sábado, 14 de julho de 2018

Hell´s Angels: margem de certa maneira

O grupo de motards Hell´s Angels, com origem no pós-guerra nos Estados Unidos, tem uma espécie de filial no nosso país e foi agora alvo de atenção judiciária por factos que a seu tempo serão conhecidos.

O grupo ficou a ser tristemente conhecido vai fazer 50 anos, aquando de um concerto dos Rolling Stones em Altamont, na California, em finais de 1969, durante o qual morreu um jovem e ficaram feridos vários indivíduos, incluindo músicos, devido ao descontrolo e violência do gang que tinha sido convidado para uma espécie de segurança no concerto. Na internet há vários artigos sobre o assunto e até filmes.
A revista Rolling Stone, no número de 21 de Janeiro de 1970 relatou o que se passou, em 14 páginas. Ficam algumas:








Um dos primeiros indivíduos a detectar o comportamento belicoso do gang foi o jornalista Hunter Thomson, logo em 1964, tendo escrito um artigo no jornal The Nation, sobre o assunto e que depois foi desenvolvido em livro sobre os Hell´s Angels. A reportagem é do estilo novo jornalismo e na altura Thomson explicou em entrevistas, mesmo na tv, o que se passou e as vicissitudes da visita durante um ano à comunidade, tempo em que recolheu elementos para a escrita.

Numa entrevista publicada num livro recente- Hunter Thomson- The last interview and other conversations, de 2018- o autor, falecido em 2005, explicava  em 1967  o que eram os Hell´s Angels, dessa época...e a ideia básica era de que se tratava de um grupo ainda relativamente pequeno de indivíduos desajustados e marginais à sociedade organizada que optaram pela violência como meio de afirmação de uma identidade própria. Sendo indivíduos encurralados na sociedade, comportavam-se em conformidade. E profetizava então que dentro de dez anos, ou seja por alturas do nosso 25 de Abril de 1974 seriam dez vezes mais.
Em Portugal, até agora não houve nada de parecido. Se tivermos em conta a filosofia inerente aos desajustados da sociedade, o mais próximo que tivemos disto foram os activistas-terroristas da extrema-esquerda dos anos setenta. As FP´s e tutti quanti herdaram os genes do marxismo-leninismo  misturado com um certo anarquismo com propensão revolucionária. Não eram muito diferentes na mentalidade...mas como só se preocuparam em colocar bombas e assassinar pessoas avulsas, tiveram uma reacção do Estado e acabaram como FP25, com o desiderato de acabar com o Estado de Direito, transformando-o num Estado Popular, com eles a mandarem. Eram eles, nessa altura a "margem, de certa maneira".

Estes, agora, estou para ver em que acreditam...e para já há quem garanta que foi este tipo de pessoas que elegeu...Trump.  Ou seja, os novos famélicos da terra, os deixados por conta.




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O Visco do Outro