quarta-feira, 11 de julho de 2018

Pobres ricos portugueses

CM de hoje:


São estes os ricos que temos, em Portugal. Não há mais que isto. Não tiveram dinheiro ou poder para comprar as grandes empresas que recentemente foram vendidas a estrangeiros da China ou da França ou mesmo a fundos de investimento, estrangeiros.

Foi a este estado de coisas que chegou Portugal depois de 40 anos de democracia: não consegue gerar riqueza suficiente para podermos ombrear economicamente com outros países desenvolvidos e europeus.
Os ricos que temos são pobres à escala europeia, para nem dizer mundial.

Foi sempre assim? Não. Antes de 25 de Abril de 1974 Portugal tinha umas dezenas de famílias que detinham poder económico e riqueza suficientes para assegurar um potencial de crescimento económico que na década de 70 do seculo que passou crescia a mais de 7% ao ano. Números desses nunca mais tivemos, mas em compensação tivemos três bancarrotas que nos foram preparadas e apresentadas pelos socialistas e esquerdistas de todos os matizes, com a condescendência dos partidos que praticam uma social-democracia de pobres,  CDS e PSD.
Só a CUF, prato-forte da gula esquerdista, detinha em 1974 capacidade produtiva para assegurar 15% do PIB. Foi engolido em menos de um fósforo pela inveja comunista e socialista, também apoiada pelos demais partidos constituídos e que aprovaram as nacionalizações de Março de 1975 e meses que se seguiram, bem como a Constituição esquerdista que nos garantia um caminho radioso para o socialismo. Ainda garante, aliás...

Para entender a evolução da riqueza em Portugal e de quem a produzia não é preciso ir mais longe do que ler estes dois livros, um deles da autoria de esquerdistas do BE. O outro explica o modo como essa esquerda se acaparou da riqueza produzida pelos "milionários", a surripiou e se locupletou criando um Estado de economia colectivizada que deu no que deu em muito pouco tempo: bancarrota, logo em 1976.




A quem é que esta canalha esquerdista atribui o fracasso das bancarrotas? à "oligarquia financeira incapaz de se modernizar com democracia"...nem mais. E por isso lhe tiraram as empresas e ficaram com o dinheiro.

Em Setembro de 1973 a revista Time, americana e que tinha cá uma correspondente residente, Martha de La Cal, amiga dos balsemões e companhia que estavam na "ala liberal",  escrevia horrores sobre a nossa economia. Precisamente, o Balsemão dizia-lhe então que nós, na Europa só tínhamos atrás a Albânia...e gastávamos para aí 40% do nosso orçamento com o esforço de guerra no Ultramar, a "combater insurgentes":



Os escritos de Mário Soares antes de 25 de Abril de 1974 também são explícitos no sentido da alteração da ordem económica então vigente. Por outro lado, defendia ( basta ler o que vem no Escritos do Exílio, edição Bertrand, 1975) que o fim da guerra no Ultramar  ( a que sempre chamou colonial porque entendia que os territórios ultramarinos não eram parte integrante de Portugal, como lhe ensinaram quando era pequeno e o pai, padre, lhe dissera) significaria instantaneamente uma melhoria financeira de monta. Viu-se...

Seja como for, este ambiente deletério transmitiu-se à tal De la Cal que escrevia assim em 1975 a propósito dos ricos portugueses que então havia, concentrados em 20 famílias e que já tinham sido escorraçados do país, para gáudio da mesma:



No Nouvel Observateur, com o relato do que sucedera no dia 25 de Abril de 1974 e com audição do socialista Mário Soares ( a revista francesa era próxima do PSF e sempre foi) em que este não fazia segredo do que iria acontecer às "oligarquias": ou se punham finos ou teriam o que lhes aconteceu...


E afinal quem eram ao certo os ricos que então havia e quais eram as empresas que sustentavam o PIB e pertenciam às tais 20 ou 44 famílias? Eram estas apontadas em 1974 pelo jornal esquerdista Sempre Fixe:


E que pretendiam esses ricos fazer pelo país, para além de cuidarem dos seus próprios interesses? Investir e na ordem dos milhares de milhões de euros, logo em Junho de 1974.


Não os deixaram e escorraçaram-nos. A Esquerda comunista e a de Mário Soares também.

Em finais Junho de 1978, faz agora 40 anos, Mário Soares ainda achava que assim é que devia ser...



E quanto aos tais ricos, desenrascaram-se â sua maneira. Em 8 de Julho de 1989 o Expresso dava conta do que sucedera aos "velhos empórios", ou seja as tais "oligarquias":





Evidentemente os ricos, em Portugal, nunca mais foram a mesma coisa.  Depois disto apareceram os Ricardos Salgados, outros Oliveiras Costa e mais Santos Ferreiras. E José Sócrates, naturalmente. Chegou a passar a ideia de que a família era riquíssima, vinda do volfrâmio. E houve quem acreditasse piamente. Uma tal Câncio, pelos vistos, acreditou...

Uma tragédia nacional de que poucos se dão conta de toda a dimensão que assumiu.

Quanto aos responsáveis por isto são eles quem manda agora no país. A mentalidade BE tornou-se pervasiva, como diriam os americanos.

Pervasivos, sem dúvida.

Sem comentários: