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domingo, 14 de janeiro de 2018

António José Saraiva nasceu há cem anos

No passado dia 31 de Dezembro do ano transacto passaram cem anos sobre o nascimento do historiador e homem de cultura, António José Saraiva.

Tirando os seus familiares directos, filho e neto,  que escrevem no Sol sobre a efeméride, ninguém se ralou. Estes,  para comemorarem esse centenário entrevistaram-se e publicaram a entrevista em 30.12.2017.





 

Em 1969, ano da entrevista que José António Saraiva efectuou ao pai, para o Comércio do Funchal, também a Vida Mundial entrevistou e deu a capa à mesma figura. Fernando Dacosta segurava o microfone e fazia as perguntas, já aqui apresentadas em tempos:


António José Saraiva apesar de ter publicado vários livros sobre fenómenos culturais portugueses ( Para a história da cultura em Portugal, publicado em 1946 e republicado em 1996 pelo Público e Crepúsculo da Idade Média em Portugal, também publicado pelo Público nessa altura) para além de uma História da Literatura portuguesa ( junto com Óscar Lopes)  está esquecido e não é lembrado senão pelos seus familiares.

Tal omissão reflecte o actual estado da cultura em Portugal.

Provavelmente tal ostracismo deve-se a isto:

Em 15 de Dezembro de 1990, o Expresso entrevistou-o a propósito do lançamento de mais um ensaio, dessa vez sobre as figuras maiores da geração de 70.

O que o afasta da actual moda de dizer mal de Salazar é a frase do final: "Salazar era um homem respeitável" :



Logo após o 25 de Abril de 74, AJS cronicou algumas vezes na Vida Mundial, explicando noções básicas de política para quem na altura carecia de tais informações. Vida Mundial 31.10.74


10 comentários:

Luís Fernandes disse...

Nada a dizer acerca dos «encontrões» deste Saraiva a Rentes de Carvalho?

Luís Fernandes

zazie disse...

Excelente homenagem.

Adelino Ferreira disse...

O António José Saraiva foi um português de corpo inteiro; estava muito à frente do seu tempo.
Do Rentes de Carvalho admiro-lhe a prosa e o esforço para parecer transmontano...

Floribundus disse...

'a tenebrosa família dos Saraivas' tem gente com muita classe

li com interesse

a outros cortava-os rentes

Bic Laranja disse...

Li com enorme prazer as reedições do Público há 20 e tal anos. Na época mal conhecia os escritos de A. J. Saraiva — lê-se que é uma maravilha ! Pena os tempos vertiginosos de agora que desviam de tornar uma e outra vez às leituras.

A História da Literatura Portuguesa continua insuperada. E há-de assim permanecer; não descortino nas fornadas universitárias quem na ultrapasse. Mas melhor é nem falar, não vá aparecer asno a alcatruzar-se aos ombros de gigantes e dê asneira.

Do olvido em que caiu A.J.S. a prova está aí bem apontada. Dou-lhe uma achega referindo um tomo de mais de 1000 págs. em que M.ª José Saraiva compilou as Crónicas: Entrevistas, críticas e outros escritos de António José Saraiva (QuidNovi, 2004). Estão lá os dispersos todos, de 1936 a 1993, inclusive as entrevistas da Vida Mundial de 69, e do Saco de Plástico de 89 e 90 que o José aqui mostra. Achei o livro por 10 €, imagine, numa dessas feiras de restos de «stock» que costumam fazer em átrios do supermercado.

Dez euros: eis o valor de mercado da melhor cultura neste país! Para esquecer, claro.

Adelino Ferreira disse...

Com a vitória do rui rio a um sábado, será que se vai saber o que terá a quinta...

https://youtu.be/rYK-bdB5V0w

antonio afonso disse...

obrigado por nos lembrar desta grande figura da cultura portuguesa.

majoMo disse...

> «Nada a dizer acerca dos «encontrões» deste Saraiva a Rentes de Carvalho?»

E os «encontrões» do Rentes, e outro regente como ele que faziam um 'duo' contra Saraiva - para lhe ficar com a Cátedra?...

Zephyrus disse...

A sua visao da Inquisicao ajudaria a compreender muito do que se passa no Portugal de hoje...

No inicio do seculo XVI o pais tem tres decadas de crise economica. No tinhamos capitais nem manufacturas para fazer o comercio da India. Comprava-se a credito, pagavam-se juros.

Aproveitando o espirito da Contra Reforma, e usando os Dominicanos D. Joao III pede a Inquisicao para Portugal. Em Roma, o Papa e aconselhado a rejeitar. Dizem-lhe os cardeais que o rei portugues quer apenas roubar os cristaos-novos. Mas D. Joao III consegue. A inveja faz o resto, a Inquisicao mata o progresso do pais mas rende... segundo Saraiva, era uma fabrica de judeus.

Agora ja nao temos a religiao. Mas temos o politicamente correndo, o materialismo cientifico, o culto do corpo e da juventude, e uma cultura socialista e portanto matriarcal, segundo o macom Antonio Telmo. E sendo estas as ideias que dominam o caldo cultural, elas sao aproveitadas para justificar taxas, punicoes, denuncias. E ainda a procissao vai no adro...

Zephyrus disse...

O filho que escreve no Sol e vitima da nova Inquisicao e ja tem queixa por causa de um artigo sobre mudancas de sexo.