quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O huangdi e o afectuoso serventuário

Público de hoje ( imagem de Nuno Ferreira Santos): de um lado um huangdi moderno; do outro, um serventuário afectuoso.

 O afectuoso a quem o primeiro olha com condescendência de senhor, lembrou-se de recordar àquele a História de há 500 anos, ou quase porque ainda faltam umas décadas. Os portugueses só chegaram às terras dos antepassados do primeiro, já  passavam mais de três décadas sobre o ano 1500, como mostra esta imagem do livro Os descobrimentos portugueses, editado pelas Selecções do Reader´s Digest, em 1985.



A chegada do huangdi foi notada pela extravagância do poder imperial. Há 500 anos éramos nós que tínhamos pólvora, chumbo e bala e queríamos guerrear, para citar Milton Nascimento. Chegamos a Macau em 1557 e ficamos lá centenas de anos. Os últimos foi a "sacar" o mais que pudemos, com uma seita que incluía alguns que agora governam. O huangdi éramos nós, então. Agora é aquela figura que se apresenta assim:


Nessa época eram eles que nos chamavam "amigos" porque não tinham outro remédio.

Agora amigos do huangdi é que não faltam em Portugal. Estes, pelo menos, são serventuários e bem serventuários. Fazem o que o huangdi manda, depressa e sem refilar. Senão...lá se vai a vidinha boa. Falta aqui o maior serventuário: o primeiro-ministro actual, António Costa, aliás formado naquelas bandas de Macau. Envergonha-nos, como povo, esta merda.

Por mim acho uma tristeza e é nestas alturas que me lembro mais de Salazar. Nunca faria estas figuras. Nunca. Nem Marcelo Caetano, aliás.

De resto a História destes huangdi deveria ser contada melhor, para se saber que este último é descendente bastardo de um ta Mao ou de um Chuenlai qualquer e que são duas faces de uma mesma moeda, com algumas décadas.

De há dois  mil anos para cá a História conta-se assim (  Atlas des Impires, Le Monde hors-série 2016)



Neste fita do tempo dá para perceber melhor que não deveríamos tornar-nos serventuários desses povos que agira têm esse huangdi: estivemos lá muito mais tempo do que eles jamais estiveram aqui. A imagem é do Le Monde- Les Empires, de Dezembro de 2015:



Não lhes devemos nada, a não ser, agora, telemóveis e lojas de fancaria. O meu telemóvel é um Huawei. Não precisava de ser, claro. Mas tinha um preço imbatível para a qualidade. Com um desconto de dumping, com certeza. Também tenho um FiiO X5II, mas já tenho outro bem melhor: um Onkyo dap DS-1. Japonês, como deve ser. Não preciso de chineses para este tipo de coisas.

Escusávamos de nos rebaixar tanto e vender-lhes a EDP mais uma série de utilidades. Mas o culpado disso não é o huangdi.
 É um tal José Sócrates...que se vivesse lá na terra dele já não tinha cabeça. Isso é que é certo.


Entretanto, circula pela internet um video do Daily Mail ( o CM do Reino Unido) que não foi divulgado por cá, uma vez que as notícias de homens a morder um cão só aconteciam quando Cavaco Silva era presidente e comia bolo-rei de boca aberta:



Como introdução a estas matérias pode ler-se um livro publicado há pouco tempo entre nós- Os Conquistadores , de Roger Crowley, edição da Editorial Presença, 2016, que mostra o que a China da dinastia Ming fez algumas décadas antes de  nós chegarmos até eles: fecharam-se na grande muralha da China e deixaram de navegar pelos mares em juncos gigantes que abarcariam dez das nossas caravelas.

Isso quando nós éramos um povo com um milhão de habitantes e cujo espírito aventureiro nos levou aos confins do Oriente, pelos mares, numa rota nunca dantes navegada e em esforço maior do que permitia a força humana, como escreveu Camões.

Os chineses não precisam de saber isto. Precisavam apenas de saber que não estávamos acostumados a aceitar obediências a potências estrangeiras. Agora, com esta gente e este povo abúlico, estamos. Foi o mesmo que algumas décadas depois disso, em 1580 entregou Portugal aos espanhóis. Até que em 1640 apareceu alguém que terminou a poltranice.

No século XX apareceu Salazar com o mesmo espírito, continuado por Marcello Caetano. Em 1974 apareceram outra vez os poltrões de sempre. O nosso presidente da República é um deles.


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