terça-feira, 27 de novembro de 2018

Global Media de Proença de Carvalho: o buraco

Observador:

A Global Media Group, dona do DN, JN e TSF (entre outros meios de Comunicação Social), confirmou ao Sindicato dos Jornalistas que o grupo de media está com “dificuldades de tesouraria”. Numa reunião com o Sindicato dos Jornalistas, na sequência da informação enviada aos trabalhadores sobre o adiamento do pagamento do subsídio de Natal, o administrador Vítor Ribeiro e o diretor geral de conteúdos Afonso Camões admitiram essas dificuldades de tesouraria, mas garantiram que não está em causa o pagamento de salários e que o subsídio de Natal será pago até ao dia 7 de dezembro, cumprindo o Contrato Coletivo de Trabalho de Imprensa.

Segundo o comunicado do Sindicato, a administração do grupo foi também questionada sobre a alteração da data de pagamento aos colaboradores, que passou a ser feito ao dia 5 de cada mês, mas sobre este ponto “Vítor Ribeiro não assumiu qualquer compromisso”. O administrador da dona do DN, JN e TSF justificou as dificuldades de tesouraria com “a conjuntura do mercado dos média”, afetado pela “diminuição da circulação paga, pelo aumento do custo do papel e pela perda de receitas publicitárias, decorrentes também da absorção de receitas por parte de gigantes tecnológicos mundiais como a Google e o Facebook”.

O Sindicato revela ainda que colocou perguntas sobre os investimentos feitos desde a entrada, no capital da empresa, há um ano, do empresário de Macau Kevin Ho, às quais Vítor Ribeiro respondeu que “foram feitas apostas noutras áreas de negócios, nomeadamente no Gaming e Gambling (plataforma de jogos e apostas online) e no canal V Digital, que ainda não deram retorno financeiro”: no primeiro caso devido a dificuldades burocráticas de arrancar com o negócio; no segundo, porque “tem só quatro meses de atividade” e ainda não se impôs.

Sobre a aposta do novo investidor na reformulação do “Diário de Notícias”, que passou de jornal diário a semanário, Vítor Ribeiro confirmou que os números de vendas não estão a corresponder às expectativas e às estimativas, mas garantiu que o DN “vai ter sempre de existir em papel, mas tem de crescer no digital”. Face a estas notícias, o Sindicato falou do futuro dos trabalhadores e da possibilidade de processos de despedimento como já aconteceu no passado devido aos mesmos problemas. E, segundo o comunicado, aludiu ainda a “atos de gestão tomados sem uma avisada avaliação de risco, que acabaram por comprometer a saúde financeira das empresas e, sobretudo, esses postos de trabalho”.

Sobre isso, o administrador apenas admitiu que há apostas a rever e alterar e garantiu que todas as decisões foram tomadas tendo por base estudos de mercado, mas não se comprometeu com mais nada. Vítor Ribeiro garantiu no entanto que os investimentos em novos projetos ou a abertura a outras áreas de mercado “não afetam os negócios tradicionais”, sustentando que “há uma fórmula de distribuição da riqueza no grupo” e que as “contas dos negócios tradicionais e novas apostas são separadas”.

O Sindicato termina o comunicado a apelar aos trabalhadores do grupo para se organizarem em estruturas representativas, elegendo delegados sindicais, conselhos de redação e comissões de trabalhadores, de modo a que melhor possam assegurar a defesa dos seus direitos.

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