando está em jogo o interesse público na realização da Justiça.



quarta-feira, 22 de março de 2017

o gado das nossas feiras

O que disse o holandês de tão ulrajante para uma boa maioria de políticos portugueses reclamarem a sua demissão,  "já!"?

Isto, segundo este relato:

"O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”

Quer dizer, recorreu a uma imagem: se alguém gastar mal e sem preocupação em pagar o que lhe emprestaram para refazer a vida é legítimo que o credor se interrogue sobre tais opções e franza o sobrolho. No mínimo.

O holandês não disse que quem gastou o dinheiro o fez em bebida e mulheres e é sumamente estúpida tal interpretação.

Pois foi exactamente o que fizeram muitos jornalistas portugueses, secundados por políticos do mesmo calibre intelectual, a começar pelo primeiro-ministro e um ministro, um tal Santos Silva, que há poucos meses chegou a comparar uma  negociação de parceiros de "concertação social" a uma feira de gado. E ficou impassível, mantendo-se no lugar...

terça-feira, 21 de março de 2017

A primavera duma praga

 A intolerância política e o extremismo de esquerda estão de volta com as cores de uma desvirtuada primavera.



Entretanto o título da notícia da RR acerca dos confrontos é um must:


Extrema-direita e antifascistas frente-a-frente na FCSH da Universidade Nova.


Mais de quarenta anos de lavagem ao cérebro têm que produzir os seus efeitos...

O assalto à Caixa e os castelos da esquerda

Vale a pena ler e guardar O Diabo de hoje. Por causa de artigos como estes, sobre os assaltos à CGD que a Esquerda ( e não só) quer esconder do povo português:


domingo, 19 de março de 2017

Morreu Chuck Berry e a imprensa esqueceu o obituário...



 Chuck Berry morreu ontem à hora do almoço na sua casa em St. Louis, no Missouri americano. Hoje os jornais impressos nada trazem de notícia e muito menos de primeira página, o que é estranho para quem publicou fotos inteiras de página dedicada aquando da morte de Bowie ou Lou Reed.
Porém, sem Chuck Berry, a música daqueles não seria a mesma coisa porque muito lhe ficaram a dever.
Não tenho nenhum disco original de Chuck Berry mas tenho muita música com sequências de acordes inventados por Chuck Berry, ouvida ainda sem saber tal facto.
Quando comecei a ouvir música rock, nos finais dos anos sessenta já Chuck Berry tinha produzido tudo por que se tornou celebrizado e copiado e já outros músicos e conjuntos tinham aprendido a tocar as suas músicas, sendo os casos mais  notórios os Beatles e os Rolling Stones.
Chuck Berry tinha ficado para trás,  nos anos cinquenta em transição para a década seguinte em que o rock n´ rol se trasmudou em rock, muito por influência daqueles grupos britânicos e das editoras Sun ( que gravava os discos de Elvis Presley, Carls Perkins e Jerry lee Lewis)  e Chess ( que gravava Chuck Berry e Muddy Waters, antes dele) e Atlantic que gravava Ray Charles e outros cantores pretos, americanos.
Chuck Berry foi provavelmente a maior influência singular na música rock que então surgiu. Maybellene, em Junho de 1955, foi uma das primeiras composições do músico. A canção cujo nome fora escolhido num frasco de brilhantina, foi passado por Alan Freed, a pedido dos irmãos Chess, polacos emigrados que convenceram esse  animador de rádio em Nova Iorque a transmitir a música e foi logo um êxito, segundo se conta. Mesmo sem o nome do artista no disco ( informação tirada do livro Rock & Indústria de Steve Chapeple e Reebee Garofalo, de 1977-Caminho da Música 1989). 


O Beatles ligaram logo a canção de Berry, Roll over Beethoven,  a um sucesso de vendas, em finais de 1963 no Lp With the Beatles. Os Rolling Stones já o tinham feito em meados desse ano, com a canção Come on, aliás o seu primeiro disco single. E continuaram a fazê-lo durante toda a carreira, copiando e adaptando mais de uma dúzia de canções de Berry.
Mas não foram apenas os Beatles e os Stones a tocarem músicas de Chuck Berry. Os Beach Boys, no início de 1963 compuseram Surfin´in the USA depois de terem escutado muito bem Sweet little sixteen, daquele músico. A melodia era tão semelhante que foi preciso dar-lhe o crédito respectivo após litígio judicial. A história é contada por Mike Love na sua autobiografia Good Vibrations, my life as a beach boy, de 2016, um magnífico livro, por sinal.

A primeira vez que ouvi Roll over Beethoven e me chamou a atenção  foi em 1973 numa versão da Electric Light Orchestra do seu segundo disco (II) que tenho e guardo como magnífico, muito por causa dessa canção e respectivo tratamento sonoro)
Por causa desse fenómeno as canções originais de Chuck Berry surgiram como recriações de outros grupos e artistas fazendo esquecer muitas vezes o artista original que as criou e agora faleceu aos noventa anos. Além da ode a Beethoven, Maybellene, Sweet Little sixteen, Johnny B. Goode, Memphis Tennessee, You never can tell e muitas outras foram entretanto ouvidas em versões originais ou adaptadas.
É por isso que a ausência de Berry dos obituários de hoje se torna estranha e revela uma incompreensível desatenção mediática a um fenómeno de cultura popular com um relevo superior a muitos outros.
Ao mesmo tempo revela bem a natureza dos critérios jornalísticos e o efeito rebanho que suscita.
Com a notícia de ontem não se gerou a onda mediática que noutros casos assumiu proporções de tsunami e neste morreu logo numa praia longínqua, da América distante. Por outro lado, os directores de jornais não estão sensibilizados para a importância do agora desaparecido Berry. Pouco ou nada lhes diz, mediaticamente. Musicalmente será igual, provavelmente.
A melhor representação da importância de Chuck Berry na música surgiu em 1986 no primeiro filme da trilogia Regresso ao Futuro.
Numa cena antológica, o artista Michael Fox, num palco e com uma guitarra idêntica à que Berry utilizava nos anos de fama de 1958 ( uma Gibson ES 345, encarnada). O tema é o magnífico Johnny B. Good com a introdução fantástica na guitarra, inventada por Chuck Berry:



A parte final do tema apresenta um resumo da evolução do som da guitarra até ao tempo dos Van Halen...o que o torna ainda mais interessante.

 Também memorável é a canção You Never can tell tal como apresentada no filme Pulp Fiction, disponível no You Tube

sábado, 18 de março de 2017

Opa da Sonaecom: estavam todos feitos...

Observador:

José Sócrates diz que Paulo Azevedo tentou recolher o apoio de última hora do seu Governo à Oferta Pública de Aquisição (OPA) do capital da Portugal Telecom (PT) lançada pela Sonae em 2006.

De acordo com um artigo de opinião que o ex-primeiro-ministro publicou este sábado no Diário de Notícias, Sócrates diz que o líder da Sonae ligou-lhe na véspera da Assembleia-Geral da PT que iria votar a desblindagem dos estatutos, que ocorreu em março de 2007.

“Alguns dias antes da assembleia geral da PT, o dr. Paulo Azevedo fez-me um derradeiro telefonema solicitando-me que o governo revisse a sua posição no sentido de dar orientações expressas à Caixa [Geral de Depósitos] para apoiar a referida OPA. Respondi-lhe que o governo não o faria e que se manteria fiel à sua conduta inicial de estrita neutralidade. Dei conta desse telefonema ao sr. ministro da tutela [Mário Lino]”, escreve Sócrates.


Curiosa neutralidade. Em 1 de Março de 2007, dias antes da Assembleia-Geral da PT referida no texto, a revista Visão publicou estas duas páginas em que avulta a informação do jornalista subscritor no sentido de "a tão proclamada neutralidade de José Sócrates, desde o início da operação, ameaça, agora. pender para o núcleo  de accionistas opositores ao projecto da Sonaecom, liderado por Ricardo Salgado, presidente do BES."

Ou o jornalista era bruxo ou sabia de algo que se preparava. É escolher a opção...e pensar se Paulo de Azevedo e Belmiro de Azevedo não terão razão quando afirmam que "estavam todos feitos".



Alguns meses antes desta reunião da AG da PT, em Setembro de 2006, Henrique Granadeiro era notícia de primeira página no pasquim de Pedro Tadeu ( que afirmou não ler o jornal se não o fizesse): afinal não estavam apenas "todos feitos". Eram todos amigos de conveniências e proveniências várias que desembocavam no mesmo interesse primordial: milhões de euros. E os jornalistas sabem muito bem disso porque lá estiveram, à pala do Granadeiro e da PT, na altura uma vaca com farto úbere que dava emprego a quem fosse conveniente. O Expresso de 20 de Maio de 2006 até se admirou disso...




Os resultados da OPA, na Visão de 8 de Março de 2006, dias depois da realização da mesma, com entrevista ao vencedor Henrique Granadeiro: o Santander era um "banco traidor" porque tinha apoiado o Belmiro da Sonaecom. O resto sabe-se agora e quem foram mesmos os verdadeiros traidores.





Estes recortes são o diabo...que tapa com uma mão e descobre com as duas. E vai ser isto que o processo vai dar a conhecer ao público em geral. Vai ser mesmo o diabo ou muito me engano.