sábado, 24 de novembro de 2018

A anarquia reinante de 1975 obrigou a nacionalizar a banca?

Um dos comentadores que actualmente mais gosto de ler na imprensa nacional é este que escreve no Sol, Filipe Pinhal que passou a vida a trabalhar em bancos.  Acho que até já escreveu um livro e vou ver se o encontro. Nunca me informei sobre quem é e de onde vem, mas parece-me conhecer bem o país e escreve bem e sempre com interesse porque nos ajuda a perceber a essência do que se passou em Portugal  numa determinada época, com as réplicas e consequências que temos actualmente.

Na edição de hoje do Sol, porém, escreve sobre um fenómeno que me surpreende. Diz que as nacionalizações dos bancos em 1975 foram uma boa medida.
Percebo pouco de economia e ando a aprender, descobrindo o que sucedeu nesse período conturbado da nossa vida colectiva e por isso este é mais um pequeno contributo.

Aqui fica a crónica:


Com que então foi uma boa medida, em 1975, nacionalizar a banca porque, porque, por quê afinal?  Diz que foi para proteger o país da anarquia reinante. Ora bem, essa anarquia reinante terminou em Novembro de 1975 e não se voltou atrás nessa medida.
Parece até que toda a gente ficou contente...porque em 1976 votaram uma Constituição que institucionalizou em intenção expressa as ideias dessa anarquia reinante: Portugal a caminho do socialismo e da sociedade sem classes. Era isso que a anarquia reinante queria e teve direito a figurar na Constituição, como objectivo a prazo indefinido e que se esboroou com o tempo.  Como escreve Filipe Pinhal, em 1989 já não havia ilusões sobre tal anarquia reinante mas continuou tudo na mesma a fazer de conta que sim, nessa Constituição. Até hoje...

Voltando à anarquia reinante talvez valha a pena lembrar a Filipe Pinhal como era e como foi. E principalmente perguntar se era inevitável a medida que foi tomada.

Valho-me no caso de recortes de um livro sobre os milionários já aqui citado várias vezes. Os Burgueses, da tripla de camarados do BE ( Louçã, Teixeira Lopes e Jorge Costa):


Parece-me bem que o problema da anarquia reinante era mais vasto do que parece e não se restringia à "banca" com dificuldades que obrigaram a uma intervenção do Estado.

A tal banca era instrumental do capitalismo que tínhamos e deixamos de ter, em 1975. Portanto, o problema reside em quem deixou que tal acontecesse.
Suspeito que Filipe Pinhal terá sido um dos que apoiou...

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